"SAIBAM TODOS QUE LEREM ESTAS CRÔNICAS QUE EXISTIU UMA ESPÉCIE FANTÁSTICA DE HOMENS QUE PILOTAVAM MÁQUINAS MARAVILHOSAS CHAMADAS MOTOCICLETAS QUE RASGAVAM ESTE PLANETA COMO COMETAS RASGANDO O MANTO NEGRO DO CÉU."
DECLARAÇÃO DE AMOR.
Algumas pessoas desconfiavam. Outras sabiam. Certos amigos mais próximos desaconselhavam este relacionamento. Até achavam-no perigoso. Mas meu coração acelera e trepida a sua lembrança. A sua voz e corpo bem feitos continuam a deslizar em minha mente à lembrança dos momentos que juntos passamos.
Amanheceu um lindo dia de sol. Os raios de sol esgueiravam-se para entrar pelas venezianas. Havia sonhado com ela esta noite. Seu nome… Morgana. Minha esposa já havia se levantado e estava arrumando a casa e os filhos. Vesti-me apressadamente. Subtilmente saí de casa. Fui ter com ela. Abri a porta silenciosamente. Era penumbra em seu quarto. Ela ainda dormia. Coberta por um alvo lençol deixava entrever suas curvas sensuais. Braços abertos como a me esperar. Sua traseira firme e arredondada onde tantas e tantas vezes acomodei-me, trocando afagos e juras de amor. Deslizei a sua volta, admirando-a. Fui descobrindo-a lentamente. Acordei-a. Seus olhos grandes brilhavam de encontro aos meus em lampejos de paixão consentida. Havia uma marca de umidade no lençol… Certamente também sonhara comigo. Deslizei a mão por seu peito. Abri minhas pernas e acomodei-a. Mãos com mãos num toque de fusão absoluta de corpos e almas. E ela já bem acordada, ligada, sussurrava ritmicamente debaixo de mim. Todo meu corpo vibrava com ela. Sentia aumentar o calor vivo de seu corpo frenético. Nós nos consumávamos em amor pleno, total e eterno. Ela estava satisfeita. Pronta, convidando-me para passear. Eu estava esperando.
Então subitamente a porta do quarto abriu-se… Era minha esposa. Surpresa? Não! Nós a aguardávamos. Cumprimentou-a, abraçando e beijando amorosamente a Morgana, esse amálgama de feiticeira-amor. E juntos, abraçados, faróis ligados, capacetes na cabeça, saímos a rasgar as estradas da vida neste belo e harmonioso triângulo amoroso: eu, minha esposa e Morgana, a nossa motocicleta.
Nota do Autor: Crônica vencedora de Concurso Literário Nacional.