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12 mar 2018 Deixe um comentário
Notas da Madrugada! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Série: Moto! Paixão Eterna. Crônica 18
06 mar 2018 Deixe um comentário
em Crônicas & Agudas - O Livro!
Notas da Madrugada!
Quando o sono não chega, talvez se atrasou flertando numa bailanta do infinito, ou não querendo desperdiçar cada segundo, cada minuto, dessa rápida e volátil existência. Aqui estou sentado na areia da praia em São Lourenço do Sul. A bela Lagoa dos Patos sempre me pareceu um imenso e ondulante lençol onde poderia acomodar-me e flutuando passar toda a eternidade. A noite está calma. Alguma ave notívaga insiste em chamar sua companheira e os grilos fazem uma serenata que trazem lembranças de amores que partiram. De sonhos desfeitos. De propostas não aceitas. De estradas sonhadas, mas nunca cruzadas. Mas que droga! Sai pra longe depressão!
Um arco de lua insiste em mostrar-se entre nuvens indiferentes que loucamente perambulam pelo céu estrelado. A brisa. Uma fresca brisa se arremete do nordeste trazendo o odor salitrado do oceano que está logo ali adiante. Respiro profundamente. Agradeço aos deuses a saúde e a felicidade de ali estar desfrutando aquele momento único. Então uma imensa alegria invade meu ser. Como se uma vibração crescente mobilizasse cada célula desse corpo, fazendo-o sentir-se vivo e agradecido. Minha amada olha-me melosamente. Ela está ali na minha frente com a areia a confortar-lhe os pés. Sua silhueta sempre me cativou. Enamorei-me de suas formas. Conquistou-me na primeira impressão. Logo que passamos a viver juntos, passei a compreendê-la e cresceu o meu amor. Conhecemos juntos os campos e as cidades, os desertos e as praias. Uma companheira inigualável. Fiel e corajosa. Dedicada e responsável. Quando estou com ela, jamais existe solidão. Ela me completa. Sinto o calor irradiado de seu corpo. Fecho os olhos e sinto uma lágrima surfar em minha face.
Ela é uma Nomad da Kawa, a verde Kawasaki. Poderosa. Inigualável. Morgana, chamo-a carinhosamente. Já tive outras companheiras. Fantásticas. Belas. Cada uma com a sua identidade. Cada uma com suas peculiaridades. E até suas manias. E manhas. Motocicletas são como mulheres – sensíveis e geniosas. Vem-me à mente a frase de um amigo da estrada: – Se fizessem um clone de cachorro e mulher o resultado seria a moto, sem os defeitos dos outros dois. Rimos. Há uma sensação de que o mundo, o tempo, sei lá, tudo parou nesse momento. Uma outra idéia insolente de sugerir ao novo Presidente que após o programa Fome Zero ela faça o programa Moto Zero – nenhum brasileiro sem a sua moto. Certamente seríamos uma nação mais feliz.
Infelizmente, os ponteiros do relógio são teimosos e implacáveis e a madrugada vai sorrateiramente fluindo por entre as figueiras que margeiam a lagoa. Mas o que seria da vida se novos e únicos momentos não se seguissem. Como um farol ao longe tingindo a escuridão e empurrando a derradeira estrela para outra jornada, o sol se faz anunciar. Será um belo dia que se avizinha. Levanto-me. Sacudo a areia das calças de couro negro. Uma troca silenciosa de palavras. Aliso com as mãos seu corpo. Sensual umidade. Coloco as luvas e o capacete. Seu motor rufa com meu coração. Lentamente, tomamos a estrada. Temos mais alguém a nos esperar – um lençol, um ninho e mais amor. Muito mais amor!
Pealos! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 27 Fevereiro 2018.
02 mar 2018 Deixe um comentário
Pealos!
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lgum iluminado cravou que o “Rio Grande é a pátria a cavalo” e talvez nenhum estado dessa falsa federação use tanto o termo “pealar” e seus derivados como o gaúcho. T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse, ensina que o “gaúcho é um ente universal como a atmosfera, sofre com alguns buracos de ozônio, mas cresce e lança seu laço em todos os horizontes”. Pealar é envolver com o laço, é laçar nas suas mais incontáveis formas e versões. E esse linguajar despojado e afetuoso traz um coração pealado para o campo da nossa vida. Os pealos da paixão são os mais fortes e duradouros, muitos se transformam no amor mais ofegante ou sublime, outros são estrelas no manto negro do firmamento e trazem a sua luz pulsante num ritmo similar à batucada do coração. Uma princesa encantada nos joga seu laço luminoso ou num tiro de boleadeiras nos envolve num aconchegante abraço e o perfume cria nome, identidade e memória.
Crônicas & Agudas
Creio que na origem do termo está a simbologia dos pés envolvidos pela corda, pelo tirante de couro ou qualquer outro. Pegar pelos pés! Pé-a-lar! Pelo desdobramento da palavra, apurando essa sinfonia, se pega pelos pés e termina num lar. Isso é real. Inclusive entre o homem e o animal. Os primeiros habitantes do pampa desconheciam o cavalo que aqui desceu dos navios espanhóis, mas conheciam e eram exímios na arte da caça e da guerra com as boleadeiras. Os potros bravios e devoradores das longas distâncias dessa terra acossada pelas intempéries e sedenta de sangue e de combates eram capturados depois de derrubados pela boleadeira dum braço charrua. O charrua levava o cavalo para um banhado e atolado na água e no barro até a paleta ali era pacificado e aceitava o homem como seu companheiro e foram os melhores cavaleiros, os mais exímios que a história recusa reconhecer. O pealo que fundiu dois seres. O charrua foi exterminado pelos espanhóis e pelos portugueses, mas o cavalo ainda sente o pealo do amor do homem.
Cr & Ag
Ansiamos, almejamos, desejamos ser pealados? Todos nós! Algum tipo de pealo nos aguarda e por ele estamos sempre à espreita. Pelo bem e pelo mal. Como sempre e como em tudo nessa vida sofrida. Feche os olhos um tempo! Pense nos pealos que a vida lhe deu. Tanto naqueles que o derrubou e achou que não iria mais se levantar, se erguer e continuar, como sendo ardentemente pealado por algo que traz uma lágrima de felicidade. Os pealos dolorosos serão caminhos que devemos evitar, que alertaremos para que outros não sigam. O coração pealado tem uma memória eterna e tanto pode se contentar com um único pealo como pode querer repetir à exaustão até encontrar o pealo definitivo. Somos seres de amor, mas também somos portadores do defeito original e muitos continuam e serão pealados pelo lado negro da força e se permitirão continuar idolatrando o ruim que ficará pior.
Cr & Ag
Um abraço! Substitua as três primeiras letras de abraço e coloque no seu lugar um “L”. Veja que surgiu, nasceu, partejou-se “Laço”. Abraçar é laçar. Abraçar é pealar com os braços. Abraçar é pealar com o coração. O abraço é um pealo que nos une, unifica, funde, verte um amálgama e ensaia uma sinfonia que irá se irradiar muito além daqueles dois seres que deveriam ser sempre de luz. Que o pealo tenha sempre a luz do amor, da humildade e da gratidão. Jamais da posse do outro ou do ódio sombrio das intenções mesquinhas e malignas. Se a crônica o pealou, de qualquer forma o abraçou? Dê continuidade sempre. Se não o pealou, faça melhor!
2018 – 02 – 27 Fevereiro – Pealos – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
A Próstata e as “Lendas” – Parte 2. Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 20 Fevereiro 2018.
25 fev 2018 Deixe um comentário
A Próstata e as “Lendas”! Parte 2.
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situação brasileira está tão ruim que piranha nada de marcha ré e urubu voa de costas com colete à prova de balas. Tem a turma que quer apartar o conflito e chega: “Pô meu, sossega leão, quem te pede sou e eu conheço o teu gênio”! “Quem tem, Temer”! A outra turma gosta de berro de dor, sofrimento e gosto de sangue na boca, são os tranca-ruas atrapalhando o Samu e os Bombeiros de socorrerem os acidentados e até os desdentados e amantes da “democracia venezuelana”. Solidários enviam mensagens contando mais causos dolorosos do temido exame de próstata. Um leitor relata causo de doutor da fronteira, “doble-chapa”, touro grosso mas ligeiro que nem habeas corpus do Gilmar Mendes para criminoso, perdeu o anel de formatura numa manhã de vários exames durante uma campanha pró-vereador. Sua secretária ligava para as criaturas solicitando que quem tivesse com o anel entalado ou já eliminado que o devolvesse. O Taurino Rodrigues, uma guria linda como festa da Ilha de Caras, devolveu o anel com um laço de fita e um poema apaixonado, flor de especial. Esse facultativo do anel criou fama ao tirar o baita dedão anelado, completando o exame – o som era de estourar rolha de champanhe.
Crônicas & Agudas
Numa aula do hospital escola boliviano, depois dos 25 estudantes se iniciarem na prática digital, treinando a anatomia e a pontaria, o paciente solene como viúva de bispo ruminou com a boca escancarada: “É por isso que dizem que fiofó de bêbado não tem dono? Mas eu ainda achava que o meu tinha dono. Eu!” A gurizada trocou olhares com o professor, enquanto uma voz anônima e lúgubre veio lá do fundo: “Me faltou testar o polegar esquerdo”! Ao contrário de um ginecologista venezuelano que perdeu o celular durante exame, não há relatos do gênero em exame de próstata. Um policial valente e destemido uma barbaridade, capaz de tirotear e brigar de foice com uma dúzia de sindicalistas e a PTzada do MST, dizia do seu pânico ao ouvir o médico calçando as luvas de borracha e afiando os dedos: “Pior que roleta russa com três balas no tambor de um Magnum .45”.
Cr & Ag
Um desses causos apócrifos da internet. O facultativo: “Fique tranquilo, é comum uma ereção durante o exame”. A vítima, digo, cliente: “Que ereção doutor, me murchou tudo que quase entrou pra dentro”! O pseudo-doutor arremata com os dentes serrados e olhos esbugalhados: “Mas eu estou.” Claro que há muito delírio e fantasia. Muita invencionice e anedotário. Há quem aumente o sucedido, principalmente quando é o seu que está na alça de mira do dedo fatídico. Um doutor explicava ao paciente e sua esposa que a necessidade do exame era pelo “custo-benefício”. O paciente saltou da cadeira e sacou atirando: “Custo começa com cu, o meu, e termina com o benefício, o seu”. E saiu porta a fora jurando de par de guampas à mulher que o levou para consulta. Há homem vingativo e com a fúria do Lula contra o Sérgio Moro… o dedão freudiano explica e comunica sem golpe nem súmula vin-cu-lan-te. Que loucura!
Cr & Ag
A Medicina evolui. Foi ecografia, tomografia e ressonância e vem aí o robô examinador. O Trump destinou 20 % do orçamento da saúde para o seu aperfeiçoamento e não afeiçoamento – quase impossível no surto de gênero, em alto número e grau, no Brasil. Comenta-se que o Imperador Gilmar Mendes, sugere cláusula pétrea de inviolabilidade “ad-eternum anus dei” (mesmo quando “não dei”) com fecha-corpus preventivo e inventivo do fiofó dos amigos dele.
2018 – 02 – 20 Fevereiro – A Próstata e as Lendas – Parte 2 – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br
A Próstata e as “Lendas” – Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 13 Fevereiro 2018.
20 fev 2018 1 comentário
A Próstata e as “Lendas”
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. Jordans, Filósofo do Apocalipse, conta que quando Deus Todo Poderoso moldava o barro ancestral num toque final de sabedoria profetizou: “Dar-te-ei duas bolas entre as pernas para te identificar macho e, para evitar que alardeies abusivamente tua macheza, dar-te-ei uma outra bola que te devolverá a humildade”! “E assim se fez a próstata e o homem veio com as três bolas, duas externas e uma interna como o fiel da balança. E Deus olhou a sua magnífica criação a sua imagem e semelhança. Observando a sua celestial volta com os outros seres do Éden com as suas fêmeas, Deus recolocou Adão na mesa de cirurgia e retirou-lhe uma costela com uma parte de filé mignon-alcatra e fez a primeira mulher – fez-se a Eva”. T. Jordans acrescenta que “Adão esgotado com as TPM, conversas e reclamações sem fim da Eva, incitada pela Serpente Comunista, criou o boteco, o futebol e o controle remoto da TV”. “E tudo ia mais ou menos em equilíbrio quando José Dirceu, alcunha da Serpente, convenceu a Eva a quebrar com o Paraíso e vieram as Dilmas”. Desde então a próstata é o calcanhar de Aquiles dos adãos de todos os tempos, inclusive dos genéricos e falsificados. Quem tem, Temer!
Crônicas & Agudas
Há quem tema mais o exame de próstata do que o PT teme o Sérgio Moro. Uns pelo trânsito digital num orifício que considera de saída e jamais de entrada. Outros temem a dor física, mas na verdade são assombrados pela dor psicológica. Há ainda uma leva generosa de criaturas com bolas entre as pernas que temem encontrarem a chave que abre o armário. É da sabedoria universal, que saindo do armário uma vez, não há caminho de volta. Para essa situação não há “Ex”. Conta-se que um policial mais dobrado que o “Chuazenega” baixou as calças, colocou a adaga e o tresoitão na mesinha ao lado da mesa de exames. O doutor apreensivo como cusco em tiroteio, suava como gordo entalado. O policial sacou e atirou com a boca: “Doutor do Céu se desconfiar que eu tô gostando do exame, me mate”! Outro passou no consultório de um amigo dentista e arrebanhou todo o estoque de pomada anestésica e aplicou tudo, mas antes tomou 5 Gardenal. Coisa de louco!
Cr & Ag
Outro ainda, conta que a patroa exigiu estar presente e negava-se explicar o porquê. Ele ruminava riscos de viadagem aguda. Torcia-se, gemia, urrava e mordia a fronha enquanto o doutor solene como bispo em enterro de ricaço dizia: “Só um pouquinho mais que eu acabo”! Desmaiando escutou da boca da patroa: “Tá vendo só como homem é frouxo, mulher aguenta muito mais pra ter um filho e aguenta rindo o que homem não aguenta chorando”! Quase morreu de desgosto. Não foi suficiente explicarem que a dor foi da hemorroida e não da próstata. Um gringo da Santa Izabel levava um pote de banha de porco batizada com hortelã para dar um frescor. Conta-se de um ex-machão que marcava reconsulta todo mês e dizia para a secretária: “Pois é querida, não convém facilitar” – suspirando! O Ibope revela inúmeros casos de paixonite aguda do impaciente pelo instrumento digital. Um ator da Globo exigia que durante o exame a trilha sonora ou música de fundo fosse Tico-Tico no Fubá e que o exame durasse toda a música com direito a bis e repeteco!
Cr & Ag
Relatam que um cubano, apelidado de Tchê Quevara, se especializou em exames com dois, três ou mais dedos. Alegava que necessitava de uma segunda, terceira opinião. Uma junta médica de dedos penetradores. Encostava no Paredón e vai dedo. Dedos! Há relatos que um especialista muito apegado a sua “virgindez” se autoexaminava. Outro avisou-me de dedo em riste e facão na cintura que Novembro Azul, mês do Exame de Próstata, não tem nada a ver com Trovão Azul o famigerado e fatídico ônibus-motel. Acredito! Jamais imaginei ao contrário.
2018 – 02 – 13 Fevereiro – A Próstata e as Lendas – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – http://www.edsonolimpio.com.br
MotoGay! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Série: Moto! Paixão Eterna. Crônica 17.
13 fev 2018 Deixe um comentário
em Crônicas & Agudas - O Livro!
MOTOGAY.
Minhas andanças pela política me ensinaram que se devem apoiar as minorias sem jamais ser contra as maiorias. E durante longos e fumacentos anos de motociclismo rodando pelo Brasil-abençoado-por-Deus e participando de encontros motociclísticos em cidades que nos custa enrolar a língua para poder dizer o nome, acreditava que motociclismo fosse coisa para homens.
O sujeito para andar de moto tinha que ser homem e macho. Mas com a passagem dos anos, a visão aumenta e o coração amolece. Passamos a conviver com grupos de motociclistas mulheres e também algumas valquírias solitárias pilotando suas motos. E muitas vezes melhor do que muito machão.
Parecia estranho, mas foi muito fácil aceitar. Pois encontrei homens na garupa de suas damas de aço. Num desfile Farroupilha causou muito rebuliço a vinda de Pelotas a cavalo de um advogado conhecido como Capitão Gay, inclusive com um companheiro travesti vestido (a) de prenda. Tentou acampar no Parque da Harmonia para celebrar a Semana Farroupilha, não conseguiu. Quase (?) levou uma surra, ou uma sumanta de laço na gíria gaudéria. O que para alguns teria sido bem vindo (a). Daí a recordar-me de um grupo ou mini-grupo que encontramos num encontro de Serra Negra – SP.
Os grupos motociclísticos adotam nomes tipo: Cavaleiros do Asfalto, Abutres, Falcões de Aço e assim vai. Os garotos (as) chamavam-se “As Libélulas do Asfalto”. Dois em uma Yamaha Virago e o chefe numa Harley-Davidson recuperada. Explico: dizia-se ano 81, mas com trabalho meticuloso de renovação e recuperação.
Era um início de noite e a praça central estava lotada, derramando motociclistas e curiosos pelas ruas laterais até o pavilhão de eventos. Adereços em motos é coisa comum, mas nunca tinha visto uma moto rosa-pink com filetes dourados. Banco de couro branco com franjas. Longas franjas. Botões dourados faziam o contorno. Sabe os cromados que uma Harley tem? Essa tinha o triplo. Tudo para combinar com a criatura de quase 2 metros de altura. E forte. Muito forte. Bem nutrido. Deve tomar muito leite e proteínas. Também vestido ou decorado em branco. Sobre-calças de couro branco com longas franjas e muitos arrebites metálicos, presa por alças metalizadas no cinturão com uma grande fivela da Harley e o símbolo de Paz-e-Amor. Uma jaqueta também de couro branco franjeada nos braços e nas costas. Essas jaquetas do modelo imortalizado pelo Elvis Presley. Gola alta. Toda trabalhada. Imaginem o resto. Pois ainda estava tentando observar os outros detalhes que esqueci de buscar a máquina fotográfica. Não daria tempo mesmo.
Fechou-se uma roda em torno deles. A estupefação inicial deu lugar a uma onda crescente de agressividade, principalmente de harleiros, a religião da Harley. E logo as ofensas tenderam à agressão física. Mas a valentia alimentada pelo álcool temia o tamanho da criatura. Ninguém queria ser o primeiro a “sair no braço” com a branca e gigante Libélula do Asfalto. Seus dois companheiros protegiam suas costas. Tudo muito rápido. Chegaram dois policiais e logo mais outros e outros. Um cinturão de proteção em volta dos agredidos. De alguma forma foram convencidos e “convidados” a se retirarem dali. Sumiram com suas motos escoltadas por motos de policiais. Uma vergonha. Lembro ainda que na jaqueta de um dos companheiros do gigante estava escrito em inglês: Woodstock – eu estava lá. Infelizmente não poderão colocar o mesmo desse encontro. Mas assim é a vida.
Para muitos ainda é difícil aceitar o diferente. Mas será tão diferente assim? Pouco tempo ninguém falava ou sabia do acontecido. Principalmente os “valentes” que são corajosos em turba e na língua. E o motociclismo também tem a sua lei do silêncio. Ninguém comenta acidentes e ninguém sabe de nada ruim. Nunca mais soube qualquer fato sobre novos grupos de motociclistas gays. O pessoal brinca em cochichos que uma revolução preparada por Pelotas e Campinas reunindo motos, triciclos e muitos “carros de apoio” vão tingir de rosa a Trans – Veadona, uma auto-estrada ligando aquelas cidades.
A liberdade individual é a primeira e principal dádiva do ser humano. E o motociclista é um modelo de liberdade. Respeitemo-nos!
Sabugo! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 06 Fevereiro 2018
13 fev 2018 1 comentário
Sabugo!
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cinema trouxe-nos as cenas de torturas orientais em que o bambu ou a taquara, espécie vegetal dotada de formidáveis características físicas e filosóficas para aqueles povos, sendo laminada em palitos ou estiletes e enfiadas sob as unhas da criatura visando que ela revelasse seus mais recônditos segredos ou as informações mais valiosas. As imagens mostram as pessoas sofrerem dores lancinantes e desafiadoras, onde os esfíncteres se abrem e a criatura perde o domínio primário de seu corpo. Tudo que é ruim ainda pode piorar. O torturador acendia uma chama na ponta externa que ia aquecendo e queimando o sabugo da unha. Todos sabem que as pontas de dedos são locais de poderosas terminações nervosas e extremamente dolorosas. Quem não sabe ou nem desconfia pode fazer o teste de dar uma martelada no dedo ou trancar o dedo na porta! Durante a Guerra do Vietnam aquela tortura foi intensamente usado pelo exército comunista dos vietcongs com os prisioneiros americanos.
Crônicas & Agudas
O sabugo da unha exposto pelo roedor de unhas torna-se um calcanhar de Aquiles nas pontas dos dedos e motivos de outras queixas geralmente não associadas pela mente do roedor compulsivo. Ao cortar as unhas, o efeito de atingir-se o sabugo é novamente a dor. A dor da extremidade digital, do sabugo da unha, tem como feroz competidora a dor do nervo do dente. Outra “arte” dos torturadores ou da anestesia incompleta durante um tratamento dentário. Mas o conhecido sabugo o milho está no repertório do povo, desde as cantigas até no imaginário popular. Depois de extraídos os milhos da espiga resta aquele cone esbranquiçado, o sabugo, de múltiplas utilidades e referências. Uma das utilidades desse repertório é para a higiene anal após a evacuação, mas há quem pregue que isso possa criar uma afeição ao sabugo e outra compulsão ou necessidade. Pois o sabugo também tem uma conotação sexual no caboclo rural como no expatriado para as cidades, daí ser mais um sinônimo do pênis.
Cr & Ag
Uma simpatia obscura apregoava que se colocasse um sabugo de milho – e dos grandes – sob o colchão do menino para que seu falo tivesse um espetacular crescimento e poder viril. Há quem carregasse um sabugo de milho por dentro das calças nas lidas sertanejas buscando alguma lei ancestral e perdida nas nódoas do tempo pela similaridade pênis-sabugo. As crendices populares sempre se ancoram em realidades, até fugidias, mas realidades e usos e abusos. Sempre terá alguma pilastra verbal apregoando: “quem não arrisca, não petisca”, “se mal não faz, mal não fez”, “na dúvida, não custa tentar”, “vamos em frente que de trás vem gente”, entre outras “verdades”. Daí que esposas cozinham as espigas inteiras para seus homens ganharem a energia que desde os incas está associada à força do milho, a vida vinda do Sol, e o poder do macho. Como toda a moeda tem duas faces principais, não há que subestimar efeitos antagônicos diante da crescente e avassaladora onda da multiplicidade de gêneros e dos sem qualquer gênero, número e grau.
Cr & Ag
Eis que já nessa breve ginástica de palavras e frases, sem ser o Visconde de Sabugosa do Sítio do Pica Pau Amarelo, o cronista emulsiona e realça o poder do sabugo. Qualquer sabugo usado para o bem e para o mal. Enfiado, esfregado ou dilacerado – sempre sabugo! Daí que a outra similaridade ou analogia do samba enredo da conjuntura brasileira, desde os milhões de desempregados, aos ferrados no sabugo, aos que estão levando ou com medo de levar um sabugo ou no sabugo pelo Doutor Moro e seus associados contra o crime…
2018 – 02 – 06 Fevereiro – Sabugo – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br



