07 Novembro 2012 – Sovaco de Minhoca – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Sovaco de Minhoca
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A vida como ela é”, parodiando Nelson Rodrigues, colore-se com os cinquenta tons de cinza ou com o espectro do arco-íris e ao cronista compete esse olhar que devassa intimidades e traz a tona os sentimentos do leitor. Quantas vezes o leitor nos diz: – Edinho, escreveste o que eu sinto, mas não conseguia expressar dessa forma. O princípio de Lavoisier de que “nada se cria e tudo se transforma” traz o visível e o risível de todo dia. O cronista pode se especializar numa certa área, assim tem o que versa sobre política, outro apimenta-se com a culinária, aqueles que chutam e goleiam no futebol, passando pelos mais variados temas chega-se ao eclético da silva. O eclético é o cara flex-total. Nada lhe escapa, ou seria que nada lhe prende demasiado tempo. A criatura capta todos os canais e seus chips ligam-se a todas as operadoras, pois além dos sentimentos que o habilitam e movem, está a interação com o leitor. Aqui está a cedilha do “c” e o ponto da vírgula. Ou a cereja do bolo. Sem o leitor fica-se a “pregar no deserto”. É como pastor sem rebanho e como diria T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse: – É cachorro brincando com o rabo.
Cr & Ag
No pilates, na rua, no culto, no mercado, no telefone e na mãe da globalização – a internet – o leitor está sempre atento, inquisidor, participativo e instigante. Cobra e cobra com razão. E faz um enorme bem para o cronista e seu álter-ego. – Cara, não li o resto do jornal ainda, mas a tua coluna é sempre a primeira! – arrepia. Outro: – Edinho Cabeleira, larga dessas de política, sinto falta das tuas colunas de humor, conta outras daquele famoso barbeiro… – o contrário é verdadeiro sempre. Muitos querem a visão e a opinião sobre tal tema político, por exemplo. Tem que se dar trela e muito papo para gregos e troianos, para colorados e gremistas, para o FHC e o Lula. Viamão é uma terra fantástica, quem está longe quer voltar, quem está aqui fala um monte e planeja a aposentadoria no Pinhal ou na Cidreira. A grande Viamão City, ou melhor, a região metropolitana de Viamão é um território densamente ocupado que ao norte o limite é Laguna, ao sul batemos no arroio Chuí, ao oeste cravamos alambrado em Uruguaiana e ao leste lavamos os pés nesta baita lagoa salgada que é o Atlântico.
Cr & Ag
Há controvérsias geradas por ciumentos e outras tribos. O viamonense é um simples e muito humilde por natureza e não se melindra por qualquer mera discordância. Certa feita fui arrastado para uma monumental festa dos Fragas. Tinha Fraga de todo jeito e tamanho. E sexo. Pois quase me engasguei com a costela que estava trinchando com esses meus intrépidos dentes. Tomei um fôlego depois de umas dez tossidas para tirar a farinha do goto. – Dr. Edison (acentuou o I que não tenho no nome) o senhor está errado quando diz que Viamão é a primeira capital… blá, blá, blá. – Como sou um sujeito educado no antigo Grupo Escolar Setembrina e pela bainha de facão da dona Dora, contive-me escutando. Um amigo ao lado quase decepou a orelha, pois se acidentou com a faca que coçava a cabeça. Fui o pai e a mãe da legenda: Viamão, a Primeira Capital de TODOS os Gaúchos. Correu esse mundão de Deus e fez a fama de Viamão crescer mais que feijão mágico. Há que dar aula de leitura – TODOS – para que não suprimam palavras e de história real e não somente interpretada. Mal interpretada.
Cr & Ag
Assim é a crônica e os meandros do cronista ao encalço do leitor. Algumas vezes mais estranho que sovaco de minhoca. Seria politicamente incorreto citar “enterro de anão” como coisas estranhas e inauditas? E… estamos na reta final de 2012 e no alvorecer de novos tempos.
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