Bolsa de mulher – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 25 Setembro 2013

 

2013 – 09 – 25 Setembro 2013 – Bolsa de mulher – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Bolsa de mulher

S

empre me causou espanto e curiosidade observar uma mulher mexendo em sua bolsa e aquele universo indecifrável para meros mortais masculinos. Quase um pouco de quase tudo. Quase tudo mesmo. Coisas que ela precisa a qualquer momento e coisas que ela pode precisar em algum momento da vida. E coisas que nem ela sabe que ali estão. ‘Lugar incerto e não sabido’ – expressão usada na justiça que se aplica a muitas bolsas. E sabendo disso os designs projetam bolsas cada vez maiores. Há que imagine a bolsa feminina como o cinto do Batman, sempre há algo para salvar a pátria dos estrógenos. Perfumes, esmaltes de cores que nenhuma amiga sequer sabe existir, lixas diversas, escovas, cremes de mãos e pés, lenços de papel, absorventes íntimos e outros nem tanto. Batons de cores sólidas, cintilantes, gloss ou o-que-pode-ser-isso. Cadernetas e canetas. Calculadora. Carteiras – para documentos, dinheiro, talões de cheque, cartões de crédito, fotografias belas e ‘fotografeias’ daquelas amigas cinicamente amigas.

Cr & Ag

Óculos de sol, de sombra e tanto faz. Telefone ou no plural. Muitas no plural. Toalhas íntimas e roupas mais íntimas ainda, pois nunca se sabe quando uma tarde ou noite especial possa acontecer. Escova de dente. Perfumes para casa, trabalho e love is all. Chicletes. Analgésicos para aquela dor de cabeça que surge quando ela não está a fim… e para alguma TPM quase fatal. Há que leve preservativos para evitar herpes local e daqueles de nove meses. Ops – anticoncepcional! O arsenal é extenso. Pensando nisso tem spray de pimenta e arma de choques elétricos para quando o chute no escroto não funcionar.

Cr & Ag

Há mulheres com um ou vários armários com bolsas para todos os momentos, estações, horários e imprevistos. Eis que inventaram uma bolsa dentro da bolsa para facilitar e evitar o humor estrogênico azedar ao esquecer ou extraviar algo nestas mudanças de bolsas. As mulheres são potencialmente mortais na TPM, quando o cara troca seu nome na hora da transa ou quando ocupam a cadeira da presidência da república. Saiam da frente ou troquem de país! Mas o meu famoso espírito investigativo buscou a origem dessa lenda urbana que é a bolsa feminina. Quando isso começou? Alguns atribuíam à Princesa Izabel e ao fim das mucamas. Outros se fixavam na imagem freudiana do útero e da bolsa do canguru. Outros ainda no saco do Noel. Mas decifrei o enigma devorador – Mary Poppins! Como não se lembra da Mary Poppins?

Cr & Ag

A fantástica Julie Andrews estrelou a babá mágica encarregada de duas espoletas infantis. Julie ganhou Óscar e outros prêmios por sua interpretação. – E a bolsa? – impacienta-se o desinformado. Mary Poppins trazia uma bolsa mágica, que saia de seu interior qualquer coisa imaginável para espanto das crianças e desejo dos adultos. Milhões de pessoas que assistiram à película ou souberam dela certamente assimilaram as imagens e a fantasia virou desejo e realidade. Até homens sentem essa necessidade da bolsa que tudo contém e encanta. Observem a fixação do Lula em bolsas reais e mágicas, como uma babá mágica do Brasil. Nesse filme tem até bruxas enrustidas dentro e fora dos armários. Genial! Genial sim esse poder do capitalismo ianque ser metamorfoseado – palavra difícil! – no socialismo verde-amarelo ou roxo de raiva.

       

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