Coquetel de Lançamento.
Crônicas. Contos. Literatura. Jornalismo. Imagens e datas significativas.
03 fev 2019 Deixe um comentário
em Crônicas & PontiAgudas - O Livro II
Coquetel de lançamento.
03 fev 2019 Deixe um comentário
Cunhados!
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viamonense somente se agacha para rezar para a padroeira Nossa Senhora da Conceição e não titubeia diante de algum desafio. Pelo menos sendo Fraga ou Oliveira! Não teme alma penada, nem as pernadas do PT. Uma dupla de zagueiros do glorioso Tamoio, o gigante rubro-negro da várzea do colégio Stella Maris fez furor depois da Grande Guerra. Foram alunos da famosa ETA, Escola Técnica de Agricultura, berço do “doutor” Leonel de Moura Brizola, ali onde o Vigário não perde o Passo. Apelidos: Praga de Mãe e Coisa Ruim. O velho Menezes marcou um jogo com churrasqueada para um misto de veteranos do Colorado e a fina flor do Tamoio. Tarugo, o volante, era um quase anão, apelidado de Só passa um. E a zaga não passava nada. Já estava 3 a zero para o Tamoio. O time dos veteranos do Colorado tinha esgotado os reservas por contusões variadas, quando o Negão da Tuca, centroavante matador enxertado no time depois de longa carreira no Presídio do Gasômetro, falou para o nosso zagueiro: “Pô alivia meu, sou teu cunhado. Eu namorei a Rosinha Beija Flor”! E foi aí que a coisa desandou e quem não fugiu com a cachorrada latindo na cola, foi carregado nas viaturas para o Pronto Socorro. Até a Brigada apanhou de “salgar o lombo pra não bichar”. Fotografias na parede do bar Sete Facadas, apesar de borradas de sangue, atestavam o fato. Um dos meus primos delatou que a rapaziada sonhava com a pujança da Rosinha Beija Flor.
Crônicas & Agudas
Estava eu ali na orla do oceano, desentocando tatuíras com o dedão do pé, distraído e tentando tomar meu chimareião. Sim, tomar chimarrão (tinha mais areia na cuia do que erva), com o vento Nordestão arrancando os guarda-sóis, derrubando as cadeiras, a areia chicoteando nas pernas e no lombo (ainda chamam de veraneio!) quando se chegou a Lurdinha do Biscoito, filha do Zé Biscoito e descasada do Ataulfo Dias Carneiro. “Edinho do Cabeleira, sou tua fã assumida. Não perco uma coluna no jornal do Pedrão queridão. Mas para com essa estória de falar de sogras (até nem falo muito!). Quero ver é falar de cunhado. Sei que tu é unha e carne com teu cunhado Geraldo. Isso até é outro departamento. Quero ver é falar de cunhado! Anota aí: “Se cunhado fosse bom não começava com C e U”! Na minha fase de vida já não se envareta mais com quase nada. Mas, ela pegou forte e aí me veio o causo do Coisa Ruim e do Praga de Mãe. O cara deflorou (?) a irmã do outro e não casou. E não adiantou explicar que foi cumprir cana na penitenciária e coisa e tal.
Cr & Ag
Resolvi fazer uma enquete virtual já que estou meio modernoso. “Cunhado não é parente, é encosto”! Berrou com quatro pulmões um amigo fiador do cunhado que não pagou e largou a irmã dele. “Cunhado é como ranho em ponta de dedo, não desgruda e não adianta sacudir”! Contou-me do cunhado que come o seu churrasco e bebe a sua cerveja Polar, ainda traz os oito filhos e a sogra para o final de semana na Pinhal Beach. Comecei a ficar preocupado, só coisas ruins no repertório da pesquisa. Outro largou essa: “Cunhado tinha que pagar para dormir com a irmã da gente”! “Se cunhado fosse bom estava recomendado na Bíblia. Davi não tinha cunhado. Moisés também não. Cristo nem se fala”! Esse meio entendido de religião assim saltou num tiro de laço. Já estava até temendo inquirir sobre cunhado. As respostas vinham como chumbo de matar pato ou como rajada de metralhadora dos assaltantes de banco, aqueles amigos da turma dos direitos humanos e da Rosário.
Cr & Ag
“Pô cara, o cara te livrou da tua irmã, agueeenta teus sobrinhos, suportou uma sogra que mal falando é a minha mãe e que Deus a tenha, aguenta de sogro o velho Jorjão da CEEE, sempre de porre e protesto do sindicato na Capital, fica de teu fiador pra comprar essa viatura e ainda consegue dormir nessa zorra toda… O cara é bom demais meu”! Com esse depoimento encerrei o tema de cunhado. E vamos aproveitar esse verão antes que a Globo acabe com o Brasil.
2019 – 01 – 29 Janeiro – Cunhado – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br
01 fev 2019 Deixe um comentário
Passaporte de Viamão! 2ª Parte
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m bairro de Viamão aproveitou a chegada de uns tais açorianos, uns venezuelanos da época, e resolveram pedir divórcio de Viamão. Hoje estão lá tapados de buracos e todo tipo de bronca, mas ainda arrotam: “Sou da Capital”. Grande coisa! A viagem de ônibus para Porto Alegre teve grande desenvolvimento com a chegada de um alemão de Hamburgo Velho, o famoso Seu Hormindo. O viamonense fazia o percurso sabendo que algum dia chegaria ao Porto, que ainda era Alegre. No topo da Lomba do Sabão, o nome descreve o local, havia uma lagoa barrenta onde agora tem um terminal de ônibus que virou quartel da Brigada. Nas suas pestanas (da lagoa) havia o Armazém dos Reis e ali o pessoal tomava um café com bolachas e bolo frito com Malzebier enquanto o motorista e o cobrador colocavam correntes nas rodas do furioso. O bruto descia se ladeando na lomba lisa como sabão. Alguns faziam o percurso a pé em certas épocas de inverno medonho. Imaginem a subida do veículo!
Crônicas & Agudas
Há uma lenda urbana, tida como real, que certo motorista de táxi levava um cliente para Porto Alegre e quando chegou na lagoa encontrou um bagual e uma égua em francos namoros. Parou. Desceu. Extasiado pelo entrevero sexual abagualado! E só continuou a viagem depois do namoro concluído. Os olhos arregalados não cabiam na cabeça do Hélio. Outras viagens de ônibus que marcaram seu tempo eram para o Passo da Areia e Itapuã, às margens da Lagoa dos Patos. Está aí o famoso Valdeci, pai da doutora Varlete, que sabe de várias estórias e causos do local. “E não me deixa mentir sozinho”, como dizia um amigo. A linha de ônibus era afetuosamente chamada de Passo das Éguas e partia ali da sombra da Caixa D’Água. “Passo das Éguas lotado”! “Um passinho à frente, por favor”! E foi do Valdeci o maior complexo de dança e baile que a região já conheceu, o famoso e típico Salão do Valdeci. Churrasco de primeira. A cerveja gelada e gurias fervendo. E o mercado ao lado para umas compras e um rancho do mês. Havia gaudério que arrastava as botas no salão enquanto a “Nega Véia fazia o ranchito”. Que maravilha!
Cr & Ag
Com o tempo, evoluíram três paradas no caminho das praias salgadas: Restaurante Silva (grande Ari do Lino), Restaurante dos Canquerini (meu padrinho seu Osvaldo) e Restaurante no Capivari com “bomba de gasolina”. Era uma novela, uma luta e um desafio chegar a algum deles em certas épocas do ano. Se no melhor verão a viagem levava mais de 4 horas até o Pinhal e depois mais de 1 ou 2 horas pela beira do mar até a Cidreira, com travessia pelos cômoros ou dunas e as ressacas do mar. Várias vezes somente conseguíamos no jipe do seu Aldo com a tração ligada nas quatro rodas, mais a reduzida e muita oração e promessa. Coisa de Rally Paris-Dakar. Hábitos são hábitos. Troca-se de casa, de cavalo e até de mulher, mas não de hábito num tempo em que até padres e freiras tinham hábitos. Um viamonense acampou próximo ao pedágio. Pescava no arroio Alexandrina. Atirava de 12’ nas marrecas e mateava mastigando torresmo feito na barraca enquanto assistia a construção e passavam os novos veículos. Contava que até um “telescóptero” pousou com o “governador no bucho”, que “apeou do animal e tomou um mate comigo e levou umas broas da patroa”.
Cr & Ag
Agora estão construindo um viaduto (falam em viado adulto) na junção da ERS 40 com ERS 118. Vi eu não vi, mas contaram que teve um Fraga acampado ali para assistir a execução da obra durante suas férias e tiveram que trocar a barraca de lugar umas três vezes. Não duvido de nada nessa santa terrinha. Tem coisa que sem contarmos, ou não acreditam ou vira novela na Globo. Talvez seriado no NetFlix. Ou ainda um épico da Record. Tem povo requisitando causos praianos, principalmente com barbeiros envolvidos. Tem tempo!
2019 – 01 – 22 Janeiro – Passaporte de Viamão 2 – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
30 jan 2019 Deixe um comentário
Passaporte de Viamão! 1ª Parte
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rasileiros se ilustram e regozijam com seus passaportes estrangeiros. Alemão, italiano, português, britânico e outros tão concorridos (cubano?) e conquistados. “Quero ver é ter passaporte de Viamão”? Isso me aguçou. Como “passaporte de Viamão”? Na verdade, ele queria dizer que viver na Alemanha, na Itália, em Portugal ou na Inglaterra é fácil. Difícil é viver em Viamão City. Entendi assim. E você? Viver no primeiro mundo é uma barbada, a bronca é viver no garrão do Brasil e numa cidade dormitório, violenta e barbárie no dia a dia. Lembrei-me do discurso de amigo Antoninho “Cascalho” Ávila em que alertava ser um “nascido em Viamão, com sucesso lá fora, no Brasil e no mundo, e, por opção, voltar a viver em Viamão”. Esse é de fé! E real. Outro amigo dizia que nas Guerras contra os castelhanos em que o gerente do Império veio se homiziar aqui depois de acuado em Rio Grande, dando origem a Primeira Capital de Todos os Gaúchos ou Riograndenses, poderíamos ter criado os Estados Unidos de Viamão. Anexava o Uruguai, Santa Catarina e o Paraná e teríamos o nosso país. E depois na Revolução Farroupilha o sentimento renasceu. Mas o espírito de Brasil falou mais alto ou a turma já curtia uma boquinha no governo. Para uns ainda somos tipo de “um país basco” dentro do Brasil.
Crônicas & Agudas
Nós cultivamos e aprimoramos hábitos peculiares. Fazemos muito turismo dentro do nosso território. Experimente umas férias na Praia das Pombas ou na Praia de Fora. Confraternize com os bugios, menos à meia-noite quando descem das árvores e fazem guerra de estrume. Não há mosquitos como os nossos. São como beija-flores anabolizados, mas educados e finos. Secam o bico depois de sugar longamente teu sangue na tua camisa e nos restos do pijama. Faça mergulho de profundidade na Lagoa Negra e descubra entre as ossadas alguma adaga de cabo de prata. O Daison, melhor motorista da época dos ônibus da Palmares, levava dezenas de milhares de viamonenses para a orla, para o litoral, pois as praias somente haviam sido inventadas em Santa Catarina. Eram “pequenas” viagens de mais de 4 horas. Os moradores da zona rural colocavam cadeiras e armavam barracas próximas à estrada para verem os ônibus passando. Uma festa! Os ônibus paravam para um descanso do pessoal e deixar esfriar a água fervente do radiador. Os passageiros aproveitavam para tomar um café com leite de vaca e da vaca, aipim e batata doce frita e pães e bolos com torresmo, ovo frito e feijão mexido.
Cr & Ag
Muitas famílias esperavam os ônibus calculando o horário, o tempo, a estação do ano e o motorista. Alguns motoristas eram verdadeiros pilotos de corrida e o caminhão chegava até uns 60 km/h. Incrível! Só vendo. E abanavam. Os passageiros retribuíam com os braços e cabeças para fora das janelas. Em lugares de atoleiros, haviam juntas de bois e algum trator (movido a leite do Cirne?) de plantão. A poeira era tanta que cuspiam pedaços de telha. Contam que mulheres abandonaram tudo por amor a algum motorista ou a um cobrador. Assim como alguma “moça foi desencaminhada” pela paixão avassaladora. E assim muita criança anda pelo mundão de Deus com pais incertos e mal sabidos.
Havia quem levasse caniço e uma lata de minhocas depois que veio a notícia de um passageiro pegar mais de 50 traíras e jundiás no rio Capivari enquanto o motorista e o cobrador consertavam um pneu. O delegado proibiu arma de fogo longa, como espingarda, porque sempre havia algum caçador de marrecas pronto para derrubar umas aves nas Palomas. Tempos diferentes! Hoje derrubam marrecas em qualquer lugar. Pessoal muito solidário na nossa terra. Repartia-se uma farofada de galinha e ninguém passava fome, sede ou frio na viagem.
2019 – 01 – 15 Janeiro – Passaporte de Viamão 1 – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br
14 jan 2019 Deixe um comentário