Vacinas, Tratamentos e Cães Perdigueiros! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 06 Janeiro 2021.

 

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Vacinas, tratamentos e os cães perdigueiros!

 

Já contei, mas não custa repetir para as melancias se acomodarem no balanço da carreta da informação e contrainformação. Esse causo é dito como verídico. Os envolvidos eram de tradicionais famílias da Viamão de antanho.

 

Três amigos (Carlos, José e Antônio – nomes fictícios) armavam outra caçada de perdizes no interior de Viamão City. Num faxinal onde o diabo perdeu as botas, pois as meias ele perdeu bem antes. Raros veículos motorizados, os caminhos somente com tração animal. Três carroças, cães perdigueiros, toda a tralha que os caçadores e pescadores intentam de levar. Algumas paradas de descanso com goles da purinha, torresmo e roscas de aipim. Também uma farofa de galinha de almoço. Pelas tantas da tarde, armaram a barraca na revessa de um capão de mato. Os cuscos, digo, perdigueiros apuraram o faro e alegres como guri em aniversário. As espingardas iniciaram o canto de alegria para os homens e de morte para as perdizes.

 

“Agora vamos dar uma trégua, sossegar e assar uma costela” – disse Carlito. Zeca trouxe um garrafão de vinho “de padre ou de missa”. “Mas que tal um carteado por perdiz? – puxou o Tonico. No jogo de pife-pafe e nos acampamentos apostavam seus “troféus”. Nos “finalmentes”, tudo ficava quase na mesma, mas a alegria era muita. O cansaço do dia, barriga cheia, os tragos na “purinha”, boa comida e bom vinho, os cachorros já dormiam no costado da barraca. O sono chegou de mansinho e logo atropelou. Sempre deixavam um candeeiro com fogo mínimo para que alguém levantasse na madrugada.

 

Crônicas & Agudas – Cr & Ag

 

O silêncio, eventualmente cortado por uma ave noturna ou um mugido do gado, Carlito acordou-se com a costela pedindo passagem e bater continência – se me entendem. Enfia a mão na sacola e saca um maço de papel comum (papel higiênico é moderno). Pega o candeeiro e busca uma boa árvore no mato, encostar-se e… Aliviar-se! Não chegou a arriar a calça quando o lusco-fusco apresentou uma enorme cobra preta. Num reflexo pegou um pau forte e matou o bicho. Enquanto evacuava encostado na árvore, olhava a serpente. Surge a ideia safada – o Zeca tinha pavor de cobras. Nem usava minhocas para pescar de anzol.

 

Acordou Tonico a armaram o plano. Enrolam a cobra aos pés do Zeca. Com um garfo de fritar peixe, deu-lhe uma estocada na perna. Acorda num berro de dor e com a marca da picada. Todos “acordam”. A cobra é estraçalhada. Zeca em pânico. O homem fica “mal barbaridade”. Não há tempo para voltarem à Viamão. Nenhum remédio. O “doente” agoniza. Tonico lembra de “um remédio feito com ervas e estrume seco de cachorro por um velho pajé índio” que seu bisavô conheceu. Zeca: “Façam logo antes que eu morra!” Reúnem vegetais, ervas das mochilas e fezes dos perdigueiros e água numa panela no fogo, cozinham. Talvez com a ideia de tirar o medo do amigo ou por troça mesmo, não contam a verdade. Eis que Zeca em “desespero e na agonia da morte” pega um pedaço do cocô e mastiga dizendo: “Vou me adiantar já que o remédio tá custoso de aprontar”. A trama é desfeita. Briga armada e amizades destruídas para sempre e por todos os familiares. E nas próximas gerações.

 

Você observa analogia, similaridade, semelhança do “Zeca picado de cobra” com certas pessoas nesses tempos sombrios e de dor adubada com pânico por “especialistas” e imprensa necrófila? Sem medicamentos ideais e plenamente confiáveis. O causo, humor, reflexões? Entre a cruz e a espada, com certeza. Única certeza!

 

 

2021 – 01 – 05 Janeiro – Vacinas, tratamentos e cães perdigueiros

Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

ww.edsonolimpio.com.br

 

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Avatar de pe3488 pe3488
    jan 09, 2021 @ 09:35:30

    Graidao

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