“Velho Tutu”! – Arthur Jos Gattino – Edson Olimpio Oliveira – Crnicas & Agudas – Jornal Opinio de Vi amo – 22 de Maro de 2022.

“Velho Tutu!” – Arthur José Gattino.

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Há histórias e estórias. Várias se transformam em lendas urbanas ou rurais e com o distanciamento na estrada inexorável do tempo, as testemunhas oculares cumprem seu papel na época e logo estarão num outro plano existencial. Nos últimos 30 anos, nesse púlpito de jornalismo, relatei diversas histórias e causos. Inclusive há quem aproveitou e sem relatar a primeira fonte, a vertente original, sem saber separar o conto da realidade, usam com “lendas de Viamão”. Como se não tivessem autor definido e incontestável.

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A velha Viamão Setembrina dos Farrapos, carecia de médicos e de um hospital. Saúde praticada por farmacêuticos, práticos dentistas e homeopatas. Quando a doença encaroçava e a “coisa ficava preta”, enfermo mal mas sem encarreirar na “bossoroca” (momentos finais), buscavam-se atendimentos com os mais afamados médicos e hospitais na capital de Porto Alegre.

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Crônicas & Agudas!

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No cerne de uma tradicional e respeitada família viamonense está o “Velho Tutu”. Apelido carinhoso e eivado do maior respeito e admiração pelo afeto, cuidados e dedicação com seus enfermos. Recebi esse relato pelo meu pai Aldo ‘Cabeleira’ Oliveira. Um adendo aos desprevenidos da realidade – a espiritualidade é estudada nas universidades, tema de congressos, como em Cardiologia, exercitada por médicos e demais oficiais de saúde.

O “Velho Tutu” possuía essas habilidades especiais que são geridas com respeito e dedicação por aqueles que não conseguiram cursar uma universidade. Tratava seus enfermos com homeopatias e sempre orientava a manter seus tratamentos médicos.

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Crônicas & Agudas!

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Uma criança enferma já havia trilhado os médicos de Viamão. A família gastara o que tinha e aquilo que outros familiares e amigos auxiliaram. A melhora não apontava no horizonte sombrio. Seu corpinho definhava. Os diagnósticos se entremeavam numa trança sem pontas. A família jamais poupou esforços. Eis que um dia aconteceu algo que sempre se chamou assim ao enfermo “incurável” – estava “desenganado”! Ao “desenganado” restava se recolher ao seio de sua família, cercar-se de orações, promessas, missas e tudo o mais que pudesse trazer algum conforto na desesperança quase geral. Contou-me que o “Velho Tutu” jamais desistiu e afundava a estrada medicando e amparando a criança. Dias e noites – ali estava ele!

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Crônicas & Agudas!

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À noite, tum-tum-tum – alguém batia à porta da casa do “Velho Tutu”. Acendeu-se um candeeiro e foi atender. Talvez mais algum doente buscando seu tratamento, pensaram. Era um homem bem vestido, de avental branco e idade avançada. Logo viram que não era de Viamão. Educadamente solicitou ingresso na casa. Concedido, sentou-se numa cadeira à mesa. Outros familiares achegaram-se. O homem disse ser um médico já falecido e que clinicara em algum estado do nordeste do Brasil. Estupefatos, todos se apertavam no costado do “Velho Tutu”. O homem continuava_: – Nós observamos seu trabalho a muito tempo. Sabemos da angústia da família e dos que o tratam. Sou encarregado de te auxiliar no tratamento e a criança ficará curada. _Conversaram pela madrugada. Quase ao raiar do sol, o médico despediu-se, varou a porta e no jardim começou a elevar-se ao céu, acenou se despedindo e desapareceu. As orientações foram executadas e a criança curou-se plenamente e o próprio enfermo, já adulto, contava o fato.

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Corações plenos de humanidade, assim se fazia Medicina e assim se cuidava de enfermos. Nesses tempos ardilosos, com uma pandemia de vírus e de escassez de dignidade e amor, enfermos sucumbem, outros não são tratados por um falso zelo de cunho ideológico, para muitos resta o desamor e a desesperança!

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Médico e Cronista: aqui abraço meu caro amigo de infância Artur Gattino, neto do “Velho Tutu”, Vereador de Viamão por 16 anos e funcionário destacado da Assembleia Legislativa do RGS.

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2022.03.15 – O “Velho Tutu” – Edson Olimpio

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Certezas & Expectativas!

Certeza & Expectativa!

Molda-se uma vida, trabalham-se os passos da caminhada buscando certezas e colhendo-se expectativas. Ensina a sabedoria popular que a única certeza que teremos após abrir os olhos e soltar o berro (Buááá!) ao mundo que nos recebe é de que, em algum dia (que seja bem distante!), todos irão juntar-se ao pó ou às cinzas primordiais. Concorda?

O eu interior renega-se a essa situação – observe os ladrões da República e sua “imortalidade”. Seria uma situação desencorajadora, alheia à nossa vontade ou de uma insegurança maior que acreditar em ministros do STF. Essa rebeldia é necessária muitas vezes, pois no rumo contrário iremos bater contra o “Paredón” e alvejados pela desilusão, além de contaminados pelo vírus da depressão.

Aqui, novamente e sempre, o cronista incita e desafia a autopsiar, escarafunchar situações e momentos enfrentados e peleados.

Crônicas & Agudas!

Sem querer mergulhar no tremedal, no atoleiro da incerteza, que logo estará de braços dados com a dor e a desgraça, busco situar a capacidade pessoal em transformar, regenerar a expectativa em algo mais objetivo e que você se conscientizará daquilo que depende de si próprio ou daquilo que espera dos outros.

Mas eu tenho muita fé que tudo vai dar certo e será só vitória, pois Deus me ajuda”. – dizia-me um amigo. Pela religiosidade, Deus sempre ajuda e até melhor, Ele não atrapalha! “Dar certo e vitória” não se expressam por uma sequência matemática de resultado exato e não aleatório e que envolve muitas variáveis e diversas alternativas. Como: ‘você não tem a mesma energia e disposição todas as horas de todos os dias’.

O universo é vibracional e tudo muda a todo instante. “Tenho fé” já é um aditivo excelente em qualquer enfrentamento ou batalha, mas observe que a fé pode ser a ‘esperança’ (lembra da caixa de Pandora) revestida, vestida, com a roupagem da expectativa com religiosidade.

Cr & Ag!

Colombo, Cabral ou o velho Américo Vespúcio embarcaram em caravelas e jogaram-se no oceano buscando “mares nunca dantes navegados”, terras e especiarias. Resumo: riqueza e glória, se possível juntas. Tinham certeza? Tinham expectativas? Com certeza tinham expectativas e se armaram de todos os instrumentos e artefatos que auxiliassem a realizar seus desideratos.

Coragem é conviver com o medo. Respeitar o medo sem deixá-lo te possuir. Armstrong tinha certeza que caminharia o solo lunar? A angústia lhe acompanhou desde a juventude quando se via um homem entre as estrelas e buscou seu sonho que era o sonho de toda a humanidade. Sem a certeza do foguete levá-los à estratosfera, acertar na Lua e todo o ‘etc’ que você conhece.

A certeza é embriagante, cultiva a engenharia dos castelos no ar, relativiza as dificuldades e torna os desafios meros atributos da jornada. Grandes certezas, maiores desastres. Lembrando: “O Titanic jamais afundará!” – O mundo escutou e leu. E o que aconteceu?

Crônicas & Agudas!

Você que me acompanha (ou persegue!) já criou uma enciclopédia, um Google de alternativas e de situações que passam pelo seu bisturi mental. Talvez as maiores expectativas transformadas em “certezas” estejam no amor. As relações são pratos cheios, bufês de investimentos, núpcias dadivosas e cinematográficas, planos repletos de paraísos oníricos.

Quanto maior a festa, mais curta é a beleza e a sintonia real. E olhe que Deus ajuda, mas não dá para abrir um Mar Vermelho todo mês. Ou ano! Apesar de todo amor ser doloroso (ou não?), prepare-se para a tormenta se queres viver dias luminosos.

Luvas, máscaras, álcool não oral, distanciamento, vacinas, remédios e segue o rosário bem intencionado (outra expectativa) de semeaduras almejando a saúde ou o menor dos danos à vida. As “certezas” são meros borrifos estatísticos apontados para o objetivado ou expectativas dentro do “pensamento positivo”?

Como sente as tuas expectativas e as tuas certezas?

Em tempo: 08 de março é o Dia da Mulher! Abrace-a e beije-a!

2022.03.08 – Certeza & Expectativa – Edson Olimpio

Crônicas & Agudas

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Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico. Cirurgião. Escritor

CREMERS 07720

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Médico Cirurgião Jubilado

Sociedade de Cirurgia Geral do Rio Grande do Sul – SOCIGERS

Conselho Regional de Medicina RGS – CREMERS

Associação Médica do RGS – AMRIGS

Associação Médica Brasileira – AMB

Viamão – RS

1971 a 2021 – 50 Anos de Medicina

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Autor dos livros:

Crônicas & Agudas

Crônicas & PontiAgudas

Trinity! A Saga continua.

+ 25 Anos de Jornalismo

Cronista Jornal Opinião de Viamão

ILZA TERRA NUNES – 100 Anos – Viamo – Memria 10

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Máscara e tampão de ouvido!

Máscara e tampão de ouvido!

A sociedade indefesa.

Arrastamos dois anos de pandemia. Uma doença infectocontagiosa se espalhou e persiste ceifando vidas, destruindo famílias, espraiando o medo(terror?), confrontando a Medicina, derrubando as economias e produzindo mais pobres e ricos.

A máscara é um símbolo de proteção à enfermidade. Também simboliza o esconder a face e persistir nas falcatruas, muitas vezes sepultadas no ataúde dos mortos pelo corona ou pela corrupção. A movimentação silenciosa do vírus se assemelha à mão rápida e ao pé ligeiro dos falcatruas.

Outra “pandemia” nada tem de silenciosa e sutil. É barulhenta. Abusivamente barulhenta e escandalosa. Há séculos é identificada pela Medicina como destruidora da saúde. Seus vetores de transmissão são os malditos carros e caixas de som às portas de lojas e até nos passeios, motocicletas e outros veículos de alucinados e irresponsáveis com descarga aberta e tantos outros que o aturdido e ensurdecido leitor pode acrescentar.

Crônicas & Agudas

Como o senhor aguenta trabalhar assim doutor?” – pergunta rotineira. Meu consultório é térreo na Galeria Zavarize, no Centro histórico de Viamão. Janelas altas abertas para melhor circulação de ar em proteção às pessoas. A proximidade com a Caixa Econômica Federal é um agravante severo.

Esses malditos e nefastos carros de som que já circulam em velocidade de atravancar o trânsito quase que estacionam às minhas janelas para atacar as vítimas nas filas da CEF. É impossível continuar a consulta, tenho que esperar seu afastamento. Estenda essa agressão ao tentar conversar ou assistir TV em qualquer lugar.

O estimado e efetivo Coronel Freitas ajudou-me ao máximo que poderia. E agradeço sua pronta intervenção. Mas o sistema ou a legislação é perniciosa e contagiosa – ainda veículos de circo se somam à poluição sonora.

Crônicas & Agudas

Ou a legislação é defeituosa ou sua execução é capenga. O médico e cronista pergunta: qual o poder público iniciará a contenção disso. Poluição sonora é crime contra a saúde. Leva-se vários anos para aprovar um projeto de engenharia para dar mais empregos ao povo e riqueza à cidade. Legislação rigorosa, como a que depende dos bombeiros, contrasta com a absoluta perdição das autoridades imporem-se na proteção da saúde do seu povo.

Eu não compro e recomendo que ninguém compre dessas empresas que fazem essas propagandas abusivas. Que seus donos se sensibilizem desse erro que estimulam e parem.

Vender mais causando doenças? Dar dinheiro para poluição sonora que envenena a vida? Adianta vender mais ansiolíticos e antidepressivos e até à noite o sono é invadida pelos alucinados e irresponsáveis com descarga aberta (literalmente deveria se puxar a descarga com essa gente nefasta).

Crônicas & Agudas

Viamão enfeiou-se pela poluição visual, seu lago poluído e sua centenária igreja matriz abandonada. Uma cidade enferma (e mal assistida de hospitais!), doente tal o número de farmácias e ambulâncias com sirenes abertas?

Aqui a poluição sonora acampou, requereu “usocapião” e se alojou como um tumor maligno que não encontra tratamento e solução adequados. Somos, sou viamonense raiz, como todos meus familiares. Essa é a minha/nossa terra. Ficar à sombra numa zona de conforto ou o enfrentamento do problema?

Entendam a veemência do médico (50 anos de Medicina em Viamão) e do cronista (30 anos de jornalismo) e se solidarizem na solução do mal. Para o comércio, há outras formas de atrair clientes. Para os demais patrocinadores da poluição sonora, que tomem consciência e respeito pela sociedade que os abriga ou que a lei (tão vilipendiada) seja eficaz. Apesar do barulho, escutem nosso protesto.

Ou o tampão de ouvido será nossa derradeira defesa? Dobradinha: máscara e tampão de ouvido?

2022.02.22 – Máscara e tampão de ouvido – Edson Olimpio Oliveira

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Imagens Especiais! 22 Fevereiro 2022.

Galeria

DIA MUNDIAL DO GATO * 17 Fevereiro

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O causo do tratos nos (Campos) Abreu – 15 Fevereiro 2022

O causo do trator nos (campos) Abreu!

Série: Humor ainda é um bom remédio

A história que vamos relatar pode parecer fantástica para alguns, mas quem conhece as especiais habilidades de seu personagem principal, até o impossível se tornará provável.

Caçador de perdizes e de marrecão, mecânico, motorista profissional, ‘engenheiro’ prático, são algumas de suas qualificações. Da Vinci e McGiver seriam seus alunos. Afora essas qualidades técnicas, é pessoa amabilíssima e de bom coração. E viamonense da gema. Raiz e com glória.

Conta-se que nos longínquos anos 50, executava uma grande aração de terras aos fundos da Fazenda dos Abreu, junto à Lagoa dos Patos. Começara na madrugada e somente pararia a noite. O inverno fora rigoroso e o preparo da terra para o arroz estava atrasado. Trabalhador ferrenho e feroz, segundo o próprio – opinião contrária de alguns. Quando se apercebeu, a lua penteava faceira os mais altos galhos dos eucaliptos. Os tambores de gasolina dentro do trólei estavam secos. Restava apenas o combustível do tanque do trator. Ainda teria que rodar algumas boas léguas até a sede da fazenda onde estava acampado. E se veio embora. Algum quero-quero reclamava à passagem do trator que insolente perturbava seu descanso.

As marrecas piadeiras e caneleiras davam rasantes nas lagoas aumentadas pelas chuvas do inverno rigoroso e chorão. Alguma tarã ofendida marcava seu território. Com os pensamentos distantes: a família longe, o novo dia de trabalho, os pés em bolhas dolorosas contra os pedais de aço…

Súbito, o previsível, o trator soluçou, soluçou, engasgou e apagou o motor. Bateu arranque. Nada. Foi verificar o tanque de combustível. Vazio. Sentou-se. Acendeu o palheiro. Longas tragadas que enevoaram a noite clara. Perguntou para a lua:

Dia do Cirurgio Buco-Maxilo-Facial – 13 Fevereiro

*_CIRURGIA BUCO-MAXILO-FACIAL_*

_Medicina & Odontologia_

_13 Fevereiro_

Reconhecimento.

Respeito.

Gratidão!

_By *_Crônicas & Agudas!_* – http://www.edsonolimpio.com.br_

Dia do Campeiro! – Poesia de Lúcia Barcelos

Tropa de Ausências nos Campos do Tempo!

Ele ainda mateia solito à porta do galpão…

Depois que o último taura se foi,

só restaram os campos, o cusco e a solidão!

De sorte que o tempo andarilho,

lhe trouxe sobre o lombilho,

um anjo branco que se arranchou em sua cabeleira.

Pra martírio do silêncio,

ele empunha uma açoiteira,

que bate nas taquareiras,

como um domador dos pampas!

Às vezes, com marreta e talhadeira,

forja cortar pedras entre os cerros…

Os seus acertos e os erros,

pesam na carreta das horas,

e o ranger de eixos do agora

vai guiando uma boiada de lembranças!

Lá fora, a pele dos campos,

sulcada de andanças,

apara os passos do velho peão.

Mescla-se àquele chão,

a baba de bois cansados

e os dias enfileirados,

vívidos naquele estilo!

Ele ainda mateia tranquilo

à porta do galpão… Guardião de um tempo de luz,

marca de espada e de cruz,

já se afigura uma lenda!

Em sua ronda, ele anda a sós!

Mas quando o vence a fadiga,

busca, em devaneios,

as campereadas…

E a mesma tropa antiga

de sonhos que vivem em nós!

Na compreensão desse instante solitário,

é xucro o minuano.

Ir vivendo, é um gauderear sem volta,

e ele de pronto solta,

o seu filosofar campejano.

Não quis correr mundos…

E com o passar dos anos,

fincou alma ali como potro na estaca…

Dormindo em pelegos,

pensamento tiritando feito um pássaro Baitaca

curtindo penas de geadas…

Alma inquieta,

mãos calejadas…

Campeirear tropas de ausências no coração em rebuliço,

e matear solito à porta do galpão,

é hoje o seu maior compromisso!

Lúcia Barcelos

Singular Poetisa. Escritora. Viamonense.

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Apoio: Crônicas & Agudas

11 de Fevereiro

Dia do Campeiro

DOMINGO NA ORLA – 3

Domingo na Orla (praia)

Parte 3 – Final

Série: Rir ainda é um bom remédio.

E nosso amigo Arigó da Faxina continua seu relato heroico!

“A sogra velha já tinha melhorado muito e estava faceira caminhando na água do mar. Foi aí que deu outro problema, a velha se lembrou da cadeira que tinha trazido. Eu nunca tomei fé dessas cadeiras de alumínio, são fracas. A velha embestou de botar a cadeira e sentar para as ondas baterem na erisipela. E não faltou aviso.

A minha nega armou a cadeira, a velha deu uma sungada no vestido e se agarrou no braço da cadeira para sentar. Sobrava bunda e faltava cadeira. Senti o drama. Quando a velha largou o peso a cadeira não aguentou e arriou. Meu amigo, a velha emborcou e virou os pés pra cima. Foi um Deus nos acuda. Juntou povo em volta. A velha braba que era uma fera, largou um monte de desaforos pra cadeira e pra quem estava rindo. Saí de perto, fui cuidar do churrasco. Até um metido à salva-vidas veio acudir a gritaria.

Alguém deve ter esquecido uma porta aberta, pois começou um vento encanado. Sabe o Nordestão? Era ele mesmo. O tempo estava bom demais, eu até já estava estranhando. Mas o sol se mantinha firme, valente lá em cima – parecia o Bolsonaro a cavalo.

É bom demais um churrasquinho assim. Até a velha acalmou os nervos e comeu umas tiras de vazio e roeu uma costela gorda de pingar a graxa e com arroz branco e muita Pepsi. Isso ela não rejeita de modo maneira. Até um cusco apareceu com o cheiro da carne levada pelo vento. Levou um osso também. Comemos muito bem. Tomei mais umas latinhas de cerveja e senti chegar aquele sono da tarde. Chegou de mansinho. Ainda deu para comer uma fatia de abacaxi com compota de pêssego que estava na sacola da sogrinha.

A nega acomodou as crianças na camionete e avisou que se fizessem barulho ia ter orelha arrancada. Me acomodei numa esteira e apaguei, amigo. Só me acordei com a nega gemendo que tinha dormido no sol e estava toda ardendo de queimada. Eu tinha uma duna dentro da boca e areia em tudo que era lugar e buraco. Coisas do Nordestão. Tu vê, a mulher também apagou e com a vontade de se bronzear, fritou no sol e no vento. Era um vermelhidão só. Ai-ai e ui-ui de tudo que era tamanho. Sol já tinha sumido e começara até a refrescar. Vantagem. Ainda bem que ela tinha levado uns óleos e outros cremes. Queria que passasse, mas sem botar a mão. Fiquei com remorso de estimular por causa da marquinha do biquíni, agora a nega estava ali que nem uma picanha mal passada.

Enquanto eu, a sogra e as crianças recolhíamos aquela tralha toda, a nega estava ali de braços e compasso aberto gemendo. E eu que antes de dormir ainda planejava um passeio e uma namorada nos cômoros, como nos antigos tempos buscando ninho de rinchão! Olha meu, coisa bem feia. Roupa nem pensar. Coloquei um lençol por cima e encaixei ela no banco e viemos embora. De tão atucanado terminei esquecendo dos espetos e da minha faca carneadeira presente do velho meu pai lá na praia. Só pra encurtar o drama que ainda tenho que dar outras voltas, passamos no plantão do hospital e quase que a nega teve que baixar. A volta? Outro dia te conto. Tchau. Abraço no Duda, meu devogado!”

Nota do Cronista!

Tradicionalmente, há quase 30 anos de jornal, publicamos durante o verão praiano crônicas de bom humor. De tristezas basta a política, a peste chinesa e tantas outras ‘intempéries’ que nos assolam. Desde o início da pandemia evitamos essa linha literária. Com tratamentos diversos, vacinas sequenciais, rezas e benzimentos, álcool e máscaras, cada criatura vai lutando conforme pode e sua liberdade norteia. E respeitamos sempre. Ninguém duvida que o melhor humor ativa, aumenta e evolui as defesas imunitárias do ser humano. Vamos vencer!

2022.02.08 – Domingo na Orla 3 – Edson Olimpio Oliveira

Crônicas & Agudas

Jornal Opinião de Viamão

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