15 AGOSTO 2012 – CONFLITOS – Parte 2 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Conflitos – Parte 2
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á uma tendência humana à dissimulação, ao pensar e sentir algo, mas manifestar-se de forma diferente, contrária ou politicamente correta. Muitos animais usam desse artifício ou estratégia para conviver em melhor harmonia no grupo ou para caçar as suas presas. E para os bandidos somos realmente o que? Presas. Para sermos enganados, roubados, estuprados, sangrados e assassinados, pois, afinal, como revelava sem as cores do disfarce a revista Veja em memorável edição sobre notórios criminosos. “Prefiro ver a mãe dele chorando do que a minha”, “esta é a minha profissão”, “saio para matar e nunca pra morrer, entre ele e eu…” – são frases de criminosos.
Cr & Ag
Alguém se pergunta se no inferno temos quatro a seis refeições por dia? Se há banheiro privativo com chuveiro quente? Se há áreas de recreação? Se há visita íntima? Se há que cumprir 1/6 da pena? Se há advogados com influência infernal? Se permitem celular? Interessante que as mesmas idealizações de parte da nossa religiosidade não são extensivas à justiça divina e aos rigores do inferno. No entanto entendemos que as vítimas não têm os mesmos direitos humanos que os criminosos. As vítimas podem ser privadas da vida e mutiladas física e emocionalmente por tempo indeterminado, talvez por várias outras vidas como creem os reencarnacionistas, mas os criminosos e as feras assassinas contarão com benefícios humanos de tudo aquilo que eles violam ou desrespeitam.
Cr & Ag
Num plebiscito popular quais as escolhas seriam preferenciais: hospitais, postos de saúde, escolas ou penitenciárias? Como os governantes continuam sendo gente, pessoas originadas com qualidades e defeitos de seus eleitores, mas ainda povo, o que irão priorizar quando os recursos são insuficientes para todas as necessidades? Jamais dirão isso de público. Assim como muitos defensores dos criminosos irão justificar suas condutas. A consciência cristã nos impele para o sentimento de que há recuperação até para o mais terrível criminoso, mesmo tendo a consciência racional de quanto raro é isso. Precisamos acreditar e ter esperanças nessas recuperações que até nos países com melhores condições não acontecem de forma ampla. Confortáveis ou “humanas” as cadeias não recuperam, o ser humano evita delinquir e torna-se recuperável pelo temor das penas e a certeza da impunidade.
Cr & Ag
A justiça tarda e falha. Muitas vezes jamais vem. Ou quando vêm os criminosos são abençoados com as leis que nunca respeitaram, suas vítimas têm o sentimento de que o inferno das prisões é justificado como alguma punição aos criminosos que tanto mal lhes trouxeram. A privação de liberdade temporária e dolorosa apaga ou compensa a dor eterna da privação plena das liberdades pelo encarceramento eterno num ataúde ou pelos traumas emocionais indeléveis? Conflitos! Conflitos que permeiam os sentimentos e a razão de algozes e vítimas. O raciocínio simplista de que a justiça pode igualar fera e presa, criminoso e vítima são faces desses conflitos da sociedade em que vivemos. Como enfrentar e resolver dramas e conflitos entre o desejável e o realizável, entre a razão e o sentimento cristão de perdão e impunidade? O que a sua razão diz, como seu coração responde?
Nota do cronista: Jamais generalizamos. Sugerimos ler a crônica anterior.

