E o Cascão fardou! E goleou. Edson Olimpio Oliveira. 1º Lugar em Crônicas no XII Concurso Literário FECI e Capolat. Junho 2019.

 

 

 

E o Cascão fardou!

E goleou.

Um futebolista do passado, de nome Sarno, escreveu um livro chamado de “Futebol, a Dança do Diabo”. Conta a sua história dentro das quatro linhas do gramado, a sua vida de vestiário, concentrações e as mirabolantes passagens de vários atletas e muitos craques do futebol do passado. Aqui em Viamão City, a Primeira Capital de Todos os Gaúchos, apreciamos  ao extremo oposto ao título do Sarno. Temos: Futebol, o Bailado dos Anjos. E foi nos idos finais da década de 1950, após o Brasil calçar o seu primeiro título mundial nos gramados lamacentos da Suécia que isso aconteceu. E aviso, não saberemos separar a lenda da história, nem o homem do mito.

Contam que seu pai o trouxe na garupa do cavalo vindo trabalhar na enorme fazenda do doutor Breno Caldas, dono do Correio do Povo e da Rádio Guaíba de Porto Alegre. O garoto comprido como esperança de pobre destacava-se pelo porte e altura em razão dos outros jovens da fazenda. Cresceu no trabalho com o gado e aprendeu com o pai a lida da monta e da doma dos mais bravios cavalos da fazenda. Não era muito afeiçoado com as letras e nem com os cadernos e a professora da escolinha tentou, mas não conseguiu encaminhá-lo pela trilha do estudo. Seus livros eram o campo aberto, a natureza, as pescarias nos alagados do Rio Gravataí e o amor aos cavalos. O tempo para o homem campeiro tem a velocidade do vento Minuano nas quebradas dos capões de mato. E logo o garoto mudou de voz, um bigode ralo e uma barbicha decoravam a sua face queimada, tostada do sol e do vento. Cabelos lisos, pele ocre e olhos de uma tonalidade verdosa contrastavam e teciam indagações aos curiosos. Contam que seu pai, certa feita, disse que sua mãe tinha sangue de índia castelhana e havia morrido do parto e por desavenças com a família, tomou do filho e se bandeou para os campos do Viamão. Tudo por achar o nome do lugar muito estranho. A doma era feita da vitória do homem sobre o cavalo. Mesmo costelas partidas e pernas quebradas. Descadeirados escoravam-se no balcão da bodega na Estância Grande. Relho e esporas rasgando a carne do bagual. Os dois sangravam – o animal e o homem. Sempre havia um vencedor e um perdedor. Seu pai era Gomez e ao jovem chamavam de Gomecito. Tinha uma técnica ímpar de doma na região. Levava o cavalo para dentro do banhado e lá os dois se estranhavam um tempo, mas com os aguapés se enrolando nas pernas e nos cascos, de alguma forma se entendiam e assim montado a pelo corriam pela várzea. Contam que alguns cavalos da fazenda iam para carreiras famosas, como as de Carazinho, terra do doutor Leonel de Moura Brizola, domados e adestrados por Gomecito e seu pai.

Todo o homem tem uma “fraqueza” ou uma especial afeição para o trabalho e o  lazer. Gomecito eram a bola e os cavalos. As habilidades no futebol de várzea que eram naturais nele e outros tentavam em intermináveis treinos e não conseguiam. Alunos da famosa E.T.A., Escola Técnica de Agricultura, que visitavam com professores a fazenda e ali se aperfeiçoavam nas futuras profissões, descobriram-no. A ETA tinha um campo de futebol e ali vários talentos surgiram. Muitos engrossaram o esquadrão do glorioso Tamoio Futebol Clube, do Centro histórico de Viamão. #E foi aí que nasceu o apelido do Gomecito. Apeou do cavalo e boleou a mala de garupa sobre o ombro. O pessoal se fardava ali mesmo no costado do campo, junto de um alambrado de fios de aço. Recebeu a camiseta e um calção do time. Colocou e… A rapaziada estranhando perguntou-lhe: “E as chuteiras”? Não tinha chuteiras. Jamais jogou de chuteiras. Nunca usava calçados. De nenhum tipo. O capataz até levou um sapateiro para lhe fazer um par de botas. Fez! Queixava-se que não dava para usar. Os pés adquiriram a resistência da vida do campeiro. As solas dos pés eram extremamente espessas. Grossas. Tentaram que usasse alguma chuteira emprestada, inclusive um gringo da serra quis dar-lhe as suas. “Ou joga de pés descalços ou não joga”. Joga. E jogou. Fez cinco golos já na primeira metade do jogo. Tiram-lhe para celebrar o rodízio entre os atletas. Entrou nos dez minutos finais no outro time e fez mais dois golos.

Sua velocidade e destreza eram incomuns. O chute disputava potência entre a perna direita e a esquerda. “Um canhão”! Talento natural. Logo escalado para um enfrentamento do time principal da ETA e os craques do Tamoio. O juiz era um veterano da arbitragem de Porto Alegre e que depois da quinta cerveja deixava o jogo correr solto. Dedurado pelos adversários que estava sem chuteiras, o juiz não permitiu que entrasse em campo. “Ou bota chuteira, ou não joga”! Berrou espalhando o bigodão. Metade do segundo tempo, um massacre: Tamoio 6 e ETA 1 e de pênalti. A ETA se rebelou e avisou: “Ou entra o Cascão ou saímos de campo”. Entrou o Cascão e o final ficou 8 a 7 para a ETA. E assim o Cascão sem chuteiras jogou e estreou na várzea da “santa terrinha setembrina”. Aqui o Consul do Colorado em Viamão, seu Aldo Cabeleira, lhe deu uma camiseta do Internacional com o número 7. “É do Tesourinha”! Que ele conhecia e amava no Correio do Povo e na galena do velho Zeca Armindo. Gastou a camiseta de tanto usar. Inclusive por baixo dos fardamentos da ETA e eventualmente do Tamoio.

Grenal no Estádio Olímpico. O brilhante Tamoio, o rubro-negro da baixada, convidado para uma preliminar contra veteranos do Grêmio. Era uma turma de assustar e causar respeito. Jogavam a preliminar para empolgar, atiçar a torcida goleando os adversários. Como nunca teve dirigente burro no Tamoio, somente alguns mais inteligentes que os outros, levaram o Gomecito Cascão de arma secreta. E que arma. Como de costume, os veteranos do tricolor saltitavam e afiavam os cascos como cavalo no partidor do prado. Um melhor fardado que o outro. Firulas com a bola. De novo o juiz retirou o Cascão do time – “Sem chuteiras não joga”! A situação estava dramática. Empilhavam golos e tripudiavam “dos índios viamonenses”. Segundo tempo, os jogadores viamonenses estavam de olhos esbugalhados. Contam que o Consul Colorado passou um bilhete para os dirigentes do Tamoio e uma caixa de papelão. Ali estavam um par de chuteiras sem solado.

Fantástica solução na crise. Um par de chuteiras sem solado, elásticos por baixo seguravam nos pés. E Cascão, na beira do gramado, aguardava autorização para entrar no jogo. O bandeirinha olhou seus pés e chuteiras. O juiz também. Ninguém lembrou de olhar as chuteiras por baixo. E o jogo virou um fandango e outro dia lhes conto maiores detalhes, mas terminou 9 a 5 para o Tamoio, com direito à volta olímpica. Quando descobriram a trama já era tarde e resolveram sepultar, excluir da história o feito de serem goleados em casa por um jovem amador e de pés descalços. Ah! E com a camiseta número 7 do Colorado por baixo do manto rubro-negro do Tamoio. Para quem não conhecia, assim nasceu a rotina ou a regra do jogador ter as chuteiras examinadas por todos os lados antes de entrar no jogo. Inclusive a sola. Observem!

O jovem! O homem e a lenda! Entre eles sempre há uma dama espreitando. Ela se chama Fatalidade! Bom, vamos continuar revirando a papelada do seu Aldo Cabeleira e ver o que mais encontramos. Outro dia, talvez continuemos!

 

Para: COLETÂNEA VOZES DO PARTENON LITERÁRIO XI

Autor: Edson Olimpio Silva de Oliveira

                Médico, Cirurgião e Escritor. Autor dos livros Crônicas & Agudas e Crônicas

& PontiAgudas. Colunista de Jornal, está nas páginas do Jornal Opinião de Viamão

há 20 anos. Participação em mais de 50 coletâneas. Vencedor de Concursos

literários com premiação nacional e internacional. Membro da ALVI – Associação

Literária de Viamão. Membro do Partenon Literário. Membro da Sobrames – Sociedade

Brasileira de Médicos Escritores. Design criativo e mobilizador com diversas campanhas

virtuais em seus espaços. A crônica “E o Cascão fardou! E goleou.” venceu em

Primeiro Lugar categoria Crônicas no XII Concurso Literário da FECI – Fundação

de Educação e Cultura do Sport Club Internacional e da CAPOLAT – Casa do Poeta

Latino-Americano. É avô da Ana Luiza, do Lucas e do Pedro Henrique.

2019 - 06 - Primeiro Lugar Crônicas - FECI - E o Cascão fardou. E goleou2019 - 06 - Troféu Primeiro Lugar Crônicas - E o Cascão fardou. E goleou.

A Casa Veiga! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 18 Junho 2019.

 

A Casa Veiga!

A

ssíduos leitores da eterna geração me cobram para escrever e publicar nesse poderoso jornal sobre mais alguma mecha da vasta cabeleira da história de Viamão. Minha principal ferramenta é a memória daquilo que vivi e convivi. Eventualmente me socorro de algum outro viamonense, como agora, pelo primo Sílvio “Boca” Oliveira. Concordo que a cidade, a sua vida, sua história pessoal, principalmente, vai evanescendo, virando fumaça e sumindo nos ventos do tempo. Guardam-se algumas imagens fotográficas, seres mudos e que exalam sentimentos que a maioria não irá captar. Sequer saber mais de seus conteúdos. Há também muitas narrativas que miscigenam fantasias pessoais ou de outrem com fímbrias de realidade. Isso é pródigo e repetitivo em que o realismo fantástico se torne “realidade”, até legal. O venerável prédio foi o maior junto com a Igreja, o Colégio Stela Maris e o Hospital de Caridade aqui no Centro Histórico, e ergue-se ali na frontaria da Câmara de Vereadores. Abriga diversos comércios e vários comerciantes. Isso estava na raiz, no DNA da Casa Veiga que vendia de quase tudo. Do botão ao caixão de defunto. Do parafuso, passando pelos vidros cortados ao chapéu Ramenzoni. Que maravilha!

Crônicas & Agudas

Essa fase que rememoro com vocês está principalmente na era Jânio Quadros, João Goulart e dos anos de ouro para uns e de ferro para outros. Dois irmãos capitaneavam a nave Casa Veiga – Carlos “Carlinhos” Veiga e seu mano Djalma Veiga. Carlinhos é o pai da Marilú. Djalma, pai do caro Juarez “hábil em tudo”, avô da advogada Naimara e sogro da Satut. A amorosa esposa de Djalma foi a dona Cecília, uma das maravilhosas doceiras de Viamão. Um prédio vistoso e sólido, de pé direito alto, três portas frontais, sendo a central bem mais ampla que se abria para a imensa loja com um balcão em forma de U. Ao fundo do U, uma porta e o tampo se abriam para permitir a passagem, entrada ou saída, e ao lado da tradicional caixa registradora de botões e sineta ao abrir a gaveta bem abastecida. Raros eram os assaltos na Viamão, que na sua história contou como Delegado de Polícia o Capitão Osório Belíssimo, que já transitou em outras colunas. Aqui em Viamão, bandido tratado como bandido e não a versão macabra, sinistra, cúmplice de “vítima da sociedade”.

Cr & Ag

Um mezanino espraiava-se no contorno superior. As mercadorias em profusão albergavam-se em sítios bem estabelecidos. Lembramos dos saudosos funcionários como o Papito e o Moacir “Feijão”, que substituiu seu Carlinhos como Juiz de Paz ou o “Juiz Casamenteiro” na cidade. Seu Carlinhos era o mais conversador dos dois irmãos. Tinha baixa estatura física e um pequeno e bem cortado bigode adornava o lábio superior, sendo um caçador de marrecões como meu pai Aldo e meus tios Eninho e Álvaro, pai do Sílvio. Era comum a pessoa comprar a caderno (crediário). Pedia-se uma “peça de tecido que não encolhesse nem desbotasse”. A pessoa escolhia entre dezenas de variedades e o vendedor levava ao balcão, desenrolava, media com uma régua métrica de madeira e cortava. Ali sairia uma bela roupa. Um belo vestido como a costureira Dona Dora habilmente fazia para as maiores festas da cidade. Dona Dora é minha mãe!

Cr & Ag

Aos fundos do prédio, dando para a rua Cirurgião Vaz Ferreira, outra edificação abrigava a marcenaria. Lembramos do seu Cláudio, pai do Bito, e sua habilidade em trabalhar a madeira para todas as necessidades, como para os ataúdes ou urnas funerárias. Ali o talento do Juarez com a madeira emergiu poderoso e seus trabalhos conquistaram o tempo. A vidraçaria também estava ali. Assim algumas pinceladas, incompletas pela exiguidade de espaço da crônica, mas que sirvam para ativar e mobilizar os melhores sentimentos de uma época de ensinamentos e de exemplos duráveis. E assim você complementará nossas lembranças.

2019 – 06 – 18 Junho – Casa Veiga – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br

Irmãos CR 20Irmãos CR 21

Horizonte Sombrio! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 11 Junho 2019.

 

Horizonte Sombrio!

O

 silêncio! Um silêncio quase absoluto se não fosse pela eterna persistência do oceano em pugilar, jogar suas ondas, esticar seus braços que se multiplicam sobre a areia da praia. Seu murmúrio soa horas raivoso, momentos de lamúria e tento interpretar, sentir, ler a sua mensagem que chega permanente aos ouvidos. Nenhum outro ruído esgueira-se entre os vãos dos vidros das janelas. Não há vento, que se escute. A maresia trespassa as paredes e seu hálito sempre atrai o homem para o mar e sua vastidão sem início ou fim. É uma manhã de domingo. Um domingo qualquer. Madrugada longa de um dia que teima em não amanhecer. Um pé para fora das cobertas. Há que balizar a temperatura. Avanço mais e o pé balança na beirada do leito. As horas de sono diminuem gradativamente enquanto a idade avança. O corpo requer uma reconfiguração pela manhã. Algumas coisas foram resetadas durante a noite de sono. O corredor parece mais longo e sombrio, pois sombras jogam-se em profusão pela parede de vidro do living. Há que cumprimentar o mar. Há que abraçar e agradecer um novo dia!

Crônicas & Agudas

As paredes de vidro me cercam, sinto-me num aquário. Isolado do mundo real. Vivendo o meu mundo planejado em longas e duras jornadas de vida. Ondas insanas de um cinza bruto com espuma marrom barrosa com alguns filetes esbranquiçadas que me parecem ser perseguidos e caçados pelo poder do sombrio. De algum lugar, imagino eu, o vento sentou-se e observa o caldeirão da vida, o oceano que a tudo gerou, ferver e derramar-se pelas bordas. Também seria insano alguém aventurar-se a enfrentá-lo. E o sol? Nuvens densas, negras como a desgraça, parecem raspar a crista da maré. Como a beber da sua água e depois despejar no lombo dessa humanidade teimosa e carente de entendimento. Nada do sol! Afino o olho, varando o horizonte de norte a sul, nem uma lasca de luz. Nem uma gota de sol. Sinto estarmos mergulhados numa redoma de sombras, fúria e escuridão. Creio que as aves marinhas se esconderam desse ambiente hostil e devem estar protegendo seus filhotes, seu ninho e um ao outro, no casal.

Cr & Ag

Surpreendo-me conversando com o sol. Não, não sinto que esse ambiente “insano” tenha me corrompido. Imagino-me em alguma praia no início dos tempos, como outro humano impotente ao humor da natureza. E cheio de temor! Parece-me mais uma prece com a Divindade, ansiando pela luz e tudo que ela desnuda, cria, evolui e protege. Sei lá quanto tempo se passou. Tenho uma bola de cristal multifacetado pendendo num fio de nylon na minha janela. Ela recebe os raios de luz e joga-os em prismas por todo o ambiente. Um piscar de olhos. Um flash do cristal bate em meus óculos e penetra córnea a dentro. Logo outro. De algum lugar, que ainda não identifico, a luz solar varou o manto espesso de nuvens. Uma batalha se trava no céu. Como se alguém quisesse nos dar a grandeza da vida com a luz e outra criatura quisesse tornar a vida sombria, triste, depressiva, de horizonte escuro e águas barrentas. Creio que no início dos tempos, aquele homem à beira mar sentia algo similar.

Cr & Ag

A luz persiste rasgando as sombras. Uma garça surge e joga-se a mariscar com ansiedade. As cores alteram-se como numa reação em cadeia. Uma brisa leve balança a vegetação. O vento deixou de ser um mero observador. Tons de azul e verde espalham-se na água antes lodosa. Num passe de luz, a espuma branca, como sempre deveria ser, vence. Um cão aparece correndo a brincar com as gaivotas. Num tempo, as nuvens negras diminuem e o calor e a luz banhando a vida e o mundo. Algumas pessoas surgem sestrosas. Há sons na rua. Há sons e ruídos na cozinha. A vida renasce e se ilumina. Como se vários holofotes amarelos me atingissem e ao mundo. Eis que um pensamento dribla e um sentimento brota – está o amado Brasil hoje saindo das sombras e de muitos dos seus males. Há muito que iluminar e lavar o lodo de corpos, mentes e espíritos e da nossa pátria!

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Irmãos CR 18Irmãos CR 19

“Aqui jaz quem nunca se conformou com a Dor, o Sofrimento e a Doença”! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 04 Junho 2019.

 

“Aqui jaz quem nunca se conformou

com a dor, o sofrimento e a doença”!

V

em à mente a imagem de Cristo na cruz em seus derradeiros momentos, como citado no Evangelho, em que exclama a Deus: “Pai! Por que me abandonaste”? Alguns de nós aceitam a dor, o sofrimento e a enfermidade como cargas de seu espírito ou carma, digamos assim. “A expiação do carma” sendo uma forma de pagar as dívidas ou os pecados cometidos nessa vida ou em outras encarnações, dependendo do perfil e do entendimento filosófico e espiritual da pessoa. Evoluindo pela espiritualidade, dívidas familiares seriam também cobradas daqueles em sofrimento. Uma das encruzilhadas de qualquer entendimento religioso ou filosófico atravessa e colide com a dor, o sofrimento e a doença. Aqui sendo um planeta de expiação em que as criaturas renascem para cumprir uma nova jornada na existência eterna com a finalidade de evoluir, de aprimorar-se e finalmente de iluminar-se. E assim nesse fluxo constante de nascer, morrer e evoluir galgamos os degraus dessa terra de sofrimento.

Crônicas & Agudas

Aqueles ditos iniciados ou com o conhecimento mais evoluído e aperfeiçoado tentam nos ensinar que a evolução, através do aprendizado constante, será feita pela dor. Pregam que sem a dor e o sofrimento ou as agruras da enfermidade, a maioria dos humanos não cumpriria sua missão de evoluir. É comum durante o tsunami do sofrimento a pessoa se comparar com outras pessoas e querer traçar um paralelo do porquê do seu sofrimento e da vida menos penosa de outros. Novamente algum iniciado prega mais um cravo na nossa cruz alegando que não temos o “merecimento”. “Merecimento” é uma dessas palavras mágicas tanto iluminada quanto sombria em que nossos méritos serão colocados numa balança espiritual e nossos pecados ou defeitos no outro prato da balança. Outra imagem que muitos cultuam ou aceitam seria que Deus, São Pedro ou a Entidade que administra os portões do Céu teriam um “livro da vida” da pessoa e ali seria feito o balancete: “Entra ou não entra”.

Cr & Ag

Essa crônica se exime de qualquer entendimento que o leitor possa fazer imaginando que o cronista queira lhe ensinar algum caminho ou afetar de qualquer forma a sua religião ou entendimento de vida. Nem argumentar que uma crença é melhor ou pior que outra. Cada pessoa deve buscar e ter a sua avaliação e melhor entendimento de seus passos nessa sua jornada de vida. Eu, pessoalmente, não me conformo com as minhas dores, nem com as enfermidades. Pior, com as dores e enfermidades dos meus pacientes. Cultuo o entendimento de que não há “paciente desenganado”. Há o paciente ou seu responsável que abandona o alívio dos tratamentos. Há médicos de má formação pessoal e técnica, capacidade médica precária ou que navega num mar de orgulho desprezando o auxílio de outros médicos e de outros tratamentos não ortodoxos.

Cr & Ag

Lutar sempre. Desistir jamais! A espiritualidade deve ser presença na vida da pessoa. A sua espiritualidade tratada com respeito pelos demais e por si. A fé deve ser cultuada e buscada nas entrelinhas da dor. A única certeza que carregamos desde o nascimento é de que um dia iremos morrer. Sairemos dessa vida. A questão, o problema está no “como sairemos dessa vida”. A sua fé talvez lhe mostre o melhor caminho, que até pode ser o mais penoso para o aqui e agora de seu corpo. Somos uma trindade: corpo, mente e espírito! Cada um de nós, eu e você, somos responsáveis pela nossa caminhada.

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Irmãos CR 16Irmãos CR 17

O “fogão” do Amor! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 28 Maio 2019.

 

O “fogão” do Amor!

– De onde vem essa imensa tristeza?

– Nossa relação esfriou! Minha vida esfriou.

O

 cronista, na ausência de um melhor título, traçou uma analogia simples com a vida comum de todos nós. Alguns mais e outros menos. A nossa humanidade trabalha com o afeto, com a afetividade de forma muito intensa e até radical. No embate entre a razão desses seres racionais que nos intitulamos e o amor que pulsa em nosso peito durante toda a existência, saímos feridos, magoados, doloridos e até mutilados. Geralmente a emoção é a vencedora do conflito e assim acordam uma infinidade de sentimentos que transitam pela tristeza à depressão que se aloja e se arrasta pelo tempo. Outra analogia que se usa é de que o cristal partido. Isso também não é verdade, ao contrário, podemos e devemos sair mais fortes, aptos e melhores das mais intensas, dolorosas e sofridas batalhas da vida. A vitimização exuberante é um prodígio de expandir o sofrimento e despejar a culpa de dois ou mais em um, principalmente.

Crônicas & Agudas

Nesses tempos de relacionamentos transitórios e virtuais ainda sobra um imenso espaço e na separação cava-se uma cova, onde se corre o risco de não sair. Se a dor ensina a gemer, são os invernos da existência nas geadas dos casais que a chama dessa fornalha viva ou, aproveitando a vida gaúcha, que o coração deve manter acesa e persistente nas alegrias e nas adversidades. Quantas vezes o fogo é atiçado e muita lenha é colocada, labaredas se expandem numa paixão até descontrolável. Outro ensinamento da alma do povo nos ensina que tudo que sobe muito rápido, assim também será a sua queda. Ainda, “devagar e sempre”. Outro, “devagar se vai ao longe”… E bem! Mais outro da pampa gaudéria, “no trotezito, cavalo e cavaleiro vão muito longe, mas na cancha reta é tudo num tiro”. Nos tempos de antanho, certamente até ausentes atualmente nas casas do campo, um fogão, nas mais variadas versões, era mantido aceso. Inverno e verão. Noites e dias. Tanto para tomar um chimarrão, como para cozinhar e nunca comer uma comida fria. E no clima adverso, com a geada congelando as pessoas e os animais, com o minuano açoitando como discurso de político descoberto na falcatrua, o calor do fogão aquece o lar físico e afetivo.

Cr & Ag

“E os pelegos”? O braço que aconchega, a palavra que acaricia a alma e o olhar de bem-querer aquecem tanto ou mais. “Eu tenho fé, seu doutor, de que as coisas vão se ajeitar e ele muda um pouco e eu mudo também. Se eu estou sofrendo, ele também deve estar. E não vou esperar que ele venha, eu vou na direção dele e tenho fé de que vamos nos encontrar na metade do caminho”! Veja que a “” é razão e instrumento de pacificação e de harmonização. Toda a perversidade da “depressão”, essa máquina de moer as pessoas e suas vidas, também pode ser (e deve) atacada e enfrentada com fé raciocinada. Com a fé nascida do entendimento e amparada, estimulada pela percepção real de um Pai celestial de amor pleno que ilumina nossos caminhos e nos acompanha, se assim for nossa vontade e merecimento.

Sentimentos necessitam ser expressos e cultivados. Há quem não diz que ama, “pois ele/ela sabe”. Quer colher sem plantar? Aquilo que parece supérfluo ou até transitório para uns, serve como sustento e calor nos corações de outros. A balança da sua vida lhe pertence. O trabalho é mais importante que a vida do casal ou a família, por exemplo? Ou a sua percepção e inteligência lhe manda e permite equilibrar, balancear corretamente e manter-se no Amor?

2019 – 05 – 28 Maio – O fogão do Amor – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Irmãos CR 13Irmãos CR 14Irmãos CR 15

“E a culpa ainda é do Brocoió”! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 21 maio 2019.

 

“E a culpa ainda é do Brocoió?”

C

ontei-lhe em outra crônica sobre uma figura, inspirada no marinheiro Popeye, que se apresentava nos lugares mais perigosos e insalubres e nem sempre as suas decisões eram as mais acertadas. Saboreava-se uma bala quebra-queixo e colecionava-se os papéis que as embalavam. Nas sessões do cinema Ideal, ali na culatra da Caixa D’ Água, a gurizada fazia trocas e, vez por outra, ocorria alguma briga. O termo Brocoió começou a ser usado pelos viamonenses como sinônimo de abobado e pateta. Logo algum edil era chamado na bancada da Câmara de “brocoió”. Era uma época de poucos partidos políticos e de homens que por honra ou temor cumpriam bem mais seus tratos e defendiam suas convicções por anos a fio. As batalhas orais no chamado palanque da democracia sempre refletiram o povo que os elegeu. Espelho e imagem. Cara e cara. Coroa e coroa. Sensacionais algumas peleias em que um edil cravava chifres na cabeça do outro enquanto o chamado de cornudo devolvia com “maconhado, maconheiro”. A idiotia do politicamente correto ainda não havia sido inventada.

Crônicas & Agudas

Logo após a guerra de palavras e a vertente de impropérios adornados por gargalhadas de uns e falsos constrangimentos de outros, pois a sabedoria popular revela que a maior alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo, a dupla cercada de seus súditos ou cabos eleitorais e outros mariscos devoravam suculentos filés à parmegiana em panela de ferro com muita cerveja num restaurante local. E a noitada continuava. Conta-se e vou contar como me contavam, pois nunca lá estive em pessoa nem para atender alguma urgência (ufa!), que os mesmos gladiadores e outros, dividiam-se entre um bordel lá pelas bandas do assoreado Arroio Fiúza (Minha Chacrinha?) e outro bordel abastecido com as mais deslumbrantes gurias de Porto Alegre, o famoso Meu Cantinho. Como a maioria já “obituou” e poucos lembram dessas lambanças, viraram lendas urbanas. Mas alguém votou neles. Alguém os elegeu. E nas batalhas verbais a cabeça do eleitor era lembrada de conter alguma coisa malcheirosa que não somente seus miolos.

Cr & Ag

Vou votar nele porque ele precisa”! A coisa iniciava também por aí. Eleger uma criatura porque ela precisa. A sua profissão ou o seu serviço não são suficientes e precisa dos ganhos e langanhos da vereança ou da “deputança”? O parasita candidato também bailava na mesma vaneira de chinelos: “Não vota nele porque ele não precisa, ele já é doutor”! O uso do cargo eletivo para se locupletar, atingir novos patamares monetários, exercitar o poder da boca à cama, do bolso à roda do carro novo é tão velho quanto a filosofia de bordel. Mas nunca perdeu o brilho, mesmo oculto nas sombras e balbuciado em gemidos. O brocoió vota e quer eleger alguém que seja o seu retrato, que faça aquilo que ele gostaria de fazer e quando puder fará. Mesmo quando “rouba, mas faz”. Muitos acreditam que as criaturas que evoluem moralmente, não retrocedem. Não voltam a cometer os mesmos erros morais e patinar na mesma lama e no mesmo barro da podridão de caráter. Há controvérsias, pois o primeiro anjo da hierarquia divina tornou-se o mal absoluto.

Cr & Ag

O Brasil é uma nação apodrecida moralmente? Um povo com as características morais do brasileiro pode aspirar um caminho de luz ou persistir na devassidão do caráter de muitos de seus líderes, as tropas de acólitos e a escumalha que os sustentam? Os milhões de desempregados são somente vítimas ou são também a munição que causou a sua desgraça. Se bem que a vagabundagem é arte e ofício de imensas hordas de brasileiros? Quem são os “pais e mães” da pátria brasileira? Quem são os nossos heróis e servirão de inspiração aos nossos descendentes? Onde está a nossa estrela guia ou o nosso norte moral, ético e espiritual? O que você está fazendo realmente para tentar mudar essa caminhada nesse pântano e por que não aprendemos com nossos erros e ampliamos nossos acertos? Olhe para sua família e sinta se esse é o Brasil que você quer!

2019 – 05 – 21 Maio – E a culpa ainda é do Brocoió – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Irmãos CR 10Irmãos CR 11Irmãos CR 12

Artilharia Pesada! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 14 Maio 2019.

 

Artilharia Pesada!

E

is que um pouco mais de liberdade que o cidadão possa ter para se defender cria uma orgia de versões de “especialistas em segurança pública”, que continuam apontando as armas dos criminosos contra a pessoa honesta, desaconselhando e exigindo que algum iluminado juiz do Supremo anule qualquer medida provisória do governo. E há uma turma que deseja e luta para que novas facas assassinas voltem a ferir o Presidente ou sua equipe. Apesar de todas as imensas dificuldades para que o cidadão honesto possa fazer a sua defesa pessoal, de sua família ou da sua propriedade resulta nuns 60 mil assassinatos e até 450 mil estupros anualmente. Você acha que existam somente idiotas ou há facínoras travestidos de defensores da lei e dos direitos humanos (somente dos criminosos)? Veja outro aspecto da mesma ladainha tão sinistra quanto insana – a famigerada e abusiva “progressão de pena” e “indulto de Natal” vem em benefício de quem trabalha e de quem é honesto ou favorece a bandidagem e estimula o crime?

Crônicas & Agudas

O cronista gostaria de estar falando das flores que são ofertadas por filhos nesse dia de hoje – o Dia da Mães, enquanto redijo a coluna. Mas estamos falando de outras flores. Infelizmente. Das flores que as mães levam aos cemitérios com o rosto eivado de grossas lágrimas ´para as sepulturas de seus filhos assassinados por criminosos pet de deputados (as). Das flores que os filhos também levam para as sepulturas das mães, de familiares ou de amigos que tombaram nos mais pérfidos assaltos ou daqueles criminosos que algum juiz “cumpridor da constituição” liberta pelos mais variados motivos e desvios incompreensíveis à consciência das famílias vitimadas? As cadeias estão lotadas? Dizem que sim. A mídia que tem lado sinistro gosta de expor bandido em viatura da Brigada Militar como “uma vítima da sociedade”. Logo logo estarão novamente nas ruas cometendo os mesmos ou piores crimes e sendo abençoados e libertados numa escandalosa e mortal rotina. Um círculo vicioso que favorece o crime.

Cr & Ag

Quanto mais rigorosa a pena e quanto mais rápida for executada sem a perfumaria, confetes e serpentinas do bloco dos desumanos, menos cadeias estarão lotadas. O Brasil é um dos lugares do mundo em que o crime compensa. A nossa educação é das piores do planeta (e não é por falta de recursos monetários), mas a bandidagem conhece a mais simples e simplória matemática do tempo de cadeia e dos seus ganhos reais. Ganhos de muitos membros da república também tem o teto salarial relativizado para mais. Quando a criatura diz que seu salário é X, leia-se que muitos estão ganhando uma bela fileira de XXXX… Bastaria conferir o contracheque. O tempo máximo de cadeia no Brasil seria de 30 anos. Observe que formadores de opinião na mídia regozijam-se quando um mega estuprador foi condenado há mais de 200 anos. Será idiota ou faz parte do sistema “anticidadão” honesto?

Cr & Ag

E a caducidade dos processos? E a autoridade que é padrinho de casamento do criminoso? O arguto leitor está expandindo sua mente e enojando-se com aquilo que conhece e antes desconfiava. Claro que isso somente acontece numa ditadura em guerra tribal. Ainda bem que estamos imunes e vacinados. Aqui criminoso nem se elege! E se fosse condenado, seria por evidente perseguição política. Várias mães derramaram lágrimas em suas consultas por verem seus filhos abandonarem o Brasil em busca de um horizonte menos sombrio e uma oportunidade de trabalhar com honestidade e não ser vampirizado diariamente. Qual mãe gosta de ver seus filhos longe, em outros países, olhando-se pela tela do celular? Enquanto há Marias que oram rosários por seus filhos, há outras que defendem os criminosos de toda a ordem e desordem. Isso é Brasil! Triste e vergonhoso. Quando a mídia diz que “Sérgio Moro foi derrotado no Congresso”, tenham a certeza de que o Brasil honesto que amamos foi derrotado novamente e não o Moro.

2019 – 05 – 14 maio – Artilharia Pesada – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão http://www.edsonolimpio.com.br

Irmãos CR 7Irmãos CR 8Irmãos CR 9

Pitanga! Entre o Céu e o Inferno. Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 07 Maio 2019.

 

Pitanga!

Entre o Céu e o Inferno.

S

ossegando as mentes aguçadas na sexualidade do Brasil de corpos belos e esculturais, alerto que não degustaremos o assunto Camila Pitanga, nem sua arte ou arte-e-manhas. A velha pitangueira com seus galhos de repouso, descanso e lanches para as aves que se deliciam em seus frutos de um vermelho tórrido, jamais ardente. A pitanga com seus pequenos gomos falsos, não adentram seu corpo, tem uma predileção natural em costear os alambrados e separar as propriedades ou as suas parcelas. Ali, junto às cercas, ela estende sua fila como uma família que se debruça e pende a galhada tranquila sem disputar o vento e o sol com outras espécies. A sua sensualidade é natural e fomenta os mais sutis pensamentos no gaúcho buscando no entrevero, entre saracoteios, uma bela prenda com os lábios de pitanga que baila rodopiando como um pião ao som de uma vaneira marcada com o taco da bota e o suspiro da moça.

Crônicas & Agudas

Há dias em que o coração do cronista está mais em entusiasmado que padre em velório de rico. E assim brotam pitangas da sua meninice e outras pitangas de uma vida de encantos. Jamais atropele a sua vida. Curta-a! Como que deixar uma grande pitanga dissolver-se lentamente em sua língua e sorver lentamente seu sabor e acariciar seus sonhos. A pitanga é essa fruta simples, singela, humilde que nos olha com simplicidade e escapa dos holofotes e da poesia de outros frutos mais volumosos. Como as suas pequenas flores que exalam um perfume quase imperceptível para nós, ainda humanos, mas que atrai e delicia as abelhas. Alimento! Prazer! Remédio! Talvez em outra sequência. Em outra ordem se come pela atração e assim vários alimentos são cativantes e tantas vezes são comidos, devorados com volúpia e abuso. O corpo sente o excesso e estrila com o excesso. A barriga corcoveia e o tripeiro se contorce e retorce como cobra mal matada. A criatura “de bucho cheio demais” arrepende-se. O fígado velho, inebriado pelo álcool, concorda.

Cr & Ag

Tudo que entra tem que sair”! Principalmente quando o corpo se sente enfermo e anseia se livrar daquilo que mal lhe causa. Se é no campo, o gaudério arria a bombacha, encosta o lombo num palanque de alambrado e na sombra da pitangueira se alivia entre muitos gemidos e arghs com o suor gelado nas frontes. O citadino busca uma privada, qualquer patente serve, mesmo que na pressa nem se aperceba da ausência do papel para a derradeira carta. Os índios da pampa e a indiada portuguesa e castelhana descobriram no chá das folhas da pitangueira, principalmente de seus tenros brotos, um tratamento eficiente. E “na infecção intestinal, a pitangueira não faz mal e o chá quente salva muita gente”! A medicina campeira, na ausência do doutor letrado, fez estória, história e lenda.

Cr & Ag

Um colega médico de renomada cidade gaúcha, que se ornamenta em letras musicais e terra de gaúcho macho, contou-me que seu ancestral, avô paterno, creio, trazia carretas de sabugos de milhos para abastecer as patentes da prefeitura local e facilitar a vida da gauchada ansiosa para se aliviar e poder pensar nas leis e nas lides da cidade. Nos dois extremos do funcionamento do corpo humano, se entupido ou com severa prisão de ventre com dias de barriga inchada ou se esvaindo numa torrente fétida que anseia por um tampão que segure a bronca, o cérebro humano troteia e não sai do lugar. A cabeça não consegue pensar em mais nada. Nem sexo! Muito menos. Coisas do cronista que vai garimpando o título e vai encordoando fragmentos da vida de todos nós. Há controvérsias! Essas moças, lindas e esplendorosas mulheres, que largam qualquer trapo em seus “corpitos” e com saltos de 15 cm flutuam no ar das passarelas… Essas desconhecem as atribulações dos intestinos e os maus humores do… Deixa para lá! E viva a pitanga!

2019 – 05 – 7 Maio – Pitanga Entre o Céu e o Inferno – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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O Sentido da Vida! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 30 Abril 2019.

 

O Sentido da Vida!

"A vida sem reflexão não merece ser vivida." Sócrates

D

epressão. Síndromes depressivas. Quadros depressivos. Desgosto profundo. Tristeza enraizada. Horizonte sombrio ou nenhum horizonte. “E o tempo vai passando e se arrastando e eu me arrasto junto”. “Entidade sutil e tenebrosa essa dita depressão, ou seja, lá o nome que os doutores dão pra isso”. O ranger de dentes se soma ao farfalhar da alma se despedaçando nas rochas do caminho, nos precipícios da existência. Vocês, caro amigo e cara amiga, são como qualquer ser humano (alegam que os animais também) espreitados, acossados por um distúrbio, uma enfermidade ou uma doença que a Medicina se defronta e busca as brechas na sua couraça para penetrá-la, retirá-la da pessoa sofrida. Calcula-se que mais de ¼ da humanidade esteja impregnada e sofrendo com a energia fatal desse redemoinho, desse buraco negro existencial.

Crônicas & Agudas

Estima-se que até a metade desse século XXI seja a entidade mórbida mais frequente assolando a humanidade e minando a sua integridade física, mental e espiritual. Espiritual! Leia novamente – espiritual! Já se tratou e se entendeu a tristeza profunda e cronicamente morando na pessoa, como uma falta de fé. Fé em que? Para uns é a Fé em Deus e nas luzes da espiritualidade. Para outros: carência de fé em si mesmo e a carência de um sentido da vida. Qual é o seu sentido da vida? Responda de bate pronto. Sem raciocinar. Sem respirar. O sentido que você dá a sua vida hoje é o mesmo de um ano, talvez dois, ou dez anos atrás? Difícil responder? Vamos estabelecer um filtro. Há uns quatro meses, final do ano e nos votos de um novo ano, você criou expectativas. Articulou projetos. Fez planos. Cercou-se de inspiração e vestiu a armadura de combate para continuar, melhorar e evoluir em sua caminhada de vida. Teme o governo e a insegurança geral, franze e testa e brotam náuseas da suprema justiça brasileira? Não será diferente de tantos brasileiros que pensam e não se iludem em demasia.

Cr & Ag

O âmago, a essência, o centro, o coração pulsátil de seus planos e projetos se confunde com seu projeto de vida? Ou prefere o mais simples e superficial – trocar de carro, viajar, mudar de companhia, emagrecer, rejuvenescer, trabalhar menos e ganhar mais, ganhar sem trabalhar, zerar as contas… A lista é longa. Sinto muito lhe dizer, mas nada do antes citado é realmente um “sentido da vida”. Viver ou sobreviver na névoa do mundo virtual com amigos e amigas que jamais lhe oferecerão um ombro ou um lenço para suas dores e lágrimas? Einstein e Thomas Edison tinham o mesmo “sentido da vida”: fazer um mundo melhor para todos! E Budha e Cristo? Certamente, cada um de nós como uma célula viva nesse corpo imenso e enfermo que chamamos de humanidade tem a dificuldade de encontrar o seu sentido de vida. Certamente, também, qualquer que seja o sentido da vida, ele sempre se confundirá com o amor à humanidade e a entrega da sua vida para curar, melhorar, ajudar, iluminar a vida dos outros.

Cr & Ag

As ferramentas são construídas e forjadas com disciplina, amor e humildade no amálgama da gratidão e do caráter. Diz-se que “ética é aquilo que você faz quando os outros estão olhando” e caráter “é aquela luz que te ilumina e norteia quando você está consigo mesmo”. Assim se traça o sentido da vida. Quando a Luz está contigo, as sombras ou o negrume se afugentarão. E a depressão buscará outro corpo para habitar, outra mente para corroer e outro espírito para se perder.

2019 – 04 – 30 Abril – O Sentido da Vida – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Irmãos CR 1Irmãos CR 2Irmãos CR 3

Fundamentos sem Fundamento! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 23 Abril 2019.

 

Fundamentos sem Fundamento!

T

arde de domingo. Tarde sombria, nuvens cinzentas, vento beirando o hálito do inverno, mas é uma tarde de domingo de Páscoa. A troca de mensagens prossegue. As felicitações desanuviam nossa vida, pois quando alguém se lembra de nos enviar um sentimento positivo, nobre, um anjo sorri no Céu. Quando alguém retribui é mais uma alma que se salva. Talvez! Desligando a TV e o rádio, há outro mundo em que a guerra do Estado Socialista-Comunista brasileiro não se assemelha ao Estado Islâmico e a sua voluntariosa destruição das pessoas e do país. Há um arrefecimento do fogo de morteiros e a cantarola sinistra das metralhadoras. Pouco importa se em seu rastro de destruição estiver o país e seu povo, desde que sua vontade e as suas lideranças endeusadas vençam. Ai do Coelho que ouse cruzar a linha de fogo dessa satânica artilharia, explodirão seus ovos e ele próprio.

Crônicas & Agudas

Há um universo de beleza, de amor e de gratidão no sorriso de uma criança, de um filho e de um neto. A Luz escapa do poder do buraco negro da perdição. Põe-nos a imaginar, planejar, ousar sonhar com um Brasil em que os honestos e decentes sejam a maioria ativa. Um país em que o trabalho tenha mais valor e respeito que safadeza e a vigarice. A criança ao quebrar um ovinho de chocolate ou de açúcar traz aos nossos sentidos e amplia nossos sentimentos de cristandade e ao besuntar sua boca com o prazer de cada mordida, traz uma oração de fé num futuro de um país sem dono, proprietário, e que nós contribuintes, eternos pagadores de taxas e impostos, possamos dar à nossa família os frutos de nosso trabalho e não, como de longo tempo, entregar à força para os ladrões e vagabundos de toda a ordem e de muita desordem.

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Páscoa é reflexão. Busca do entendimento de sua essência vital, o corpo e sangue do Cristo. Tentativa de perdão aos outros e a si mesmo. É a época do amor universal vertido na prece incondicional e no abraço que aproxima e não atraiçoa. É a saudade da beleza e do respeito à fé católica que moldou e revestiu a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, a segunda igreja mais antiga do Estado do Rio Grande do Sul. Hoje ela aí está dilapidada e aviltada a olhar-nos e sofrer com seus filhos sofridos. Os fundamentos! Fundamentos são a base, o alicerce, o apoio inicial onde se sustenta toda a estrutura de qualquer obra humana. Cerca de 40% dos ejetados das universidades do Brasil são denominados de analfabetos funcionais. Olham e não enxergam, leem e não sabem o que significa, mas tem “deploma”. “Em terra de cego quem tem um olho é rei”! Assim apregoa a sabedoria popular. O ensino básico é uma miragem, outro 171 da escola que professa a ideologia e se afastou do ensino e da educação dos alunos. Professores, repito, professores derramam lágrimas de tristeza vendo aquilo em que a escola se tornou.

Cr & Ag

E assim em todas as profissões, o ruim se avoluma. Em pouco mais de uma dezena de anos o Brasil mais que dobrou o número de Faculdades de Medicina que nos 500 anos anteriores, superando a China e o Tio Sam. Mas a qualidade tende a ser pior, muito pior. Não bastasse a importação sinistra de “médicos” cubanos sem nenhuma comprovação além do cabresto ideológico da sua formação e aptidão. Assim como no Direito, impõe-se um filtro – um Exame de Ordem. Os fundamentos inexistem numa mera barragem que deveria represar com segurança e se rompe num tsunami assassino. Pontes e elevadas caem. Prédios desabam. No entanto, ninguém precisaria da escola técnica ou da universidade para ser honesto, ter bom senso, respeitar o alheio e a si mesmo, escolher entre o Bem e o Mal e ter uma vida honrada e respeitável. E ao tropeçar, ao errar e ao cair ter a dignidade de aceitar a sua culpa e responsabilidade e lutar para se corrigir e ser uma melhor pessoa para si e para a sociedade e o mundo onde vive e deixará seus descendentes.

2019 – 04 – 23 Abril – Fundamentos sem Fundamento – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br

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