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PICHAÇÕES ZERO

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O Fio da Meada! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 16 Julho 2019.

 

O Fio da Meada!

As vidas ou as existências das criaturas estão entremeadas, cruzando-se, enovelando-se com o trotear irrefreável do Tempo. Tempo! Esse senhor com o poder da eternidade nos observa e aguarda o desenrolar das nossas jornadas por estradas de luz ou de sombras. Há leitores que me acusam, no melhor sentido, como sendo a “memória viva” de Viamão nesses últimos 25 anos de colunas de jornal e ainda pelos livros pessoais e coletâneas. Isso é real e o Jornal Opinião tem sido o maior parceiro para através de suas páginas também eternizar a vida de um povo e realçar seus membros. Em conversas com o primo Silvio “BocaTerra de Oliveira (solo sagrado desde tempos imemoriais nas civilizações mediterrâneas e da Ásia Menor – terra de oliveiras!) aproveitamos para desenrolar e puxar o fio dessas meadas. Falávamos sobre a Farmácia Brasil e seu significado para a política e a vida pública da cidade. Os irmãos Scarppetti, Nélson e Alencarino e seu filho Deco (carinhosamente chamado de Dequinho). O prédio original está ali entronado defronte o Banco do Brasil. O salão inicial com o balcão de atendimento ao público, a sala de manipulação dos medicamentos com a balança de precisão numa caixa envidraçada, um jacaré de ferro que se abria em dobradiça e ali expunha os moldes e tamanhos das rolhas de cortiça, armários repletos de frascos dos mais variados produtos em uma miríade de cores e odores. Aplicação de injeções, com uma habilidade incomum de puncionar as mais escondidas e bailarinas veias.

Crônicas & Agudas

Um corredor de passagem, onde havia um telefone de manivela numa caixa de madeira com as ligações intermediadas pela central telefônica das Castelhanas. Ali estavam cadeiras singelas que reuniam “Caçadores, Pescadores e outros Mentirosos” – dizia uma plaquinha. Esse corredor desaguava por uma porta para o depósito de medicamentos, outra porta para a rua e acesso externo para o andar superior da farmácia onde atuava com magnífico Cirurgião-Dentista Dr. Trajano Goulart, outro grande filho dessa terra, creio que vereador foi. A residência do Seu Alencarino era anexa à farmácia com acesso interno. A residência do Seu Nélson era através de um pátio e logo saia na Rua Cirurgião Vaz Ferreira, defronte a OAB de Viamão. Incontáveis e notáveis viamonenses “batiam ponto” naquele corredor e trançavam e traçavam os destinos da cidade. A poucos metros estavam a Delegacia de Polícia, a Brigada Militar, a Prefeitura e a Câmara de Vereadores e todo o comércio principal. Juca Gattino, creio que cunhado do Nélson, aí também trabalhava. Família dos Gattino que tinha o “velho Tutu”, “médico-prático” que morava na culatra da Igreja. E pai do Auro e do “tio” Cirne, que já tive a honra de retratar aqui. Outro “médico-prático” foi Dante Messina, no Capão da Porteira e há pouco falecido com mais de um século o “prático-dentista” Napoleão – baita família.

Cr & Ag

Tuinho” Gattino, irmão do Haroldo, foi outro importante vereador. Outro funcionário da Farmácia Brasil foi “Paulinho” Barcelos que pelo carinho e respeito aos clientes foi alçado vereador também. Paulinho era irmão do Zé Gago, um brilhante gaiteiro e tradicionalista viamonense, que sobreviveu a duras penas a um acidente ofídico – picado por uma jararaca ou cobra cruzeira. Cumpre acrescentar que o especial homem e esposo Zé Gago era casado com a prima Marlene Móttola de Barcelos e que seu neto, também músico e gaiteiro, tocou a acordeona em belíssima homenagem ao querido avô durante suas pompas fúnebres. Todos os presentes choraram! Muitos ainda vertem lágrimas lembrando o episódio. Outro fio da meada foi Ciá ou Sinhá Avelina, minha vizinha na Avenida Bento Gonçalves. Uma negra idosa, residia com uma das filhas, e era “irmã de criação” dos Scarppetti – “com muito orgulho” e “negra, negra mesmo”. Pessoa fantástica a Ciá Avelina. Sua outra filha, Virgínia, trabalhou e se aposentou como enfermeira do Centro da Saúde e adotou e criou com pleno amor um menino loiro órfão. Todos filhos de um mesmo Pai Celestial! Complemento – 1) a poucos metros da Farmácia estava a Padaria do Seu Tita, pai do Breno e avô do Prefeito André; 2) fui cofundador do primeiro grupo de escoteiros de Viamão que recebeu o nome de Alencarino Scarppetti. Obs.: tentamos que a memória vivenciada e sabida seja o mais próximo e exato.

2019 – 07 – 16 julho – O Fio da Meada – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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LUCIANA DOS SANTOS NOAL * AMIGA ESPECIAL

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Jauri e Gelci Fonseca * Amigos Especiais

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Medicina com Humildade e Amor * Série

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E o Cascão fardou e goleou! Eds Olimpio. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 09 julho 2019. 3ª Parte / Final.

 

E o Cascão fardou! E goleou.

3ª Parte – Final

Fantástica solução na crise. Um par de chuteiras sem solado, elásticos por baixo seguravam nos pés. E Cascão, na beira do gramado, aguardava autorização para entrar no jogo. O bandeirinha olhou seus pés e chuteiras. O juiz também. Ninguém lembrou de olhar as chuteiras por baixo. E o jogo virou um fandango e outro dia lhes conto maiores detalhes, mas terminou 9 a 5 para o Tamoio, com direito à volta olímpica. Quando descobriram a trama já era tarde e resolveram sepultar, excluir da história o feito de serem goleados em casa por um jovem amador e de pés descalços. Ah! E com a camiseta número 7 do Colorado por baixo do manto rubro-negro do Tamoio. Para quem não conhecia, assim nasceu a rotina ou a regra do jogador ter as chuteiras examinadas por todos os lados antes de entrar no jogo. Inclusive a sola. Observem!

O jovem! O homem e a lenda! Entre eles sempre há uma dama espreitando. Ela se chama Fatalidade! Bom, vamos continuar revirando a papelada do seu Aldo Cabeleira e ver o que mais encontramos. Outro dia, talvez continuemos!

O frio e o coração!

Será um dos invernos mais congelantes dos últimos tempos. As temperaturas despencam e pessoas e animais sofrem. As doenças cardiovasculares podem aumentar. Pessoas morrem de hipotermia ao relento. O morador de rua ou mendigo está abraçado com seu maior e eterno amigo, o cão, na busca de suportar mais uma ártica noite. Há mendigos que não buscam o amparo dos abrigos para não abandonar o seu cão. E há locais que já organizam canis para que o especial amigo passe a noite e pela manhã vá fazer a costumeira festa ao ser humano que ele escolheu. Colorados e gremistas uniram as bandeiram num feito inédito no congelado Rio Grande. O Gigantinho, templo de esportes e shows, filhote e anexo do Gigante da Beira Rio, abriu seus portões e está acolhendo com cama e banho quente, comida feita na hora e, especialmente, o carinho e o respeito de voluntários e funcionários do Colorado.

Os bons exemplos devem evoluir e disseminar-se. Diz-se que o castelhano River Plate deu o chute inicial. O Gigantinho da Beira Rio e o Estádio Aldo Dapuzzo do SC São Paulo de Rio Grande fizeram coro e mais calor humano e respeito aos mais carentes. O calor vindo dos corações aquece o corpo e a alma!

Corações gelados!

Policiais civis e brigadianos tombam continuamente na defesa da sociedade honesta, que trabalha e sustenta com seu sangue um país gravemente enfermo. Psicotizado pelas ideologias. Viamão sepultou um jovem brigadiano e morreu junto de outro colega alvejado por sniper (sic) do crime organizado. Isso é rotina no cotidiano fatal que acompanha os servidores públicos que estão na ponta da corda (parcos e atrasados salários), na zona de guerra, no front de batalha dessa guerra que o crime organizado dos gabinetes de alto luxo, das estatais e de tantos outros organismos dominados pelo banditismo espraiaram. “Sou uma vítima da sociedade e preciso fazer isso” (roubar, sequestrar, assassinar – leia-se!), dizia o criminoso com a pistola na cabeça do idoso e vítima indefesa. O defensor de criminoso (talvez excetuando a mãe geradora da criatura) são piores, muitas vezes, que o próprio bandido, estuprador e assassino. Há quem acredite que esses corações gelados, ausentes de respeito humano, sejam iguais a você. Concorda?

2019 – 07 – 09 Julho – E o Cascão fardou! E goleou. Final – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – www.edsonolimpio.com.br

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E o Cascão fardou e goleou! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 2ª Parte

 

E o Cascão fardou! E goleou.

2ª Parte

E

 foi aí que nasceu o apelido do Gomecito. Apeou do cavalo e boleou a mala de garupa sobre o ombro. O pessoal se fardava ali mesmo no costado do campo, junto de um alambrado de fios de aço. Recebeu a camiseta e um calção do time. Colocou e… A rapaziada estranhando perguntou-lhe: “E as chuteiras”? Não tinha chuteiras. Jamais jogou de chuteiras. Nunca usava calçados. De nenhum tipo. O capataz até levou um sapateiro para lhe fazer um par de botas. Fez! Queixava-se que não dava para usar. Os pés adquiriram a resistência da vida do campeiro. As solas dos pés eram extremamente espessas. Grossas. Tentaram que usasse alguma chuteira emprestada, inclusive um gringo da serra quis dar-lhe as suas. “Ou joga de pés descalços ou não joga”. Joga. E jogou. Fez cinco golos já na primeira metade do jogo. Tiram-lhe para celebrar o rodízio entre os atletas. Entrou nos dez minutos finais no outro time e fez mais dois golos.

clip_image002Sua velocidade e destreza eram incomuns. O chute disputava potência entre a perna direita e a esquerda. “Um canhão”! Talento natural. Logo escalado para um enfrentamento do time principal da ETA e os craques do Tamoio. O juiz era um veterano da arbitragem de Porto Alegre e que depois da quinta cerveja deixava o jogo correr solto. Dedurado pelos adversários que estava sem chuteiras, o juiz não permitiu que entrasse em campo. “Ou bota chuteira, ou não joga”! Berrou espalhando o bigodão. Metade do segundo tempo, um massacre: Tamoio 6 e ETA 1 e de pênalti. A ETA se rebelou e avisou: “Ou entra o Cascão ou saímos de campo”. Entrou o Cascão e o final ficou 8 a 7 para a ETA. E assim o Cascão sem chuteiras jogou e estreou na várzea da “santa terrinha setembrina”. Aqui o Consul do Colorado em Viamão, seu Aldo Cabeleira, lhe deu uma camiseta do Internacional com o número 7. “É do Tesourinha”! Que ele conhecia e amava no Correio do Povo e na galena do velho Zeca Armindo. Gastou a camiseta de tanto usar. Inclusive por baixo dos fardamentos da ETA e eventualmente do Tamoio.

Grenal no Estádio Olímpico. O brilhante Tamoio, o rubro-negro da baixada, convidado para uma preliminar contra veteranos do Grêmio. Era uma turma de assustar e causar respeito. Jogavam a preliminar para empolgar, atiçar a torcida goleando os adversários. Como nunca teve dirigente burro no Tamoio, somente alguns mais inteligentes que os outros, levaram o Gomecito Cascão de arma secreta. E que arma. Como de costume, os veteranos do tricolor saltitavam e afiavam os cascos como cavalo no partidor do prado. Um melhor fardado que o outro. Firulas com a bola. De novo o juiz retirou o Cascão do time – “Sem chuteiras não joga”! A situação estava dramática. Empilhavam golos e tripudiavam “dos índios viamonenses”. Segundo tempo, os jogadores viamonenses estavam de olhos esbugalhados. Contam que o Consul Colorado passou um bilhete para os dirigentes do Tamoio e uma caixa de papelão. Ali estavam um par de chuteiras sem solado.

*A próxima coluna com o final da saga do Cascão. Essa crônica recebeu o troféu máximo no XII Concurso Literário da Casa do Poeta Latino-Americano e FECI.

2019 – 07 – 02 Julho – E Cascão fardou. E goleou – Eds Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br

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