O Causo do Trator! Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opiniõ de Viamão – 08 agosto 2017.

 

O Causo do Trator!

 

Série Humor é um Bom Remédio.

 

A história que vamos relatar pode parecer fantástica para alguns, mas quem conhece as fantásticas habilidades de seu personagem principal, até o impossível se tornará provável.

 

C

açador de perdiz e de marrecão, mecânico, motorista profissional, “engenheiro” amador, são algumas de suas qualificações. Da Vinci e MacGiver seriam seus alunos. Afora essas qualidades técnicas, é pessoa amabilíssima e de bom coração. E viamonense da gema.

 

Conta-se que nos longínquos anos 50, executava uma grande aração de terras aos fundos da Fazenda dos Abreu, junto à Lagoa dos Patos. Começara na madrugada e somente pararia à noite. O inverno fora rigoroso e o preparo da terra para o arroz atrasara. “Trabalhador ferrenho e feroz”, segundo o próprio – opinião contrária de outros. Quando se apercebeu, a lua penteava faceira os mais altos galhos dos eucaliptos.  Os tambores de gasolina dentro do trole secaram.  Restava apenas o combustível do tanque do trator. Ainda rodaria algumas boas léguas até a sede da fazenda onde pernoitaria. Retornou. Algum quero-quero reclamava à passagem do trator que insolente perturbava seu descanso e as corujas olhavam de soslaio num apupo sinistro.

 

As marrecas piadeiras e caneleiras davam rasantes nas lagoas inchadas pelas chuvas do inverno rigoroso e chorão. Uma tarrã ofendida marcava seu território riscando a grama com o esporão agudo de sua asa. Pensamentos vagueavam: a família longe, o novo dia de trabalho, os pés em bolhas dolorosas contra os pedais. Súbito, o previsível, o trator soluçou, soluçou, engasgou e apagou o motor. Bateu arranque. Nada. Foi verificar o tanque de combustível. Vazio. Sentou-se. Acendeu o palheiro. Longas tragadas que enevoaram a noite clara. Perguntou para a lua: – “E agora?”

 

Ao longe, o bruxulear de uma luz que escapava pela janela entreaberta. Era o rancho de um peão da fazenda. Chegou-se, bem recebido, constatou que não tinham nenhum combustível. Somente a querosene nos lampiões. “Pernoite amigo, que amanhã cedito tu resolve.” Disse-lhe o peão. Seus compromissos o atucanavam. Então pediu “um tarro de leite emprestado”. O peão estranhou, mas cedeu. Colocaram o tambor na carroça e o levaram até o trator adormecido no ermo da várzea. Descarregou o leite. Despediu-se do homem. Baixou sua fiel companheira: a caixa de ferramentas. E começou a alterar a mecânica do trator. Suas hábeis mãos satisfaziam-se com a luz prateada da lua atenta. Logo derramou o leite no tanque. Subiu e bateu arranque. O tratorzão tossiu, arrotou uma meia dúzia de vezes. E não pegou. Desligou a chave para não matar a bateria e voltou ao conserto. Já sabia o que faltava. Pronto. Guardou as ferramentas. Dedo polegar no botão, o arranque dispara e o bruto estremece e pega. “Meio engasgado, pigarreando.” Disse. Não virava redondo, pois precisaria de outras peças e ferramentas especiais que, no momento, não dispunha.

 

“E o bicho velho veio tossindo, rasgando a noite da várzea.”  – gostava de recordar.

 

Muitos quilômetros adiante, desconfia de um ruído esquisito: “FFIIIZZZ, FFFIIIIZZZZ…” Olha para os lados pensando em assombração em noite de lua cheia. Nada! Súbito, ao virar-se nota um risco amarelo-esbranquiçado no trilho da fera. Refletindo à lua. Custa a acreditar no que vê. Deixa o motor ligado. Desce. A curva do cano de descarga, furada, deixava vazar algo. Aquilo. Passa no dedo, cheira e leva à boca.

 

“Manteiga! Manteiga!” – Soltou um grito de espanto. Meio misturada com graxa e combustível, mas Manteiga.

“E me vim’bora!”  – contava. “No outro dia, o pessoal testemunhou o sucedido”.

 

2017 – 08 – 08 Agosto – O Causo do Trator – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Futebol e outras Histórias – por João Saldanha. Sugestão de Leitura.

 

Futebol e outras Histórias - João Saldanha - 2017-08-01

Série Saúde para Todos.

Enviado do meu smartphone Sony Xperia™

Guarani 0. X. 2. Inter. Meu Sangue é Vermelho, Meu Coração ♥ é Colorado.

Enviado do meu smartphone Sony Xperia™

O Zoo e as Feras! Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 01 Agosto 2017.

 

2017 – 08 – 01 Agosto – O Zoo e as Feras – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

http://www.edsonolimpio.com.br

O Zoo e as Feras!

E

is que na última quarta-feira, Dia dos Avós, levamos, durante à tarde, o neto Lucas para visitar o Zoológico de Sapucaia do Sul. Tarde primaveril, com magnífico sol que aquecia os corpos e estimulava as almas já se acostumando com a ausência do rigoroso inverno gaúcho. Os estacionamentos do Zoo e suas ruas estavam repletas de crianças de todas as idades, nenhuma com a cabeça branca como um risonho avô. Sabemos que o parque e a instituição que o mantém estão num período de transição com a iminência de ser privatizado, pois o Estado do Rio Grande do Sul, que ainda tem rio, poluído é verdade, mas deixou de ser grande faz bom tempo, não consegue saldar adequadamente a folha de pagamentos do funcionalismo. Isso traz desconfortos e desassistência para muitos e o Governo se vê numa sinuca ou com a mão e todo o corpo numa cumbuca de titânio e a famosa “escolha de Sofia” virou atividade diária. Ou põe dinheiro que não tem na saúde caótica de postos e hospitais ou investe nas feras e nos animais.

Crônicas & Agudas

Observa-se a nítida degradação dos equipamentos e das instalações. Sinto que a quantidade de animais diminuiu em relação às outras visitas no passado. Mas a turma estava feliz assim mesmo e o alarido das crianças põe sangue novo numa ordem anárquica que virou a vida, o cotidiano dos sobreviventes gaúchos e brasileiros. É pipoca e sorvete para tudo que é lado. Os pais estão tranquilos com os filhos de colo, mas com o coração aos saltos tentando controlar o ímpeto das crias correndo de uma jaula à outra. No grande cercado da elefanta havia uma jovem com uma paciência maior que a criatura de trombas e bunda virada para a plateia efervescente. Ela se detinha a responder perguntas das crianças e dos pais e cuidadores com graça e bom humor. Incrível! E é funcionária pública ainda! Como muitos de nós fomos e acreditávamos na nossa dignidade profissional e no trabalho. Trabalho! E fornecia, várias e repetidas vezes, os dados pessoais da senhora trombuda e ainda pincelava sobre outros dos animais do Zoo. Magnífico!

Cr & Ag

As distâncias devem ser percorridas com denodo pelos avós no rastro do neto. A paradinha para o fôlego e para a água deve ser rápida como pistoleiro do velho e saudoso oeste. Há momentos em que a avó assume o manche e pilota a aeronave e aí se curte o grande lago e o bailado dos cisnes de variadas espécies. A placa orienta que o belo chafariz na verdade é um aerogerador que “torna a água oxigenada”. Todos os netos sabem disso! E sabem que se “um zumbi cair no lago ele não morre afogado, apesar de não precisar nadar”. Vale até uma soneca à sombra e com o lago e os cisnes por testemunhas. O urro distante parecia que algo muito grande e feroz se aproximava. Perambulamos pelas jaulas dos macacos e suas arteirices. Um trator com reboque iniciava a colocação de caixas de alimentos próximas às jaulas para que os tratadores as dessem aos animais. E logo estávamos frente a frente com ursos, calmos e sonolentos. E logo a jaula com a dupla de tigres em frenética atividade em saltos e caminhando por troncos de madeira.

Cr & Ag

A origem dos rugidos – um leão, muito do cabeludo, urrava para a torcida e para a fêmea dorminhoca. Dizia que comeria qualquer um daqueles com óculos e tudo. Bichão cabeludo e marrento. Mostrava unhas sem pintura ou base – cara macho mesmo! Fedia! Gaúcho macho barbaridade. Tudo com a jaula nos protegendo, mas se um funcionário surtado ou dos direitos humanos soltasse o leão… Se um psicólogo ou psiquiatra atestasse seu bom comportamento e ausência de risco para a sociedade… Instalações desumanas? Excesso de lotação? Sei lá que canetaço daria, mas solta a fera, o leão iria se fartar nas criaturas indefesas. E tive o estalo que a caneta de muito juiz, delegado ou autoridade está fazendo isso o tempo todo conosco. Nos desarmaram, nos impedem da defesa e liberam as feras sanguinárias. E as jaulas que deviam nos proteger? Estão nos nossos muros, portas e janelas e as feras soltas, rondando e atacando!

http://www.edsonolimpio.com.br

Histórias do Futebol – por João Saldanha. Li e Recomendo! 2017-08-01

 

Histórias do Futebol - João Saldanha - 2017-08-01

Inicie a Semana com…

Enviado do meu smartphone Sony Xperia™

Série – Zero Pichação! -1-

Pixo 1 - 2017

Imagem

Série – Gaúcho! Cento por Cento. -4-

Gaúcho - 4

Imagem

Crianças – sobrevivem apesar dos pais! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 25 julho 2017.

 

2017 – 07 – 25 Julho – Crianças – Sobrevivem apesar dos pais – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

http://www.edsonolimpio.com.br

Crianças – sobrevivem apesar dos pais!

M

ilhares de crianças desaparecem todos os dias no país, atropelam-se números acima de trinta mil infantes. Certamente o número de crianças acidentadas é bem maior, pois não há números que quantifiquem as observações de qualquer serviço de urgência. Causas? Atribuir à falta de sorte, ao azar de pais, responsáveis e cuidadores? Basta uma singela observação no dia a dia e constata-se que a atitude irresponsável dos pais e cuidadores é assustadora. É comum a mídia mostrar uma mãe chorosa lamentando a desgraça de um filho, mas raramente mostra sua conduta de risco que levou ao desfecho de dor e sofrimento. Pais que vivem as suas vidas como se seus filhos não existissem ou fossem responsabilidade de outras pessoas. Assustador! Duvida? Constate em qualquer lugar público, pois no anonimato das casas entre quatro paredes o desleixo dos pais deve ser muito mais significativo em comparação quando até poderiam jogar para a torcida. Ou para inglês ver!

Crônicas & Agudas

Estávamos num restaurante, era sábado ao meio dia, logo com bom público. Um casal com um menino de pouco mais de um ano instalou-se numa mesa, colocado numa cadeira alta de madeira, comum para uso infantil. Tão logo colocam o pequeno na cadeira, o pai vai ao bufê e logo a mãe toma o mesmo caminho. O menino fica impaciente tentando acompanhar os pais com os olhos e com as mãos. Os pais continuam varrendo o bufê sem qualquer olhar de atenção ao seu filho. Demais comensais continuaram suas vidas de cada um na sua. Garçons passam ao largo, pois certamente a criança “não é seu compromisso”. Eis que o menino fica de pé sobre a alta cadeirinha, levanto rapidamente e agarro-o. O menino me recebe com alegria e ali fico aguardando que o pai ou a mãe olhassem para seu filho. Continuaram o trottoir de pratos no bufê e ao balcão de grelhados. O tempo passa e passa. Eis que o pai voltou a sua mesa com uma torre de comida no seu prato, sentou-se e mandou garfo e faca. Agradecimento a um estranho que ali estava cuidando de seu filho? Nunca. Depois de outro longo tempo a mãe voltou com outro prato entulhado de comida. Nenhum deles serviu algum pratinho de comida ao filho. Voltei para tentar continuar o meu almoço, desisti depois dessa conduta dessas duas criaturas. Até são pais geneticamente, mas no mundo prático e real…

Cr & Ag

O que motiva um casal a ter um filho? Quais compromissos estão absolutamente incluídos nessa opção, suas opções? Ou os compromissos e responsabilidades são relativos e eventuais? Os filhos que façam por si ou que surjam pessoas externas que lhes complementem? Muitas pessoas jamais deveriam ter filhos, até a vida dos pets seria cruel com essas criaturas. Não deveriam e não mereceriam ter filhos por suas condutas de risco e de irresponsabilidade. Um menino, como o descrito, caindo do alto daquela cadeira e um possível traumatismo cranioencefálico ou outro trauma com maior ou menor gravidade seria um acidente, incidente, azar, irresponsabilidade do restaurante ou pais que não merecem esse título?

Cr & Ag

Não se espera agradecimento, mas quem não demonstra nenhum tipo de gratidão é uma criatura desprezível. Sempre que o pai ou a mãe daquela criança voltaram para as repetições de comida (para elas somente), jamais se voltaram para a mesa do filho. A criança frequentemente voltava-se para mim com os olhinhos cintilantes e sorria. É a beleza da vida em luz no olhar de uma criança. Uma prece silenciosa para que o seu anjo de guarda conte com ajuda, pois esperar algo dos pais… talvez se a comida não for atrativo principal ou nenhum outro atrativo surja para que o filho que eles colocaram no mundo seja o principal e adequadamente cuidado.

http://www.edsonolimpio.com.br

Entradas Mais Antigas Anteriores Próxima Entradas mais recentes