07 JULHO 20 – 2011 – POLITICAMENTE CORRETO – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Politicamente correto!
– E aí os caras me chamaram no portão: – Abri aqui ó mulato! Viemos falar com teu patrão. Primeiro que aqui só entra com ordem do doutor e segundo eu não sou mulato ou mulatinho, sou negro e pode me chamar de negrão. Então já não gostei de nada disso. Essa foi parte da conversa do meu funcionário senhor Alaor.
Vivemos num mundo onde se bailou e continuar a oscilar-se entre os dois extremos, seja da apologia, seja da radicalidade. Tudo que se localiza nos extremos geralmente é ruim para qualquer lado que penda, agite ou olhe. O ilustre Governador Colares exercitava com maestria e sem nenhuma dificuldade a cor da pele: – Deixa que o Negrão resolve! Há que se cuidar até ao falar em público e cometer algo que possa ser considerado ofensivo para algum segmento étnico, ideológico ou sexual. Comenta-se que um ilustre jornalista foi processado e execrado por dizer: – Bandido bom é bandido morto! – E quando algum bandido ou facínora era morto pelas forças policiais: – Um a zero pra sociedade! Talvez seja o que a maioria pensa ou sente. Mas entre sentir e dizer…
A praça atrás da Igreja matriz é um reduto de desfiles gays. Todo mundo sabe e alguns até comparecem… Sabe-se que um feirante discordando da mudança da feira livre para as bandas do cemitério alegou que seria por causa dos gays e não porque a Igreja estaria incomodada. Foi alertado por seu cliente advogado que poderia ser processado por falar isso em público porque estaria discriminando o “livre trânsito e a ida e vinda desse segmento social”. A cliente ao lado, escutando e posteriormente narrando o fato, talvez pela idade avançada, ficou abismada de “como esse mundo de Deus e do Diabo tá mudado”. A Brigada realiza uma necessária limpeza com frequência nos drogados da Praça da Matriz – novamente no perímetro da Igreja – e na praça da Rua Garibaldi defronte o posto de Saúde. Logo logo os brigadianos serão processados por impedirem o consumo individual desses “deserdados do capitalismo”. Permite-se o consumo individual, permitem-se os movimentos em passeatas de apologia e apoio às drogas, “de repente uma criatura estará fumando maconha, se picando, cheirando, usando crack no banco do lado no ônibus e tu não terá pra quem se queixar e muito menos quem impeça esse absurdo”– exclama em sofrimento um amigo.
O bandido tem todo o direito de roubar, estuprar e assassinar? Considerando que essa é a sua profissão que logo estará regulamentada ou apoiada por ONGs sustentadas pelo nosso dinheiro entregue por bandidos de colarinho branco – termo surrado e velho, mas ainda usável! – nós, as vítimas, continuaremos a ser boiada no brete social. Desarmados. Impossibilitados de nos defendermos. E criminalizados se oferecermos resistência ou à mínima injúria aos criminosos. Logo os facínoras estarão agrupados dentro de algum movimento social e protegidos por leis. Numa campanha política que participei: – É isso aí doutor, temos que fazer campanhas para mais hospitais e se sobrar dinheiro que façam presídios, o bolo não dá pra todo mundo! Acho que todos na política ouvem algo assim, pois já inquiri vários políticos e esse é um sentimento recorrente, mas inviável de ser manifesto e impraticável pela realidade.
Alerto que não há nenhuma similaridade entre o início da crônica com os elementos finais. Apenas o cronista mostra facetas do diamante social em que até as justas e humanitárias causas podem confundir-se com abusos e infindáveis distorções. Há que evoluir. O cupim já está comendo o cerne da sociedade. Como vê e sente isso?