Atino e Desatino! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 09 Junho 2010

6 Jun 09 – Atino e Desatino – Crônicas e Agudas – Jornal Opinião

Atino e Desatino!

Vamos por uma interrogação brutal. Onde termina a imprudência e onde começa a estupidez no seu mais abrangente sentido? Discursamos contra os administradores públicos que tem como preocupação primeira em multar no trânsito. As estradas estão congestionadas frente ao avassalador número de veículos vendidos. Sem que a arrecadação dos impostos desde a fábrica ao consumidor final seja aplicada em estradas mais seguras e numerosas. Arrecadar e arrecadar e arrecadar, parece nada mais lhes interessar! E o condutor?

 

Alucinados em duas rodas e por vezes em uma só roda. Empinam suas máquinas de matar e morrer com caronas numa dança macabra de final previsível. Motoqueiros no sentido mais depreciativo do termo. E merecidamente. Cruzam e atravessam por todos os lados. Direita e esquerda. Por cima e diariamente por baixo. O livre arbítrio permite que a criatura disponha da sua vida absurdamente, mas jamais dispor da vida dos outros. Muitos vão onerar suas famílias e a sociedade em seus quase eternos tratamentos tirando as escassas vagas das unidades de saúde e hospitais das vítimas reais da tragédia do trânsito. Ou por eles causadas.

 

Películas! Quase não existem carros circulando sem as películas nos vidros e até nos para-brisas. Há uma norma limitando a transparência, geralmente não obedecida. Com a desculpa de estarem protegendo os ocupantes de possíveis ameaças de criminosos, retiram a visão do condutor. Principalmente no crepúsculo e à noite. Nos cruzamentos não enxergam os veículos no seu sentido e pelos retrovisores perdem a real avaliação dos demais veículos em trânsito. Muitos motoristas de Opalão, Chevette e Fiorino deveriam realizar avaliação psiquiátrica anual. Observem principalmente com vidros pretos e adesivos do tipo “Interceptor ou Turbo”.

 

Sabe a diferença entre um hobby de amante da música e a insanidade procurada e geralmente encontrada? São esses amalucados com o som a incontáveis decibéis, além de perturbar a sociedade incapacita-os a escutarem as buzinas e os demais sons de alerta do trânsito. Isso vale para os motoqueiros com fones de ouvido e música (?) a milhão. Ainda nesse ramo tem os insaciáveis do celular. Para muitos não basta mais um celular, são vários com vários chips cada um. Um em cada ouvido e outro vibrando nos glúteos. Há os drogados pelo crack, pela cocaína ou por vícios e compulsões como do celular e assemelhado. E quando virem uma acompanhante com os pés sobre o console e no para-brisa lamentem pelo futuro da dupla dinâmica. Pode piorar, sim! Chimarrão, cigarro e latinha de cerveja ao volante.

 

Subir e descer da rodovia em qualquer velocidade. Ou andar trancando o fluxo normal da estrada. Sempre que alguém alegar que “está no seu direito”, saibam e tenham certeza de que algo está errado. Com os outros ou com o seu direito. Ou seu esquerdo! O Uruguai implementou a circulação nas rodovias com faróis em luz baixa. Como havia sido feito aqui. É uma medida salutar de ver e ser visto. No entanto, lâmpadas queimadas, luz alta descontrolada, com chuva, nevoeiro, crepúsculo e noite quando muito andam com alguma sinaleira ligada. A quantidade que anda como morcego é impressionante. Inclusive motoristas profissionais. Talvez a economia de luz deva ser pelos altos custos da CEEE ou da Coopernorte! Só ironizando de vez! Seja vigilante como pai ou mãe, amigo ou namorada. Principalmente como filho. Xis por cento irá morrer ou aleijar-se no trânsito, evitem fazer parte dessa estatística cruel. Sentir-se magoado pelo colunista? Ótimo talvez alguma vida se salve e não cause dor em quem lhe ama.

Alguém pode explicar…

Qual a razão dos cones da Polícia Rodoviária nos Maristas mudarem as formas de “chicane” tipo da Fórmula 1 e com chuva ou à noite ali estarem sem qualquer atividade policial presente? As reclamações são muitas.

Marcas! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 02 Junho 2010

6 Jun 02 – Marcas – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

 

Marcas!

– Será que o meu remédio não está falsificado doutor? – pergunta um paciente.

– Qual o motivo da sua dúvida?

– Acho que não está fazendo efeito igual ao outro que tomava antes! – conclui.

Isso é uma dúvida atroz para muitos necessitados consumidores de medicamentos. Muitos comparam as amostras grátis que recebem em alguns consultórios com os medicamentos de balcão e ficam na dúvida. Esse é um território pantanoso, com muita areia movediça. O número de especialidades farmacêuticas à venda no país é absurdo e astronômico – dezenas de milhares. O advento do chamado Genérico trouxe uma avalanche de cópias e pseudocópias. No momento do registro e autorização de venda espera-se que haja inspeção adequada. Depois… Impossível. Talvez por amostragem ou por denúncia.

Seria o Brasil um Paraguai gigante? Seria um império de falsificações? Quantos tipos de leite existem no comércio? Poucas. Pouquíssimas se comparadas com o número de remédios. Outro dia tivemos o escândalo do leite com soda, água oxigenada, etecétera e tal. Deu em que? Quem souber que nos diga e que a mídia noticie. Tem o caso da bela miss desfilando na TV no domingo que por denúncia descobriu-se ser… Homem. Até o sexo pode ser falsificado? Quantas dúvidas e tantas certezas. Vamos exemplificar num remédio para hipertensão arterial. Se a pressão persiste alta, as dúvidas pairam no médico que errou ao prescrever, no paciente que não está tomando corretamente, na dieta que não é adequada e vai por aí. E a qualidade do remédio? Eis porque os anticoncepcionais não estão aos borbotões no mercado. Se a “pílula” falhar é muito mais fácil identificar onde está o erro ou se é “pílula de farinha”.

Uma senhora respondeu assim a um balconista de farmácia ansioso por aumentar seu faturamento alegando que tudo que é “genérico e remédio é igual e a mesma coisa”. – Então rapaz, eu sou mulher como a tua mãe e somos diferentes ou não? Eu sou mulher e não me comparo com essas drogadas e prostitutas que estão ali fazendo ponto no centro. E a tua mãe? Tudo que é mulher é igual? Tu ias querer pra esposa uma assassina e traficante porque tudo é mulher?  – Relata a senhora que “ele enfiou o rabinho entre as pernas e foi buscar” o que ela pediu. Exemplo fascinante desse senhora. E corajosa. Próprio de mulher responsável!

No mercado de produção e consumo não existe mágica. Valores absolutamente distantes podem significar algum tipo de fraude. Seja do produto ou do vendedor. Como apregoa a sabedoria popular na eterna música – até o santo desconfia de muita esmola na sacola.

O ser humano tende a ser conservador nas marcas preferenciais. Qual a sua cerveja? Qual o cigarro? Qual o carro? Qual a TV? Qual a erva mate? Qual a farinha? Qual o leite do filho? Qual… Observe as coisas de uso diário, eventual seu e da família ou até do trabalho e lazer ou informação. Temos marcas preferenciais em quase tudo. – Mulher pra mim só a Genoveva! – exclama o primo. Tem os que preferem somente de dois tipos – nacionais e estrangeiras (rsrsrs). Há gosto e desgosto pra tudo!

Assim deve ser com medicamentos também. Tenha suas marcas de confiança e dê mais valor a sua saúde. Tenha sua farmácia e farmacêutico de confiança e que respeite o receituário do seu médico, que também deve ser de sua inteira confiança. Jamais economize trocados para sua saúde e de seus familiares ou pessoas que ama. Em saúde jamais se gasta, faz-se investimento. O melhor investimento!

Amigos e Amigas! – Leitores – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 26 maio 2010

5 Mai 26 – Amigas e Amigos – Leitores – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Amigos e Amigas – Leitores!

 

– Assunto é o que não falta! – dizia-me um leitor dessa formidável página semanal. Pelo menos essa ainda é a opinião da Doralina e de mais um monte de leitores. Quase uma dúzia no último censo. Pois, esse ávido leitor, queixava-se da repetição de temas que são abordados nos jornais. – Tem muita encheção de linguiça por aí Edinho! – seu humor e o desabafo não eram para muita discordância. E nem há como discordar radicalmente dos leitores. Pois assim como cliente sempre tem razão, o mesmo parece valer para o leitor. Encontrar alguém que se interesse por ler já é uma raridade na sociedade. Encontrar alguém que procura entender e discutir os textos é uma raridade ainda maior. Sabe-se que cerca de 1/3 dos alfabetizados são incapazes de entender um texto simples de mais de dez linhas.

 

Assuntos e repetições! Esse mote sempre me assombra. Escrever para consumo próprio é como o cão que brinca com a própria cauda. Escrever evitando a redundância é outro desafio. Escrever para um público heterogêneo como é de um jornal é uma situação como agradar gregos e troianos. – Quem são os gregos? Tem-se uma interação entre as manifestações dos leitores ou a falta delas. – Faça umas colunas de humor, chega de política e sofrimento! – dizem uns. – Conta umas lendas e histórias de Viamão! – querem outros. – Gostei muito e até lemos a tua coluna para as colegas de trabalho! – refere uma cara amiga. Aqui entramos nesse universo formidável dos Amigos e Amigas. Gente especial que nos aceita até quando a inspiração é menor que a transpiração. Perdoam nossas bobagens e incentivam ainda quando sentimos que tropeçamos no teclado.

 

Descobrimos pessoas que mesmo discordando de certas opiniões, riem das cores do humor que tentamos pintar a dura vida da maioria de nós. Encontramo-nos pela casualidade e dizem: – Sou seu leitor! Amei e guardei aquela coluna que escreveste sobre os cães! Eu também tive um cão como o Peludo e como ele enriqueceu as nossas vidas! – abraçava-me uma leitora. Isso mais que gratifica, cria uma corrente ou uma egrégora de sentimentos compartilhados. Se instigamos a raciocinar, se cutucamos com a guilhada das palavras e das frases, tentamos gerar luz e fazer da vida um caminho mais belo a ser compartilhado. A busca por temas para serem abordados transita por esses caminhos – aquilo que possa palpitar em nossos corações. Ousadia ou esperança? Talvez Fé!

 

O jornal pode ser um ente vivo ou já sair às ruas como letras mortas. De quem depende? Assim como a sociedade pode ser um ente amorfo, sem vontade social, até mesquinha e egoísta nas suas escolhas ou massa disforme dos maus líderes, nossas responsabilidades devem ser maiores do que nós. Cada texto ou cada coluna não deve ser um mero turista descompromissado a vagar entre os leitores, deveria ser um ente que deva tocar e ser tocado. Árdua tarefa, jamais impossível.

Grossura! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 23 Maio 2010

5 Mai 23 – Grossura – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Grossura!

– Série Humor ainda é um bom remédio! –

– É

 mais grosso que dedo destroncado! Ou ainda: – Não é mais grosso por falta de espaço! A sabedoria popular gauchesca é repleta desses termos que retratam a falta de uma postura mais educada, mais refinada, mais condizente com o ambiente ou com a posição social da criatura. – Estamos na época em que tudo pode pra quem se sacode! – Outro ditado querendo liberar o que deveria ser privado.

Os novos ricos ou os emergentes que estão galgando a pirâmide social são exemplares nessas gafes ou despropósitos. Alguém consegue imaginar uma guerra de miolo de pão numa janta do Lions com médicos jogando as bolas de massa socadas na cabeça dos outros? Há testemunhas vivas. Ou a criatura limpando as unhas com o pálido? Às vezes fica difícil saber onde termina a grossura e começa o relaxamento.

– Tá com uns pilas no bolso e já acha que é gente! – diz outra sabedoria popular gaudéria. Verdade. Os novos ricos são desvairados (alguns mermão!) e falar alto e gargalhar em recinto público parece normal em suas cabeças adornadas. No reino da cabeçolândia as pessoas não conseguem fazer uma refeição e conversar sem berrar e saírem com os tímpanos doloridos. Tem um restaurante praiano que a comida é boa em qualidade e variedade. Um ambiente amplo e sem ostentação, mas a grossura começa pelo garçom que atende com um palito entre os dentes. E se quiseres fazer uma refeição mais civilizada, pois em praia as opções são escassas, chegue antes das 11,30h, pois depois é “um pega pra capar”. Como um enxame de gafanhotos, atiram-se no bufê livre. Criaturas enchem os pratos como se fosse a última ceia. Morros imensos, caindo rodelas de tomate e alface pelo caminho. Ainda pegam um pratinho auxiliar e colocam pilhas de pastéis e outros etecéteras. Tal qual uma briga de foice no escuro, é garfo e faca brandidos de fazer inveja às guerras farroupilhas. E ainda escutas, gordas imensas (perdão pela redundância) explicarem para outras no mesmo descaminho que começaram “um regime”. Filho de emergente corre desatinado entre as mesas, chora e ri e atira-se no chão sob a complacência dos pais engalfinhados na bóia. Só chamando assim mesmo. Uma selva! Muitos jamais comem frutas e são raros os demais vegetais em suas casas, mas no restaurante misturam tudo no mesmo prato: – É muito bom pra saúde! – escutas.

A batalha final trava-se nos doces. – Credo, olha só ela se serve de doce no prato de comida! – diz ferozmente cuspindo sementes de melancia que ricocheteiam no prato e caem na mesa ao lado. – Que coisa feia, pra isso tem os pratinhos! – completa. Enquanto o casal acaba com a Pepsi 2L, empurram os pratos e a tolha para o centro da mesa. Tapam a boca para arrotar. Escondem a boca, jamais o cheiro e o barulho. Vem a sessão de palitamento de dentes enquanto o café preto geralmente frio e doce escorrega goela abaixo. Completando ele pergunta sinistramente: – Deu pra comer! – ao que ela responde com sorriso maroto do implante dentário: – Hehehehe, agora comi sem dar! De noite quem sabe…

E Nós Avisamos! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 12 Maio 2010

5 Mai 12 – E Nós Avisamos – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

E Nós Avisamos!

Por muito tempo essa coluna foi uma voz solitária reclamando da inércia ou da indolência das autoridades para o surgimento de um flagelo social já experimentado em outras cidades e que aqui nascia – a pichação. Raros foram os ecos que essa coluna ou que a sociedade atingida foram ouvidos.

Inicialmente picharam os muros de algumas casas. Diziam ser coisa de garotos – brincadeiras! – Que os atingidos os pintassem novamente. – Pensavam e diziam. Logo paredes, janelas e portas foram pichadas. – É um excesso da gurizada! – Ouvia-se. A onda crescia. As novas paradas de ônibus eram concluídas à tarde e destruídas à noite. As escolas tornaram-se alvos dos vândalos. E ai dos professores que ousassem punir esses vândalos. Alguém já esqueceu as agressões das famílias, dos defensores de “crianças” e da mídia biruta contra quem ousasse tomar alguma atitude de defesa? Não havia limites para a depredação do patrimônio público e privado. Outros birutas tentavam transformar a pichação e a destruição em algo chamado de “arte urbana”. O fórum central foi coberto de pichações e panfletagem e até as paredes da OAB. Estava escancarado o desafio aos últimos redutos da Justiça e defesa do cidadão de bem.

Relatamos a associação das drogas com o vandalismo. Alguns nos disseram que isso deveria ser “raro” e que “muitos eram filhinhos de papai”, daí a maior impunidade. O consultório médico ainda deve permitir as emanações da verdade comprimida e constrangida em muitos corações. Assim como o confessionário foi no passado para muitas pessoas. E ali se assistem relatos atemorizantes do que é a vida dos professores que ousam e teimam em continuarem em seus ofícios nas salas de aulas. Hordas desenfreadas impedem que os professores possam cumprir a tarefa de ensinar e formar cidadãos, enquanto muitas lideranças de classe debatem-se na teia ideológica como predadores ou presas.

Destruíam os orelhões e os abrigos de ônibus. – Que vá o governante restaurar! Destroem-se escolas. – Que a sociedade e os professores calem suas bocas! Agora se destroem postos de saúde. Acordemos! É isso mesmo que estás lendo aqui. Posto de saúde coberto de pichação e incendiado. Repetimos – incendiado. Logo incendiarão com pessoas dentro. Há muito tempo isso aqui está um Iraque. Há uma guerra em curso enquanto políticos discutem se a culpa é da direita ou da esquerda. E continua sofrendo quem está no meio – o cidadão que tenta trabalhar e entrega meio ano de suor e dor para os impostos e taxas dos governos. Num grupo de oito pessoas indagamos se alguém acreditava que os responsáveis seriam encontrados e punidos? Resultado deste ibope privado – ninguém acredita! Se for “de menor” – alguma advertência aos pais ausentes. Se for “de maior” – certamente uma cesta básica.

Raros são “os mais veteranos” que nestas horas de tristeza e revolta não sentem saudades da disciplina da ditadura. Outros alertam que em Cuba a punição seria exemplar. Outro lembra o caso de uma idosa e viúva que buscou socorro no chefe do tráfico da sua região. Outro lembra ainda: – Que mundo deixaremos para nossos filhos… Ou que filhos deixaremos para o mundo! Tristeza e indignação nos assolam. A esperança é calcada na fé. Fé em algo superior ao homem, mas como Deus fará aquilo que nós teimamos, relutamos ou absolutamente não fazemos? Respondamos!

E Nós Avisamos! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 12 Maio 2010

5 Mai 12 – E Nós Avisamos – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

E Nós Avisamos!

Por muito tempo essa coluna foi uma voz solitária reclamando da inércia ou da indolência das autoridades para o surgimento de um flagelo social já experimentado em outras cidades e que aqui nascia – a pichação. Raros foram os ecos que essa coluna ou que a sociedade atingida foram ouvidos.

Inicialmente picharam os muros de algumas casas. Diziam ser coisa de garotos – brincadeiras! – Que os atingidos os pintassem novamente. – Pensavam e diziam. Logo paredes, janelas e portas foram pichadas. – É um excesso da gurizada! – Ouvia-se. A onda crescia. As novas paradas de ônibus eram concluídas à tarde e destruídas à noite. As escolas tornaram-se alvos dos vândalos. E ai dos professores que ousassem punir esses vândalos. Alguém já esqueceu as agressões das famílias, dos defensores de “crianças” e da mídia biruta contra quem ousasse tomar alguma atitude de defesa? Não havia limites para a depredação do patrimônio público e privado. Outros birutas tentavam transformar a pichação e a destruição em algo chamado de “arte urbana”. O fórum central foi coberto de pichações e panfletagem e até as paredes da OAB. Estava escancarado o desafio aos últimos redutos da Justiça e defesa do cidadão de bem.

Relatamos a associação das drogas com o vandalismo. Alguns nos disseram que isso deveria ser “raro” e que “muitos eram filhinhos de papai”, daí a maior impunidade. O consultório médico ainda deve permitir as emanações da verdade comprimida e constrangida em muitos corações. Assim como o confessionário foi no passado para muitas pessoas. E ali se assistem relatos atemorizantes do que é a vida dos professores que ousam e teimam em continuarem em seus ofícios nas salas de aulas. Hordas desenfreadas impedem que os professores possam cumprir a tarefa de ensinar e formar cidadãos, enquanto muitas lideranças de classe debatem-se na teia ideológica como predadores ou presas.

Destruíam os orelhões e os abrigos de ônibus. – Que vá o governante restaurar! Destroem-se escolas. – Que a sociedade e os professores calem suas bocas! Agora se destroem postos de saúde. Acordemos! É isso mesmo que estás lendo aqui. Posto de saúde coberto de pichação e incendiado. Repetimos – incendiado. Logo incendiarão com pessoas dentro. Há muito tempo isso aqui está um Iraque. Há uma guerra em curso enquanto políticos discutem se a culpa é da direita ou da esquerda. E continua sofrendo quem está no meio – o cidadão que tenta trabalhar e entrega meio ano de suor e dor para os impostos e taxas dos governos. Num grupo de oito pessoas indagamos se alguém acreditava que os responsáveis seriam encontrados e punidos? Resultado deste ibope privado – ninguém acredita! Se for “de menor” – alguma advertência aos pais ausentes. Se for “de maior” – certamente uma cesta básica.

Raros são “os mais veteranos” que nestas horas de tristeza e revolta não sentem saudades da disciplina da ditadura. Outros alertam que em Cuba a punição seria exemplar. Outro lembra o caso de uma idosa e viúva que buscou socorro no chefe do tráfico da sua região. Outro lembra ainda: – Que mundo deixaremos para nossos filhos… Ou que filhos deixaremos para o mundo! Tristeza e indignação nos assolam. A esperança é calcada na fé. Fé em algo superior ao homem, mas como Deus fará aquilo que nós teimamos, relutamos ou absolutamente não fazemos? Respondamos!

Amigos e Amigas! – Leitores – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião de Viamão – 26 Maio 2010

5 Mai 26 – Amigas e Amigos – Leitores – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Amigos e Amigas – Leitores!

 

– Assunto é o que não falta! – dizia-me um leitor dessa formidável página semanal. Pelo menos essa ainda é a opinião da Doralina e de mais um monte de leitores. Quase uma dúzia no último censo. Pois, esse ávido leitor, queixava-se da repetição de temas que são abordados nos jornais. – Tem muita encheção de linguiça por aí Edinho! – seu humor e o desabafo não eram para muita discordância. E nem há como discordar radicalmente dos leitores. Pois assim como cliente sempre tem razão, o mesmo parece valer para o leitor. Encontrar alguém que se interesse por ler já é uma raridade na sociedade. Encontrar alguém que procura entender e discutir os textos é uma raridade ainda maior. Sabe-se que cerca de 1/3 dos alfabetizados são incapazes de entender um texto simples de mais de dez linhas.

 

Assuntos e repetições! Esse mote sempre me assombra. Escrever para consumo próprio é como o cão que brinca com a própria cauda. Escrever evitando a redundância é outro desafio. Escrever para um público heterogêneo como é de um jornal é uma situação como agradar gregos e troianos. – Quem são os gregos? Tem-se uma interação entre as manifestações dos leitores ou a falta delas. – Faça umas colunas de humor, chega de política e sofrimento! – dizem uns. – Conta umas lendas e histórias de Viamão! – querem outros. – Gostei muito e até lemos a tua coluna para as colegas de trabalho! – refere uma cara amiga. Aqui entramos nesse universo formidável dos Amigos e Amigas. Gente especial que nos aceita até quando a inspiração é menor que a transpiração. Perdoam nossas bobagens e incentivam ainda quando sentimos que tropeçamos no teclado.

 

Descobrimos pessoas que mesmo discordando de certas opiniões, riem das cores do humor que tentamos pintar a dura vida da maioria de nós. Encontramo-nos pela casualidade e dizem: – Sou seu leitor! Amei e guardei aquela coluna que escreveste sobre os cães! Eu também tive um cão como o Peludo e como ele enriqueceu as nossas vidas! – abraçava-me uma leitora. Isso mais que gratifica, cria uma corrente ou uma egrégora de sentimentos compartilhados. Se instigamos a raciocinar, se cutucamos com a guilhada das palavras e das frases, tentamos gerar luz e fazer da vida um caminho mais belo a ser compartilhado. A busca por temas para serem abordados transita por esses caminhos – aquilo que possa palpitar em nossos corações. Ousadia ou esperança? Talvez Fé!

 

O jornal pode ser um ente vivo ou já sair às ruas como letras mortas. De quem depende? Assim como a sociedade pode ser um ente amorfo, sem vontade social, até mesquinha e egoísta nas suas escolhas ou massa disforme dos maus líderes, nossas responsabilidades devem ser maiores do que nós. Cada texto ou cada coluna não deve ser um mero turista descompromissado a vagar entre os leitores, deveria ser um ente que deva tocar e ser tocado. Árdua tarefa, jamais impossível.

Grossura! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião de Viamão – 23 Maio 2010

5 Mai 23 – Grossura – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Grossura!

– Série Humor ainda é um bom remédio! –

– É mais grosso que dedo destroncado! Ou ainda: – Não é mais grosso por falta de espaço! A sabedoria popular gauchesca é repleta desses termos que retratam a falta de uma postura mais educada, mais refinada, mais condizente com o ambiente ou com a posição social da criatura. – Estamos na época em que tudo pode pra quem se sacode! – Outro ditado querendo liberar o que deveria ser privado.

Os novos ricos ou os emergentes que estão galgando a pirâmide social são exemplares nessas gafes ou despropósitos. Alguém consegue imaginar uma guerra de miolo de pão numa janta do Lions com médicos jogando as bolas de massa socadas na cabeça dos outros? Há testemunhas vivas. Ou a criatura limpando as unhas com o pálido? Às vezes fica difícil saber onde termina a grossura e começa o relaxamento.

– Tá com uns pilas no bolso e já acha que é gente! – diz outra sabedoria popular gaudéria. Verdade. Os novos ricos são desvairados (alguns mermão!) e falar alto e gargalhar em recinto público parece normal em suas cabeças adornadas. No reino da cabeçolândia as pessoas não conseguem fazer uma refeição e conversar sem berrar e saírem com os tímpanos doloridos. Tem um restaurante praiano que a comida é boa em qualidade e variedade. Um ambiente amplo e sem ostentação, mas a grossura começa pelo garçom que atende com um palito entre os dentes. E se quiseres fazer uma refeição mais civilizada, pois em praia as opções são escassas, chegue antes das 11,30h, pois depois é “um pega pra capar”. Como um enxame de gafanhotos, atiram-se no bufê livre. Criaturas enchem os pratos como se fosse a última ceia. Morros imensos, caindo rodelas de tomate e alface pelo caminho. Ainda pegam um pratinho auxiliar e colocam pilhas de pastéis e outros etecéteras. Tal qual uma briga de foice no escuro, é garfo e faca brandidos de fazer inveja às guerras farroupilhas. E ainda escutas, gordas imensas (perdão pela redundância) explicarem para outras no mesmo descaminho que começaram “um regime”. Filho de emergente corre desatinado entre as mesas, chora e ri e atira-se no chão sob a complacência dos pais engalfinhados na bóia. Só chamando assim mesmo. Uma selva! Muitos jamais comem frutas e são raros os demais vegetais em suas casas, mas no restaurante misturam tudo no mesmo prato: – É muito bom pra saúde! – escutas.

A batalha final trava-se nos doces. – Credo, olha só ela se serve de doce no prato de comida! – diz ferozmente cuspindo sementes de melancia que ricocheteiam no prato e caem na mesa ao lado. – Que coisa feia, pra isso tem os pratinhos! – completa. Enquanto o casal acaba com a Pepsi 2L, empurram os pratos e a tolha para o centro da mesa. Tapam a boca para arrotar. Escondem a boca, jamais o cheiro e o barulho. Vem a sessão de palitamento de dentes enquanto o café preto geralmente frio e doce escorrega goela abaixo. Completando ele pergunta sinistramente: – Deu pra comer! – ao que ela responde com sorriso maroto do implante dentário: – Hehehehe, agora comi sem dar! De noite quem sabe…

O Povo da Rua! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião de Viamão – 05 Maio 2010

5 Mai 05 – O Povo da Rua – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

O Povo da Rua!

Ou seria um título melhor – Os Povos das Ruas? Apenas para efeito e consideração prática temos dois: o povo de rua que tem pátria, isto é, tem casa ou toca-lar para onde retornar. E o povo da rua que não tem pátria, sem moradia, zumbis ou párias da sociedade que em desabalada carreira passa a sua volta, fechando as narinas para seu odor de morte anunciada ou para nossos monumentais ungidos pelo poder das urnas que o usa como asfalto na estrada pedagiada e com sobrepreço de suas carreiras.

♠

No povo da rua com pátria encontram-se os fileiros. Esse bando de criaturas que ou ama ou odeia filas, mas elas sempre fazem parte das suas vidas. Filas ou bichas no gauchês. Fila no caixa do mercado – gigantescas no Big e no Nacional, filas nos caixas de bancos, se tem caixa tem fila, fila no cinema, fila no trânsito, fila no banheiro, fila no motel… Centenas! E a fulminante e mortal fila para atendimento na saúde. Emergências superlotadas, congestionamento de ambulâncias e macas nos corredores. Fila para conseguir um leito ou para receber remédio e transplante. E as filas de festas – ingressos para carnaval, jogos de futebol e outras relíquias. Esse pessoal cria know-how especializando-se para cada situação. Cadeiras de praia, garrafas térmicas, mijador (recipientes para urinar na fila), chimarrão, comida variada, som, celular carregado e muito papo para rolar com os vizinhos. Acrescentam-se os vendedores de filas, como a posição na fila, fazer alguma propaganda e aplicar algum golpe nos espertos de plantão.

♣

E o povo sem pátria, sem lenço e sem documento, como a música famosa que nasce, resiste, sobrevive e morre nas ruas. Seres encardidos, sombrios. Olhar feroz, olhar de cão pidão ou olhar de peixe morto – opaco, perdido, terminal, sem qualquer horizonte, afogado na dor ou no vício. Existe vício sem dor? Claro que não, perdoem a redundância. Uma escada, um canto de parede, uma marquise, um viaduto, um banco qualquer, árvores quando existiam, portaria de igreja, um jornal ou caixas de papelão. Qualquer fantasmagórico teto ou a mortal cobertura do álcool e do crack. A fuga dos albergues ou de qualquer instituição que crie disciplina e cerceie a liberdade de quem não tem liberdade alguma. Prisioneiros da mente doente, em grades permanentes das vidas do futuro pelo minuto seguinte. A vida nos bueiros, literalmente. Essa legião é alargada e engrossada nas suas fileiras pela droga que traz o inferno para corpos degradados e almas sugadas, flageladas no poço da maldição. Muitos já tiveram uma pátria, uma família, pessoas que os amavam e um trabalho. E agora? Um destino inexorável onde jamais a morte liberta. Ao contrário, serão maiores as dores e o sofrimento. Raciocinemos sem romantismo!

Vida depois da Morte ou Vida depois da Vida! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 05 Maio 2010

5 Mai 05 – Vida depois da Morte ou Vida depois da Vida! Crônicas e Agudas – Jornal Opinião

Vida depois da Morte ou Vida depois da Vida!

– Eu é que não sei o que tem depois, pois ninguém que morreu voltou para contar! – Essa é uma das várias formas de serem expressas as angústias ou temores de diversas pessoas. Piora quando quem assim se expressa conclui: – Temos que aproveitar tudo que dá agora, pois depois ninguém sabe!

 

Quase que invariavelmente quem assim se manifesta professa alguma religião. Nunca vi algum ateu dizer isso. E maciçamente são cristãos. Ou assim se dizem e rotulam. De um modo geral somos primitivos em nossos raciocínios e sentimentos. E um dos sentimentos e necessidades primitivas do ser humano é ser tribal. Pelo bem e pelo mal. É como se o lobo que habita o nosso íntimo buscasse a sua alcatéia e assim sentir-se protegido e poderoso.

As três maiores religiões ocidentais tem em seus alicerces os ensinamentos dos grandes profetas do Antigo Testamento que nós cristãos aceitamos. Todos eles pregavam o Deus Superior e uma vida depois desta vida. Com Cristo aconteceu a sublimação e o aperfeiçoamento de todos os ensinamentos e para nós – Deus Filho torna-se um ser humano. E como ser humano vive, sofre e sente todas as qualidades e dores dos seres humanos. E sempre ensinou-nos que há uma vida depois dessa vida. Esse é um dos pilares basais em qualquer religião ocidental ou oriental. Observem os magníficos ensinamentos de Buda e de Maomé. Observem que até entre as mais diversas civilizações em épocas e regiões distantes entre si acreditam e vivem a vida do agora sabendo de uma vida depois dessa.

Alguns pregam que isso faz parte da necessidade do ego humano e nesse caminho dezenas de versões se acumulam. Muitos psiquiatras enveredam por essa sombria vereda, no entanto, centenas de outros tratam seus enfermos em “hospitais espíritas”. Os ensinamentos espíritas vertidos por Kardec trouxeram o renascimento do amor pleno e incondicional – o amor de Cristo – com a denominada “fé raciocinada”, significando que tudo que ofender a razão, pode ser ruim para o ser humano. Eu acrescento que toda a ideologia ou toda a fé que busca a aniquilação das outras e o sectarismo ou o radicalismo vassalo está sendo odiosamente manipulada ou muito mal entendida. A unidade de um Deus de Amor jamais terá a face sangrenta da morte ou a posse do irmão para aumentar seu poder.

O grande debate deveria estar centrado pelo título desse ensaio em como é ou pode ser a vida depois da morte. Ou o que nos espera depois dessa passagem aqui na terra? O que acontece com o espírito imortal que vive e usa esse habitáculo que denominamos de corpo? Para muitos o livre arbítrio ou o uso da razão que permite à ovelha permanecer com seu pastor ou rebelar-se contra o falso pastor é uma “maldição” da humanidade.

Nos idos da metade da década de 1980, buscava explicações para “fenômenos” comuns à vida do médico. Isso me permitiu acrescentar a uma base cristã e católica de meus pais e principalmente de minha mãe Dora o estudo de novas filosofias e tentar extrair da fé de outros, novos ensinamentos. Pelo motociclismo fiz centenas de amigos e desbravei terras que jamais sonhei existir e conhecer, pois foi o motociclismo que me aproximou de um grupo que estudava a “vida depois da morte” e até as “vidas passadas”. Tinha a liderança nacional pela médica paulista neuro-psiquiatra Maria Júlia Prietto Peres e do emérito professor e mestre psicólogo Antônio Veiga. Pelas intricadas teias das existências, o Veiga é um viamonense e professor de diversas universidades e Maria Júlia com uma cunhada viamonense – a querida Mara Peres Ramos. O intuito era de um grupo de estudos e pesquisas, sem qualquer vínculo religioso, como outros que se formaram pelo mundo afora que buscava a vertente da vida depois da vida e a reencarnação. Depois de vários anos, seguimos caminhos diversos os membros da época. Mantenho ainda contato com o Veiga e seu estudo e trabalho contínuo da pesquisa e da iluminação do ser humano. Inúmeros são os médicos e psicólogos que foram e são seus alunos e eternamente gratos pelos horizontes de amor que ousa e persiste ensinar e difundir. O amor se constrói e sedimenta com disciplina e dor e mesmo os mais empedernidos, refratários e primitivos em suas essências vitais serão compelidos a evoluir.

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