2015 – 04 – 14 Abril – “Dessa vida nada vais levar” – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
“Dessa vida nada vais levar”
|
E |
xpressão conhecidíssima e por vezes aplicada como orientação, outras como admoestação. Outro ditado apregoa que “nascemos carecas, com fome e chorando” e “tudo que vier é lucro”. Há que ter cuidado com essas advertências, pois ao sofrido, enfermo ou desgastado pelas agruras da vida essa indicação de desapego pode ser ainda mais dolorosa. A pessoa está ancorada nos afetos ou nos seus modos e atitudes de vida que são as fórmulas de equilíbrio na sua balança emocional e o desprendimento forçado é agressivo e doloroso. No extremo oposto, pode significar um nada ou um quase nada. Até uma manifestação de ciúme embutido pode revelar. “Se tens tanto em bens ou saúde e ficar se prendendo a algo menor…” O que é menor? Os valores das pessoas devem ser respeitados ao respeitar-se a pessoa. O que é desprezível ou de pouco interesse para uns, será o contrário para outros. E o entendimento também é circunstancial. Publiquei uma imagem de uma borboleta em chamas (sem queimar-se) e isso trouxe enorme constrangimento e dissabor para uma amiga leitora. Para outros, pouco ou nada significou além de uma mera imagem. Entretanto naquela pessoa foram mobilizados sentimentos, conteúdos emocionais importantes para ela.
Cr & Ag
Em certas culturas ou civilizações, carrega-se para a sepultura muito daquilo que “precisará depois, na outra vida”. Nessa esteira de consciência estão os faraós egípcios e castas de hindus. Cristo levou apenas um manto, uma mortalha para cobrir seu corpo na sepultura de granito. Há criaturas que precisariam de gigantescos ataúdes para levar seu ouro e seu orgulho. Os ladrões da Petrobrás acreditam que suas vidas serão seculares para gastarem os milhões roubados da sociedade que trabalha e paga impostos. Muitos precisariam de várias vidas para “aproveitarem” seu butim mascarado como “consultoria ou palestra”. E ainda esperam ver seus nomes em estradas, praças, aeroportos e hospitais. Quer piorar? Nós veremos seus nomes serem idolatrados e ferozmente defendidos por falanges de obsidiados brandindo foices em punho.
Cr & Ag
Nós, as pessoas do mundo real, nos amparamos em várias coisas, pessoas e animais que representam a nossa personalidade ou os retalhos da nossa vida. Sabemos que depois de fecharmos os olhos e exalarmos o derradeiro suspiro nessa vida, nada que acolhemos e amamos terá o mesmo valor para outras pessoas. Nem para aqueles do “mesmo sangue” e pelos quais tantas vezes “sangramos”. – Doutor, depois que eu sair dessa para outra, ela pode fazer o que quiser com as minhas coisas, pode dar minhas coisas e minhas roupas para os carentes ou para o novo marido. Mas agora eu não aceito meu doutor. Lógico que nenhum ataúde será suficiente para carregar a materialidade conquistada pelo trabalho ou pela roubalheira. Mas nenhum de nós se desprenderá dessa existência sem toda a carga afetiva, espiritual, de experiências e de entendimentos vivenciados. Viver com intensidade e realidade. Amar e ser amado. Permitir-se no amor integral e não somente no sentimento adoçado e adornado do ter mais. Boa semana!
O trânsito de Viamão City.
Caía de maduro, mas essa administração corajosamente aplicou o estacionamento rotativo e pago. Nos idos de 1983, depois de viagem a Uberaba em Minas Gerais, apresentei no Lions Club, onde participava, de imagens e documentos mostrando o estacionamento rotativo pago e com monitores controlando grupos de jovens carentes que realizavam a venda de tíquetes e o controle horário. Apresentei para outros gestores públicos também. Resultado: sorrisos amarelos e desinteresse. Agora elogio o governo Bonatto. A propriedade pública foi restaurada para todos. Há que controlar e multar o constante abuso de velocidade de veículos na avenida central da cidade. E por muitos motoristas profissionais, inclusive de ônibus. Há que disciplinar e criar cursos de reciclagem para motoristas de táxi que acreditam terem prioridade sobre os demais mortais e desrespeitam abusivamente os pedestres nas faixas de segurança.