Horizonte Sombrio! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 11 Junho 2019.

 

Horizonte Sombrio!

O

 silêncio! Um silêncio quase absoluto se não fosse pela eterna persistência do oceano em pugilar, jogar suas ondas, esticar seus braços que se multiplicam sobre a areia da praia. Seu murmúrio soa horas raivoso, momentos de lamúria e tento interpretar, sentir, ler a sua mensagem que chega permanente aos ouvidos. Nenhum outro ruído esgueira-se entre os vãos dos vidros das janelas. Não há vento, que se escute. A maresia trespassa as paredes e seu hálito sempre atrai o homem para o mar e sua vastidão sem início ou fim. É uma manhã de domingo. Um domingo qualquer. Madrugada longa de um dia que teima em não amanhecer. Um pé para fora das cobertas. Há que balizar a temperatura. Avanço mais e o pé balança na beirada do leito. As horas de sono diminuem gradativamente enquanto a idade avança. O corpo requer uma reconfiguração pela manhã. Algumas coisas foram resetadas durante a noite de sono. O corredor parece mais longo e sombrio, pois sombras jogam-se em profusão pela parede de vidro do living. Há que cumprimentar o mar. Há que abraçar e agradecer um novo dia!

Crônicas & Agudas

As paredes de vidro me cercam, sinto-me num aquário. Isolado do mundo real. Vivendo o meu mundo planejado em longas e duras jornadas de vida. Ondas insanas de um cinza bruto com espuma marrom barrosa com alguns filetes esbranquiçadas que me parecem ser perseguidos e caçados pelo poder do sombrio. De algum lugar, imagino eu, o vento sentou-se e observa o caldeirão da vida, o oceano que a tudo gerou, ferver e derramar-se pelas bordas. Também seria insano alguém aventurar-se a enfrentá-lo. E o sol? Nuvens densas, negras como a desgraça, parecem raspar a crista da maré. Como a beber da sua água e depois despejar no lombo dessa humanidade teimosa e carente de entendimento. Nada do sol! Afino o olho, varando o horizonte de norte a sul, nem uma lasca de luz. Nem uma gota de sol. Sinto estarmos mergulhados numa redoma de sombras, fúria e escuridão. Creio que as aves marinhas se esconderam desse ambiente hostil e devem estar protegendo seus filhotes, seu ninho e um ao outro, no casal.

Cr & Ag

Surpreendo-me conversando com o sol. Não, não sinto que esse ambiente “insano” tenha me corrompido. Imagino-me em alguma praia no início dos tempos, como outro humano impotente ao humor da natureza. E cheio de temor! Parece-me mais uma prece com a Divindade, ansiando pela luz e tudo que ela desnuda, cria, evolui e protege. Sei lá quanto tempo se passou. Tenho uma bola de cristal multifacetado pendendo num fio de nylon na minha janela. Ela recebe os raios de luz e joga-os em prismas por todo o ambiente. Um piscar de olhos. Um flash do cristal bate em meus óculos e penetra córnea a dentro. Logo outro. De algum lugar, que ainda não identifico, a luz solar varou o manto espesso de nuvens. Uma batalha se trava no céu. Como se alguém quisesse nos dar a grandeza da vida com a luz e outra criatura quisesse tornar a vida sombria, triste, depressiva, de horizonte escuro e águas barrentas. Creio que no início dos tempos, aquele homem à beira mar sentia algo similar.

Cr & Ag

A luz persiste rasgando as sombras. Uma garça surge e joga-se a mariscar com ansiedade. As cores alteram-se como numa reação em cadeia. Uma brisa leve balança a vegetação. O vento deixou de ser um mero observador. Tons de azul e verde espalham-se na água antes lodosa. Num passe de luz, a espuma branca, como sempre deveria ser, vence. Um cão aparece correndo a brincar com as gaivotas. Num tempo, as nuvens negras diminuem e o calor e a luz banhando a vida e o mundo. Algumas pessoas surgem sestrosas. Há sons na rua. Há sons e ruídos na cozinha. A vida renasce e se ilumina. Como se vários holofotes amarelos me atingissem e ao mundo. Eis que um pensamento dribla e um sentimento brota – está o amado Brasil hoje saindo das sombras e de muitos dos seus males. Há muito que iluminar e lavar o lodo de corpos, mentes e espíritos e da nossa pátria!

2019 – 06 – 11 Junho – Horizonte Sombrio – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão * http://www.edsonolimpio.com.br

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“Aqui jaz quem nunca se conformou com a Dor, o Sofrimento e a Doença”! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 04 Junho 2019.

 

“Aqui jaz quem nunca se conformou

com a dor, o sofrimento e a doença”!

V

em à mente a imagem de Cristo na cruz em seus derradeiros momentos, como citado no Evangelho, em que exclama a Deus: “Pai! Por que me abandonaste”? Alguns de nós aceitam a dor, o sofrimento e a enfermidade como cargas de seu espírito ou carma, digamos assim. “A expiação do carma” sendo uma forma de pagar as dívidas ou os pecados cometidos nessa vida ou em outras encarnações, dependendo do perfil e do entendimento filosófico e espiritual da pessoa. Evoluindo pela espiritualidade, dívidas familiares seriam também cobradas daqueles em sofrimento. Uma das encruzilhadas de qualquer entendimento religioso ou filosófico atravessa e colide com a dor, o sofrimento e a doença. Aqui sendo um planeta de expiação em que as criaturas renascem para cumprir uma nova jornada na existência eterna com a finalidade de evoluir, de aprimorar-se e finalmente de iluminar-se. E assim nesse fluxo constante de nascer, morrer e evoluir galgamos os degraus dessa terra de sofrimento.

Crônicas & Agudas

Aqueles ditos iniciados ou com o conhecimento mais evoluído e aperfeiçoado tentam nos ensinar que a evolução, através do aprendizado constante, será feita pela dor. Pregam que sem a dor e o sofrimento ou as agruras da enfermidade, a maioria dos humanos não cumpriria sua missão de evoluir. É comum durante o tsunami do sofrimento a pessoa se comparar com outras pessoas e querer traçar um paralelo do porquê do seu sofrimento e da vida menos penosa de outros. Novamente algum iniciado prega mais um cravo na nossa cruz alegando que não temos o “merecimento”. “Merecimento” é uma dessas palavras mágicas tanto iluminada quanto sombria em que nossos méritos serão colocados numa balança espiritual e nossos pecados ou defeitos no outro prato da balança. Outra imagem que muitos cultuam ou aceitam seria que Deus, São Pedro ou a Entidade que administra os portões do Céu teriam um “livro da vida” da pessoa e ali seria feito o balancete: “Entra ou não entra”.

Cr & Ag

Essa crônica se exime de qualquer entendimento que o leitor possa fazer imaginando que o cronista queira lhe ensinar algum caminho ou afetar de qualquer forma a sua religião ou entendimento de vida. Nem argumentar que uma crença é melhor ou pior que outra. Cada pessoa deve buscar e ter a sua avaliação e melhor entendimento de seus passos nessa sua jornada de vida. Eu, pessoalmente, não me conformo com as minhas dores, nem com as enfermidades. Pior, com as dores e enfermidades dos meus pacientes. Cultuo o entendimento de que não há “paciente desenganado”. Há o paciente ou seu responsável que abandona o alívio dos tratamentos. Há médicos de má formação pessoal e técnica, capacidade médica precária ou que navega num mar de orgulho desprezando o auxílio de outros médicos e de outros tratamentos não ortodoxos.

Cr & Ag

Lutar sempre. Desistir jamais! A espiritualidade deve ser presença na vida da pessoa. A sua espiritualidade tratada com respeito pelos demais e por si. A fé deve ser cultuada e buscada nas entrelinhas da dor. A única certeza que carregamos desde o nascimento é de que um dia iremos morrer. Sairemos dessa vida. A questão, o problema está no “como sairemos dessa vida”. A sua fé talvez lhe mostre o melhor caminho, que até pode ser o mais penoso para o aqui e agora de seu corpo. Somos uma trindade: corpo, mente e espírito! Cada um de nós, eu e você, somos responsáveis pela nossa caminhada.

2019 – 06 – 04 Junho – Aqui jaz quem nunca se conformou com a dor, o sofrimento e a doença – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br

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