Vaccinus! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 09 Fevereiro 2021.

 

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“Vaccinus”

 

Vai uma pincelada de história? Lá no século XVIII o médico inglês Edward Jenner observou entre as pessoas (mulheres, principalmente)  trabalhando na ordenha de vacas, contraiam uma espécie de varíola bovina (cow-pox) e assim ficavam imunes à terrível varíola humana (small-pox). Desenvolveu seus estudos, pesquisas, observações e experimentações.

 

Um aparte histórico: a varíola dizimava milhares de europeus anualmente – mais de 400.000 óbitos anualmente. O rei Luiz XV da França morreu de varíola, vendo sua carne apodrecer e o odor impregnar seu palácio. Voltaire escreveu: “A metade morre disso, a outra está desfigurada”. Sobreviventes deformados – “bexiguentos” no Brasil.

 

Há historiadores que veem a queda do Império Romano após a Peste Antonina, sendo pela varíola e seus milhões de defuntos. Cortés dominou e formou a América espanhola com a ajuda da varíola, pois em menos de um século o Império Asteca com mais de 25 milhões de pessoas, bateu na casa de 1.500.000 sobreviventes. Acredita-se que 25% da humanidade, desde seu surgimento, possa ter morrido de varíola.

 

Crônicas & Agudas

 

Jenner observava os braços pustulosos das ordenhadeiras. Também seus corpos. “Se quiser uma mulher que nunca tenha cicatrizes no rosto, case-se com uma leiteira”, velho ditado inglês. Atendia leiteiras enfermas com tuberculose, cuspindo “pedaços de pulmão”, sífilis e uma infinidade de outras moléstias, mas nenhuma morria da varíola.

 

Homem arrojado esse Jenner, um dos primeiros balonistas na Inglaterra. Foi numa dessas aventuras de balão que conheceu a bela Catherine. E casou-se e tiveram filhos! Encurtando (mas que dá vontade de contar mais, isso dá!) – dia 1º de julho de 1794 com o consentimento da Sra. Phipps, seu filho James, 8 anos, foi o primeiro paciente a ser experimentado por Jenner. Sua pesquisa foi rejeitada pela Royal Society. Perseguido, aliviou quando o rei derramou dinheiro nas pesquisas.

 

No entanto, recebeu um impulso indireto do outro lado do Canal da Mancha, em 1804 Napoleão ordenou a vacinação de suas tropas, pois temia mais a varíola do que outros exércitos.

 

O mundo já fazia algo chamado “variolização”, logo proibido, Jenner criou a vacinação.

 

Crônicas & Agudas

 

Vacina vem do latim “vaccinus” – algo que vem das vacas. Jenner desconhecia a trama dos vírus. Afora os arsenais militares para a guerra bacteriológica, a varíola é considerada “extinta” desde o final do século XX.

Observem, curiosamente, que se busca o “efeito manada” da imunização, seja pelo contato/contágio com a enfermidade, seja pelo controle vacinal. “Manada” está nessa vertente de “boiada”, lá das vacas leiteiras e das ordenhadeiras do arguto Jenner.

 

Claro que o pessoal não vai nos chamar de “boiada”, por todas os qualificativos – vários pejorativos. Entrementes, observem como esse espírito de “manada” está impregnado na humanidade. Para o bem e para o mal. E não somente nas enfermidades!

 

A “manada”, como a varíola,  é indiferente ao status econômico, ideológico ou cultural. “Quem tem, teme!” – diz a sabedoria popular, como “quem mama, não quer largar a teta”. Quem mais conhece, mais teme! Nem sempre.

 

Crônicas & Agudas

 

A imprensa noticiou que sábado, dia 6, milhares de médicos se acumulavam e disputavam lugares nas filas de vacinação em Porto Alegre, a “maioria sem o requerido agendamento prévio”. Isso ocorrerá nas unidades de vacinação, talvez com incidentes.

 

O “fura fila” está ativo e infeccioso em todos os lugares, noticia-se. Se há “uma luz no final do túnel” há que haver disciplina, respeito e fraternidade para caminhar pelo túnel, ao seu tempo, sem pisotear ou levar os demais ao precipício.

 

Uma “manada” elegeu e elege políticos incompetentes e corruptos; suporta safados administradores do Brasil que jogaram a saúde nacional no esgoto do superfaturamento, dos desvios das verbas públicas para fins anômalos devorados pelo vírus da corrupção, como nesse último terço de século – 30 anos.

 

Essa “vacina” é da nossa competência sem “choro e nem velas”. Precisamos dessa “vacina”, dessa “imunidade” ampla que nos proteja da virulência humana, igual ou pior às maiores “pestes” – epidemias ou pandemias.

 

 

 

 

 

2021 – 02 – 09 Fevereiro

Vaccinus

Eds Olimpio

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

 

 

 

 

 

1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Avatar de pe3488 pe3488
    fev 14, 2021 @ 11:43:52

    Gratidao

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