Alegrias e Tristezas! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 17 Dezembro 2019.

 

Alegrias e Tristezas!

De uns e de outros.

A

 maioria das pessoas já sentiu uma felicidade e uma alegria que extravasa e inunda o corpo e o ambiente. A maioria de nós conhece e já sentiu a dor suprema de uma perda que extravasa e inunda o nosso corpo e o ambiente. Com idade na década dos quarenta anos, a minha mãe Dora submeteu-se a uma cirurgia aqui no Hospital de Caridade. As complicações vieram e aumentaram com o ofício médico mal executado. Transferida para o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, sofreu várias cirurgias que não conseguiram sanar as complicações em cadeia, em cascata, uma depois a outra. Em Medicina é comum aquilo que começa errado, que inicia mal, terminar ainda pior. Era um verão terrível. Ela lutava bravamente e com uma coragem e um denodo imenso. Sempre com uma palavra de fé e de esperança. Minha mãe era muito católica, do Apostolado, fazia as toalhas que cobriam os altares da nossa secular igreja. O nome do hospital Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Viamão, servia de outro alento. Santa Terezinha, que havia salvo seu filho da morte anunciada e pela Medicina “desenganado” estava sempre nas suas orações.

Crônicas & Agudas

Num modelo de UTI da época, ela estava na sua derradeira tarde e vida. Saí da UTI e fui para junto de meu pai Aldo e minha noiva Cledi no corredor. Do outro lado desse corredor estava o berçário. Pais e familiares e grande alarido e agito pelos novos e “belos” membros das famílias. As enfermeiras mostrando os nenês na parede de vidro. Era somente alegria e felicidade numa intensidade que somente as crianças trazem e cativam o mundo. Eis que uma enfermeira da UTI vem nos avisar que minha mãe Dora tinha falecido. O sonho, que também a impulsionava, de ver seu filho se formar em Medicina foi truncado. Em espírito de amor ela estaria e sempre esteve comigo, mas não poderia mais sentir seu calor, seu abraço e seus beijos. Nem sua voz me orientando e lutando para que eu evoluísse numa pessoa melhor. E a nossa vida jamais seria a mesma. Aprende-se a viver com as ausências permanentes. Creio que foi a primeira vez que tive esse entendimento de que alegrias e tristezas estão sempre no mesmo barco, no mesmo universo e até simultâneos, como aconteceu naquele corredor de hospital.

Cr &Ag

Carine, 42 anos, filha da Maris, esposa do Dr. Eduardo (meio-irmão) retorna enferma de viagem feliz pela Europa, para enfrentar uma batalha dolorosa e gigantesca. Interna no Hospital Mãe de Deus em Porto Alegre. Uma sequência assustadora de complicações. As lutas de vários médicos, uma grande estrutura hospitalar, recursos materiais disponíveis e, principalmente, a sua coragem e vontade de viver. Corrente de luz em orações e irradiações dos corações amigos e familiares. A vigília permanente da Maris e do Eduardo. Após dois meses de batalhas diuturnas, a enfermidade venceu essa bela moça, antes tão cheia de vida e de alegria. Abate-se sobre sua mãe, esposo, e demais familiares e amigos as sombras espessas da dor pungente. Da dor que dilacera e que não cabe nenhuma medida.

Cr & Ag

 Máquina o tempo não para. A simultaneidade de sentimentos humanos floresce indefinidamente. Nos lançamentos de meus últimos dois livros, um violinista encantou a todos. Particularmente no “Trinity! A Saga continua”. No cerimonial de despedida da jovem, um homem tocou piano e executou belo solo de violino, assim como fez o discurso para os presentes. Esse homem foi logo identificado pela Cledi como o mesmo violinista que alegrou os lançamentos dos livros. Creio que tanto na festa como na dolorosa despedida, trouxe um encanto de vida e de amor com a sua música e com as suas palavras. Caminhos da vida. Cada um fará o seu entendimento e a sua forma de aceitação. Algo é comum em todas as situações – o Amor! O amor que se exterioriza e que ilumina.

2019 – 12 – 17 Dezembro – Alegrias e Tristezas – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

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