Cabelo no sovaco – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 12 Maio 2015

 

2015 – 05 – 12 Maio – Cabelo no sovaco – Edson Olimpio Oliveira Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Cabelo no sovaco

 

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inal dos tempos? Há quem acredite e até jure que estamos no final dos tempos – 50 minutos do segundo tempo – e que logo ali depois do engarrafamento diário na Lomba do Sabão espreita-nos o apocalipse. Alguns dizem que o apocalipse tem nome e sobrenome e bandeira com estrela. Os céticos de plantão dizem que o “mundo acaba todos os dias para quem bate as botas”. Os valentes e destemidos rilham os dentes e abrem as ventas enquanto a adrenalina incendeia os músculos. “Quem tem teme” diz a sabedoria popular lembrando que a anatomia da saída de uns é a entrada de outros. Sou duma época em que os viamonenses, machos uma barbaridade, ao menor entusiasmo dos adversários e inimigos cuspiam no chão, arrotavam e coçavam o saco escrotal. E deixando a camisa aberta, como bandeira a meio pau, mostravam o peito cabeludo. Homens tinham peito cabeludo. Sapos não! E pernas e braços também. Juro que já foi assim. Até as mulheres tinham cabelo e muito cabelo não somente na cabeça, mas nas partes íntimas e nas axilas. Sério! Verdade verdadeira!

 

Cr & Ag

 

Se alguém contasse que o PT e seus associados quebrariam a Petrobras um tempo atrás, seria colocado em camisa de força e internado no isolamento do hospício mais remoto. Há coisas que a nossa vã sabedoria duvida. A realidade é cabeluda ou já foi. Eis que os cabelos, não só masculinos, foram sumindo do cocuruto cefálico como de outras regiões visíveis e nem tanto do corpo das criaturas. A valentia deixou de cuspir e coçar… ainda há bolas testiculares. Incrivelmente! A cabeludagem persistiu nos hippies e nos crentes de algumas doutrinas. O advento de poderosos desodorantes inibiu a espuma e o odor axilar na sudorese profusa. Jamais extinguiu. Aos tempos das “camisas volta ao mundo” ou camisas de nylon a transpiração abundava. E lá também!

 

Cr & Ag

 

A macheza das criaturas foi sumindo como as ideias que criaram o PT e quem nunca foi súdito de falsos ídolos e reis de pés de barro e cuecas recheadas do dólar capitalista descobriu que sempre precisa parecer e realmente ser. A sexualidade desabrochou, com e sem Viagra. Sair do armário deixou de ser atitude de marceneiro. Os cabelos sumiram dos corpos femininos e masculinos. Exceto dos refratários e empedernidos ou daqueles assoberbados pela ecologia corporal. Atletas ganharam milionésimos de segundos evitando o atrito do ar com seus cabelos. Felipe Massa tentou. Tentou! Mas o problema estava abaixo das raízes dos cabelos da moringa craniana. Jogadores de futebol estampam corpos absolutamente depilados e cobertos pelo modismo avassalador das tatuagens.

 

Cr & Ag

 

Há mulheres que sofrem as dores do parto nas sessões de depilação com cera fervendo, lâminas vorazes e raios laser que assustariam Flash Gordon ou a turma da Guerra nas Estrelas. Uma corrente filosófica atribui maior coragem às mulheres que ao mais valente cafuncho, farrapo ou às gurias da Coligay. Algumas mulheres vassalas da estética íntima ainda traçam os mais incríveis panoramas para seus amados. Raros são os que observam esses traços capilares, mostram as pesquisas. Naqueles tempos ancestrais de uma Viamão, tirava-se o chapéu para alguma homenagem. Raros usam chapéus, muitos se escondem nas sombras dos moletons e nos bonés encardidos e fedorentos. Reverências escassearam como as vergonhas e inibições. Nada dói tanto como a escassez de honestidade ou a cegueira ideológica e as mentiras repetidas e assumidas cinicamente e vermos que um dia depositamos nossas esperanças numa urna falsa e que a honestidade e a decência avaliada até no fio de cabelo sumiram. Ninguém sabe ou ninguém viu e “até estarem julgados e condenados” em todas as seculares e inesgotáveis instâncias é tudo uma conspiração “deles” ou das “elites”. Haja cabelo no sovaco!

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