Bucha na garganta – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 19 Maio 2015

 

2015 – 05 – 19 Maio – Bucha na garganta – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Bucha na garganta

 

A maioria de nós já teve esse sintoma. Vários perambulam pelos consultórios médicos buscando uma cura, outros sofrem em intermináveis exames e engolem cobras vivas pela tecnologia que perscruta o interior do corpo na busca de uma causa da bucha. Alguns recebem o diagnóstico de doença psicossomática, numa enfermidade mista entre coisas do corpo e da mente. Soluções? Há sintomas que somem espontaneamente. Outros buscam auxílio espiritual ou de curadores diversos. Vários carregam esse fardo doloroso na estrada da existência. Há a bucha na garganta coletiva. Quando uma família açoitada pelo comportamento ou enfermidade de um ou mais de seus membros sente esse nó na goela que em muitas ocasiões deriva para o pranto, para o choro que transborda da alma sofrida e do corpo magoado.

 

Cr & Ag

 

Uma nação, um povo pode sentir esse sintoma quando a enfermidade torna-se visível ou se alastra. Justificar-se pelos erros alheios além de covardia explícita é o pior referendum de que vai continuar repetindo os mesmos ou piores erros. O socialismo/comunismo é uma ideologia em que a pessoa existe para servir ao estado ou ao todo idealizado pelos seus executores. É quando o mundo se torna cinzento, das cores dos prédios e roupas ao coração das pessoas. Não há felicidade e realização pessoal disponível para as pessoas comuns e ninguém pode aspirar mais do que o estado permite. Planta-se a desconfiança e o amor entre as pessoas sempre menor que a devoção ao estado e seus líderes. Executa-se o domínio e a posse de outros povos para jamais secar a fonte de extrair o sangue alheio em benefício falso de todos. Não há país comunista livre, onde o povo tenha liberdade, que as armas não imperem e mantenham suas fronteiras fechadas ao amplo ir e vir de seu povo. Não há coiotes para entrar em Cuba ou na Coreia do Norte. Aspira-se viver no Canadá, na Austrália, na comunidade europeia, mas nos regimes comunistas…

 

Cr & Ag

 

Ninguém, do mais cético ao mais séptico, consegue imaginar a absoluta isenção de Lula e Dilma no cataclismo da corrupção e da roubalheira que tanto nos envergonha e nos dá uma bucha na garganta de rasgarem nossas esperanças e nossas crenças numa legenda que tanto pregou ética e moralidade e que se travestiu no monstro voraz do poder pelo poder. Não há nenhuma generalização, pois se houvesse seria o absurdo. Ainda há trigo no meio do joio. A idolatria que vinga na ideologia é a remela ou a cegueira que impede de ver erros e corrigir-se. Até os gregos e romanos viam os defeitos nos seus deuses e semideuses. A esquerda radical, principalmente, prefere apontar outros ou culpar aos outros pelas desgraças. Antes era o FMI, o neoliberalismo e outros demonizados. A idolatria impede que qualquer outra pessoa lidere realmente. Em mais de três décadas de PT, todos que estavam subindo ao altar da glória tombaram, mas estão no panteão dos supostos injustiçados. Injustiçados pelo próprio partido em prol da estratégia de poder e da preservação do ídolo. Qualquer partido esgota-se assim.

 

Cr & Ag

 

Há que ter muita coragem, destemor e amor no coração para enfrentar seus erros e olhar no olho de seus piores fantasmas. Assim pode ser no casamento entre duas pessoas, numa empresa, num partido, numa ideologia e numa nação. A criatura tende a buscar sua zona de conforto e marcar seu domínio num impulso humano, mas também do animal que nos habita. O capitalismo tão odiado pelos obsidiados não é uma ideologia de governo, mas uma modalidade econômica que se irradia permitindo a evolução da individualidade em prol do todo. E países como a China comunista adotaram-no para arrancar da miséria mais de trezentos milhões de pessoas. E como Lula manteve para crescer a classe média e poder oferecer bolsas e cotas sustentadas pela vontade de viver melhor, aspirar e realizar os sonhos dos trabalhadores reais do Brasil. E não pelos encarapitados nas direções de estatais e nos sindicatos onde o trabalho de milhares sustenta a riqueza e o ódio de poucos. Nada que se ampara e sustenta-se no semear o ódio e a discórdia entre pessoas e empurrá-las para alguma arena dividindo-os entre nós e eles será benéfico.

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