A Assustadora História da Medicina de Richard Gordon. – Livro Recomendado!

 

A assustadora história da Medicina. Richard Gordon. Novembro 2017

A Vida que pedimos à Deus! Edson Olimpio Oliveira. Crônica 12. Série: Moto! Paixão Eterna.

 

 

 

A Vida que pedimos a Deus!

 

 

Segundo as mais recentes versões de pergaminhos encontrados no Mar Morto, o Criador, após o merecido descanso no Sétimo Dia, precisava dar um toque final a sua magnífica obra – e assim fez-se a Motocicleta.  E desde imemoráveis épocas, a humanidade tem se dividido em duas, somente duas, espécies de seres humanos – os que amam motocicletas e os que ainda não sabem que amam!

 

O relato seguinte é uma querida rotina em nossa vida. E, certamente, similar nas existências de milhões de motociclistas.

 

A maioria de nós não sai de moto com a freqüência que gostaria. Alguns pelos “inarredáveis compromissos”. Outros “por medo da estrada, da chuva, da falta de companheiros, da distância, da…”. Outros, ainda, por não ter moto. E para qualquer caso, que isso sirva de incentivo, de fé e coragem. Uma mensagem de que o tempo continua passando e nós… Muitas vezes, perdendo tempo. Leiam Quem Mexeu no Meu Queijo!

 

A semana sempre fica muito longa quando o fim de semana nos levará a passear e viajar com a Morgana – nome dessa deusa que realiza nossos mais fantásticos sonhos. Trabalhamos com muito mais vontade. Nessa semana sairemos após o almoço na quinta-feira. Outras vezes saímos na sexta. Quando o destino é alguma região acima de Laguna, em Santa Catarina, o plano é sempre pernoitar no Hotel da Lagoa na histórica cidade de Anita e Garibaldi. Viamão foi a primeira capital do Rio Grande do Sul. Também uma cidade com um passado histórico a enobrecer os seus filhos.

 

Despedimos da família. Os nossos cães, chefiados pelo Peludo – idoso cão de três patas e um mestiço collie-pastor, acompanham-nos até o portão. Escutamos os seus latidos de “boa viagem” e “vão com Deus” por um tempo nos recônditos de nossos capacetes. Logo, eu, minha esposa e a Morgana, deslizamos pela RS 118. Os quase 20 km dessa estrada servem para aquecerem os pneus, sentirmos o funcionamento da Morgana e criarmos a nossa unidade. Logo estamos rasgando a BR 290, chamada de “Free-Way” pela gauchada. Aqui já começa uma sintonia com os demais veículos e seus tripulantes. Desde o deslumbramento de crianças até os gestos de dedos em V (Vitória) ou com o polegar erguido das demais pessoas. Quase ninguém fica indiferente. Osório, a cidade de todos os ventos, fica para trás quando tomamos a Estrada do Mar que nos levará até Torres.

 

Torres, a mais bela praia do Rio Grande, está na divisa com Santa Catarina. No Posto Ipirangão, já na saída de Torres, abastecemos a Morgana e esvaziamos os nossos tanques. As paredes da lanchonete são cobertas por adesivos de todos os tipos e tribos. Ali está o nosso – 1a. Capital Equipe. Temos por decisão distribuir decalcos a todas as pessoas que mantém um intercâmbio conosco durante a viagem. Além de estabelecer uma empatia, isso aumenta a nossa segurança em todos os aspectos. A Morgana (Kawasaki Nomad 1500cc) tem um porte que nunca passará despercebida. Se tivermos problemas sempre terá alguém a nos ajudar ou a identificar por onde passamos.

 

Três buzinadas e a Morgana atravessa a ponte do Rio Mampituba. A BR 101 que vai de Osório a Curitiba tem nesse trecho abaixo de Florianópolis o batismo tétrico de Estrada da Morte. Traçado superado. Pista simples e extremamente mal conservada. Tráfego intenso e permanente. Atravessa regiões densamente povoadas. Na temporada de férias, acrescentam-se milhares de automóveis e motoristas sem a experiência necessária para dirigir em uma estrada dessa importância e risco, são os motoristas de cidade ou de final de semana. Daí é fundamental termos o nosso equipamento pessoal e a motocicleta sempre nas melhores condições. A sintonia continua na BR 101. Sem forçar ultrapassagens exageradas ou de risco, os caminhoneiros são os primeiros e abrirem espaço para nós. E ao passarmos vem a buzinada curta de agradecimento e resposta. Rapidamente, deixamos para trás, Sombrio, Araranguá, Içara-Criciúma, Tubarão e outras cidades. Do alto do morro vislumbramos a Lagoa do Imaruí, estamos chegando à Laguna.

 

Um braço de aterro e uma ponte servem de travessia. Sempre planejamos a chegada durante o dia. Fim de tarde, mas ainda com pelo menos, uma hora de sol e luz. Cruzamos para o lado oposto da rodovia e estacionamos sob o Hotel. Sempre os funcionários nos recebem muito bem. Todos têm um especial carinho e curiosidade com motociclistas em viagem. Descemos parte da bagagem que é levada ao apartamento no andar superior e de frente para a lagoa. Tomamos um excelente banho. Bermudas. Chinelos. Camisetas. Os funcionários já estão com uma garrafa térmica com água no ponto para o chimarrão.

 

Pela janela, olhamos aquela bola de fogo no céu que parece teimar em não ir para outro local. A maresia da lagoa, fazendo marolas logo abaixo, é como música de relaxamento para nossos ouvidos. Chimarrão feito. Lata de biscoitos. Descemos. Conversamos um pouco com a Morgana e agradecemos a ela e aos nossos anjos protetores. Vamos para a margem da lagoa. Ali sentados, a conversa transcende a quantas vidas passadas? O sol continua pisando no freio e reduzindo a velocidade. Vai cambiando sua moto divina e deixando um rastro vermelho nas águas da lagoa. Ainda levará um tempo para cruzar a serra ao longe. O chimarrão que sempre juntou em torno de si gaúchos de todos os feitios em uma forma ancestral de terapia de grupo, integra-nos mais ainda. As garças flutuam nos céus. Algum biguá busca a derradeira refeição para os filhotes. As marolas continuam a cantar aos nossos ouvidos.

 

Logo os pescadores de camarão estarão singrando a lagoa em todos os sentidos. Ali estão eles… Eretos com o remo de taquara a empurrar a canoa para as armadilhas de camarão. A lagoa é mais um palco iluminado. O sol, por trás, esculpe cenas antológicas. O chimarrão vai terminando e a noite está começando. Os pescadores acendem lanternas em suas canoas. Lentamente a escuridão os envolve e o balé de vaga-lumes humanos coroa aquele formidável momento.

 

Vamos ao restaurante. Além da enorme quantidade de pratos do bufê, estão sempre prontos para uma tainha na brasa. Da nossa mesa temos a dupla visão – a estrada e seu trânsito frenético, com pessoas como cada um de nós com seus amores e destinos a traçar. De outro lado a lagoa e os pescadores, também com seus amores e destinos a traçar. Um jantar dos deuses. Um boa noite à Morgana. O retorno ao apartamento. A sinfonia da lagoa embalará nossa noite. Uma última visão da bandeja de prata já banhada pela deusa da noite, que com seu manto argentado cobre carinhosamente os atores terrestres.

 

Levantamos cedo. Um grande café nos espera. Geralmente há uma grande variedade de pastéis – carne, galinha, siri, queijo, goiabada, camarão e outros sabores por identificar. Todos abastecidos. A bagagem já havia sido reposta na Morgana antes do café. Equipados. Novos adesivos e despedidas. Do estacionamento do hotel saímos pelo Posto Texaco. Uma prece silenciosa ao protetor de todos os motociclistas. Completado o tanque da Morgana e… Estrada. Novos destinos, vencer dificuldades, principalmente nossas, para ter o direito à felicidade!

 

 

 

 

Observação. Lamentavelmente nos últimos tempos o proprietário do hotel e do restaurante da Lagoa tem praticado preços extorsivos e alimentos tipo refugo africano com o equipamento do hotel tornando-se decrépito. Esperamos que as reclamações façam retornar ao mínimo de qualidade e preço justo.

 

Moto - Paixão Eterna - 12 - 2017 - Clint Eastwood

8 de Dezembro! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 21 Novembro 2017.

 

8 de Dezembro!

 

Aguardava o Natal e a Páscoa com aquele sentimento um pouco interesseiro, pois tinha sido um “bom guri, bem educado, estudava e não faltava as aulas do Grupo Escolar Setembrina, não dizia nomes feios e obedecia aos pais e jamais respondia ou tratava mal aos mais velhos”, logo “eu deveria” ganhar algum presente nessas datas. Mas outra data falava bem alto no meu repertório de eventos importantes e esse era o dia 8 de dezembro. Sempre um grande feriado em Viamão City e uma festa que durava dois finais de semana, mais de dez dias. A praça da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, a padroeira e mãe católica da nossa fé, tornava-se um palco iluminado, não somente pelas incontáveis lâmpadas coloridas estendidas em vários postes, como pela presença constante de parques de diversões com muitos brinquedos que iam da roda-gigante, passando pelo chapéu-mexicano, carrossel, tiro ao alvo, música de alto falantes com solicitações, missas diárias e procissão. E muito muito mais!

Crônicas & Agudas

Não tínhamos os pilas necessários para experimentar tantos brinquedos, mas havia um algo mais que sempre nos atiçava e iluminava mais vivamente. As gurias das escolas, todas as gurias da cidade, iam passear e namorar na festa. Certamente Nossa Senhora nos olhava acuradamente do seu altar ricamente adornado com flores, muitas flores, toalhas de um branco tão branco como a alma dos anjos e seu amor pela humanidade. Os guris circulavam acompanhados de outros amigos para estimular a coragem de olhar e piscar um olho, dizer um “que tal” ou até ensaiar uma conversa sobre  “a escola” ou “será que vai chover”. As gurias com os braços enfiados umas nas outras riam. Riam muito e mais difícil era encontrar algum lugar para as mãos inquietas. As coisas não evoluíam muito mais que isso geralmente. Os olhos cansavam de tanto piscar, mas havia outra técnica esmerada de aproximação e demonstração de “to afim” – barracas vendiam bolas de serragem enroladas em papel celofane de várias cores, em gomos como bergamota, presas por um elástico que eram arremessadas nas costas das criaturas.

Cr & Ag

Equimoses ilustravam e listravam o “lombo das gurias”. Isso deveria ser algum resquício neandertal do macho nocautear a fêmea e arrastá-la pelos cabelos para sua caverna. Mas havia técnicas mais evoluídas, como solicitar ao serviço de alto-falantes uma “página musical com todo amor e carinho para aquela guria de vestido vermelho com uma fita branca nos cabelos, quem lhe dedica com respeito é seu admirador sentado na escadaria da igreja”. Também havia um pega-ratão de alguém dedicar algo para a pretendida de um amigo e sem que ele soubesse e marcar um encontro. Isso complicava a vida do outro caso ela tivesse algum irmão bom de briga. Havia quem caminhasse a procissão descalço para conseguir uma graça da santa – saúde, emprego ou até um casamento. Nós não entendíamos essa do “casamento”, além do mais esse era um esquema do Santo Antônio.

Cr & Ag

Nostalgia? Cada época com seus encantos e graça. Há que comparar e recordar com saudade de sair-se de casa com a certeza de que voltaria e os pais ficavam descansados com seus filhos se divertindo sadiamente. Essas festas desapareceram e talvez jamais retornem. Hoje o 8 de dezembro também é o Dia da Justiça. Sente-se que o cidadão honesto do Brasil tem vergonha de comemorar essa data no dia a dia de sua vida e de seu trabalho. Jamais generalizamos, mas lamentavelmente o espírito de corpo do judiciário protege e imuniza os que jamais deveriam representar a justiça e para muitos resta somente orar.

2017 – 11 – 21 Novembro – 8 de Dezembro – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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P7 - Eleições - tua cidade, tua casa - 2016-08

Como nasce um doador! Edson Olimpio Oliveira. Série – Moto! Paixão Eterna. Novembro 2017.

 

 

COMO NASCE UM DOADOR!

                        

Série -  Moto! Paixão eterna. Crônica 11

 

                         Era um verão como poucos. Muito calor e dias longos. E a saudade da orla, conhecida há cerca de 10 anos, era grande. Muito grande. Maior ainda! Aos 20 anos, ZÉ BOCA era um rapaz forte, apesar de criado guacho (*1). O apelido se devia ao fato da criatura ter somente os quatro dentes caninos, daí também ser chamado de 1001 e Drácula. Apelidos aos quais ele respondia com sonoro elogio à mãe dos outros.  Cresceu na Varzinha, próximo à Lagoa dos Patos. Após vender umas novilhas e uns porcos, veio para Viamão comprar uma moto, já que o conserto do piano (dentes) ficaria para mais tarde. Antevia-se desfilando na praia de Cidreira com a gata-namorada acolherada (*2) na garupa. Imaginava-se estacionado no Bar do João sorvendo uma loira suada. Depois de muita procura, encontrou a moto ideal. Era propriedade do primo do vizinho do amigo do mecânico do seu médico.

 

                       O cara aos 24 anos teve que vendê-la de urgência para pagar uma cirurgia ou algo parecido… na próstata. — explicou seu mecânico, entre uma acelerada e outra.

                       

                           — O Doutor. explicou que ele mijava contra o vento, deixava a moto parada no sol e sentava no banco quente. – explanava de olhos arregalados.  E pra piorar as coisas, sempre que fazia sexo ia de pé descalço no piso frio do banheiro. Aí recolheu tudo e privou as urina.acrescentou o mecânico.

                            

                            Yamaha DT 180. Era uma bela DTZINHA 180cc. Camuflada como roupa de pára-quedista militar. Já que eram diversas as cores sobrepostas. Pintadas com toque artístico a pincel pelo cunhado e pintor do antigo proprietário. Foi amor à primeira vista. Precisava de pequenos reparos e uma boa química que faria ao voltar do fim de semana praiano.

 

                           Considerava-se exímio piloto. Somente não havia tirado a carteira de habilitação por falta de tempo.  Tinha grande experiência, pois na infância pilotou um triciclo do primo. Na adolescência foi co-piloto de Garelli numa festa de casamento. Sem contar a sua habilidade de esporear as potrancas nas barrancas de Itapoã (*3). E agora, no fim de semana passado, estivera sentado numa CG 125 no Bailão do Valdeci. E foi nesta sentada que aflorou toda a paixão e desejo por moto.

                           

                              Voltando à DTZINHA. Estava um pouco difícil de pegar o motor. O Zé BOCA quase se rendeu (*4) pedalando e nada. Mas a platéia deu uma mãozinha, depois de umas dez empurradas e umas três lombas… pegou no tranco. 

 

                             — Ela é um pouco rebelde, mas depois de pegar — disse ao guri do vizinho.

                                  

                              E veio faceiro da Estalagem ao Krahe. Enxotando os cachorros e abanando para as gurias. Chegando à casa da namorada, esta o aguardava ansiosa e excitada. Cheia de planos. Afinal, era um príncipe-cavaleiro-motoqueiro. Como já escurecia colocou a máquina num puxado, quase uma meia água de Brasilit ao lado do galinheiro. Não deveria pegar sereno, poderia resfriar-se. Aproveitou para amarrar um fio de arame aqui e outro ali. Mais Araldite, Super Bonder e Durepóxi. Um Nugget nos pneus slick (super lisos). Até o chiclé da namorada entrou no conserto para vedar um furo no tanque que insistia em pingar gasolina.

                                                              

                             Típico tanque de gasolina que não colabora, fica se orinando. — rosnava dando cuspidelas por entre os dentes.

 

                             Planejava inclusive um curso com o MacGiver no retorno da praia. Passou uma flanelinha na pintura. E após algum tempo apalpando as partes e as curvas da moto… e da gata, combinaram madrugar no dia seguinte, sábado. Ainda teriam que se equipar pela manhã. Ah! E batizou-a como GAUDÉRIA, nome que em segredo lhe trazia felizes recordações de uma potranca tordilha e troncha (*5) das orelhas, colegas de iniciação sexual.

                              

                                  A estupi-bondosa sogra fez uma farofa de galinha com os ovos do sogro. Cortou uma melancia e colocou tudo numa mochila às costas da filha. Pegou a cama (um pelego) e aí pelas 9h foram para o Centro de Viamão. Passou na Loja Ione e no Salah, um banho de loja. Saiu pilchado (*6) de bermuda nova, camiseta de surfista e um chinelo Rider. A namorada levou um mini-micro fio-dental. Compraram dois raibãs na Ótica do Egon, para pagar depois do Carnaval. Da farmácia Nova, levaram remédios de Urgência: Engov, Sonrisal, Imosec, piula pra não emprenhá, bronzeador e… ¼ kg de vaselina. Dormir na praia às vezes pode entrar areia.

 

                                 Abasteceu a Gaudéria no Texaquinho. Enquanto abastecia, a namorada comprou a Revista Caras para ler na viagem. O frentista acusou lâmpadas queimadas. Foi na Autopeças do Zavarize comprar novas. No meio do caminho, lembrou-se que era um gasto desnecessário, já que a viagem seria de diae prá que luz, farol… Desviou e estacionou no Bar 7 Facadas, completando o seu “tanque” com umas 6 ou 7 cevas estupidamente geladas.

                             

                                   Tudo pronto, alegres e faceiros, enfiaram os capacetes… nos braços. Pois na cabeça esquenta demais. Combinaram a próxima parada no Bar Silva, na Estiva, uns 30 km do Capelão. E como já estavam atrasados, resolveu afinar, esticar as marchas, abrir todo gás na faixa preta.  E deitaram o cabelo. E deitaram mesmo. Deitaram tanto que no trevo do Autódromo, deitaram o resto que acompanhava o cabelo. E se tornaram DOADORES. Ele doou o chinelo novo. Ela doou o mini-micro fio dental. Pois o resto deles e da Gaudéria, ainda estão PROCURANDO e tentando JUNTAR.

 

Vocabulário Gaúcho: *1) Guacho: sem ser amamentado ao peito. *2) Acolherada: abraçada, junto. *3) Itapoã: distrito de Viamão, cidade histórica e antiga capital do Rio Grande do Sul.  *4) Render-se: fazer hérnia. *5) Troncha das orelhas: orelhas caídas. *6) Pilchado: vestido, fardado.

Moto - Paixão Eterna - 11 - 2017 - Hells Angels

Das tripas coração. Roy Porter. Livro recomendado!–Novembro 2017.

 

Das tripas coração. Roy Porter. 2017.11.27

Coragem! Série Moto – Paixão Eterna. Crônica 10. www.edsonolimpio.com.br

 

 

 

CORAGEM!

 

Crônica 10

No automóvel ou em outros veículos há toda a lataria e o motor para a proteção em caso de impacto. Nos veículos mais modernos, tem-se air-bag, carrocerias com deformação programável, etc.

Na motocicleta… é o próprio corpo do motociclista.

 

 

No motociclismo, muito mais do que em viagens de automóvel, por exemplo, devemos ter rígidas normas de segurança, como manutenção periódica em serviços qualificados, atenção redobrada com os pneus e câmaras de ar – jamais esperar para fazer a substituição quando as ranhuras diminuírem de dois mm, jamais frisar os pneus para aumentar a sua vida útil. Sistema de iluminação e elétrico em geral. Qualidade do combustível e óleo do motor. Devemos fazer a checagem sempre antes de alçarmos vôo. Assim como pilotos de avião. Complementa-se com equipamento de segurança para piloto e garupa.

 

Quem tem e usa a cabeça precisa estar de capacete com viseiras em boas condições de transparência. Roupas resistentes a quedas e luvas totais. As maneira meias-luvas, deixando a maior parte dos dedos expostos, são de alto risco para amputações e lesões permanentes. Tenha-se em mente que o motociclista não atento à sua segurança e à do grupo será um doador de órgãos em potencial. Bom para os possíveis receptores, ruim para si e para sua família.

 

Se andar em grupo tem fatores que contribuem para a segurança, devemos ter em mente que muitas vezes vale a máxima que “muito melhor andar só do que mal acompanhado”.

 

Roupas integrais de couro e botas de estrutura para motociclista não são meros adereços estéticos e sim uma camada extra de pele resistente ao choque. Novos tecidos, como cordura, oferecem boa proteção. Melhor se somado a reforços de kevlar.

 

O motociclista deve estar confortável e protegido dentro de sua indumentária. Certo dia, eu a minha esposa, indo para Santa Catarina pela Estrada do Mar, num dia de calor terrível, mas com todo o equipamento necessário e obrigatório em nossa Kawasaki Nomad 1500cc, fomos ultrapassados por um casal numa moto BMW 1150RT. Calculo que ele estava a uns 150 km/h. Afora a velocidade, ele, o piloto, de capacete aberto e camiseta, bermuda e tênis. Ela, shortinho de empinar a bundinha e o resto igual. Moto de cerca de R$80.000,00. O que deve ter de dinheiro tem de estupidez. Irresponsável com a sua vida e, principalmente da carona.

 

A sinalização vertical à margem das rodovias recomenda que se viaje de dia por ser mais seguro e para poder desfrutar das belezas da viagem. Ao motociclista essa deveria ser uma prática. Todos os riscos aumentam consideravelmente à noite.

 

Certa vez vindo de um encontro motociclístico na cidade de Herval do Sul, próxima de Arroio Grande – RS, estava abastecendo a Morgana, minha motocicleta, na Casa das Cucas em Barra do Ribeiro, eram 19,30 horas. Isso era um sábado e no domingo o encontro seria finalizado. Encostou para abastecer outro motociclista que estava indo ao encontro. Pilotava uma intrépida Yamaha 125 sem cor definida, padrão pintura de pára-quedista ou forças especiais, e idosa. Muito idosa. Geriátrica. Ainda teria que rodar quase 400 km. O cobertor amarrado sobre o tanque de combustível e uma pequena mochila na garupa. É o espírito aventureiro do motociclista com sangue de motoqueiro. A moto é muito valente, mas a proposta é, no mínimo, irreverente.

 

Há os que preferem dormir até mais tarde e afundarem-se na noite viajando. Há os que gastam horas em restaurantes e bares à margem de rodovias, desperdiçando tempo precioso e segurança. “Nunca tive problemas”, “sempre viajo assim e nunca me aconteceu nada”, dizem muitos. Estão na mesma estatística dos que saem vivos da roleta russa. Só que em motociclismo, a primeira vez poderá ser a última. Em viagens longas as paradas devem ser curtas e com alimentação frugal e energética. Refeições pesadas provocam alcalose pós-prandial, que é uma alteração fisiológica do organismo causando diminuição dos reflexos e sonolência. E álcool? Na boca jamais, no tanque misturada na gasolina de duvidosa qualidade que pagamos a preços dinamarqueses, ainda vai. Nas escolas de pilotagem defensiva e em empresas de turismo motociclístico, principalmente no primeiro mundo, recomendam paradas de 15 minutos a cada hora em média de viagem. Ou a cada 100 a 150 km.

 

E a chuva e o frio? Equipamentos adequados são fundamentais e rígido controle de velocidade. Aquaplanagem também acontece com motos. Os buracos cheios d’água escondem armadilhas. Lembremos sempre que motocicleta tem duas rodas e depende de equilíbrio ao contrário dos veículos de quatro rodas.

 

Enfim, esse é um pequeno lustro sobre segurança motociclística. Um stop, um alerta. Uma mensagem de vida. Até podemos pensar que cada um faz da sua vida o que bem entender, mas e as vidas dos outros? Morrer pode ser problema bem maior para quem fica aqui. Mas viver sofrendo sobre um leito. Até vegetando! “Virado num pé de alface”- relatava um amigo após visitar um motoman acidentado. Quem quer?

Moto - Paixâo Eterna - 10 - 2017 - Personalização do Motor

Reinventar-se! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 14 Novembro 2017.

 

Reinventar-se!

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Seria a morte uma reinvenção da vida? Em diversas épocas ancestrais e agora nas pulsações do século XXI, seres de todos os horizontes acreditam que haja alguma coisa a mais depois do homem fechar os olhos, o coração parar de tamborilar em seu peito e seu cérebro se desligar. “Quem foi não voltou para contar”! Escuta-se amiúde numa tentativa vã de encurtar o trajeto e de sufocar os erros de uma existência pela possibilidade de haver um tribunal em outra existência ou num outro patamar existencial em que os crimes não terão a safadeza interpretativa, juízes de conduta nebulosa, instâncias mais eternas que a existência, nem a prescrição. O mais magnífico ser humano que já caminhou nesse planeta hostil nos mostrou que a morte é uma passagem para algo mais. Melhor ou pior? Até o criminoso crucificado ao seu lado acreditou que há “melhor”.

Crônicas & Agudas

Empresas destroçadas por calamidades de seus administradores ou de outra ordem podem ser recuperadas e voltarem a produzir bens úteis para a humanidade. Há pessoas especializadas nessa chamada reengenharia. Alguns fazem a empresa voltar a viver e prosperar para logo adiante repassá-la e assim seguirem em novos desafios. Ideologias, como o comunismo, pregam o Estado renascido das cinzas e para tanto se for necessário o extermínio físico de milhões de seres humanos, isso faz parte do seu projeto de dominação e perpetuação. Calcula-se em 40 a 60 milhões de seres humanos exterminados pelo regime e ideologia socialista-comunista na Rússia e comemorado (?) o centenário esse ano.

Cr & Ag

As catástrofes naturais são ensinamentos que a natureza nos oferece para nos aproximarmos de um equilíbrio e de respeitá-la como essencial à continuação do homem sobre a Terra. Um flagelado que chora e lamenta “que há mais de 30 anos eu moro aqui e esse rio inunda a minha casa e…” Somos sempre solidários com a dor e o infortúnio, mas essa criatura chegou e o rio ali já estava. Com frequência as águas do rio se elevam, assim desde o começo dos tempos e atingem até certas marcas. Infelizmente sua mente ainda não reinventou outra forma de viver numa casa com sua família sem que o rio lhe afete demais. Assim são para os incontáveis fenômenos naturais em que as pessoas não se adaptam e resistem num sofrimento repetido.

Cr & Ag

São tantas as oportunidades de nos reinventarmos que transitam pela troca ou perda do emprego, mudança de região ou país, novos relacionamentos ou aperfeiçoando os antigos, mudar condutas de risco para a pessoa e para os outros, ter disciplina honesta e trabalho luminoso. Sim! Você citará dezenas de outras possibilidades, arguto e-leitor. Há uma máxima do gauchismo: – “Dar soco em faca de ponta”! Traduz a constância de persistir no erro e perpetuar o absurdo. Partidos políticos inundados pela descoberta da ladroagem, da rapinagem, da roubalheira desenfreada e desmascarada insistem em se manter na idolatria funesta e carregam de roldão os destinos de tantos – desconhecem e renegam a reinvenção. Seria a morte a derradeira oportunidade daquele espírito empedernido e refratário ao amor, ao bem e à humildade em reinventar-se?

Livros!

A Arte da Palavra” – coletânea que marca o nascimento de escritora da advogada Dra. Bernadete Kurtz com concorrida sessão de autógrafos na Feira do Livro.

2017 – 11 – 14 – Reinventar-se – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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P6 - Eleições - seu voto - sua voz - 2016-08

DIA INTERNACIONAL DE COMBATE À DPOC! Livre para Respirar.

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DIA MUNDIAL DO DIABETES! Proteja quem Você ama.

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Carlinha Cocodrilo, um amor de poupança! Edson Olimpio Oliveira. Crônica 9. Série Moto! Paixão Eterna.

 

CARLINHA COCODRILO,

Um Amor de Poupança!

           

Companheiros, outro dia estávamos a lembrar do Tupinambá. Era um companheiro de estrada que curtiu uma CB400 II, mas que seu coração continuava buscando uma Harley. Não qualquer uma, uma Harley de traseira volumosa. Por esses desencantos que qualquer motociclista pode passar, encostou a moto num fundo de garagem e amarrou uma lona por cima e foi dedicar-se à política. Podia ser pior? Moto por política?

 

Pois o Tupinambá é um desses caras em que o coração sempre falou mais alto. Mesmo na meia idade, a época de curtir as experiências acumuladas com os tropeções da juventude, com sobradas de curvas, com pneus carecas em sintonia com a cabeça, era um apaixonado convicto. Desses que só falta trazer na Carteira Profissional, profissão: apaixonado. E carente. E o apaixonado carente é quase o tipo mais dramático deles – o apaixonado traído é muito pior. Seu despedaçado coração está louco a espera da primeira moçoila que se dispuser a colá-lo.

 

 

Amante do samba, alucinou-se com a Carla Peres, a famosa lourinha do Tchan. Aquilo foi amor à primeira vista. Paixão total. E irracional. Permanente MP3 cravado nas orelhas escutando-lhe. Gravou e assistia ensandecido suas aparições na TV. Babava ao fitar o gingar maroto daquelas cadeiras. Um quadril de mais de 1 metro. Abandonou as reuniões do partido.

— Orçamento participativo do PT uma ova, aquela potranca eu quero só pra mim. – gritava desatinado.

Quando saiu a edição da Playboy, arrematou todo o estoque do jornaleiro. Esse desvario parecia não ter mais fim. Os companheiros calculavam-no doido. Louco varrido. Batendo bielas. Pois até se negava a contribuir com o dízimo para o caixa do partido. Mas continuava impávido a apostar tudo naquela deslumbrante poupança, tal qual o finado (?) Collor que ferrou todo o país e ficou com a poupança só para si e seu séquito.

 

 

Certa noite, após os incontáveis chopes, seus dedos ainda alisando o corpo do copo de loira suada, foi carregado pelos amigos para um sambão na Restinga, bairro da zona sul de Porto Alegre. Ao saracotear do Pagode do Dorinho, ali estava aquela que saiu de seus sonhos: uma loiraça com um mega traseiro. Ao erotismo explícito de seu gingar a galera explodia. Alucinado, subiu ao palco e, como um leão defendendo seu território, acercou-se da criatura. Encarnou mesmo. De fato. E um cara com nome de Tupinambá quando se decide é para valer. A supergata chamava-se Carla Alferes. Sobrenome meio esquisito, mas isso pouco importava. Colocou os demais competidores para escanteio, meio na marra. Mas que outro jeito? A paixão era como um maremoto, arrasava tudo à sua frente. E logo estavam vivendo juntos.

 

A lua de mel durou seis curtos meses. Emagreceu 10 quilos, mas feliz confidenciou aos amigos: — Companheiros, aquilo não é uma bacia, aquilo é uma banheira de hidromassagem.

Mas como a lua tem mais de uma fase e não há mel que sempre dure… Construiu mais um banheiro na sua casa. Aquela poupança maravilhosa devia fazer depósitos num banco dourado somente seu.

 

Afora isso, ela tinha um Probleminha de gases intestinais e era meio solta das pregas. – justificou ao pedreiro e irmão. Mas ele dormia o sono repousante do guerreiro vencedor encaixado nas curvas torneadas pelo Criador e modeladas pelo fio dental. Quando Carlinha acordava e ao bocejar, Tupi tinha um sobressalto pelos gases e pelo hálito, mesmo após esvaziar os alhos da despensa. Levou-a ao melhor dentista. — Reforma total do “piano”, mas vale o investimento. – raciocinava com os olhos grudados nos seus glúteos. Assim descobriu o porquê de seu apelido na Restinga: Carlinha Cocodrilo. Era como o jacaré, ruim de boca, mais com uma enorme cauda… Um rabão de inaugurar toalete no Planalto.

 

Observou que a Carlinha era como candidatos do partido, nível intelectual numa escala de 10, cerca de um e meio. Mas dançava como ninguém. E no aconchego faceiro dos lençóis, nem lhes conto. E, ainda, sua real vocação não era a política. Felizmente, para nós. 

 

Mas o traseiro da Carlinha tinha um pai. Por incrível que possa parecer, mas uma dupla cruel teve trabalho para fazer aquilo. O velho Alferes, chegado num trago, só dava um refresco para o Tupi quando recebia uma grana para ir para a zona brincar com as meninas. Mas a Carlinha também tinha mãe. Se sogra já é algo de duvidoso para ruim, essa era pior. Muito pior. Além de acampar-se na casa do genro, reclamava que só conseguia dormir às 4 horas da madrugada, depois de terminar a gritaria no quarto deles. O assunto só se resolveu quando nosso amigo, mandou-a num pacote turístico (de trabalhadores!) só-de-ida-sem-volta para Cuba. Ainda está por lá, sabe-se infernizando quem.

 

A Carlinha era legal. Tupi ensinou-lhe etiqueta à mesa: — Nunca palite os dentes com a ponta da faca, nunca coce a cabeça com o garfo e jamais faça gargarejo com vinho. – orientava-a. Era boa aluna.  E, infelizmente, a Carlinha tinha um irmão. O apelido da figura, Chaminé. É por aí mesmo: fumegante erva pura. Esse encomodou pouco, está em retiro forçado no albergue do Jacuí. É cadeia mesmo, mermão.

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Mas tudo que balança um dia pode cair. E o jamais imaginado pelo Tupi aconteceu. Foi trágico. Um cataclismo. Estavam se preparando para um longo banho juntos, quando Tupinambá, quase não acreditou no que seus famintos olhos escancaravam: — A Carlinha está de bunda mole, uma gelatina com celulite. – contava aos prantos. Despencou. Era um babado disforme que batia na curva das pernas. E o encanto acabou. Como o minuano, um vento gelado do sul, esfriou-se a relação.  E o Tupinambá caiu de quatro na realidade. O sonho acabara. O motivo de seu amor, da sua paixão alucinada, a poupança da Carlinha, estava irremediavelmente perdida. O cabelo da Carlinha também não era loiro, era pintado até às raízes.

O resto vocês podem imaginar. Cada um para o seu lado.

Os amigos motociclistas, ainda os tinha, mandaram-lhe uma mensagem:

 

 — Tupi! Cai na real e volta para a tua CB 400 II. Moto tem muito mais futuro e mulher…

Moto - Paixão Eterna - 9 - 2017 - Daryl The Walking Dead

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