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A Ferida que não cicatriza. A Dor que não passa!
04 set 2022 Deixe um comentário
A Ferida que não cicatriza.
A Dor que não passa!
Há coisas que não se medem e nem se aquilatam pelo galope das horas ou pela métrica de jardas, metros ou côvados. Somente quem sente e vive naquela situação, talvez aprisionado num casulo ou enjaulado numa experiência sofrida na sua jornada de vida, pode dimensionar o seu problema, verter as lágrimas de seu tormento e sentir do coração à alma seu estilhaçamento. Para muitas pessoas o bálsamo da comparação não surte o efeito desejado por quem o estimula. Seja o médico ou algum familiar, amigo ou até um estranho solidário – “poderia ser muito pior”, “tem gente que está pior do que tu”, “veja quantas coisas boas tu tens”, entre outras afirmações. Ou seriam suposições de caráter e sentido a estimular, tirar o manto sombrio que cobre a criatura, um analgésico para sua dor, um carinho confortador para seu sofrimento.
Cr & Ag!
A perda do mais amado companheiro de jornada sempre será precoce, mesmo naquele amor conjugado por seus corações em décadas. A morte é a mais radical e absoluta separação e geralmente exala a precocidade. “Não estava na hora de partir!” Se isso se situa e aplica-se num idoso, sinta a gravidade dolorosa num jovem ou numa criança. Na caminhada de vida espera-se que os filhos sepultem os pais e avós, os mais idosos. Quando a morte ceifa um filho, a alma se dilacera, o coração se rasga, tudo se aperta ou explode nas mais intensas dores. Observe que até nas pessoas mais espiritualizadas e evoluídas essa situação brutal é lancinante.
Cr & Ag!
As sequelas se somam, se multiplicam pelos danos no corpo da pessoa e, principalmente, na alma. Não há remédios ou tratamentos universais, que se aplicam e resolvem as diversas situações. Cada pessoa traz e é um universo a ser explorado com amor, sabedoria e cautela. Nesses tempos de “médicos virtuais” ou destituídos da essência básica de sua missão, caminhamos num lodaçal de drogas e muitos drogados. Nada, nada mesmo substitui o contato físico e de todos os sentidos entre pessoas “humanas”. Jamais o amigo vindo do éter, da internet, virtual, substituirá a mão que toca e acaricia, o abraço, a voz que aquieta e conforta enquanto os olhos se encontram. Esse tempo nunca será alternado ou substituído se calcado e construído com amor e responsabilidade. Também não se mede pelo que se compra ou se paga na “vil moeda”.
Cr & Ag!
Na nossa singela contagem de tempo, mais de 2 mil anos nos separam da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Um humilde artista brasileiro abriu seu coração e venceu as dores e as dificuldades cruéis de seu corpo e talhou a sua monumental arte. Aleijadinho nos traz ou nos leva para aqueles momentos. Creio que a maioria de nós verterá lágrimas ao entrar de coração e mente naquele tempo. Nossos olhos seriam os portais de nossa alma? Ou as vitrines do coração?
Cr & Ag!
O entendimento ou a iluminação, como aceitem, associado ao tempo pode ou talvez nos ajude num acalanto que acompanhe a batucada do coração. Ao nos confrontarmos com o espelho, as cicatrizes estão ali. Algumas mais, outras menos dolorosas. Todas cicatrizes. Algumas drenam purgações dolorosas de tempos em tempos. Temos, necessitamos conviver e tocar, seguir a vida por mais dolorosa que seja, tanto em respeito e amor àqueles que partiram antes de nós como para as sequelas do corpo. Imperfeitos, muito imperfeitos que somos, precisamos, necessitamos e por amor ansiamos homenagear quem amamos, à vida e a quem sofreu para podermos evoluir e tornar a Terra um lugar de mais amor e melhor à Vida! Como você vive e convive com as suas dores?
2022.08.30 – A Ferida que não cicatriza. A Dor que não passa – Edson Olimpio
Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
Dia do MÉDICO ULTRASSONOGRAFISTA!
21 ago 2022 Deixe um comentário
Parabéns aos Amigos e Amigas que veem a Vida com outros olhos, iluminando nosso Universo!
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A Fonte da Juventude!
15 ago 2022 Deixe um comentário
A Fonte da Juventude!
A água sempre é rica em vida e isso foi observado pelos homens de todas as épocas. Sabemos e intuíam (?) que a vida se originou na água e dela ganhou as terras secas e úmidas espalhando-se pela Terra. Lendas imemoriais revelavam fontes de água, talvez um rio, que trouxesse a juventude para aquele que ali se banhasse ou dela bebesse. No âmago dos mitos está o desejo da juventude e da imortalidade do corpo. Na Grécia antiga falava-se de um córrego nascido na casa dos deuses, o Monte Olimpo, que traria a perene juventude aos humanos.
Dizem que Alexandre, o Grande, apesar de jovem, buscaria uma fonte da juventude em terras onde hoje está a Índia. O explorador espanhol Ponce de León, que acompanhou Cristóvão Colombo na descoberta da América, inspirado em lendas indígenas, buscou a fonte da juventude a partir de Cuba, descobrindo a Flórida. Hoje há uma cidade e uma fonte de águas minerais que teria sido encontrada antes da sua morte pelos indígenas.
Crônicas & Agudas!
O Rio Amazonas teve seu nome dado por exploradores que encontraram uma tribo de ferozes mulheres guerreiras em sua margem. Os mitos sempre incentivaram exploradores, patrocinadores e conquistadores a empreenderem expedições em busca dessas supostas realidades. Acopla-se aqui o mito latino-americano da cidade de ouro de El Dorado.
Observe, arguto leitor, que em nenhuma das três maiores vertentes religiosas há a dádiva da juventude eterna ou da imortalidade. Não sabemos que profetas solicitassem que Deus os tornassem jovens novamente. Abraão e Sara se tornaram pais com mais de um século de vida – velhos! Velhos? Fala-se em idade centenária para alguns profetas.
Jesus Cristo realizou toda a espécie de milagres. Trouxe vida a um defunto sepulto, que saiu da morte lépido e faceiro indo festejar a vida. Trouxe saúde para os enfermos, como para os leprosos com suas carnes apodrecidas numa vida perdida. Enfim, de bençãos miraculosas para pessoas individuais, coletivas e para as mais luminosas transformações – como da água no mais nobre vinho ou da alimentação de milhares de pessoas. Desconhece-se que Cristo tenha concedido a juventude para qualquer criatura terrestre. Essa forma de imortalidade e juventude está na vida eterna, no paraíso celestial.
Crônicas & Agudas!
Os mitos e lendas não encontraram o porto seguro através do bem. As sombras acompanham a luz. Pelo lado do maligno veio a imortalidade e a juventude em beber o sangue humano – os vampiros. Há toda sorte de cultos malignos em todas as épocas com essa finalidade.
Vida longa sem saúde? Os alquimistas buscavam a geração de ouro e alguns a poção da juventude eterna. As ciências da saúde e da vida longa perambulam, inspecionam, instigam, testam e tentam encontrar saúde, juventude e vida longa – sempre recheada de prazeres. Entretanto o Tempo cavalga desde a eternidade em seu corcel num lado recebendo a Luz e no outro as sombras da jornada. Inflexível aos desejos humanos. Humanos? Sim! Somente o ser humano tem a noção e alguma compreensão de sua vida finita, da sua finitude e temporalidade. Uma criatura passageira nesse planeta – “do pó vistes e ao pó voltarás!”
Tempo é vida. A vida que se utiliza e o torna um tempo útil para si e para a vida na Terra. Tempo para realizar e amar. Tempo para entendimento. Tempo para ser eterno quando a missão se cumpre. A fonte da juventude está dentro do homem. Dentro de cada um de nós. A juventude e a imortalidade jamais pertencerão ao corpo passageiro e sim à alma imortal!
2022.08.08 – A Fonte da Juventude – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
Mais ligeiro que gato de bordel!
09 ago 2022 Deixe um comentário
Mais ligeiro que Gato de Bordel!
[Corrientes 348 | Quem sobe ao segundo andar | Sem porteiro e sem vizinho | Só amor vai encontrar | Neste quarto sedutor ! Um telefone que avisa | Uma vitrola que chora | Velhos tangos e canções | E um
gato de porcelana | Mudo assiste ao nosso amor | …] Trecho do famoso tango A Média Luz, imortalizado na voz de Carlos Gardel e no Brasil pelo gaúcho de Santana do Livramento, Nelson Gonçalves.
Numa época em que o cãozinho de madame era o Pequinês, aqui em nossas terras. Um bichinho impaciente e “incomodativo”. Acua e ladra por qualquer bobagem e ciumento como cantor sertanejo. Jamais seria a companhia ideal para as meninas nas lidas do lupanar. Havia ainda o risco de ataque as partes essenciais do macho apaixonado e sedento de paixão. E os gatos? Pois é, aqui entra a percepção do cronista que observa no imortal tango A Media Luz a estátua erigida ao felino discreto e sutil – “um gato de porcelana”.
Crônicas & Agudas!
Certa feita, trabalhava como médico plantonista num pronto-socorro privado de Porto Alegre e recebeu-se uma chamada de um endereço numa zona barra pesada da Capital. A atendente do PS já havia recebido outras chamadas do mesmo local – um bordel. E lá se vão décadas troteando no tempo de médico. Atendíamos em dupla, o médico e o doutorando. Normalmente nesses locais e ambientes complicados para a maioria das pessoas, o médico é tratado com muito respeito e extrema consideração (era assim!).
Ambulância estacionada. O pessoal à rua demonstrava que a pegada foi bruta. Salas penumbrosas com música e… Imaginem! Um corredor estreito ladeando cômodos com cortinas às portas. Uma escada estreita, um quarto (sótão) com um homem lanhado, fatiado. Tinha diversos cortes de navalha. Deitado numa cama com vários panos de curativos. Esse foi o resultado de uma mulher surtada em crise mortal de ciúme.
Não havia risco fatal. E não aceitaram remover ao HPS – Hospital de Pronto Socorro. E fez-se o melhor tratamento disponível nas condições. Sentiram-se extremamente agradecidos e pagaram com a melhor boa vontade. O paciente evoluiu muito bem sem nenhuma complicação, informavam pelo telefone.
Crônicas & Agudas!
Não havia casas sem um bichano. O gato, além de predador de ratos e outros bichos, é pacato e suave como veludo de divã. Companhia das meninas no interlúdio, soube. Jamais importuna ou atrapalha os embates amorosos. E rápido como um corisco quando o caldo entorna, o ferro branco “alumeia” ou o tresoitão que berra com fome de sangue. Desaparece. Não se mete, nem intromete na briga alheia, diz a experiência do gato que perdeu o couro para um tamborim.
O leitor que me acompanha ou persegue nessas crônicas, conhece agora uma outra face do gato – o gato de bordel, entronizado na porcelana de um desse lupanares das orgias portenhas. E como o gato natural – “mudo assiste ao amor”! Um respeito silencioso. Uma forma de amizade e carinho que somente o gato apresenta com sua personalidade própria e atitudes que encanta a muitas pessoas. O gato, como o cão, ama sem jamais julgar.
Quantas pessoas precisariam aprender a respeitar e tratar aos demais observando a simplicidade dos animais. Observe que a vida passa muito rápida e um dia a conta chega aqui ou do outro lado!
2022.08.02 – Mais ligeiro que Gato de Bordel – Edson Olimpio Oliveira
Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão






