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A Tarrafa! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 10 abril 2018.
16 abr 2018 Deixe um comentário
A Tarrafa!
[“Há dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu…]
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entia-me deslumbrado e um tanto apaixonado ao vislumbrar uma cadência mágica do pescador arremessar a sua tarrafa que se abre como um véu de noiva (outra designação popular da tarrafa) ao vento e cai sem estrépito na água indo num mergulho suave juntar seus braços vertebrados pelo chumbo com a prisão dos peixes e de outros seres aquáticos. Tanto do homem solitário e silencioso numa margem quanto de vários que se alternam num bailado som a luz do luar ou ao cintilar da espuma cravejada pelo sol. Há Oliveiras caçadores e/ou pescadores. Todos Colorados! Seu Aldo era um desses modelos de Oliveira que mesclava a disciplina do velho Olympio com a doçura da vó Celina. Pescava em rios, lagoas e no mar. Cada época com seus peixes e seus instrumentos – caniços, carretilhas, redes das mais variadas, arrastões, espinheis, fisgas e… tudo que a imaginação cativasse. Nunca foi um tarrafeador de sua predileção. Eu já enveredei por esse meandro e jogava uma tarrafa nota seis. Na minha rua havia o Seu Jorge, o Jorge do Armazém, que jogava uma tarrafa sem igual. Tarrafa grande, de profissional e dos bons, nota 10. Abria a rede num círculo perfeito – ensinou-me no gramado – ou ao comprido num rio, num valo ou em alguma água povoada de tocos de árvores.
Crônicas & Agudas! – Cr & Ag
Nas barras, como em Imbé, Torres e Laguna, sentava-me em alguma pedra ou simplesmente me deixava encantar com essa arte que enobrece o seu ofício e eleva o pescador ao doutorado como tarrafador ou tarrafeador. Admirável. O que a tarrafa recolhe no seu amplexo? Desde as algas e restos locais aos mais variados seres das águas – siri, mariscos, peixes com e sem escamas, invertebrados. “Caiu na rede é peixe” – diz uma expressão popular. O bom pescador escolhe a malha adequada da rede para livrar os filhotes e sempre retorna à água aqueles seres que não servirão de alimento. A pescaria jamais deve ser para ostentação ou regozijo pueril. No entanto, a pescaria traz surpresas enroladas e emaranhadas e assim foi quando os pescadores retiraram das águas a Nossa Senhora Aparecida. Os exemplos se somam e iluminam nossa fé e nossas crenças de que o Pai Celestial pode tocar aquele véu ou aquele entrelaçado de fios em rede.
Crônicas & Agudas! – Cr & Ag
Tarrafear ou tarrafar! Metáforas e analogias! Um amigo dono de farmácia me ensinava: – “A tarrafa está sempre me pegando. Eles até sabem que eu sei. Só trocar de empregados não tem resolvido. Descobri que a tarrafa pode pegar, mas não pode acabar com a pescaria. Se me quebrarem é ruim pra todo mundo”. Um amigo, namorador de dar inveja ao Don Juan, colocava um Correio do Povo (jornal que nos áureos tempos era de mega tamanho) na axila esquerda e saia para tarrafear a noite nas sombras do litoral de Cidreira. Certo manhã, meio desconsolado, assim como quem recebe uma intimação de pensão alimentícia, se lamuriava: – “Tarrafeei toda a noite uma morena tomada de belas curvas, com os peitos batendo continência pro general e terminei com uma amiga dela, meia petiça e quase anoa nos cômoros atrás do Beira Mar (hotel)”.
Crônicas & Agudas! – Cr & Ag
Assim todos somos pescadores. Ele, o Cristo, foi um “pescador de homens”. A polícia pesca o tempo todo. Lança anzóis, arma redes. Estende espinhéis e arremessa tarrafas. Numa dessas tarrafeadas da polícia veio um doleiro enredado e outras criaturas perigosas. E as tarrafas continuaram a serem jogadas e veio finalmente uma lula. Na natureza a lula é um ser das profundezas, emerge das sombras, é um predador terrível. Eu já acredite, escrevi, elogiei e admirei Lula-homem e torci pela sua cura do câncer e da enfermidade moral que se exteriorizava virulentamente. Infelizmente perdi. Nós perdemos. As pessoas, ao morrer, podem doar seus órgãos para a saúde de outros. As criaturas nobres doam dignidade e exemplos de Luz e Amor para a humanidade e atos que mudam a história e nos elevam no patamar civilizatório. Lula-homem enredado na tarrafa da lei e da honra nos deixará a dor de sermos traídos e traídos constantemente sem a dignidade de reconhecer seus erros e pedir o perdão envergonhado. É triste demais!
2018 – 04 – 10 abril – A Tarrafa – EDS Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
2018 – Abril–Luiz Alberto Fernandes Soares – Médico, Historiador, Militar, Presidente da Sobrames/RS, Ex-Presidente da Sobrames Nacional.
16 abr 2018 1 comentário
em Amigos e Colaboradores, Colaboradores
Capas e contracapas de livros do brilhante e incansável Dr. Luiz Alberto Fernandes Soares (LAF Soares), médico, escritor, Coronel do Exército do Brasil, Presidente (Eterno) da Sobrames (Sociedade Brasileira de Médicos Escritores) do R. G. do Sul e um batalhador exemplar pela literatura e pelo resgate e amplo reconhecimento de Médicos e de Médicas.
O Gênio Inventor! Edson Olimpio Oliveira. Série: Moto! Paixão Eterna. Crônica 21 – abril 2018.
15 abr 2018 Deixe um comentário
em Crônicas & Agudas - O Livro!
"SAIBAM TODOS QUE LEREM ESTAS CRÔNICAS QUE EXISTIU UMA ESPÉCIE FANTÁSTICA DE HOMENS QUE PILOTAVAM MÁQUINAS MARAVILHOSAS CHAMADAS MOTOCICLETAS QUE RASGAVAM ESTE PLANETA COMO COMETAS RASGANDO O MANTO NEGRO DO CÉU".
O GÊNIO INVENTOR.
Existiu em Viamão City um misto de motociclista e gênio. Leonardo da Vinci perto dele seria um aprendiz. Foi forjado a sangue, suor e graxa. Discípulo dos famosos mecânicos Pazzetto e Paulinho da Vimoto. Virava noites descobrindo os segredos desta namorada única, a MOTO.
Foi campeão de moto-velocidade em Tarumã. O melhor piloto da região metropolitana da Grande Viamão, território compreendido entre Chuí-Vacaria-Pinhal-Uruguaiana. Criador da 1ª moto com aerofólio e suspensão tri-amortecida, com três garfos, além do garfo da mochila. Certa feita, só não participou da Procissão de Navegantes por implicância e perseguição dos Bombeiros que não permitiram sua MOTO-ANFÍBIA… Mas tudo isso fica para outra vez.
Ah! O nome da figura? É conhecido pelo apelido de COLHUDO NOVO. Seu pai é o… VELHO. Gaúcho de quatro costados. Então o NOVO terminou de preparar um híbrido, um mutante. Uma moto transgênica. Um misto de XLX 350+Intruder 1400+Zanella. Por sinal, a Zanelona foi presente do Zavarize, recuerdos da sua juventude, e a Intruder uma doação do Linhares.
A motona estava linda que nem ceva gelada em dia quente, admirava o pessoal no Bar Point. E o COLHUDO NOVO trepou nela com vontade e saiu rasgando com todo gás aberto. Desceu o Fiúza, enveredou pelo Passo da Areia e fez uma primeira parada no Bailão do Valdeci onde se abasteceu. Explico: abasteceu-se com três loiras suadas. E deitou o cabelo de novo. Capacete só usava como ferramenta de trabalho em baile de chope – CANECO. Depois de muito passear e namorar no Lami e em Itapuã, viu a noite chegando. Resolveu voltar para Viamão City cortando caminho pelos campos da Varzinha. E vinha frouxo como rédea de cavalo de circo várzea à fora numa noite linda, de lua cheia e céu estrelado. Dessas noites de correr égua nas coxilhas e desentocar rinchão a pauladas. De repente, a INTRUXLXELA 1850 1/4 começou a tossir, arrotar, espirrar, engasgando e se traqueando toda. E o motorzão apagou de vez.
Abasteceu o seu tanque de cerveja e esqueceu a gasolina da moto. Abriu torneira reserva, mas a gasolina durou pouco. E aí? No meio do campo, de noite! Olhou para os lados e viu uma luzinha fraca do tambo de leite do compadre Abreu. Deixou a moto e foi a pé. Lá chegando, bem recebido, encontrou o Abreu ordenhando as vacas. A Rural Willys sem uma gota de gasolina, o trator sem óleo e os candeeiros quase sem querosene. O que fazer? Como era homem cumpridor dos tratos, pegou emprestado um tarro com uns 20 litros de leite e levou à moto. Desceu a sacola de ferramentas que sempre carrega consigo e começou a trabalhar na máquina. Nem precisava de luz de tão clara que estava a noite. Depois de mais ou menos 3 h, derramou o leite no tanque e… Bateu pedal. Nada!
Sangrou o carburador. Outra regulada e uma prece para São Cristóvão, homem de fé, ex-coroinha do Padre Bernardo Machado. Bateu pedal a fusel e a bichona estremeceu, rugiu e pegou. O motorzão não estava muito redondo, pois faltavam umas ferramentas especiais. Montou e saiu contente várzea a fora. Depois de alguns quilômetros notou um ruído estranho, esquisito mesmo: schepp . . . schleppp. . . schleeppp. Como a noite era muito enluarada, pensou primeiro em assombração. Fantasma. Gaúcho corajoso não se intimidou.
Olhando para os lados, viu atrás de si um rastro no caminho da motona. Um risco amarelado brilhando na grama escura e refletindo-se no luar. Parou. Pensou consigo e disse em voz alta: — mas tem que ser. Passou o dedo naquela coisa que saía pelo escapamento e riscava a grama. Levou o dedo à boca: — MANTEIGA! MANTEIGA!
Ainda disse que o gosto não era todo normal, pois se misturou com restos de gasolina. Aproveitou enchendo um saco plástico para vender no Bar do Napoleão…
Acredite, se quiser!
Crônica 21 – Reeditada em Abril 2018 na Série: Moto! Paixão Eterna.
Coceira no Lombo! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 03 abril 2018.
07 abr 2018 Deixe um comentário
Coceira no Lombo!
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a minha infância, eu acompanhava meu pai Aldo nas caçadas de marrecão e nas pescarias. Gostava de observar a natureza e a vida dos animais. Era curioso como o gado se acotovelava em algum lugar do campo e, particularmente, nos prenúncios de tormentas, a boiada se comprimia paleta contra paleta e buscava algum tipo de refúgio como num capão de mato ou na revessa de uma malha de taquareiras. Sentia a apreensão nos mugidos e no olhar dos bois, das vacas e, principalmente, o abrigo que os bezerros buscavam dentro do grupo e jamais ficavam pela periferia. Também apreciava os bois e cavalos se coçarem num moirão de cerca ou contra alguma árvore. As árvores ficavam descascadas, marcadas, indicando que ali era um bom local para se coçar. Até alguma ponta de arame de alambrado, de aço, servia para algum animal se esfregar. Eles me avisavam para passar longe das aroeiras, pois poderia dar alergia. E alergia da braba! E me imaginava se seria bom coçar a alergia da aroeira em algum tronco de eucalipto, por exemplo.
Crônicas & Agudas!
Meu pai me dizia que os bugios, na época haviam em grande quantidade em Itapuã, se coçavam como os bois e os cavalos e também um coçava ao outro. Por vezes fazendo uma fila de bugios se coçando. Confirmei isso ao vivo no Zoológico e pelas imagens da TV. Tive um tio especial, gente boa uma barbaridade, daqueles de tirar a roupa do corpo para ajudar alguém, do tipo pau para toda a obra, mas tinha um problema com o comprimento dos braços. Eram meio curtos como de motorista de Kombi. E suava muito. E gostava de encostar-se num marco de porta e ali se esfregar. Coçava-se de rir de satisfação. E realmente experimentando, mesmo sem coceira, era algo bem legal. Com coceira era melhor ainda. Experimente! Muito tempo depois passaram a vender uma varinha com uma mão de plástico numa das pontas para evoluir a “coçação”.
Cr & Ag
Contam que o gaúcho observando essa sinfonia de coçar dos animais, que naquele ritual escapavam do controle, resolveu colocá-los na linha dando-lhes uns laçaços ou umas lambidas com o relho. Isso se estendeu e se propagou para aquelas criaturas que “se coçando” mereciam umas relhadas, um corretivo. Daí, creio eu, veio a “coça de laço” ou a “sumanta de laço”. Um antigo delegado de polícia de Viamão (que falta faz nesses dias de hoje!), do alto de seu cavalo de batalha, usava o rabo-de-tatu no lombo dos bandidos. O rebenque ou o rabo-de-tatu, também chamado de mango, foi uma das primeiras “armas” disciplinadoras do gaúcho. Numa coluna passada lembrei da coragem e da valentia de brigadianos contra os gaúchos que protestavam contra o Lula e sua caravana da discórdia e que a mesma disposição deveria ser para os dois lados. Isso reverberou. As imagens mostraram alguns gaúchos com um relho na mão para se defenderem. Nos idos de fevereiro de 2004, o MST invadiu o Banco do Brasil em Bagé e atacou os brigadianos que apanharam com seus próprios cassetetes e teve o capitão com o braço quebrado entre outros feridos. Isso foi capa da Zero Hora e do Correio do Povo. Há notícias de comandante da Brigada com boné do MST. Será verdade ou lenda?
Gilmar Mendes e seus súditos tem demonstrado uma enorme dissintonia com a razão e o bom senso na ética e na repulsa ao crime organizado que devastou o país. Coceira no lombo? O povo tem demonstrado verbalmente sua inconformidade e repugnância por suas decisões e “donos da verdade”. Em aeroportos e outros locais públicos eles têm sido vaiados pela sua prepotência e absolutismo. Riscos? Infelizmente são os riscos para a nossa democracia a falta de controle real sobre a criminalidade.
2018 – 04 – 03 abril – Coceira no Lombo – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br





