Um Mundo Instantâneo! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 15 maio 2018.

 

clip_image001Um Mundo Instantâneo!

U

ma das melhores (poucas?) vantagens da idade é lembrar-se, quando possível, da evolução de nossa vida, de nossos hábitos e costumes e da ‘balaca’ verbal de políticos, imprensa e assemelhados. Inicio essa crônica com a memória ativada pelo Leite Ninho Instantâneo. Meus pais acharam fantástico. Que coisa maravilhosa juntar água ao pó de leite e num flash ali estava o leite Ninho pronto para ser deliciado, sem precisar do exercício de mãos e braços batendo o leite aos poucos com água e sem deixar empelotar. Economia de tempo e de esforço. Mas eu gostava tanto daquele mingau que ficava o leite em pó batido que perdi algo bom para mim. O mesmo aconteceu com o Toddy Instantâneo. Era só juntar água e o Toddy ou Nescau e beber. Simples demais. A magia de ligar um rádio ou uma televisão e esperar as válvulas aquecerem e daí ter o som e a imagem nascendo de um parto natural acabaram com o transistor em que ligou e já funcionou – era mais que uma cesariana eletrônica, se me entendem.

Crônicas & Agudas

Isso aconteceu com a informação. Era legal esperar semanas para assistir os golos do Flamengo e do Botafogo no jornal do cinema. O pessoal viajado cantava marra sabendo os desfechos das novelas no Rio de Janeiro quando aqui a trama ainda estava no auge. Na vida de todos nós, o namoro, noivado e casamento encurtou-se tanto que virou sexo casual e ocasional e a mística do matrimônio virou algo como o casamento da Rapunzel ou da Cinderela – um conto de fadas. E a ‘maldita’ globalização atropelou a turma contrária ao conhecimento e ao desnudamento do mundo. A safadeza jamais seria a mesma. O Estado Islâmico se existisse durante os governos militares estaria idolatrado e seu pessoal estaria recebendo polpudas ‘indenizações’ pelo resto de suas longas vidas. Acabaram com os filmes das máquinas e tudo virou digital, num clique veio a instantaneidade e a sua transmissão pessoal e mundial.

Cr & Ag

A mentira começou a ter as pernas mais curtas, não tanto quanto as mentes daqueles que nelas precisam, necessitam ardorosamente acreditar e persistir na idolatria. Ia-se num orelhão e colocavam-se incontáveis moedas e tão logo se iniciava a conversa caía a ligação. Pouco antes disso, solicitava-se a uma telefonista uma ligação para Porto Alegre. Hoje a espera daria para ir à Brasília de avião. Coisa incrível o que esses liberais e capitalistas fizeram com o mundo, como dar telefone, computador e essas magias para uns e pesadelos para outros da vida instantânea. A revolta se estampava nos ‘movimentos populares’ de ‘Fora Globalização’ e similares. Incrível que até a Justiça, apesar do Gilmar Mendes e genéricos, se desenroscou, desenovelou e está se informatizando e os processos se agilizando. Logo os processos de duram 15 ou 20 anos estarão durando breves 10 anos e alguns meses.

Cr & Ag

A tela do celular e da TV ou do computador escancaram a podridão que se acomodaria numa fossa sem fundo de algum escaninho legal. O poder teme a luz. O poder teme ser desnudado e ter a mostra seu corpo infectado e infeccionado, transmissor da virulência de seus atos. Veja o caos maligno da Venezuela bolivariana de Chaves, Maduro e dos irmãos Castro. Tudo seria ‘mentira do imperialismo ianque’ se não houvesse uma simples Roraima brasileira e parcialmente nutrida pela sofrida democracia brasileira. A chaga seria uma ‘mentira’ como atestava do alto de sua relevância uma grande autoridade universitária ancorada nos organismos internacionais (sic). Sérgio Moro, Tribunal Federal da 4ª. Região em Porto Alegre e tantas outras autoridades nos ensinam que nem tudo está perdido e que apesar das dificuldades a lei pode prevalecer e que estaremos assistindo quase que instantaneamente seu desenrolar. E essa luta depende de cada um de nós que sustenta esse Brasil de criminalidade crescente e ladroagem sem temor das leis.

2018 – 05 – 15 maio – Um Mundo Instantâneo – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

www.edsonolimpio.com.br

P31 - A Culpa é do Gato

“Relaxa e goza” – “Estuprou, mas não matou” – Roubou, mas fez”! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 08 de maio 2018.

 

“Relaxa e goza!”

“Estuprou, mas não matou!”

“Roubou, mas fez!”

Nas minhas viagens para locais distantes do torrão setembrina, da lendária Viamão Primeira Capital de Todos os Gaúchos, cultivo o hábito de locomover-me muito de táxi, ou de metrô, quando disponível. Conversar com taxista tem algo de especial pela sua visão de uma cidade e de um povo diverso na sua essência. É uma forma de comparar a bronca em que vivemos com a bronca dos outros. Parece, para uns, que o traseiro dos outros está mais sujo que o nosso e que os nossos problemas são até menores. A conversa de pacientes em sala de espera é mais ou menos assim, muitas vezes. Havia uma frase simbólica de Paulo Maluf e associados-postes: – Rouba, mas faz! Ouse perguntar: – Como assim? Mas não é ladrão? O taxista esboça aquele sorriso de autoridade pública, de quem sabe avaliar e dar nota para aquilo que os demais mortais não enxergam. Coloca a bola na marca do pênalti e enche o pé, digo, a boca: – É tudo gato, ladrão da pior espécie, mas tem aquele que faz alguma coisa e outros que só roubam e nada fazem. Assim sendo, estaria desculpado e indicado para uma nova eleição. E na soberba o “motora do táxi” ia mostrando os feitos do seu ladrão predileto: – Tem esse viaduto. Aquela elevada. Essa escola. Etc.

Crônicas & Agudas

Já numa esticada de táxi na Argentina, o castelhano foi mais radical: – Tenemos que matar-los todos! Algo assim. A pátria da jabuticaba deve ser diferente do resto do mundo. O nosso comunista tem a fórmula para que o comunismo que não deu certo em nenhum lugar da Terra, aqui será a solução de todos os velhos problemas. E até daqueles do porvir. O socialismo tupiniquim do FHC, esgrimido na crescente de Mensalão e Petrolão do Lula, estuporou-se na obtusa mente da Dilma e corre como cachorro cego em tiroteio com o Temer. E a canalha se candidata. Pior, se elege e uma tropa de parasitas e aproveitadores lhe acompanha nos holofotes do cargo e nas sombras da ladroagem e da corrupção desenfreada. É malufiana (de Paulo Maluf) a frase: – Estupra, mas não mata! Outros a atribuem a conhecida defensora da bandidagem. Pense na situação em sua família (“Quem tem, teme”!) em que haja um estupro! Contam que durante uma defesa do seu cliente um causídico: – Fulano até matou, mas em defesa própria e sem requintes de crueldade como os outros…”

Cr & Ag

A Marta, do sobrenome Suplicy como grife (?), é mencionada como a autora da orientação: – Relaxa e goza! O socialista brasileiro é o cara em que a pimenta só arde no dele, nos olhos dos outros é pura festa, regozijo e direito humano dele. Como alerta o Pastor Silas Malafaia, essa turma não descansa até a destruição da família. Um jornalista da Guaíba, contra-ponto do Mendelski, protagoniza a defensoria da liberação das drogas como solução para diminuir a violência e a criminalidade. E cita países numa ideação que seria maluca se não fosse mau intencionada e safada. Alerta: – tem que tentar fazer diferente do que se faz e não deu certo. O mesmo não vale para a liberação de armas para o cidadão tentar sair do corredor da morte, num país com mais de 60 mil mortes por ano. Onde desde 2003, o governo Lula decretou, contra vontade popular, a pena de morte para os cidadãos honestos, impedindo a defesa natural da vida e da propriedade ameaçadas elos criminosos. Observe como defensor de bandido, adulador e protetor de criminoso, ativista de direitos humanos, é contra o cidadão honesto, sua família e aquilo que adquiriu com o seu trabalho. Pense! Entenda! É necessário, pois a história nos mostra que estamos escolhendo piores políticos a cada nova eleição. Infelizmente!

2018 – 05 – 08 maio – Rouba mas faz – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

www.edsonolimpio.com.br

P27 - Gauchão

Prozac – Viagra Cycles! Edson Olimpio Oliveira. Série: Moto! Paixão Eterna. Crônica 23.

 

 

PROZAC / VIAGRA – CYCLES

 A Terapia Definitiva

 

 

O quadro pendurado na parede traduzia: – Não há nada que um dia de motocicleta não cure.

 

Planeta saturado de gente. Estradas entupidas de veículos. Lixo por todo lado. Banditismo desenfreado. População assoreada por dezenas de impostos, taxas e outras rapinagens legais, mas imorais. Saúde? Sem saúde. Emprego escasso. Salários microscópicos. Pessoas desarmonizadas. Famílias em sofrimento.

 

Esse quadro, longe de ser a expressão surrealista ou um pesadelo, reflete uma realidade. Cada vez mais o ser humano busca o falso conforto químico em drogas lícitas ou criminosas. Quando em adequado tratamento médico os efeitos são benéficos. Mas o ser humano continua a buscar alternativas na religião e em outras modalidades terapêuticas. É aí que se encontra a mais fantástica criação do homem: – a Motocicleta.

 

As Sagradas Escrituras confirmam a nossa semelhança com Deus. E como num momento de divina percepção Deus criou a Mulher, coube ao Homem tentar igualar-se. E para muitos, a motocicleta é uma mulher com duas rodas que não nos impede da sagrada cervejinha – para uns. Leva-nos para onde queremos e sua voz é sempre doce aos nossos ouvidos. E o melhor de tudo na vida é ainda permitir ao homem ter a motocicleta e a mulher ao mesmo tempo e nessa ordem.

 

A motocicleta é a terapia definitiva. Em sua presença estamos ou buscaremos a paz e a harmonia. E nenhum terapeuta será eficiente com seus pacientes se não realizar sua pós-graduação numa moto. Para isso, convidaremos o Dr. Antonio Veiga, brilhante psicólogo e emérito professor de várias e conceituadas universidades, para desenvolver essa tese para mestrado e doutorado. Pois o Dr. Veiga é outro grande motociclista.

 

 E a primeira aula terapêutica será banhar-se com essa donzela de curvas estonteantes. Prepare-a sempre como uma noiva. Aqueça-a sempre como na primeira vez. Sem pressa. Abra seus olhos ligando o farol. Encaixe-se nela. Pernas enlaçadas. Ajuste o capacete e como toda a dama merece ser tocada com luvas, coloque-as. Teste seus reflexos, algumas são muito excitáveis e rápidas. Então sinta mais as batidas de seu coração. Acelere e tome alguma estrada. Sinta o vento. Aspires os odores que se multiplicarão em seu percurso. Sinta o mundo a sua volta. Aperceba-se da natureza e veja como você faz parte dela. Em integral contato com ela e até a chuva serão lágrimas de felicidade do universo a lavar seu corpo e os problemas da vida. Observe como os outros seres humanos enjaulados desejariam estar como você e a moto.

 

Os quilômetros vencidos e vividos também representam o afastamento do sofrimento e o renascer da harmonia e da paz interior. Toda viagem tem o destino do equilíbrio entre o homem, a mulher, a moto e o universo. Talvez aí esteja o maior perigo que atribuem à moto, pois é no silêncio de nosso capacete que conversamos profundamente com a vida. É nesse falso isolamento que respeitamos e pudemos apreciar as maravilhas da vida e da liberdade. Vida e liberdade! E a moto aproxima e reaproxima. Novos amigos sempre estarão presentes. O amor com a mulher se desnudará com esse triângulo amoroso consentido: homem-mulher-moto. É o afrodisíaco definitivo.

 

O motociclismo é a terapia ideal em qualquer mal do corpo.     Ou da alma.

 

Motociclismo é um estado do espírito que renova e valoriza a vida. E ser ou sentir-se um motociclista é respeitar a sua vida e principalmente a vida dos outros.

 

 

Publicado:

2018 – 05 – 15 maio – Site e Facebook.

 

Série: Moto! Paixão Eterna. Crônica 23.

 

 Moto - Paixão Eterna - 23 - 2017 - Dakar

Os Pilares da Terra de Ken Follett.–Maio 2018.

 

O ‘grande primo’ Sílvio Terra de Oliveira, amado e querido como o Sílvio Boca emprestou-me essa magnífica obra de Ken Follett – Os Pilares da Terra. São quase mil páginas de espelhamento da alma humana com as suas qualidades e as suas perversidades e perversões. Mostra-nos as entranhas da sociedade da épocae, particularmente, revela os meandros corrosivos da Igreja. A leitura voa e logo se está com um suspiro de “"’acabou, que pena’! Beleza!

digitalizar0001digitalizar0002

A Odontologia já foi assim! Série 13

Enviado do meu smartphone Sony Xperia™

DIA DAS MÃES!

Enviado do meu smartphone Sony Xperia™

“Trupiquei no Toco”! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 24 maio 2018.

 

“Trupiquei no Toco”!

 

A

 palavra do homem retrata a sua experiência contada e acumulada em prosa ou verso. Daí também se entenda “o homem”, ser humano, como o coletivo, a humanidade ou a comunidade. Somos embalados e assediados por esse tipo de conhecimento, essa forma de percepção dos fatos e das pessoas e somos instigados a usar e abusar desse entendimento ou dessa visualização. E o vocabulário das pessoas no dia a dia pela batalha da existência não é dourado pelos vocábulos ou palavras ornamentadas dos eruditos de plantão ou pelo preciosismo como de membros do Olimpo do judiciário brasileiro. Dar topadas ou tropeçar vem sem engasgos ou brancos de memória como “trupicar” e todas as derivações desse verbo popular e bem acolhido na nossa linguagem de se fazer entender e evoluir. Caminhe pelas calçadas e passeios de Viamão City e trupicar não será somente uma figura da linguagem cotidiana, será um exercício de sobrevivência. Evitar detonar o megalomaníaco dedão do pé, solenemente chamado de hálux, que poderia ser nome de filho de político. Assim como evitar as quedas e as consequente filas do SUS para quem não é aquinhoado, abençoado com as maravilhas da Medicina do Hospital Sírio Libanês, tão distante da imensa maioria dos mortais.

Crônicas & Agudas

Todos já trupicaram, tropeçaram e deram topadas. Até de arrancar a unha magna. O Torneio Roberto Gomes Pedrosa era um campeonato de futebol que precedeu o Brasileirão. Inter e Grêmio disputavam seus jogos no abandonado Estádio Olímpico. Lá estava eu na longínqua juventude. Havia um degrau e uma valeta rente ao alambrado da arquibancada popular e o pessoal do sarro ou da gozação tinha um rito: gritava algum nome (Zeca, por exemplo) e sempre alguém virava automaticamente a cabeça para a direção do berro, mesmo que não fosse seu nome. E assim trupicava e caia, derrubava outros ou saía “tastavilhando” (outra formosura da linguagem). O pessoal se divertia mais do que com o jogo. É quase uma regra que exploda a risada quando alguém dá uma topada em qualquer coisa.

Cr & Ag

No corte do mato, o trabalhador deixa aqueles tocos apontados para o céu, como a orar pela dor de sua morte. Alguns pela morte temporária, pois iriam brotar e renascer. Ao menos até novo corte. Muitos tocos eram incendiados, queimados. Outros seriam arrancados pela força dos braços ou pelo poder do trator. Frequente, aos menos atentos ou aqueles em que os olhos até deixaram de apreciar as belezas da vida, trupicarem nos tocos. Trouxemos o tropeçar real para as formas mais simbólicas. Tropeça-se nas palavras. Trupica-se em atos e atitudes. As dificuldades fazem as topadas serem mais frequentes e dolorosas. Um amigo trupicou numa mulher linda por demais e deu-se o crime do padre Ermengardo. A paixão anabolizada pela testosterona sacode o coração e cresce na cueca. Coisa medonha para uns, especial para outros. E a trupicada se repetiu num aquecido embate nos lençóis. O resto será tema de alguma outra crônica.

Cr & Ag

O Supremo Tribunal comandado pelo histriônico Gilmar Mendes tem trupicado abusivamente na ética e na moral pretendida e tem sido um exemplo vergonhoso daquilo que um Supremo tribunal de qualquer país democrático e civilizado jamais deve ser. Essa gente trupica no povo, como se nós fôssemos somente um toco a atrapalhar sua caminhada onírica (pesadelo para nós que não somos obsidiados ou mamadores). E nós eleitores que continuamos trupicando em tocos que até em postes se transformam (vide Dilma para os mais alheios). Trupicamos elegendo e perpetuando essa escória corrupta (palavra leve para o pior ladrão).

2018 – 04 – 24 abril – Trupiquei no Toco – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

http://www.edsonolimpio.com.br

P26 - Nosferatu

A Odontologia já foi assim! Série 14

Enviado do meu smartphone Sony Xperia™

Perfeccionismo & o Diabo e o Nariz do Filho! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Série: Moto! Paixão Eterna 22.

 

Perfeccionismo

&

o Diabo e o Nariz do Filho!

 

                        Existem criaturas tão meticulosas naquilo que fazem que nos causam preocupação. Um amigo de um amigo meu cultiva um bigode, isto é, um projeto de bigode já que ele pertence a um grupo de homens em que os cabelos escassos tentam encontrar os cabelos inexistentes. Disse que nunca seria cliente do fantástico Panca, o barbeiro, porque ele não tem bigode e logo não saberia cuidar do seu. Os fios são aparados com régua milimétrica e tem o mesmo número de cada lado.

 

Tenho um outro amigo motociclista que quando se dispõe a lavar a moto é como se acontecesse o juízo final. Tem que se apresentar o mais limpo e puro possível. E ele se dispõe freqüentemente porque ninguém lava como ele.

 

— E ainda esses lavadores são todos descuidados, jogam água dentro do escapamento e no carburador, passam pano sujo, sentam no banco e outras promiscuidades. – dizia. Imaginem alguém limpando uma moto de cotonetes, pois então estão vendo o homem. Se alguém achar uma molécula de poeira, ganha a escolher: uma cesta básica ou um Chevette ’76.

 

 

                        Mas contam os iniciados que na aurora dos tempos, isto é, no começo do mundo, o diabo também morava no paraíso. E ainda não havia as brigas com o Criador. O mundo era mais pacato e harmônico, pois a Eva ainda não era nem projeto. Continuando, o diabo, certo dia, estava na varanda de sua mansão infernal tomando um bom chimarrão com erva mate sem agrotóxico e conversando em alegre bate-papo com outros diabos.  A criançada, digo, os diabinhos estavam brincando: uns de triciclo, outros de faz-de-conta sendo políticos no Brasil, outros de pivetes, outros ainda como diabos-de-guarda de políticos, etc.

 

Então que o diabo velho-chefe observou o nariz de seu filho predileto. E não achou um nariz condizente com a importância e a origem do diabinho. Determinou a um cupincha que levasse o nariz e o filho para o hospital e o internasse. Mesmo com a crise infernal do hospital com emergência lotada, SUS, macas nos corredores e falta de dotação orçamentária, convênios caloteiros, o prestígio e autoridade do chefe prevaleceram e o menino foi internado numa suíte presidencial. Convocou um anestesista demoníaco e como não confiasse nos cirurgiões-diabos-plásticos infernais, resolveu ele mesmo operar.

 

Planejou no computador todos os traços que julgava perfeitos para o dileto rebento. E se bancou a operar. Foi a primeira cirurgia plástica da história. A segunda foi o esquema da costela do Adão que foi transformada em mulher e que ainda tem gente até hoje tentando repetir o feito… E o diabo continuava operando. Era bisturi para tudo que era lado. Até transfusão de sangue. Volta e meia ele parava e observava a sua obra e ainda insatisfeito com o resultado, reiniciava tudo de novo. A platéia observava sem expressar qualquer desaprovação, ao contrário, eram palmas e foguetes. Apesar de todos, até os cegos, verem que o resultado era cada vez pior, a luta, digo, a cirurgia continuava. E quanto mais mexia, pior ficava. E assim foi… Pior?

 

E que isso tenha serventia para todos nós.

 

 

                        E assim temos companheiros motociclistas que fazem verdadeiras cirurgias plásticas em suas motos. Alguns são verdadeiros artistas. Mas como o conceito de beleza é algo muito pessoal, o resultado das suas operações pode causar risos e constrangimentos. Tem irmão de custon que pilota verdadeira árvore de Natal. Outros, geralmente jaspion ou speed, pintam suas rodas com as cores mais infernais. O pessoal das 250 às 500cc monta rabetas, aerofólios e “pinturas especiais”.

 

 

                          A Emoção é uma ditadora implacável em nossas vidas, deixando sua irmã Razão, geralmente, na poeira da estrada. (T.J.)                  

Moto - Paixão Eterna - 22 - 2017 - Egito

Dormindo nas Palhas! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 17 abril 2018.

 

Dormindo nas Palhas!

“

O Diabo tem todas essas qualidades (ou defeitos) não é somente por ser Diabo, mas é também porque ele é muito velho. Está aqui desde antes do começo do mundo”, é outra dessas pérolas da sabedoria popular. Muitos de nós desconhece, não sabe ou nem imagina o que significa o título acima – Dormindo nas Palhas. Alguns pela idade avançada, seres longevos, outros pela exploração continuada das páginas dos livros perscrutando mundos sonhados e imaginados, ainda aquele que nos bancos escolares se apaixonaram pela história e vararam o conhecimento humano conhecem-na. Está a palha em suas mais variadas origens e apresentações acompanhando o homem na sua caminhada no planeta. No vestuário, como os chapéus de palha. Na proteção e embalagens de alimentos – a velha rapadura de melaço. No ritual do fumante ao sorver seu palheiro ou cigarro de palha. E nas moradias do homem e de seus animais – móveis e revestimentos dos pisos.

Crônicas & Agudas

Certos mosteiros ofereciam salas coletivas para o sono, descanso e alguma sopa para os viajantes e alguns abandonados. Raramente o piso não era somente de terra, que recebia uma camada de palha seca para o singelo conforto das criaturas. Camas? Luxo dos abonados e dos nobres de berço ou de espada. Ao amanhecer a palha era recolhida e amontoada próxima ao permanente fogão aceso ou em algum estrado de madeira. As casas eram de chão, de terra nua. Inclusive as paredes – pau-a-pique ou de tapumes. Nas vilas as pedras custavam muito caro, assim como os tijolos de barro com estrume e palha, etc. As pessoas dormiam amontoadas nas suas humildes casas, inclusive com os animais. A necessidade do calor aproximava os corpos. E a palha ali sempre esteve. Inclusive nas masmorras, muitas abaixo do nível do solo, paredes de rochas, ausência de luz natural e muita humidade. A ausência da palha e a sua substituição trazia um maior e mais penoso pesadelo ao encarcerado que devia sobreviver com seus dejetos e a água com o frio e logo as doenças.

Cr & Ag

O homem, em contínuo aperfeiçoamento, aprisionou a palha em sacos que deram origem aos colchões. Aos dominantes, os colchões eram das mais macias plumas. Os estrados se transformaram em camas e berços com a técnica dos artesãos para o maior encantamento. Dormir num colchão de palha seca era tudo de bom. O gaúcho trouxe o pelego que aquecia e protegia seus glúteos sobre o espinhaço do cavalo para a sua cama de todo lugar. Para dormir, relaxar e amar! Um couro bovino curtido poderia ser usado por baixo do colchão para protege-lo da humidade. Era comum aqui em Viamão City ou na área rural que nos dias de bom sol, os colchões fossem colocados ao sol e vento para secarem da urina escapada, como de outros fluidos corporais. Os índios americanos aproveitavam os formigueiros para ali colocarem suas roupas e usos de cama, assim as formigas “limpavam” das pulgas, piolhos, muquiranas, etc.

Cr & Ag

“Dormir nas palhas” também significa bobear, passar do ponto, perder a jogada. O juiz Moro determinou que o Lula condenado tenha as melhores condições de encarceramento que os 99,99% dos apenados do Brasil em condescendência ao seu cargo de ex-Presidente do Brasil. Essa benevolência hoje parece legal pelo perfil da humanidade atual, no entanto, quantos milhares de brasileiros definham em leitos de pedra, cadeiras de rodas, filas intermináveis sob as intempéries ou sepultos em cova rasa em algum cemitério de periferia pela omissão e deliberada cegueira (se fosse somente isso) pela roubalheira mafiosa, articulada e executada a sua volta? Ou aos bilhões de dinheiro “doados” para seus “governos amigos” que também fazem falta da mesa à cama dos brasileiros? Certamente ele não dormiu nas palhas e nem dormirá!

2018 – 04 – 17 abril – Dormir nas palhas – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

http://www.edsonolimpio.com.br

P25 - Coringa

Entradas Mais Antigas Anteriores Próxima Entradas mais recentes