A Gratidão da jovem Médica Marcelle! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 26 Dezembro 2017.

 

A Gratidão da jovem Médica Marcelle!

 

A

 poucos dias comparecemos à cerimônia de formatura em Medicina da Marcelle. Há rotinas e protocolos nas entregas de diplomas e geralmente são similares nas alegrias dos formandos e no júbilo orgulhoso dos pais. Após ocorreu a bela festa da recepção aos seus convidados em salão e local belamente adornados. Dias depois, recebo uma mensagem da jovem médica Marcelle agradecendo a nossa presença e o singelo presente que lhe ofertamos. Você talvez não sinta a grandeza do acontecimento nos moldes que eu senti. Veja! Há uns dias passados, minha secretária recebia um telefonema perguntando-lhe sobre as minhas aptidões ou especialidades e requeria um “especialista” de certa área. Ela indicou-lhe um colega local. Ao fim do telefonema, comentava comigo que esse mesmo colega tem recebido meus pacientes há mais de vinte anos e jamais se dignou a um telefonema ou qualquer mensagem sobre o paciente encaminhado e muito menos como um agradecimento. A soberba e a ausência de gratidão explícita são comuns na Medicina. Sou de uma época em que te apresentavas aos colegas mais velhos do local para abrir um canal de sintonia e respeito.

Crônicas & Agudas

A maioria dos pacientes que encaminho levam uma carta com meu receituário e de próprio punho em letra sempre legível e em envelope pessoal e identificado, um padrão profissional e pessoal. São poucos, senão raros, os colegas que retornam agradecendo a indicação, informando seu diagnóstico e conduta e eventualmente com um telefonema ou uma mensagem. Creio que muitos se sentem gratificados e lisonjeados, até orgulhosos, por serem escolhidos, mas não se manifestam explicitamente. Não é da sua rotina profissional e talvez da sua vida pessoal. Há quem reclame ser o paciente um mal-agradecido. Entendo que o médico deve também ser grato ao paciente que lhe entrega o santuário de seu ser e abre-lhe a sua casa. Demonstrações de gratidão real e desinteressada nos iluminam, fico agradecido e acreditando num mundo melhor. Tive a honra de ser amigo pessoal do Padre Jesuíta Rafael Ignácio Valle, sepultado em Santa Maria, criador da Romaria da Medianeira e contribuído para tornar Nossa Senhora a Padroeira do Rio Grande do Sul – um Homem Santo! O Padre Ignácio me ensinou que nem Roma, no ápice do poder absoluto sobre todos os povos ou no apogeu da devassidão, criou qualquer divindade para a Ingratidão. Creio que nenhum povo primitivo ou evoluído tenha criado o culto à Ingratidão.

Cr & Ag

Que a jovem Médica Marcelle seja a protagonista de uma nova espécie de médicos e de médicas que além do conhecimento científico e da entronização cibernética seja promotora de qualidades humanas que nos iluminem e nos engrandeçam em nossa arte e ofícios sagrados. Há filhos não gratos aos seus pais e reconhecidos a quem caminhou consigo. Há alunos que não respeitam e não levam nenhuma gratidão aos professores em sua vida escolar. Assim roda a existência como se nenhuma conta tivéssemos a acertar e um maligno Gilmar Mendes que os libertassem de seus compromissos e dívidas. Somos seres que precisamos sempre uns dos outros e que necessitamos estabelecer fortes conexões baseadas no respeito mútuo, na disciplina, na humildade e no amor com gratidão. Qualquer criatura que abdicar do seu compromisso com a Gratidão é um ser defeituoso, carente, incompleto e fadado a colher aquilo que ousou e insistiu em plantar. Geralmente esses seres vivem na crença de que o mundo está para lhes servir, a natureza e a vida de todos os seres são para sua utilidade, Deus deve estar de plantão permanente para lhe amparar e sua gratidão é tão seletiva quanto seu interesse. Jamais generalizamos! Continuaremos a exortar a evolução e o entendimento, para mim e para todos, e a prática do louvável e digno.

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Campanha Continuada pelo Voto Consciente e Responsável.

P10 - Metralhas 2

O Negrinho do Altar! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 12 e 19 Dezembro 2017. Especial de Natal.

 

O Negrinho do Altar! – Primeira parte.

O que está olhando Pedro?

– É o altar manhê.

– Presta atenção na missa guri. É pecado se distrair na Igreja.

– Mas o menino… manhê! Olha lá!

– Psiuuuu!

A

 missa terminou e as pessoas se encaminharam para a gigantesca e sólida porta principal que se abre para uma escadaria semicircular e logo desliza para a praça fronteira. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição é a segunda igreja mais antiga do Rio Grande do Sul. Nasceu como uma singela capela, que com a fé dos seus fiéis foi crescendo com enormes paredes de quase dois metros soldadas com as conchas do oceano Atlântico distante uns 100 km e amalgamadas com o sangue e o suor dos trabalhadores, possuía magníficos afrescos e altares ricamente adornados. Caminha célere para os seus trezentos anos de vida sendo a testemunha da vida e da morte, hoje sofrendo o descaso e o abandono. Foi o abrigo dos desesperados e dos covardes nas revoluções. Foi palco de importantes líderes e de mesquinhos políticos. Ainda atrai noivos apaixonados em muitos fugazes casamentos e a benção e graça do batismo não recebe a singular e devida importância. O que jamais deixou de ser – a casa da Mãe Celestial, que suas torres lembram braços amorosos aguardando seus filhos amados e que receberão o amor do Filho que carrega em seu colo.

À noite, Pedrinho larga as espigas de milho transformadas em boizinhos com as bolas de gude no assoalho da humilde casa na descida da Lomba do Mendanha e puxando o vestido da mãe entretida mexendo a panela de sopa no velho e fumarento fogão de rabo:

Ô manhê, qué que o negrinho igualzinho a mim fazia com as flores no altar da Nossa Senhora. Maria freou a colher e retirou os olhos da panela de sopa. Sua mente tentava buscar a imagem do menino em alguma cena.

Que negrinho? Não vi nenhum negrinho no altar. E nunca tem muito negrinho como tu ou eu.

Ele tava com um balde de flores colocando no altar quando chegamos e ali ficou depois ajoelhado na missa. O padre passou do lado dele quando foi fazer o sermão e…

Logo todos estavam se deliciando com a sopa quente sem se preocupar com as lambidas do vento Minuano varando as frestas da parede de tábuas carcomidas.

 

Manhã de sábado A idosa mulher abre a bolsa surrada e saca um antigo relógio de bolso que pertencera ao seu pai e antes dele ao seu avô. Olha para irmã e diz: – Quase 8 horas. O negrinho aprontou o altar da Nossa Senhora. Ele trocou as toalhas e colocou umas flores tão bonitas quanto cheirosas. O perfume vem até nós. Sinta mana, – fechando as pálpebras numa respiração profunda. A irmã elevou lentamente os olhos marejados de lágrimas, levou o alvo lenço e assoou delicadamente o nariz. Arrumou o rosário enrolado na mão esquerda e seu olhar caminhou pelos altares e cochichou:

Que perfume maravilhoso. Lembra as flores da casa da mamãe em dias de festa ou quando ela trazia suas flores do jardim. Quem é esse negrinho? Nunca vi ele antes aqui na igreja. De quem será filho? Por que ele está de pés descalços? Será algum coroinha novo do padre? Notou se ele subiu no altar, mas tem flores tão lindas até lá em cima. Seu olhar acomodou-se no topo do altar de vários metros de altura e voltou às suas orações arrumando o véu sobre os cabelos. E logo a igreja recebia o povo e o padre entrava com seus sacristãos em solene ladainha para a esperada missa de Finados. – Nota: Leia a parte final na próxima semana.

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O Negrinho do Altar! – 2ª. Parte. Conclusão.

O

s jovens pais sorriam da enorme felicidade de ali estar com a filha tão amada e desejada estreitada amorosamente em seus braços. Fora a primeira gravidez daquela jovem mãe. Sofrera muito com dores e sangramentos. Família humilde da Lomba da Tarumã. Sua casinha, aos fundos da casa paterna, beirava o local sagrado das ancestrais trincheiras farroupilhas. Ali naquela terra outrora tinta de sangue tombaram pessoas pelo aço e pelo fogo de irmãos contra irmãos na Guerra dos Farrapos. Pela vidraça da janela ao lado da sua cama, os dias troteavam de marcha arrastada e sofrida e seus olhos encovados e densos imaginavam o filho, que carregava dentro de si, brincando com outras crianças em efusiva alegria. Assim se nutria das forças da alma pelo amor alimentando o corpo fragilizado pela difícil gestação. Certo dia, o ventre latejando de dor, o suor pegajoso vertendo de sua fronte e rolando pelo seu corpo magro, as mãos crispadas no velho cobertor de lã, e o campinho vazio das crianças da vizinhança. Dia invernoso, nuvens plúmbeas engalfinhavam-se numa luta pelo melhor campo do céu. Eis que um negrinho de pés descalços e calças curtas, extremamente brancas como alvejadas e quaradas no anil em algum gramado, arrumou o suspensório e veio até sua janela.

Tereza empurrou a janela pela corrediça de madeira. A luz dos olhos do menino penetrava nos seus e como se entrasse em seu corpo e no seu espírito O negrinho lhe sorriu e uma rosa branca surgiu em suas mãos. O perfume lhe fez fechar os olhos alguns instantes para absorver profundamente a sensação de paz e alívio. Sua barriga acalmou-se e sentia como se seu bebê recebesse o carinho do negrinho. O menino sorria em silêncio. Não respondeu suas perguntas. Virou-se para o banco ao lado da cama, ali dormiu um pedaço de bolo com abacaxi que tanto adorava e seu mãe lhe deixou com afeto antes de sair para suas faxinas no centro da vila. Ao voltar-se à janela, o menino sumira. Não sentia angústia ou dor, sentia uma imensa necessidade de ajoelhar-se e orar para a Padroeira, Nossa Senhora da Conceição. Ainda temendo sangrar saiu do leito e ajoelhou-se e orou e prometeu. A promessa seria cumprida durante toda a sua vida e começaria no batizado de Maria. Sim, ela receberia o nome da Mãe de Jesus Cristo!

Os padrinhos e avós abraçavam-se e à Maria. O padre cumpria o solene ritual. Eis que Tereza saiu rapidamente da sua posição na pia batismal e indo ao altar da santa dobrou-se como num abraço. O espanto geral interrompeu a cerimônia. Voltou com os olhos vertendo as lágrimas de felicidade que somente uma mãe amorosa pode verter. Ao fim do batismo, perguntaram-lhe por que fizera aquilo – “é pecado interromper o batismo, o padre não deve ter gostado”, – disseram-lhe. Tereza sorriu e disse-lhes: – O negrinho que lhes contei estava com um balde de flores no altar de Nossa Senhora e meu coração precisava agradecer. Fui e lhe dei um abraço e quando olhei pra cima acho que Nossa Senhora sorriu.

 

Lendas são as histórias que não vivenciamos ou insistimos em desacreditar. Da fé nascem milagres. Do amor nascem e multiplicam-se os milagres. Olhamos e não enxergamos. Se enxergarmos, tendemos a duvidar ou simplesmente deixar no acostamento da estrada da existência. Raros ousam contar aquilo que somente eles experimentaram pelo risco de serem considerados loucos ou mentirosos. Buscamos explicar e racionalizar. A dor e o sofrimento tende a nos fazer mais humildes e ansiar por ajuda. Quantas vezes a ajuda passa ou está ao nosso lado e não a utilizamos ou a negamos. Quando vemos ou sentimos algo que os outros não sentem ou não vêm, optamos pelo silêncio temeroso. Um negrinho! Um menino negro visto por sabe-se lá quantos numa igreja centenária. Um negrinho humilde de calças brancas e curtas, muitas vezes, de suspensório com a faina de adornar o altar de Nossa Senhora e que visita pessoas no extremo do sofrimento e lhe traz conforto. Alguns sentem um perfume divino no altar hoje desnudo e quase abandonado, mas poucos sabem ou se apercebem que há algo de luminoso ali. Aparições são visualizações somente para alguns encampados pela dor ou abençoados pelo privilégio. Os padres se multiplicaram no tropel dos decênios e viram ou também silenciaram.

Os anjos existem e nos acompanham. Um negrinho pleno de amor é um desses anjos que acompanha e vela pela Mãe de Cristo e ilumina e perfuma, além do altar da Virgem, até corações e espíritos empedernidos quando se abrem para a humildade e para o amor divino.

2017 – 12 – 19 Dezembro – O Negrinho do Altar – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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12 - Natal 2018

12 - Natal AD 76 - 2017

À ponta de faca! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 28 Novembro 2017.

 

À ponta de faca!

 

A expressão também pode ser vertida como “à ponta de adaga como uma das formas da sabedoria popular nos ensinar algo. Desdobremos em outra: “na marra”! Quer outra ainda que se arrasta pelo leito pegajoso para uns e natural para outros: “está no meu direito”! Há também nos Livros Sagrados os ensinamentos sobre não abusar das exigências de quem tem o poder ou está “com a faca e o queijo nas mãos” (o rei). No entanto, tantas vezes alguém confronta ou atropela quem tem o poder de decisão querendo para si algo que até pode ser justo, mas não é razoável da forma como é requerido. Jamais alguém gostará de ceder a alguma pretensão de outrem “com a faca no pescoço”. Em certas circunstâncias até se verá coagido ou obrigado a atender aquela exigência, mas a dano estará gravado no sangue vertido, mesmo que virtualmente.

Crônicas & Agudas

Creio que em Neemias, na Bíblia, estão assim esses ensinamentos. Leia ou consulte com seu mentor espiritual ou religioso. “Comer pela beirada” faz parte desse processo de convencimento e conquista. Até nos relacionamentos. “Tu tens que gostar de mim e vir pra mim porque eu sou o tal e tu precisa de mim e daquilo que posso te oferecer” – ruim começar um relacionamento assim. “Tu vais fazer sexo comigo, pois é meu direito e a tua obrigação”! – Donde ser primitivo? O processo de convencimento e de conquista deve ser gradual e que pontes sejam estabelecidas e reafirmadas a todo tempo e permanentemente. Na atividade profissional não é muito diferente. A criatura pode ser um ótimo funcionário, correto, ativo, disponível e eficiente e agora no final de ano precisa de um aumento de salário. Imagine-o atropelando seu diretor ou seu chefe ou o dono da empresa. Caso ele seja excepcional, vai conseguir algo pela conjuntura de final de ano, mas logo passado esse período o pontaço de adaga vai resultar na sua demissão.

Cr & Ag

A conjuntura deixada no país por Lula e Dilma e continuada por Temer e a escória escolhida a voto ou não é avivada pelos sindicatos e a manutenção da “luta de classes” e o estímulo à desgraça. “O patrão é rico e tem que me pagar”! Esse tem “que me pagar” pode embutir tudo que ele amealhou sendo sangrado continuamente pelos maiores impostos do planeta e a maior corrupção já identificada no mundo ocidental e que aquele ex-presidente “não sabia de nada”. Isso serve para setores ou segmentos do funcionalismo público que acreditam que o patrão é o prefeito ou o governador de plantão e jamais quem realmente paga a conta ao custo de seus impostos e da extorsão feroz que os cidadãos normais sofrem – da multa de trânsito ao imposto na comida e no remédio.

Cr & Ag

Muitos acreditam e outros querem iludir o cidadão para que abracem a sua causa. No entanto a qualidade dos seus serviços, como segmento da sociedade e jamais individualmente, é deplorável e os resultados são serviços de má ou péssima qualidade que não melhoram na razão do aumento de seus ganhos. Eles não sabem, não entendem ou querem negar que nenhum governante é dono do dinheiro do povo e o dinheiro do povo deve ser retribuído em serviços de boa qualidade e anualmente melhorando – acontece o contrário infelizmente! Se você está em disputa por emprego ou de se manter no seu emprego, pense como sendo o dono do negócio. Pense como aquele profissional liberal que se não tiver clientes, afundará e não colocará a comida na mesa de sua família e depende da sua capacidade de gerar resultados satisfatórios ou necessários ao seu chefe e cliente. Reflitamos onde estamos ou nos mais de 15 milhões de desempregados do Brasil!

2017 – 11 – 28 Novembro – À ponta de faca – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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P8 - Galo-Gato - 2016

8 de Dezembro! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 21 Novembro 2017.

 

8 de Dezembro!

 

Aguardava o Natal e a Páscoa com aquele sentimento um pouco interesseiro, pois tinha sido um “bom guri, bem educado, estudava e não faltava as aulas do Grupo Escolar Setembrina, não dizia nomes feios e obedecia aos pais e jamais respondia ou tratava mal aos mais velhos”, logo “eu deveria” ganhar algum presente nessas datas. Mas outra data falava bem alto no meu repertório de eventos importantes e esse era o dia 8 de dezembro. Sempre um grande feriado em Viamão City e uma festa que durava dois finais de semana, mais de dez dias. A praça da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, a padroeira e mãe católica da nossa fé, tornava-se um palco iluminado, não somente pelas incontáveis lâmpadas coloridas estendidas em vários postes, como pela presença constante de parques de diversões com muitos brinquedos que iam da roda-gigante, passando pelo chapéu-mexicano, carrossel, tiro ao alvo, música de alto falantes com solicitações, missas diárias e procissão. E muito muito mais!

Crônicas & Agudas

Não tínhamos os pilas necessários para experimentar tantos brinquedos, mas havia um algo mais que sempre nos atiçava e iluminava mais vivamente. As gurias das escolas, todas as gurias da cidade, iam passear e namorar na festa. Certamente Nossa Senhora nos olhava acuradamente do seu altar ricamente adornado com flores, muitas flores, toalhas de um branco tão branco como a alma dos anjos e seu amor pela humanidade. Os guris circulavam acompanhados de outros amigos para estimular a coragem de olhar e piscar um olho, dizer um “que tal” ou até ensaiar uma conversa sobre  “a escola” ou “será que vai chover”. As gurias com os braços enfiados umas nas outras riam. Riam muito e mais difícil era encontrar algum lugar para as mãos inquietas. As coisas não evoluíam muito mais que isso geralmente. Os olhos cansavam de tanto piscar, mas havia outra técnica esmerada de aproximação e demonstração de “to afim” – barracas vendiam bolas de serragem enroladas em papel celofane de várias cores, em gomos como bergamota, presas por um elástico que eram arremessadas nas costas das criaturas.

Cr & Ag

Equimoses ilustravam e listravam o “lombo das gurias”. Isso deveria ser algum resquício neandertal do macho nocautear a fêmea e arrastá-la pelos cabelos para sua caverna. Mas havia técnicas mais evoluídas, como solicitar ao serviço de alto-falantes uma “página musical com todo amor e carinho para aquela guria de vestido vermelho com uma fita branca nos cabelos, quem lhe dedica com respeito é seu admirador sentado na escadaria da igreja”. Também havia um pega-ratão de alguém dedicar algo para a pretendida de um amigo e sem que ele soubesse e marcar um encontro. Isso complicava a vida do outro caso ela tivesse algum irmão bom de briga. Havia quem caminhasse a procissão descalço para conseguir uma graça da santa – saúde, emprego ou até um casamento. Nós não entendíamos essa do “casamento”, além do mais esse era um esquema do Santo Antônio.

Cr & Ag

Nostalgia? Cada época com seus encantos e graça. Há que comparar e recordar com saudade de sair-se de casa com a certeza de que voltaria e os pais ficavam descansados com seus filhos se divertindo sadiamente. Essas festas desapareceram e talvez jamais retornem. Hoje o 8 de dezembro também é o Dia da Justiça. Sente-se que o cidadão honesto do Brasil tem vergonha de comemorar essa data no dia a dia de sua vida e de seu trabalho. Jamais generalizamos, mas lamentavelmente o espírito de corpo do judiciário protege e imuniza os que jamais deveriam representar a justiça e para muitos resta somente orar.

2017 – 11 – 21 Novembro – 8 de Dezembro – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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P7 - Eleições - tua cidade, tua casa - 2016-08

Reinventar-se! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 14 Novembro 2017.

 

Reinventar-se!

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Seria a morte uma reinvenção da vida? Em diversas épocas ancestrais e agora nas pulsações do século XXI, seres de todos os horizontes acreditam que haja alguma coisa a mais depois do homem fechar os olhos, o coração parar de tamborilar em seu peito e seu cérebro se desligar. “Quem foi não voltou para contar”! Escuta-se amiúde numa tentativa vã de encurtar o trajeto e de sufocar os erros de uma existência pela possibilidade de haver um tribunal em outra existência ou num outro patamar existencial em que os crimes não terão a safadeza interpretativa, juízes de conduta nebulosa, instâncias mais eternas que a existência, nem a prescrição. O mais magnífico ser humano que já caminhou nesse planeta hostil nos mostrou que a morte é uma passagem para algo mais. Melhor ou pior? Até o criminoso crucificado ao seu lado acreditou que há “melhor”.

Crônicas & Agudas

Empresas destroçadas por calamidades de seus administradores ou de outra ordem podem ser recuperadas e voltarem a produzir bens úteis para a humanidade. Há pessoas especializadas nessa chamada reengenharia. Alguns fazem a empresa voltar a viver e prosperar para logo adiante repassá-la e assim seguirem em novos desafios. Ideologias, como o comunismo, pregam o Estado renascido das cinzas e para tanto se for necessário o extermínio físico de milhões de seres humanos, isso faz parte do seu projeto de dominação e perpetuação. Calcula-se em 40 a 60 milhões de seres humanos exterminados pelo regime e ideologia socialista-comunista na Rússia e comemorado (?) o centenário esse ano.

Cr & Ag

As catástrofes naturais são ensinamentos que a natureza nos oferece para nos aproximarmos de um equilíbrio e de respeitá-la como essencial à continuação do homem sobre a Terra. Um flagelado que chora e lamenta “que há mais de 30 anos eu moro aqui e esse rio inunda a minha casa e…” Somos sempre solidários com a dor e o infortúnio, mas essa criatura chegou e o rio ali já estava. Com frequência as águas do rio se elevam, assim desde o começo dos tempos e atingem até certas marcas. Infelizmente sua mente ainda não reinventou outra forma de viver numa casa com sua família sem que o rio lhe afete demais. Assim são para os incontáveis fenômenos naturais em que as pessoas não se adaptam e resistem num sofrimento repetido.

Cr & Ag

São tantas as oportunidades de nos reinventarmos que transitam pela troca ou perda do emprego, mudança de região ou país, novos relacionamentos ou aperfeiçoando os antigos, mudar condutas de risco para a pessoa e para os outros, ter disciplina honesta e trabalho luminoso. Sim! Você citará dezenas de outras possibilidades, arguto e-leitor. Há uma máxima do gauchismo: – “Dar soco em faca de ponta”! Traduz a constância de persistir no erro e perpetuar o absurdo. Partidos políticos inundados pela descoberta da ladroagem, da rapinagem, da roubalheira desenfreada e desmascarada insistem em se manter na idolatria funesta e carregam de roldão os destinos de tantos – desconhecem e renegam a reinvenção. Seria a morte a derradeira oportunidade daquele espírito empedernido e refratário ao amor, ao bem e à humildade em reinventar-se?

Livros!

A Arte da Palavra” – coletânea que marca o nascimento de escritora da advogada Dra. Bernadete Kurtz com concorrida sessão de autógrafos na Feira do Livro.

2017 – 11 – 14 – Reinventar-se – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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P6 - Eleições - seu voto - sua voz - 2016-08

Sol, Nordestão e Finados! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 07 Novembro 2017.

 

Sol, Nordestão e Finados!

 

DESPOIS DAQUELA BRONCA NO Éden entre o Criador, Adão e Eva (não confundir com Adão e Ivo!) e a minhoca anabolizada e maligna, o mundo jamais seria o mesmo. Antes sem portas nem cancelas, o Paraíso ganhou porta da frente e dos fundos e com o arranjo das placas tectônicas num desarranjo intestinal do planeta Terra, criaram-se os continentes e a Petrobras. Da cintura para baixo da América Latrina a geografia se enrolou e algum anjo deixou as coisas meio desarrumadas, pois até os portugueses haviam nos desprezado com o Tratado de Tordesilhas que acabava o Brasil em Laguna, Santa Catarina. Assim o gaúcho é um teimoso e renitente, empedernido até. Nós temos litoral e costa do Oceano Atlântico, enquanto os “catarinas” e o Brasil tem praias. Eles tem a brisa do mar e nós temos o vento Nordestão no verão e o vento Minuano no resto do ano. Somos sobreviventes. Neandertais modernosos. Algum tipo de aborígene multicolorido, até muitos nascem desovando. Sim, sim, aqui o ovo da Serpente floresceu e prosperou e aspiram fazer dessa terra uma nova Venezuela ou uma Cuba sem ilha. Nosso mar é quase sempre furioso, ondas nervosas e agressivas, prontas para te sugar e virar comida de marisco. Jamais tememos furacão, fura-bolo ou ciclones, o Nordestão nos treina como se vivêssemos na Patagônia. Antes da Guerra do Iraque e do Golfo, os helicópteros americanos treinaram no nosso litoral com a areia entrando nas frestas, rachaduras e buracos. Todos os buracos. Sim! Inclusive.

Crônicas & Agudas

 Temos uns dois meses de algo que apelidamos de verão. Utopia. Força de expressão. Pois no feriadão de Finados, onde até os mortos vão ao litoral, pois são vistos cinzas serem jogadas ao mar, mas antes serem carregadas pelo Nordestão. A gauchada debanda para a “praia”. Da minha morada assisto aos sobreviventes e lutadores numa das praças à beira mar de Capão da Canoa (sem capão, nem canoa). A cidade virou um formigueiro humano com edifícios tão ao lado um do outro que com a janela aberta pode trocar um aperto de mão com o vizinho. As pessoas e a cachorrada (e bota cachorrada nisso!) disputam na joelhada cada espaço com algum sol, pois após o meio dia o sol surge em nesgas entre os prédios. A mulherada e o “time do gênero” lambuzam-se de bronzeador, hidratante e outras melecas para se esparramarem nas cadeiras e nas esteiras. A areia fina trazida pela ventania cria uma crosta, empanando as criaturas. Alguns formam montes de areia, cômoros, e logo alguma lagartixa desliza no tobogã onde eram os glúteos. A cuia de chimarrão recebe uma cobertura, um pequeno telhado tipo meia-água para reter a erva mate (não a outra erva!).

Cr & Ag

A sintonia entre gordo barrigudo e magrão barrigudo está na cerveja que rola e esvazia as caixas de isopor. Há pais que amarram uma corda na cintura dos filhos, mas não é para não se perderem no povaréu e sim para não serem carregados pelo ventão. Por isso chapéu de gaúcho tem o barbicacho, cinta para prender na cabeça passada pelo queixo. Os sorveteiros somente empurram os carrinhos no sentido do vento, pois contra é impossível. Surfista entra no mar de Capão e sai quase em Punta del Este. Uma loucura. Contam (ver mesmo eu nunca vi!) que genros levam sogras para o litoral na esperança que sem âncoras elas sejam carregadas pelo Nordestão ou pelas correntes marinhas. Aqui é tão cruel que em boca aberta não entra mosca ou mosquito, somente areia. E muita. Tanto que dá polimento no piano, digo, nos dentes. E o sol está constrangido, num jogo de cintura entre os edifícios e a mulherada, os assemelhados e suas cortes. É pouco sol para tantos e tanta vontade de fazer as marquinhas de bronzeado que tanto encantam e seduzem. Salvo aos valentes do Viagra e do Cialis, que no desespero topam qualquer parada. Vão para o que der e vier, ou melhor, alguns para o “der” e outros para o “vier”. Tudo numa boa depois que colocaram uma “florzinha no buraco do falecido”, comentava uma jovem veterana na barranca dos oitentinha. Ou 8.0!

    2017 – 11 – 07 Novembro – Sol Nordestão e Finados – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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P5 - Eleições - Seu voto - sua responsabilidade - 2016-08

 

Maquiagem de Defunto! Edson Olimpiio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 17 Outubro 2017.

 

Maquiagem de Defunto!

A tradição de maquiar os defuntos está com a humanidade desde tempos imemoráveis. Tornar mais belo o defunto para os vivos que balançam a sua volta e prepará-lo para quando adentrar o universo dos mortos tenha uma boa aparência. Essa atividade é cultuada universalmente e democraticamente não é restrita aos abonados e poderosos, também existe ativamente nos humildes. Claro que com menos pompa e nem tanto confete e serpentina. Aqui na pichada Viamão City, solene Setembrina dos Farrapos, meu caro amigo Elmo preparava com carinho e máximo respeito os mortos da minha família, como de milhares outros. Em certo velório, quando executado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, um falecido comodamente acondicionado num belo caixão com magníficas alças de metal brilhante, grandes velas circundando-o e várias coroas de flores e outras sem fazia um cenário magnífico. A cidade migrava para ver as pompas fúnebres. Ver eu, ainda criança, não vi, mas contam que grande orador e político viamonense, no auge da sua verbalização: – “Olhem que paz em seu rosto, está mais bonito morto do que quando vivo, é a certeza do dever cumprido…”

Crônicas & Agudas

Bucha de algodão nas ventas! Nas minhas não”! – roncava grosso uma parente desse cronista. Tomaram cuidado de avisar ao pessoal que banha, veste e prepara o defunto que ela odiaria ter as buchas de algodão visíveis nas narinas. Colocaram bem fundo, pois nada se notava. Outro parente dizia que depois de morto “não precisava ficar bonito, pois de nada vai servir”. Certa vez, num “velório de graúdo”, as viúvas assumidas, umas quatro ou cinco, e as viúvas consumidas (número desconhecido) choravam copiosamente em torno do defunto garanhão afamado. Depois de alguns ameaços de desmaio, “afrouxou as pernas”, “dá uma água com açúcar pra ela”, “ela tava com ameaça de gravidez e achava que tava prenha dele”, “a casa da praia é minha e não abro”, “o filho é dele”, a titular do defunto saiu para o desacato e no “vamo que vamo” a peleia começou e só acabou quando derrubaram os pés do caixão do morto. Coisa medonha. Até o padre levou uma rasteira de um herdeiro quando alegou que o finado, na hora da extrema unção, tinha prometido uma ponta de gado e uns “hectar” de terra.

Cr & Ag

É antológica a realidade vertida em lenda urbana que esse espetacular cronista já relatou quando roubaram o caixão de defunto que o famoso e vivo Ney Fraga, da imensa família Fraga, ostentava no centro da sua sala. Sim! Sim! O homem tinha um formidável caixão de defunto ou uma urna funerária esperando o dia em que “batesse as botas”, “abotoasse o paletó”, “viajasse para a cidade dos pés juntos”. Era comum os barbeiros irem nas casas dos pré-defuntos ou aos quartos do Hospital de Caridade (alguém lembra do Caridade?) para barbear e cortar a melena das criaturas antes do apito final do juiz divino com o encerramento da partida aqui na terra. Outros se banhavam a rigor e guardavam a melhor roupa, a mais “distinta fatiota” e o “melhor vestido” para estarem bem apresentados para a partida de um lado e a chegada do outro.

Cr & Ag

Os mortos elegem os vivos”! Verdade verdadeira. O velho Getúlio Vargas, tio Briza, Jango, são exemplos. Agora estamos numa realidade alternativa. Os mortos continuam em plena atividade, mandando nos vivos e nos semi-mortos. Aécio maquia sua dignidade vampirizando o avô famoso. Temer? Dilma? Os mortos e moribundos do Petrolão e da Lava Jato, os Batista (Eike, Joesley e Wesley e gangue), as almas-penadas do Supremo, principado do todo-poderoso Gilmar Mendes maquiando leis e dignidades e … a longa lista abocanha a Jararaca Lula que insiste em ser um Hellraiser, renascido do Inferno e arfando para voltar. Vai faltar maquiagem! Véspera de Finados e pleno Halloween – tudo a ver!

2017 – 10 – 24 Outubro – Maquiagem de Defunto – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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P4 - Eleições - galinha lavrando - 2016-08

“O tempo muda a pessoa”! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 17 Outubro 2017.

 

“O tempo muda a pessoa”!

Para o melhor e para o pior.

Certamente você já escutou essa observação, que geralmente vem carregada de um franzir de sobrancelhas e uma leve tração no ângulo dos lábios. Carrega uma desaprovação, um espanto ou outro sentimento que colide com aquilo que esperaria ou que mantivesse o formato daquilo arquivado em nossos discos rígidos de memória. Realmente, nossa memória tem muito disso! É arquivada em “discos rígidos” moldados a fogo e gelo pelo galopear dos anos e as experiências digeridas e outras expelidas. Passados anos sem a presença daquele amigo ou daquela amiga que em outra época da vida tanto nos encantaram ou para quem sentíamos todos os fluidos de aproximação e afeto, descobrimos que estão diferentes. Diferentes!

Crônicas & Agudas

Todos mudam. Inclusive você e eu. O sábio já ensinava que num mesmo ponto de um rio a água jamais é a mesma. Sempre será outra água. Uma água diferente daquela que saciamos a nossa sede de amizade e de compreensão. O tempo deveria melhorar, aperfeiçoar, evoluir e aparar arestas pontiagudas como lapidando a brutalidade ainda muito bela do diamante que é todo ser humano – há exceções! Muitas. No entanto, para muitos de nós as dores são acumuladas e incrustadas em nossas almas e não nos permitem brilhar ou receber mais luzes. Crostas espessas, como couraças, com as defesas elevadas, quando não de arma em riste. Tendemos a evitar novas dores ou que antigas feridas ou chagas se abram ou que pontaços de adaga renovem velhos sentimentos que se luta para sublimar.

Cr & Ag

Revise sua lista de companheiros e companheiras de jornada, antigos colegas de escola ou de faculdade, companheiros do futebol ou dos chás da tarde, empinadores de copo de cerveja, bailantes de rosto colado ou vagantes na pista de dança, membros do mesmo Lions ou Rotary, trabalhando na mesma empresa ou local, enfim desnude seus caminhos e observe aquelas criaturas que formaram seu universo de pessoas humanas ou quase. Quantos ainda podem se afinar contigo hoje? Você estaria no rol de pessoas que eles gostariam de conviver ainda? Uma amiga, que convidei para se reunir com antigos colegas de escola, foi rápida e aguda: -“Não tenho mais nada a ver com essa gente”! Decisiva como uma katana samurai.

Cr & Ag

Há uma máxima “que durante uma existência teremos tantos amigos quantos os dedos de uma das mãos”. Cinco amigos! Ou menos. Palocci seria o exemplo ou uma hiena jamais é amiga de outra hiena, ou um abutre jamais é amigo de outro abutre? Ou uma jararaca de outra? A vida ensina, apesar da nossa dificuldade de aprender, mesmo com a repetição. Somos seres impelidos ao convívio com outros seres que nos completem e nos protejam. Mas somos seres dominantes e dominados e a tribo não pode ter vários caciques. Ou pior, mais caciques que índios. A humanidade convive e busca o entendimento e harmonia com o mundo espiritual, seja por necessidade ou por temor. Não há seres tangentes, sólidos, palpáveis ou sempre ao nosso alcance e disposição. Eis que reinventamos esses amigos espirituais com os amigos do mundo virtual ao alcance do dedo que digita ou da mensagem sonora.

Cr & Ag

Não ter uma convivência diária ou constante é o grande segredo dessa modalidade crescente e viral de amizade. Não há compromissos formais e “nem ter que aturar”, logo “a fila anda”. E como anda. Um amigo, experiente e versado em vários casamentos e incontáveis e “eternos” (enquanto durarem) relacionamentos aplica essa verdade crua e tantas vezes nas nuas: – “a fila anda”! Para os dois lados. Não enveredaremos nosso GPS para ser bom ou ruim, mas para a vida como ela ainda é e como está se tornando. E “pau no burro Seberiano”!

                       2017 – 10 – 17 Outubro – O tempo muda a pessoa – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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P3 - Dragão do voto 2 - 2016-09

Bananalização & Banalização! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 10 Outubro 2017.

 

Bananalização & Banalização!

M

uitos tristemente nos rotulam e outros nos entendem como outra “republiqueta bananeira da américa latrina”, de corrupção, ladroagem e incompetência viral, sistêmica e de seitas políticas e messianismo ideológico. O emérito jornalista Rogério Mendelski, viamonense, usa o termo “bananão” para esse Brasil tão espoliado, roubado, surrado e apropriado pelo sindicalismo dito socialista e pelas corporações alojadas nas empresas que usam o teu e o meu dinheiro em seu proveito – vide Mensalão, Petrolão e Lava Jato, etc. Gritam contra os administradores públicos, desde que não sejam de sua ideologia, apesar de eleitos com o mesmo voto embananado de todos. A primeira opção de qualquer empregado descontente com o patrão ou com seu salário é negociar, a segunda e derradeira opção é trocar de emprego ou trocar de patrão – ouvi isso incontáveis vezes nas quase quatro décadas de plantonista de emergência do SUS, IPERGS, etc. Esse é o caminho de todos os simples mortais, exceto do pessoal que berra com a possibilidade de estatais se tornarem privadas. Contrassenso? Como plantonista nunca tive, como outros colegas médicos, direito às férias remuneradas, 13º. salário, insalubridade, adicional noturno, etc. Médico é diferente pois “fez juramento”!

Crônicas & Agudas

Eu cidadão não quero ser “dono” de postes ou de canos de água. Eu cidadão não quero ser “dono” de posto de gasolina nem da Petrobrás. Eu cidadão preciso de postos de saúde e postos policiais. Eu cidadão não preciso ser dono de banco (Banrisul e assemelhados). Eu cidadão necessito de bancos de sangue, bancos de transplante de órgãos e singelos bancos nas praças? Essa novela que as empresas privadas não funcionam como as estatais é demagogia e proteção dos privilégios dessas corporações. Greves e mais greves! Sem limites ou punições pelo abuso do “direito”. Existem greves assim na Ipiranga, na Shell, no Magazine Luiza, nas Lojas Renner, na Gerdau? Ou nas empresas dos Batistas ladrões, Wesley, Joesley e do Eike, Golden Boy do PT? A empresa tende a se equalizar com a saída dos descontentes e maus trabalhadores e incentivar e premiar os bons trabalhadores.

Cr & Ag

Sartori parcela os salários num estado que muitos ajudaram a falir. Devem reclamar. Mas aceitam que os outros poderes do Estado não sejam igualmente atingidos pela penúria gaúcha. A mídia informa que a tentativa de Sartori em aprovar a “lei do duodécimo” para que o Estado repassasse aos outros poderes na mesma proporção da arrecadação estadual foi tiroteada e derrubada pelos mesmos socialistas que incentivam as greves e o conflito. Escondem-se atrás de rótulos de “falta de transparência” e outras falsidades. Por que não envolver todos nas mesmas dificuldades de uns e na busca de solução geral? O cidadão um pouco atento “não entende”.

Cr & Ag

Piquetes bloqueavam o livre acesso dos doentes ao Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Um sindicalista “explicou”: “os piquetes são para orientar os pacientes”. “Orientar os pacientes” é a forma safada e criminosa de impedir ou dificultar que eu cidadão consulte ou salve a vida de filhos ou familiares. Eu cidadão não preciso ser dono de ônibus, preciso de saúde de qualidade, boas escolas e segurança para ir e vir e trabalhar. Sim, pois os cidadãos simples mortais não têm os privilégios, chamados de “direitos adquiridos”, dessa turma. O Estado grande e poderoso é útil para quadrilhas como a que ocupou e ocupa muito do Brasil nessas últimas duas décadas. Nem todo o socialista ou petista é um criminoso, apesar do seu partido ser identificado como organização criminosa com dezenas de membros julgados e condenados.

Repito sempre que jamais generalizamos. Eu cidadão devo enxergar e sentir, constatar e reagir e jamais se permitir o domínio por esse social-comunismo que usa e abusa de nós trabalhadores e funcionários públicos para alcançar seus objetivos de enriquecimento ilícito e perpetuação no ócio belicoso sempre criando inimigos externos para que a massa de manobra seja sempre útil e submissa.

2017 – 10 – 10 Outubro – Bananalização & Banalização – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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A travessia do Banhado do Taim à noite! Edson Olimpio Oliveira. Cônicas & Agudas. Crônica 6.

 

 

A Travessia do Banhado do Taim à Noite.

 

“ Saibam todos que lerem essas crônicas que existiu uma espécie fantástica de homens que pilotavam máquinas maravilhosas chamadas de Motocicletas, que rasgavam este planeta como cometas rasgando o manto negro do Céu!” (Crônicas & Agudas da Primeira Capital Equipe)

 

Comparando, mas respeitando as proporções, o Rio Grande do Sul tem o seu Pantanal que é a Reserva do Taim. É uma extensa área de alagados e de banhados com muita vida selvagem. Localizada na região sul do Estado, atravessado pela BR 471 que liga a cidade de Rio Grande ao Chuí. Rodovia BR 471 que é uma das portas do Mercosul com acesso à Montevidéo, capital do Uruguay. O Taim ainda está sendo recuperado da ocupação de agricultores que ali plantavam extensas lavouras de arroz e de pecuaristas que preparavam os bovinos da picanha-nossa-de-cada-fim-de-semana. Agora o Taim está se repovoando com jacarés do papo-amarelo, capivaras, ratões do banhado (nútrias), aves migratórias e uma infinidade de outros animais.

 

 

Saindo de Pelotas, atravessamos a ponte do Canal de São Gonçalo e logo mais estaremos na Quinta que é o entroncamento para Rio Grande e o seu Super-Porto. Ali se faz o último abastecimento de combustível. Nos mais de 100 km seguintes de rodovia não se tem mais nenhum outro posto. Assim se cruzará o Taim por cerca de 30 km da rodovia. Logo as sedes de fazendas desaparecerão e a estrada se elevará sobre as águas por cerca de 3 metros, como uma cicatriz elevada. Um quelóide na face da natureza. As placas de sinalização solicitam que o motorista reduza a velocidade pela possibilidade de animais cruzarem a pista. Foram realizados túneis sob a estrada para que os animais possam cruzar de um lado para outro. Construíram cercas teladas para dificultar que os animais escalem o aterro da estrada e aumentem o risco de mortes de animais e acidentes com veículos. Outra tentativa dos ecologistas consiste na construção de mata-burros para dificultar a circulação dos bichos. Tudo ajuda, mas não impede. Constatam-se a grande quantidade de animais mortos, particularmente capivaras. A travessia do Taim ao amanhecer, principalmente, é uma festa de vida e cores para os nossos sentidos e muito já deve ter sido cantada em verso e prosa. Mas nós três, minha esposa, eu e a Morgana, nossa motocicleta, realizamos esse percurso à noite.

 

 

Estávamos voltando de Montevidéo. Frio. Muito frio. Tempo carrancudo. Tínhamos sofrido com a chuva. Um manto líquido nos cobriu. Outono gaúcho. Os demais companheiros mudaram de última hora o projeto e resolveram ficar no Chuí para mais compras. Nossa motocicleta é uma Kawasaki Vulcan Nomad Verde. Verde como a natureza. E as 1500 cilindradas de seu coração transmitem a sua força e a energia com que enfrenta e vence as longas distâncias. Tanque abastecido, pois nos próximos 100 km teríamos um deserto humano. Cessara o dilúvio. A noite havia chegado mais cedo pela rudeza das intempéries. Como um ciclope, o grande farol da Morgana estava coberto por um véu de insetos suicidas. Lavamos a remela de seu grande olho. Limpamos as viseiras dos capacetes. Uma derradeira conversa com os frentistas do derradeiro posto de combustível e tomamos a estrada. A noite cerrada. O farol, como um laser cirúrgico, cortando esse denso manto negro. Nenhuma estrela a conversar conosco.

 

Cobertos por essa gigantesca capa negra da mãe natureza. Silêncio. Um leve rufar do vento no pára-brisa da moto. A Morgana desliza como uma fada e com seu toque de luz descobre vida na escuridão. Estamos em velocidade reduzida e com mais de 500 kg de máquina, bagagem e pessoas bailamos suavemente na estrada deserta. Cuidado rigoroso nos tachões e no espinhaço de aço dos mata-burros. Um grito de ave perfura a noite. Seria a sua revolta por lhe importunarem os domínios? Outra ave repete como em resposta. Em certo momento o farol varre o canal que acompanha a estrada e ali estão pérolas cintilantes. Chamas faiscantes de répteis que ali já estavam antes do homem ser o que é. São os jacarés do Taim. Olhos ameaçadores aguardando um descuido, um acidente e a queda de presas em seu domínio.

 

Súbito, uma enorme capivara caminha despreocupada. Paramos para sentir a sua reação. Indiferente continuou seu caminho. Desviamos a Morgana e passamos lentamente a cerca de 1 metro dela que logo foi engolfada pela escuridão que nos servia de cauda. É a noite. A solidão. Um casal e sua máquina viva dependendo um do outro. A natureza como testemunha. A natureza que pode ser uma adversária terrível se for agredida, violentada. A pequenez do ser humano. A grandiosidade da vida. A magnífica expressão da vida e também o odor da morte. A cautela e o respeito por regras maiores de convivência. A consciência da realidade e a coragem para ousar e sentir a beleza exuberante contida na noite de uma área desolada para humanos. A confiança um no outro e em nossas capacidades de interagir na adversidade. O entendimento de que só se tornam uma equipe real o piloto e sua co-piloto com a motocicleta. É tudo e somente com que se pode contar. E uma prece silenciosa ao anjo da guarda do motociclista. Aqui muito mais se ama e aperfeiçoa a existência.

 

Logo o Taim se tornou lembrança. Feliz e inexpugnável lembrança. As luzes da civilização vieram refletir-se no policarbonato das viseiras dos capacetes. Um dia quem sabe, ali retornaremos. Nesta ou em outra existência, mas com a Morgana a nos acompanhar.

Moto - Paixão Eterna - 6 - 2017 - HD and Malrboro Man

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