Laranja de Amostra – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 10 Agosto 2011

08 AGOSTO 10 – 2011 – “LARANJA DE AMOSTRA” – EDSON OLIMPIO OLIVEIRA –
JORNAL OPINIÃO – CRÔNICAS & AGUDAS

“Laranja de Amostra”

 

Mostram-nos
o que lhes interessa. Querem nos cativar. Desejam ganhar a nossa atenção ou
capturar os nossos sentimentos. Essa peça da sabedoria popular expõe a técnica
de vendas do feirante – colocam-se as mais bonitas laranjas por sobre o monte,
escondendo as mais feias, defeituosas ou já passadas. Talvez muitas até podres.
Quase todos sabem disso e apercebem-se fazendo a escolha das frutas
pessoalmente e não permitindo ao vendedor que ensaque as laranjas à sua
vontade. Usam a boa conversa
mostrando outras frutas igualmente bonitas e apetitosas ou ressaltando o
frescor das hortaliças ou o aipim
descascado e que cozinha e fica como uma manteiga
. Distração!

Distração é a alma do negócio – outro ditado
popular. Cativa-se quem quer e precisa ser cativado. Diz-se aquilo que o outro
necessita ouvir. Tudo sem mudar o alvo, que é o bolso do consumidor. – Como está frio hoje dona Genoveva! Como vai
o seu Gumercindo? Está melhor do reumatismo? Já a senhora parece que renovou!

desde a mais aguda técnica comercial até aos mais belos sentimentos reais numa
negociação o fundamento do sucesso está na ausência de prejuízo aos
participantes. Sempre que houver vantagens mal adquiridas a relação terá seus dias contados e o vendedor uma vida
mais curta no seu ofício.

Como o quero-quero que canta para um
lado quando o ninho está em outro lugar!
Somos assolados diuturnamente e o
fazemos quase sempre neste intercâmbio fantástico que é a vida e as suas
relações. Ninguém gosta de ser passado
para trás,
seja numa singela fila em algum caixa comercial ou nos postos de
saúde ou no cinema. Muito menos no amor! As laranjas
de amostras
podem estar aí ao seu lado. Risonho ou risonha. Sempre
cativante. Eis que vários descobrem muito tarde que o inimigo dorme ao seu lado. Terrível? Real. – Eu não sabia que ele era assim. Todo mundo tem os seus defeitos. Até eu
tenho um monte. Mas sempre achei que com o amor tudo iria mudar. Ele era legal
comigo. Tem um gênio meio forte por problemas da infância, mas ele tem um lado
bom…
– Tudo sempre tem algum lado ou parte boa. Até as laranjas podres da
parte inferior da pilha tem alguma parte boa. Talvez. Isso basta? Custo versus benefício compõe outra
parte importante e fundamental na relação comercial e certamente em qualquer
relacionamento humano. Mas, no entanto, se o custo é muito elevado ou doloroso,
qual seria o benefício prevalente? Dor não é benefício. Dor é para-efeito ou contraindicação
para qualquer uso ou consumo. A dor do
bolso é a dor da alma
diz quem acredita ser o bolso o local mais sensível do corpo humano.

Somos
mariposas vocacionada para a luz. Nosso eu cristão precisa acreditar que algo de bom existe ali. Infelizmente nem
sempre isso é verdadeiro. Algumas criaturas são pútridas e pestilentas até as
suas mais profundas entranhas. A graduação de virulência é extensa e seletiva.
Assim como somos impelidos a buscar e explorar as melhores laranjas e até das
machucadas tirar algum suco útil, jamais poderemos abster-nos da razão. Socos em facas de ponta – outra
maravilha da astúcia popular – fazem parte da nossa escola de vida e desse
aprendizado eterno. Nada se encerra, tudo continua!

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