Imagens da Trégua de Natal nos campos de guerra e morte da Primeira Guerra Mundial!
“Que orelhas to grandes voc tem!” – Edson Olimpio Oliveira
19 dez 2022 Deixe um comentário
“Que orelhas tão grandes você tem!”
Chapeuzinho Vermelho
Esse conto ou fábula de Charles Perrault é mundialmente conhecido e citado, contado invariavelmente por pais, avós e alguma professora dos bons tempos. Hoje é combatida e apedrejada pelo “politicamente correto”. Certamente um tirano prenderia o Chapeuzinho Vermelho, sua avó e, ainda, fuzilaria os lenhadores. E soltaria o lobo que, apoiado pelos defensores da natureza e da Amazônia livre, iria discursar na ONU.
“Que olhos grande você tem! | Que nariz grande você tem! | Que orelhas enormes você tem! Que boca grande você tem!” – lembram desse diálogo entre a menina e a “vítima da sociedade”?
Mudando, sem muito mudar, da “mala para o saco” – como dizia o Filósofo do Apocalipse, a ‘pessoa humana’, com o passar dos anos, com o fluir das décadas traz ao sobrevivente algumas alterações corpóreas que passam despercebidas para alguns. “Diz uma aí, Edinho!” – me alfineta o leitor. Veja as orelhas dos idosos. Elas são bem maiores que aquelas das fotografias de outrora. Poderia ser para compensar a audição que diminui? Apesar de que em certas idades mais longínquas, a ‘pessoa humana’ não está com paciência e tempo futuro de ouvir bobagens. Seria para ter mais espaço para piercing e outros adereços? Veja que isso é abusivo nos homens (síndrome de Dumbo), menos nas mulheres que continuam belas.
Cr & Ag!
“É força da gravidade dum mano, um tal de Einstein ou Newton ou Leonardo dos Vinte?” Responde rápido um magrão tatuado e de boné invertido.
“Voltando à vaca fria!” – nossas extremidades crescem com as décadas. “Todas?” – perguntem. Examinem. Observem. O crescimento das extremidades não significa eficiência funcional, geralmente não é. O nariz vai crescendo e a ponta vai envergando de tal forma que para muitos, não choverá dentro nunca mais. Observe o bigode da criatura na juventude e agora na “melhor idade” (falcatrua!). O lábio superior cresceu e alguns até escondem os implantes brancos-OMO. Dou um tempo no texto, para o caro e curioso amigo realizar um autoexame. Ok?
Cr & Ag”
“E os dedos das mãos?” – você está atento como gavião à espreita no alto do poste. Crescem e ficam mais finos pela perda de massa muscular e da pele mais delgada. Não melhora o tato e pode acoplar uma artrose e as juntas (articulações) ficarem rígidas. Um atento amigo que alertou que no Novembro Azul não consulta com médicos idosos, prefere os mais jovens. Dá a desculpa de “serem mais atualizados”. Será mesmo?
Teria a natureza nos provido desses crescimentos como o velho e ardiloso lobo do conto do Chapeuzinho Vermelho? Teríamos novas aptidões a desenvolver, além de escorar melhor os óculos? Pois assim navegamos pelos meandros de um rio chamado vida. Nada é o mesmo a cada tempo, assim como a cada medida. Olhamos muito às margens, observamos outros navegando como nós, olhamos para os céus e pedimos bons ventos e um tempo melhor. Quantas vezes um barco melhor que o nosso naufraga, por vazamentos ou colidindo com uma pedra?
Sinta os ensinamentos perenes dessa singela e sábia fábula. Não vá pela floresta. Cuidados com os estranhos. Nem tudo é o que parece, pior ainda é com aquilo que já sabemos que é e apostamos não ser. A lista é longa e sensível ao toque de cada ‘pessoa humana’. E as gerações atuais entregam um celular ao seus rebentos e nunca lhes contaram as fábulas sábias e as interpretaram juntos. Os filhos são prolongamentos, extremidades muito amadas de nós, protegê-los e ensiná-los a enfrentar as florestas do caminho com suas feras – nossa responsabilidade. Jamais da escola ou do governo!
2022.12.06 – “Que orelhas tão grandes você tem!” – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
Válvulas! De segurança e de escape.
05 dez 2022 Deixe um comentário
Válvulas!
De segurança e de escape.
A hábil cozinheira deixou o feijão em banho na água durante a noite. Pela manhã, coloca-o na panela de pressão e vai ao fogo. Estamos na era do fogão a gás. Continua sua faina diária, sem nunca descuidar da panela. Ouvido atento. O olho que olha de quina. O olho que espreita na curva. Ela sabe das vantagens de ter uma panela de pressão, mas também sabe dos riscos, pois nada na vida é somente benefícios.
A panela de pressão é feita de alumínio de boa espessura. As tampas mudam a forma de fixação, sejam internas ou externas e com ligas de borracha para melhor vedação. Observe que na tampa há algo como uma chaminé, um chapéu que se move ao toque de nossa mão ou de algum instrumento e servirá para sair o excesso de vapor/pressão produzido pelo cozimento. Observe, também, que há uma espécie de selo (ou selos) na tampa. São válvulas extras de segurança, caso o “chapéu” não dê conta de liberar a pressão.
Algum tempo no fogo e a pressão assovia pelo chapéu. A atenta cozinheira abaixa o fogo (diminui a chama), também pode ajudar o chapéu a liberar mais vapor ou até levar a panela e soltar água fria da torneira sobre ela. Também a cozinheira sabe que não pode exceder a quantidade de água e de feijão na panela, há um limite como para tudo na vida. Caso a cozinheira seja inábil ou desatenta, a pressão interna pode explodir a panela e há casos de lesões graves com pessoas no entorno.
Cr & Ag!
Nosso corpo é dotado de válvulas de segurança muito mais evoluídas que na panela de pressão. Temos vários orifícios que são válvulas para o mundo exterior. A barriga inchada, quase explodindo… Que alívio liberar flatos. Muitos flatos, num tiroteio saudável. Outras vezes são pelas eructações. Algumas estrepitosas. Pergunte a alguém com a “urina trancada” a felicidade e o alívio de conseguir urinar e esvaziar a bexiga.
Nosso corpo é uma máquina híbrida e formidável. Temos um magnífico motor à combustão que precisamos alimentar de combustível e estar com a água em nível saudável. A pele, esse imenso latifúndio, é uma válvula de escape e segurança também. Isso nos permite funcionar em equilíbrio e harmonia vigiados por nós. Lembra da hábil cozinheira? Se esses mecanismos naturais e vigiados adequadamente pelo seu “motorista” não funcionarem corretamente, o corpo adoece e pode morrer.
Cr & Ag!
Até aqui temos alguns alvores de como nosso corpo funciona e da nossa responsabilidade e necessidade de cuidá-lo bem. Traçamos uma alegoria com a panela de pressão. E a “pressão” que nossa mente e nossa alma está submetida? Como ajudá-la a não “explodir” ou adoecer? A resposta está naquilo que nos alivia e nos dá felicidade.
O prazer é transitório, a felicidade vive com harmonia. É o pulsar do coração numa cadência musical, nunca como a marreta na bigorna. Para alguns estará numa beira de água pescando, mesmo sem pegar um único peixe – os Apóstolos de Cristo era pescadores. Outros fazer uma horta, cuidar do jardim, artesanato, trabalho comunitário, futebol, cozinhar, atividade física e tantos outros que você tem em mente. Mais feliz e sadio será aquela pessoa que tem várias válvulas de escape e de segurança para seu corpo e sua vida e que sua companhia de jornada entenda e apoie, jamais dificultando ou impedindo.
O exercício da fé é outro poderoso mecanismo de equilíbrio.
Mais um ano terminando. Ano difícil. A pandemia não foi somente viral. Ano que criaturas liberaram o fel de suas entranhas e tornaram a vida mais sombria, mas que outras criaturas se uniram em orações e círculos de Luz buscando o Criador e esvaziando aquilo que não é bom e saudável para o corpo e para a alma. Esse equilíbrio do corpo, mente e alma é necessário e indispensável. E as suas válvulas? Quais são? Como lida com elas? Conte para mim!
2022.11.29 – Válvulas! De segurança e de escape – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
Sonhos & Pesadelos!
25 nov 2022 Deixe um comentário
Sonhos & Pesadelos!
Observe que dormimos durante 1/3 da vida terrena. Pois é, a quantidade de horas ou dias acomodados num singelo leito ou escorados em qualquer anteparo é significativo, senão assustador. Quando tiver 60 anos de idade, estaremos entregues aos braços de Morfeu por cerca de 20 anos.
“Morfeu?” “Quem é essa criatura tão poderosa quanto o Egg Head?” Descanse ( mais ou menos!), pois é uma criatura mitológica. Da antiga mitologia grega, filho de outra divindade chamada de Hypnos – lembre hipnose! – esse é o todo poderoso deus do sono. Acreditavam os gregos antigos que seriam como metamorfos ou criaturas que poderiam, tinha o poder e a habilidade de assumirem outras formas e se enfiarem debaixo dos lençóis com humanos, influenciando e algo mais.
Crenças singram os mares empurrados pelo vento da necessidade de justificar ou, meramente, explicar aquilo que desconhecemos. Faz algum tempo que a Medicina faz mapas do sono das pessoas. Buscam-se motivos, causas do mau dormir e do mal estado da mente e do corpo ao acordar. “Uma noite mal dormida é um dia cruel!” Isso é real e comprovável. A Medicina busca entender e tratar, aliviar causas e sintomas, como a apneia do sono e as consequentes máscaras para melhor oxigenação da pessoa.
Crônicas & Agudas!
Enxaqueca. Cefalalgias de toda ordem. Torcicolos e dores musculares, até contraturas. Pressão arterial (hipertensão arterial) instável. Diminuição da imunidade e alterações do humor. Déficit de memória e de aprendizado. O rosário é longo e até doloroso. Outras crenças promulgam que durante o sono a alma pode deixar seu arcabouço corporal e “sair por aí”. “E os sonhos? E os pesadelos?” Certas pessoas têm sonhos vívidos, como se fossem reais. Intensos! Uns lembram ao acordar, outros após um ‘estalo’ qualquer, acordam algumas lembranças. Outros são sonhos terríveis, assustadores, violentos – aqui adentramos o território hostil do pesadelo!
Muitos acordam na madrugada banhados de um suor pegajoso e com o coração querendo saltar pela boca. Pior com aqueles que desejam acordar e sair daquele looping de medo e dor e não conseguem livrar-se das correntes do sono. Sonhos daquilo que viveram em algum tempo (?) ou, pior, daquilo que arriscam enfrentar num futuro incerto. Em muitas culturas e tempos da humanidade, com auxílio ou não de drogas, busca-se o sono e o sonho, talvez o pesadelo, para crescer, evoluir, identificar-se com seu tótem, descobrir saídas de graves problemas pessoais ou da tribo e… Descansar. Há brasileiros que dormem para jogar no bixo e nas loterias.
Crônicas & Agudas!
A vida durante o sono e vertida em sonhos ou pesadelos transcende ao nosso pleno entendimento e análise. “Pior quando acordamos e descobrimos que o pesadelo é estar acordado!” Já escutou alguém assim dizer? Outro dia, ouvi isso. Para muitos, o sonho será um Brasil que eles plantaram. Para outros, o pesadelo anunciado continuará depois da porta dos quarteis e de um Brasil que lhes será hostil. Sim ou não? Sonho ou pesadelo. Você e-leitor que me persegue ou acompanha tem o seu respeitável entendimento.
Para todos, acordados ou dormindo, a conta chegará. A conta vai chegar, positiva ou negativa, prepare-se pois o mundo nunca mais será o mesmo. O mundo real e palpável é bem mais sinistro que aquele do Morfeu? Será?
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2022.11.22 – Sonhos & Pesadelos – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
Corpo de Jóquei! Isso basta?
25 nov 2022 Deixe um comentário
Corpo de Jóquei! Isso basta?
Uma das mais soberbas e interessantes atividades e afinidades do gaúcho é e sempre foi a “corrida de cancha reta”. Traduzindo e explicando mais um pouco aos gaúchos Nutella. A cancha reta é uma pista de provas para desafios a cavalo. Traçada num campo e marcada ou não com divisões laterais em madeira ripada e entre os cavalos e cavaleiros até por um fio de arame, desses de fazer cercas ou alambrados.
Entenda que há canchas retas de variados acabamentos pela qualidade superior das disputas, cavalos e cavaleiros, treinadores, veterinários e uma corte de trabalhadores para o animal e seu ginete. Algumas mais sofisticadas trazem o chamado partidor, que determina que os cavalos arranquem no mesmo tiro de partida.
Aqui no perímetro central havia uma cancha reta na Lomba da Tarumã. Defronte do Hospital de Viamão havia um campo da família Veiga (Maria e Clodoaldo) que era cedido para alguns plantarem aipim, batata doce, abóboras e… Treinamento dos cavalos do famoso “Nico Montanha”.
Seu Nico residia na mesma quadra do hospital, numa esquina, e levava seu cavalo (ou cavalos) para treinarem e descontraírem os músculo. Baixote e atarracado. Barrigudo com a guaiaca em arco abaixo do abdômen. Sempre de bombacha e chinelos de couro. Gente boa uma barbaridade. Gostava da gurizada que se acercava e sentados assistiam ao seu manuseio e arte com os cavalos.
Crônicas & Agudas!
Domingo! Escolhia-se entre os jogos de futebol do Tamoio, glorioso rubro-negro da baixada, sessões de cinema, a matiné, no Cine Ideal da família Toffoli (do cirurgião-dentista Dr. Bruno) com sessões duplas e trocas de gibis e figurinhas ou até uma piscação de olhos tentando arrumar um namoro com tantas gurias bonitas. A outra opção mais raiz era a cancha reta na Lomba. Com direito a comer o melhor pastel da cidade e tomar um guaraná. E se o “clima” ajudasse uma peleia entre os ginetes, entre os donos dos cavalos e certamente entre os apostadores.
Reza a lenda que “cavalo lerdo e mulher ligeira quebra qualquer homem por mais abonado que seja”! Sim ou não?
A extensão da cancha deve estar algo entre 250, 300, 500 ou 600 metros na maioria. Vi canchas maiores. Aqui na antiga fazenda do Dr. Breno Caldas, do Correio do Povo, preparavam-se excelentes cavalos. Homem poderoso trazia excelentes animais e jóqueis, assim como domadores e tratadores. Um desses domadores foi meu paciente. Já estava com o galope saltando aquela área pantanosa onde se inicia a terceira idade.
Negro ferro. Músculos e pontas de ossos transpareciam. Diversas fraturas sem nunca ser domado por homem ou por animal. Empregado de confiança. Contou que levou cavalos do Dr. Breno para Carazinho, terra natal do tio Brizola, e venceram corridas contra cavalos dos castelhanos e gente graúda de todo Brasil. Consulta daquelas que o médico é que deve pagar ao paciente o atendimento. Deve estar preparando o cavalo de São Jorge nas coxilhas celestiais, nesses tempos oscos!
Crônicas & Agudas!
O jóquei contrasta a baixa estatura e corpo fino, esguio como cobra da areia, mas ligeiro e resistente como quero-quero defendendo o ninho e os filhotes. Muitos tinham a face lanhada pelo relho do adversário, até o olho caído e meio cego, troncho mesmo. Descobri uma certa regra que o ginete não deve passar de 10% do peso do cavalo. E a posição na sela? Como a cobra-rei antes do bote fatal. Nunca vi, mas contam de cavalo desfalecer e até morrer ou ficar inválido após corridas. E, ainda, espectadores/jogadores perderem o patrimônio e a honra.
“E daí, Edinho do Cabeleira?” No trotezito se vai muito longe, mas na cancha reta, pode a pressa, a velocidade ser fatal. Pois pensando nisso, dei-me conta que durante muitas décadas (uns 50 anos) o Brasil não teve um homem do porte e habilidade do Paulo Guedes na Economia. Cada um no seu ofício, de corpo e alma. Não será suficiente ter um “corpito” e maneiras de jóquei; não bastará parecer como a mulher de Nero. Ou ser adulador de plantão, talvez ávido por cifras, terá que ter muita competência e dignidade. Sim ou não?
2022.11.15 – Corpo de Jóquei! Isso basta? – Edson Olimpio
Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
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Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico. Cirurgião. Escritor
CREMERS 07720
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Médico Cirurgião Jubilado
Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS
Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS
Associação Médica do RGS – AMRIGS
Associação Médica Brasileira – AMB
Viamão – RS
1971 a 2022 – 51 Anos de Medicina
http://www.edsonolimpio.com.br
Autor dos livros:
Crônicas & Agudas
Crônicas & PontiAgudas
Trinity! A Saga continua.
30 Anos de Jornalismo
Cronista Jornal Opinião de Viamão





