2014 – 12 – 16 Dezembro – Ô Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Ô Viamão
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I |
nterpelaram-me: – Existe algum lugar com motoristas tão ruins quanto Viamão? – veio de supetão. Há uma crença ou uma lenda de que “os médicos e os padres são as pessoas que mais estudam” e assim sabem de quase tudo. Talvez algo ancestral, de uma época em que as profissões eram reservadas para poucos e que poucos detinham o maior conhecimento. E sempre os conventos e mosteiros reuniam grande parte da cultura humana. Tempos mudam. E motoristas? Tenho diversos motoristas profissionais na minha família, inclusive esse cronista. Fiz carteira de motorista profissional para ônibus, pois as viagens de turismo davam ótimo rendimento econômico em certa época da vida. E passei em todas as provas sem nenhum “auxílio” externo ou por “baixo dos papeis” como tantos.
Cr & Ag
É tradicional que em qualquer cidade, principalmente Porto Alegre – essa filha desnaturada que nos critica, em mínimas barbeiragens alguém grite aos quatro pulmões: – Ô Viamão! Ou: – Ô carteira de Viamão! Lembra? Sabe? Pois isso é antigo e uma herança maldita, não como a Petrobrás para o governo, ou um fantasma que teima em assombrar os motoristas viamonenses. Nós viamonenses da gema, isto é, aqueles que aqui foram paridos e por opção teimam e persistem em trabalhar, morar e investir aqui acreditamos que essa “falha de habilidade” ou má habilitação seja causada pelos inimigos na trincheira, pelo fogo amigo ou pela horda de alienígenas que aqui se estabeleceu justamente para nos punir. E não é paranoia coletiva.
Cr & Ag
Apliquei um ibope para verificar se o sentimento era universal ou mocozado em algum gueto viamonense. O resultado é assustador, principalmente no relato choroso dos sobreviventes. – Tenta atravessar na faixa defronte do Itaú pra ver se tu é macho e ligeiro! – de dedo em riste um bombachudo me desafiou. Mas como não levo pesquisa a ponta de faca, escutei outros relatos. – Cara levei mais de duas horas da Agronomia até o Cantegril e não havia nenhum acidente e nem bandeiraço do PT. Os caras não andam, grudados no celular, Facebook e trancando as sinaleiras… – dizia-me outro na sala de estresse agudo e ataque de pânico no nauseocômio da municipalidade já no terceiro Rivotril. Uma velhinha de muletas e colar cervical (gravata de pobre) contava suas quedas ao subir e descer dos coletivos. Coisa medonha e de doer no coração até de quem não é parente da estropiada criatura.
Cr & Ag
“Sempre é falha humana, do avião que despenca até do atropelado!” – dizia-me um vereador. Corrijo – aspirante a vereador, mas que pelo largo número de campanhas eleitorais já poderia ser diplomado que não faria nenhuma diferença. Realmente é sempre falha humana, principalmente se não tivesse gente não teria acidente e esses eteceteras. O governo que nada vê, pouco faz e quase nada sabe diz que a culpa é do motorista. E do pedestre! E do engenheiro e construtora que fazem estradas e ruas pensando na economia e nos aditivos? E do governante que prefere a caixa dois e as contas em paraísos fiscais e não na saúde do eleitor? Se bem que eleitor é um ente descartável na estrutura nacional. Do mesmo lugar que vem um, virão centenas, basta acenar com alguma bolsa ou cota nas costas de quem paga a festa.
Cr & Ag
– E a conclusão do teu ibope Edinho? – pois, escapando dos brigadianos que quando recebem um brinquedinho (“radarzinho”) novo escondem-se atrás de árvores e placas para multar/arrecadar e jamais educar o trânsito, chegamos à conclusão de que não são piores ou melhores do que o resto. Apenas estão no nosso quintal e convivemos com eles diariamente, daí sentir na carne e no bolso…