O causo do trator nos (campos) Abreu!
Série: Humor ainda é um bom remédio
A história que vamos relatar pode parecer fantástica para alguns, mas quem conhece as especiais habilidades de seu personagem principal, até o impossível se tornará provável.
Caçador de perdizes e de marrecão, mecânico, motorista profissional, ‘engenheiro’ prático, são algumas de suas qualificações. Da Vinci e McGiver seriam seus alunos. Afora essas qualidades técnicas, é pessoa amabilíssima e de bom coração. E viamonense da gema. Raiz e com glória.
Conta-se que nos longínquos anos 50, executava uma grande aração de terras aos fundos da Fazenda dos Abreu, junto à Lagoa dos Patos. Começara na madrugada e somente pararia a noite. O inverno fora rigoroso e o preparo da terra para o arroz estava atrasado. Trabalhador ferrenho e feroz, segundo o próprio – opinião contrária de alguns. Quando se apercebeu, a lua penteava faceira os mais altos galhos dos eucaliptos. Os tambores de gasolina dentro do trólei estavam secos. Restava apenas o combustível do tanque do trator. Ainda teria que rodar algumas boas léguas até a sede da fazenda onde estava acampado. E se veio embora. Algum quero-quero reclamava à passagem do trator que insolente perturbava seu descanso.
As marrecas piadeiras e caneleiras davam rasantes nas lagoas aumentadas pelas chuvas do inverno rigoroso e chorão. Alguma tarã ofendida marcava seu território. Com os pensamentos distantes: a família longe, o novo dia de trabalho, os pés em bolhas dolorosas contra os pedais de aço…
Súbito, o previsível, o trator soluçou, soluçou, engasgou e apagou o motor. Bateu arranque. Nada. Foi verificar o tanque de combustível. Vazio. Sentou-se. Acendeu o palheiro. Longas tragadas que enevoaram a noite clara. Perguntou para a lua:
fev 18, 2022 @ 20:20:39
Gratidao