O lobo mau e as experiências da vida! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 27 Outubro 2015.

 

2015 – 10 – 27 Outubro – O lobo mau e as experiências da vida – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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O lobo mau e as experiências da vida!

 

U

m antepassado do Danilo, do Haroldo e do Sílvio Boca, muito antes do avô Olímpio, insistia que “sou tão velho, mas tão velho que quando eu vim de Portugal para o Brasil ainda não tinham feito o mar”. Fluía um sorriso maroto enquanto observava o espanto da plateia. Num desses tempos ancestrais, quase jurássicos, os avós, pais e professoras liam estórias para as crianças. E as ajudavam a interpretar. E entender. E a contar para outras crianças. Os três porquinhos e o lobo mau fazia uma dessas fábulas. Quem desconhece que consulte o oráculo Google. No estudo da homeopatia e dos florais há medicamento específico para “quem não aprende com as experiências da vida”. Para segmentos da espiritualidade e da filosofia acreditam-se que a reencarnação acontece pela nossa necessidade de evoluir através da conscientização e do entendimento de nossos erros. E a sua não repetição. A Medicina sempre busca a prevenção antes da desgraça consumada, daí as vacinas e toda a gama da Medicina Preventiva, como o “outubro rosa”, o pré-natal e o exame de próstata.

 

Cr & Ag ou Crônicas & Agudas

 

Nas adversidades ambientais há quatro fases: predições climáticas, tormentas/desgraças, solidariedade e conscientização/prevenção. Sabemos que não basta a solidariedade com o drama que se abateu sobre dezenas de milhares de pessoas com o infortúnio climático atual. Até desprezemos ao aprofundamento técnico com o fenômeno El Niño para sabermos que irá se repetir. Infelizmente! A tragédia está mais do que anunciada, no entanto o poder público é deficiente e sempre arde no bolso do cidadão. Há flagelados de carteirinha que esperam há “três décadas” e “dezenas de protocolos” as soluções que tardam e não vêm conforme a necessidade. Piora: o aumento populacional desordenado, a ocupação de áreas “verdes” (que nunca amadurecerão), o lixo fora do lixo, as construções precárias e inadequadas para nossa região… O clima é o lobo mau da estória, que revida pela devastação. Quantos seres humanos seriam os porquinhos da fábula? Qualquer granizo e ventania (várias vezes ao ano!) há destelhamentos e furos no telhado. As telhas que usamos devem ser as mesmas do Nordeste seco e tórrido, logo sem as normas técnicas adequadas para sua venda e uso no Estado. Assim como as paredes de tijolos de cutelo. O Uruguai faz diferente com clima similar.

 

Cr & Ag

 

E faltam lonas pretas toda hora. Sendo ideal para alguns comerciantes e políticos que se empanturram e materializam na desgraça alheia e se eternizam nas promessas raras vezes cumpridas. O saudoso mestre de obras João Bueno sempre colocava uma lona plástica por baixo das telhas para prevenir goteiras em sua sabedoria na escola da vida. Existe uma cartilha, um manual que ensine aos humildes a construírem melhor com seu escasso dinheiro, para que não terem que reconstruir a cada nova tormenta? Desconheço! Os ribeirinhos da Amazônia recebem dos “antigos” e dos religiosos as melhores práticas. O ranchinho perdido no sertão nordestino sabe construir uma cisterna. Ninguém aceita uma extração dentária sem anestesia ou parto com dor, hemorragia e risco de perder-se mãe e filho. A vida deve ser menos dolorosa, mas o lobo continua vindo e com as mais variadas pelagens e até discursos. Ou começamos a aprender ou continuaremos sofrendo e necessitando da solidariedade para nossos males e nossas dores.

 

Espero que ninguém seja tão obtuso ao ponto de ofender-se com analogias, mas o alívio ou supressão da dor, do sofrimento, dos desconfortos do corpo e da alma e a leitura de uma existência mais feliz, com maior discernimento, mais luz e alegrias para as pessoas que amamos e para a humanidade necessariamente passa por maior entendimento e mudanças necessárias. Principalmente e inicialmente em cada um de nós.

Bandeira do Brasil - interpretada

Claudio Roberto Guaita Peralta – Ratinho e a Mão Amiga!

 

Claudio Roberto Guaita Peralta

Ratinho e a Mão Amiga!

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m 1972, após aprovação por média em todas as cadeiras do 2º. Ano da Faculdade de Medicina Leiga de Pelotas, vim para Porto Alegre e realizei o Super-intensivo do Mauá na Rua Riachuelo. Novo vestibular e aprovação entre os primeiros lugares da UFRGS. Como a nova norma vigente na época exigia seis meses de Curso Básico, abri mão da vaga pleiteando o Remanejo para Católica de Medicina. Consegui e minha nova vida estudantil se iniciava. O primeiro colega que me estendeu a mão foi o Claudio Roberto Guaita Peralta, o Ratinho. E foi no carro de seu pai que fui assistir à primeira aula de Cardiologia (Dr. Rubem Rodrigues) no Instituto de Cardiologia. E logo a seguir com os outros colegas e principalmente com o grupo: Serafini, Daniele, Horn, Egon, Borginho e eu. O Noal (colega da Cledi no Científico) e a Dilma, o Frankini e a Nádia estavam nesse convívio frequente. No entanto, alguns colegas, ainda hoje, quase 42 anos após, ainda nos tratam como “paraquedistas”. Jocosamente. Ofensivamente até. Oro por eles. Tenho certeza de que venci três vestibulares de Medicina e conquistei por mérito meu espaço. Depois estávamos juntos no futebol, na biblioteca, no Beira-Rio, e nas longas jornadas de Santa Casa, enfermaria 20 inicialmente e residência. Sempre juntos. Abro com essa introdução para que entendam como sou grato e iniciou-se esse companheirismo e amizade. Que já de início trouxe a Glorinha e a Cledi, nossas eternas namoradas, para esse convívio. E agora com a Deni. Tenho por diversos outros colegas essa gratidão e respeito pelo que fizeram (e fazem) por mim e por permitirem que eu me espelhasse neles para ser um colega melhor.

Nesses dois últimos anos tenho estado com restrições físicas após acidente, mas tento acompanhar proximamente alguns desses meus amigos. Nas alegrias e nas tristezas, como na enfermidade e falecimento da querida Glorinha. Agora, nesse Outubro de 2015, ano de Amor e Luz, Ratinho comemorou o primeiro aniversário de um magnífico presente que a vida lhe deu – a Antonella! Acredito que Deus sempre repõe amor por amor. A Cledi e eu planejamos e executamos esse projeto de ir à Concórdia e estar com nosso tão querido amigo e sua família. Peralta sempre foi um homem de família. O homem que persiste cuidando de suas meninas de mais de 90 anos, suas tias e da Glorinha. É também um superpai, amoroso, orientador e protetor. Nós médicos, muitas vezes não conseguimos avaliar, quantificar o que nós e nosso ofício representam para a nossa comunidade ou a nossa cidade. Em todas as vezes que estive em Concórdia, do mais simples frentista de posto de gasolina, da balconista de loja, do empresário, há uma unanimidade de como esse homem é amado e admirado. E uma legião crescente ainda se considera devedores do Peralta pela sua imensa dedicação e médico de excelente qualidade. Dizer em qualquer lugar que “vim visitar o doutor Claudio Peralta” é abrir as portas das casas e dizer que ele é “compadre e colega” abrem-se as portas do coração. Desde o final de 1977, Peralta está em Concórdia. Inicialmente pela Sadia, mesmo aposentando-se na gigantesca empresa, continua por absoluta exigência e necessidade das chefias de seu formidável trabalho. Nesse Brasil desolado de ética e moral, de profissionais de aptidão indefinida e jogados por um governo hostil à Medicina brasileira para “tratar” o povo, temos a consciência de que médicos fazem uma enorme diferença e granjeiam merecidos elogios. Os outros dois filhos do Peralta e da Glorinha, Marcelo – Administração e Claudinho – Médico, segue a trilha luminosa do pai, do tio e outros médicos da família.

Antonella!

Criança esperta e amorosa, sem nenhum constrangimento com a grande quantidade de pessoas a sua volta presenteia seu pai e sua mãe, principalmente, com sorrisos, abraços e beijos e… caminhando! E ali está o Ratinho estendendo a mão amiga, o braço protetor para que agora sua filha caminhe com mais confiança. Cabelos longos e penteados graciosamente em várias formas pela mãe e pela tia enriquecem um rostinho com os traços da mãe, mas a certeza de caminhar como o pai. Acredito que também amamos nossos amigos, por seus familiares, seus filhos e por sua jornada de vida.

Um médico sente-se médico sendo amado por seus clientes e respeitado por seus colegas e sociedade. Um médico que é amigo de seus pacientes e que recebe suas orações e preces e têm orgulho de identificar-se como amigo ou amiga e paciente do médico, está num plano superior. Aqui está meu amigo, colega da AD 76 MedCat, médico e cirurgião Claudio Roberto Peralta, Caco Peralta ou Ratinho.

Nota do Tainha.

Como geralmente fazemos, cruzando por Soledade, vamos abraçar a Márcia e o Borginho Machão, Edson Luiz Pedroso Borges, e colocar em dia um pouco de tanto assunto atrasado e rememorar amenidades ou contar dos filhos e dos netos. É muita alegria e felicidade!

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Corisco, Prego e Rosa! – Um Natal iluminado – Edson Olimpio Oliveira – Medalha de Ouro categoria Contos–VIII Concurso Literário FECI (Fundação Educação e Cultura do S.C. Internacional) e Casa do Poeta Latinoamericano – Outubro 2015

 

Corisco, Prego e Rosa!

– Um Natal iluminado –

Autor: Edson Olimpio Silva de Oliveira

 

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embremos o ano da Dor e da Luz – 1954. Enquanto alguns pranteavam amigos e parentes mortos e sepultados no campo santo de Pistóia, na Itália, outros ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira – FEB persistiam sua vida aqui na primeira capital de todos os gaúchos. Nem todas as mutilações são visíveis no corpo. As lesões da mente e do espírito são mais graves. Um ano de muita dor e sofrimento, o Pai dos Pobres, Getúlio Vargas, morrera no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. O povo brasileiro abraçava-se aos prantos pelas ruas deste país. Mas a Negra Rosa continuava com sua fé inabalável na santa padroeira desta cidade, Nossa Senhora da Conceição. Uma irmã mais velha foi mãe e madrinha desses dois jovens que foram arrancados das peladas no campo da baixada rubro-negra e dos gramados no matadouro dos Pintos para servirem ao exército – Corisco e Prego.

Outro órfão criado nas adversidades da existência crescera com o amor dos religiosos no “abrigo” do Pão dos Pobres e ali aprendeu o ofício de linotipista. Adão Carlos era seu nome. Sua paixão pelo futebol e pelo seu Colorado tornava-o presença constante nos jogos e até em treinamentos e ali era incitado por amigos e jogadores e na ponta da língua recitava as formações dos times, datas de jogos e o placar. O mítico Rolo Compressor era sua maior paixão. E foi por suas mãos que tentou apresentá-los ao técnico Volante. Num desses treinamentos, Carlitos teve a camiseta rasgada numa disputa com Nena, o Parada 18. Ao final do treino, Carlitos tirou-a, beijou-a espremida entre suas mãos e a jogou para jovens que se acotovelavam junto ao alambrado e logo abraçada pelo gêmeo Prego saltando mais alto que todos. Comprimida contra seu coração era um troféu de inestimável valor. E foi com essa camiseta amorosamente costurada, como as tabelinhas de Carlitos e Villalba no Grenal em que seu Colorado ganhou de 7 a zero na casa do adversário, que Prego passeava com a glória de um herói pela velha Setembrina dos Farrapos.

Corisco era um ponteiro-direito que se inspirava no formidável Tesourinha, enquanto seu gêmeo Prego era “negrinho alto de pernas finas e joga de cabeça em pé como cobra dando o bote, é um jogador cerebral”, diziam. Corisco fazia da vida das defesas um inferno e sua velocidade e arte tripudiava dos adversários. A vida tem sempre um senão. Apesar da curta existência no recrutamento, o álcool trazido na mochila dos pracinhas afastava-o do futebol e do trabalho de pintor de residências e lançava-o nas noites sem fim das canchas de bocha e de jogo do osso. Numa dessas noitadas de álcool e jogo, recebeu a visita da dama de negro que lhe acompanhava nos delírios de sepultar e carregar os companheiros mortos na guerra – uma adaga assassina tirou-o dessa existência!

A cidade comentava a morte violenta. As lavadeiras do arroio Mendanha oravam com as mãos dadas num anel de amor todas as noites pela sua sofrida alma. Apesar dos cuidados e do carinho daquelas negras e negros escaldados pelo ancestral infortúnio de sua raça e de “algum branco misturado” o seu irmão Prego começou a definhar. Havia ido jogar no grande time do Renner onde uma fratura de perna impediu-o de ser o Campeão Gaúcho daquele ano. Logo uma tosse insidiosa assombrava o casebre da Rosa. Prego emagrecia dia a dia. Os remédios da irmã e das negras velhas e sábias não surtiam nenhuma melhora. Buscaram tratamentos na Capital e o amigo Adão Carlos acompanhava-os com frequência. Era a tísica, como chamavam a tuberculose, que lhe corroía o corpo extenuado numa tarimba com a preciosa camiseta aberta e fixada na parede a sua cabeceira, logo abaixo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Num mundo em que os fortes e poderosos serão lembrados, os fracos e pobres rumam ao esquecimento. Mais denodo Rosa trabalhava para alimentar e tratar do irmão enfermo. Nas noites delirantes e febris, a irmã amorosa colocava sua cabeça em seu colo e com panos umedecidos numa bacia com água benta passava-lhe nas frontes enquanto seus lábios oravam com fervor. A vida agonizava naquele corpo franzino e dilacerado pela perda do irmão querido.

As toalhas da Igreja centenária de Nossa Senhora da Conceição quaravam ao sol nos gramados atapetados da margem do arroio. Lavadas e engomadas por Rosa, assim como havia sido por sua mãe e avó. O padre entregava-lhe os panos e tecidos mais nobres para que iluminassem os altares e as festas da Padroeira e do Natal. Uma imagem da santa estava numa singela gruta de pedras e coroada com conchas do mar sob uma pitangueira espreitando o arroio e suas lavadeiras. Uma vela especial ardia ansiando graças divinas. Negro Prego talvez não varasse o Natal de 1954, pois golfadas de sangue faziam rubro seus panos e o leito expelidas pela tosse lancinante. A velha galena trazia-lhe o conforto relativo de algum jogo de futebol entre períodos de delírio. Os vizinhos pediam-lhe que a desligasse, pois o incêndio da Casa de Correção em Porto Alegre trazia dor e temor para todos. Somente um sorriso era sua resposta eventualmente. Alguns não entendiam. Seu coração entendia. O amigo Adão Carlos lia-lhe as reportagens dos jornais mesclando com os feitos da epopeia do seu Internacional na esperança de estimulá-lo. Aglomeravam-se crianças e alguns adultos para verem suas narrativas dos golos como o mais entusiasmado locutor esportivo.

Véspera de Natal. A cidade buscava aliviar as suas dores e enfeitava-se para a festa maior da cristandade. Devotos vestiam suas melhores roupas e subiam a lombada de chão cru para assistirem à Missa do Galo. A irmã Rosa persistia orando ajoelhada com o gasto rosário entre os dedos calejados. Batem à porta. Alguns vizinhos contam que uma senhora branca com dois meninos pelas mãos – um negrinho e outro menino com cabelos encaracolados – e saída donde ninguém sabia, batia à porta do casebre. Uma claridade da lua iluminava particularmente aquela casa. Adentrou à humilde morada. Retirou um grande e alvo lenço de seus ombros e cobriu Rosa, Prego e o outro negrinho. Os vizinhos continuavam a espiar. Um tempo depois. Contam que a viram subir aos céus “como se fosse para a Lua”. Outros juram tê-la visto entrar na grutinha de pedra. O certo − Prego milagrosamente amanheceu curado e caminhando à margem do arroio ir ajoelhar-se junto à gruta. Logo no Ano Novo buscou um seminário para se tornar um religioso. Alguém jurou tê-lo visto com uma camiseta vermelha sob a batina negra. E como tal foi um dos escassos padres negros que levou a mensagem de Nossa Senhora aos necessitados e perdidos do mundo. Acredita-se que Corisco atravesse os céus pelas mãos da Mãe Divina.

– E Rosa?

O amor persiste e derrama-se de seu coração e suas mãos ainda trazem conforto e felicidade numa dádiva que a idade jamais diminuiu.

 

Nota do autor.

Viamão, minha cidade natal, que cunhei ser a “primeira capital de todos os gaúchos”, pois foi aqui que de fato nasceu o sentimento pátrio dessa terra disputada por dois impérios e invadida pelos castelhanos do General Ceballos. Também é denominada de Setembrina dos Farrapos pelos eventos na maior guerra entre irmãos da pátria brasileira. É berço da família Oliveira que se confunde com o amor ao Sport Club Internacional. Cidade histórica adornada pela monumental Igreja com paredes de cerca de dois metros de espessura e embalada por suas histórias e lendas. Assim faço esse um mensageiro vivo do amor e da alma de seu autor e do respeito e admiração pelo grande amigo “seu Adão” Carlos Cunha e pelo meu pai Aldo “Cabeleira” Oliveira, cônsul colorado, apaixonados fiéis do nosso Internacional. Igualmente é um tributo à “dona Zulmira” Andrade que nos seus noventa anos, de negra e lavadeira no Arroio Mendanha, carinhosamente chamada entre abraços e beijos de gratidão como “mãe preta” e persiste derramando seu amor e atenção para crianças e demais pessoas.

 

Imagens da premiação – Medalha de Ouro

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Quando a prata da casa é ouro! – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – 20 Outubro 2015

 

2015 – 10 – 20 Outubro – Quando a prata da casa é ouro – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

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Quando a prata da casa é ouro!

 

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utro dia em conversa com o viamonense Canelinha, pessoa com imensa folha de serviços prestados à cidade e ao seu povo, trazendo o DNA do pai e da família, conversávamos sobre a dificuldade de Viamão olhar e enxergar e valorizar aos seus filhos naturais. É real e histórico. Eventualmente se tomam pessoas que nos conceitos atuais seriam criminosos pelo seu passado de abusos infanto-juvenis e trocam-se até nomes tradicionais de ruas. Outras vezes, pouco valoriza seus filhos em detrimento de estrangeiros transitórios. Para muitos, Viamão ainda é um grande campo de refugiados, que buscaram aqui local para residir enquanto trabalham em Porto Alegre – daí o estigma de cidade dormitório. Com uma população de quase 300 mil pessoas, não elegemos um único deputado. Osório, por exemplo, tem dois deputados estaduais e um federal, além de frequentes secretários de governo, no tribunal de contas e em outras instâncias e com uma população bem menor. Nosso amigo Pedrão é atleta vencedor de competições nacionais e internacionais e se ele próprio não divulgar, passaria nas sombras do descaso. Há vários exemplos. Também é por esse viés que tantos filhos da cidade fazem suas vidas pessoais e profissionais fora de sua terra natal.

 

Crônicas & Agudas ou Cr & Ag

 

Não preciso divulgar-me com o intuito de enaltecimento, mas por conscientização pública. Competi em concurso literário e novamente recebi a honraria de sagrar-me entre os vencedores. A FECI – Fundação Educação e Cultura do Sport Clube Internacional promoveu seu oitavo concurso nas modalidades de Crônicas, Poesias, Contos e Histórias do Inter, sendo o segundo clube de futebol do planeta, ao lado do Barcelona, a ter essa entidade e imensa biblioteca pública. Na noite de 16 de Outubro recebi a medalha de Ouro e o segundo lugar na categoria Contos com Corisco, Prego e Rosa – Um Natal iluminado, baseado no meu conto homônimo já publicado nos Especiais do Jornal Opinião. Mirei homenagear o querido seu Adão do Novo Lar de Menores, a nossa amada mãe preta – dona Zulmira e através do meu pai Aldo Cabeleira toda a família dos Oliveiras. Todos colorados. Apenas a dona Zulmira continua a iluminar nossa família e a tantos viamonenses e estrangeiros em seus quase 90 anos. É um orgulho eterno estar em seus corações. O conto estará no meu site/blog.

 

Cr & Ag

 

O conto torna a revelar faces da comunidade negra da lomba e das margens do Arroio Mendanha. Em dezenas de crônicas, contos e lendas revelei a epopeia de amor e de trabalho ondei passei muito da minha infância. Sou hoje o viamonense que mais escreveu sobre seu povo negro, seus amores e suas dores e tendo talvez o único texto de um viamonense com distinção no Congresso Nacional do Brasil e constando de seus anais. Já cedi diversas de minhas pesquisas e publicações para outros autores e raramente sou citado nas suas fontes. Essa trajetória integrada do médico e cirurgião com o universo das letras e o encanto das palavras ainda é desconhecida para muitos. As participações anuais em dezenas de coletâneas literárias pelo país e de entidades literárias médicas e não-médicas está nessa senda. Assim agradeço à minha família, amigos, pacientes, leitores e ao Professor Pedrão, viamonense por opção e coração, que com sua saudosa esposa Úrsula, minha fidelíssima leitora, sempre me ofereceram a liberdade editorial e o palco iluminado de seus jornais. E ao amado Colorado por permitir essa homenagem presenciada pessoalmente pela dona Zulmira e na espiritualidade pelo seu Adão, meu pai e mãe Dora e familiares e à padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição, novamente retratada e amorosamente homenageada.

SC Internacional - 09 Outubro

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Leões e gatos ou leoas e gatas! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 13 Outubro 2015

 

2015 – 10 – 13 Outubro – Leões e gatos ou leoas e gatas! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

Leões e gatos ou leoas e gatas!

 

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Faça comigo, faça para mim, mas jamais faça para meus filhos!” – dizia a Dona Dora na sabedoria que vertia do amor de seu coração e moldada nas experiências da vida. É próprio das fêmeas, ou melhor, é natural e esperado de todas as mães humanas e das animais. Elas suportam de bom grado e com resignação às adversidades, durezas, atribulações e tormentos para que seus amados rebentos não os sofram. E tenha a certeza de que uma mãe acuada em defesa dos filhos será uma fera com todos os instintos que a natureza lhe deu e que a vida em sociedade obrigou-a a reprimir. No seu íntimo, no seu coração e nos confins de sua alma seus filhos potencialmente “estão certos” e “têm razão”. Entendem o comportamento, por vezes, até irracional de uma mãe quando sente sua cria “agravada e ofendida” por quem quer que seja? Até e frequentemente por professoras. O contrário é verdadeiro – quando uma autoridade ou alguém abraça ou beija seu filho ou qualquer criança, o coração materno enche-se de orgulho e glória. E uma gata manhosa ronrona! Infelizmente isso é uma arma engatilhada pelas criaturas desejosas de seu apoio. E do nosso.

 

Cr & Ag

 

Elis Regina cantava e encantava com sua afinadíssima voz: -… O homem que diz sou, não é, porque quem é não diz… Encaixa-se em alguém que você conheça? Pois certo cidadão era um modelo de coragem e valentia e parecia “parar rodeio com meia dúzia de oponentes”. Sempre arranjava algo para discutir e discordar. Um leão nas arquibancadas do futebol e mais ainda nas peladas com os amigos. Todos conheciam seu temperamento “difícil”. Várias vezes seguravam o bruto de engalfinhar-se em alguma contenda: – Pô meu, isso é uma brincadeira, é jogo entre amigos! – Ou: – Sossega leão! Conheço teu gênio! E por aí ia. O que poucos sabiam era de que no recôndito do lar era um gatinho. – Como assim? Assim mesmo. A mulher mandava e desmandava. Tripudiava até. Havia entrelinhas que até levava alguns sopapos. Pois numa arquibancada de Grenal, quando as torcidas ficavam bem próximas, o bate-boca foi atalhado com: – Esse cara ou é corno ou é comuna! E para seu azar a turma do deixa disso, deixou. Levou uma sova de juntar moscas dum baixote, atarracado e de camiseta vermelha. A Brigada levou um tempo para tirar o outro de cima dele. Nunca mais sua valentia extravasou intempestivamente.

 

Crônicas & Agudas ou Cr & Ag

 

Um amigo levou seu filho a um desses circos que se apresentam em Porto Alegre. Seu desencanto: – Edinho de Deus, eu sempre gostei dos cachorrinhos fox e seus malabarismos e agora nem leão e nem cão! Mas seu filho adorou os palhaços. As crianças sempre gostam dos palhaços em circos ou nos aniversários. E muitos adultos votam neles, fazendo-os “seus representantes” e gerindo seu destino. Pode?! E como adultos somos atormentados pela fúria insana do “leão do imposto de renda”. Enquanto alguns são solenemente devorados, outros recebem a “graça divina” e passam incólumes. Duvida? Há criaturas que trabalharam em zoológicos vendo animais nos videogames e logo quando o pai é eleito tornam-se pessoas ricas, muito ricas, riquíssimas num estalido de dedos. E o poderoso e onisciente leão do IR? Certamente sua fortuna, não como de tantos outros apanhados por algum hércules da magistratura, provém de seu enorme e fulgurante talento que desabrochou pelo viagra eleitoral. Há casos de leões travestidos de mimosos gatinhos que se esfregam às pernas dos seus amos e senhores. Há quem faça a analogia e emparelhe a vida comum com a vida circense, tendo a estonteante dificuldade de saber o lado do picadeiro em que a criatura está. Geralmente sabemos quem é o domador e ouvimos o estalido do seu chicote, mas a esperança ainda vive. Insiste em viver e ter mais… Esperança. Depende de nós enxergarmos a realidade, jamais temermos os leões pelo urro ou pela juba dourada ou oxigenada e ter a certeza de que a justiça real triunfará – se fizermos a nossa parte!

Coração Partido

Fadiga de Combate – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 06 Outubro 2015

 

2015 – 10 – 06 Outubro – Fadiga de Combate – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

Fadiga de Combate

 

"Este é um santuário para guerreiros, tirem estes covardes daqui, eles fedem!" –       George Smith Patton, Jr.

 

U

m dos maiores generais de todos os tempos, conhecido como “Old Blood and Guts”, foi tão amado quanto odiado por comandados, colegas de farda e políticos. Comandou o 3º. Exército americano na Segunda Guerra Mundial e foi preterido pelo General inglês Bradley para o comando geral na Europa. Coragem sem igual. Caracterizava-se por estar nas primeiras linhas de combate ao lado de seus soldados, muito religioso e acreditava na reencarnação. Libertou milhares de cidades e povoados da Europa num avanço de tropas poucas vezes igualado na história das guerras. Aprisionou e tirou de combate cerca de 2,5 milhões de inimigos. Visitava aos hospitais de campanha, tinha por hábito sentar ao leito, conversar e orar com feridos, escrevia cartas pessoais às famílias de seus soldados, estranhou então que várias camas eram ocupadas por homens sem nenhum ferimento, até jogando cartas ou conversando. Tinham diagnóstico de “fadiga de combate”. Há controvérsias que tenha esbofeteado um militar com suas luvas nessa ocasião. Mas a história registra a sua frase acima num hospital do front de Palermo.

 

Cr & Ag

 

Alguns médicos e terapeutas empregam essa expressão para caracterizar pessoas que ao curso da sua vida por enfrentarem situações angustiantes, estressantes ou de trabalhos físicos e mentais exagerados para suas capacidades estejam acometidos de “fadiga de combate”. Próximo ao fim de mais um ano em que somente alguns sabem que seu emprego e salário está garantido e a maioria dos brasileiros vê a “bonança” alardeada pela propaganda governista transformar-se em tristeza e desesperança. Logo ali está o Dia das Crianças. Sabemos e desejamos que realmente uma criança habite cada um de nós, com a sua esperança, simplicidade e raias de pureza infantil. Acalentamos a mentira que “não sabia” ou “vai corrigir” ou talvez que a culpa fosse do sofá, da conjuntura, dos outros e continuamos entregando “à Deus, que Ele vai ajudar”, quando pouco nos ajudamos. Afinal ele é brasileiro e foi visto doando um estádio ao Coríntians e distribuindo benesses pelos BNDEs da vida.

 

Crônicas & Agudas ou Cr & Ag

 

O cenário – família encarcerada num automóvel retornando do litoral com criança com febre alta e gastroenterite. Vômitos e diarreia. Desidratação. Já sem o soro ou água. Centenas de veículos engavetados sem nenhuma possibilidade de andar. Talvez outros carros com enfermos ou outros problemas. Lá à frente uma manifestação de “funcionários públicos” contra o parcelamento dos salários e outros eternos etecéteras. A mãe sai do carro com o filho nos braços, outras pessoas acodem. Telefonam. A desgraça parece não ter fim! Tempo depois a criança desfalecida é atendida por um médico também preso pelo protesto. Toda e qualquer simpatia dessa família e de outras com os manifestantes acabou com a frase do pai: – Eu pago meus impostos, sou carneado pelo governo, nunca soneguei e nem roubei, não recebo nem o básico do governo e dessa gente, quantos safados e parasitas nos cargos públicos… O problema é deles, mas não vou desejar que os filhos deles passem o que o meu passou.

 

Junte-se à insânia de brasileiros sobreviventes da violência, da criminalidade disseminada e protegida pelos direitos humanos dos marginais, das escolas sem aulas, da educação de péssima qualidade que jamais será resolvida com salários em dia ou maiores, dos hospitais sem vagas e dos ambulatórios como corredor da morte e da desesperança de ver o Brasil que deixaremos para nossos descendentes. Mas como lá no início – jamais deixar de combater e lutar por dignidade nos lares e nos organismos públicos. Essa é a guerra de cada um de nós, sem nos escondermos na criança que nos habita ou na fadiga de combate.

Mãos e Energia

Aquilo que eu não digo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 29 Setembro 2015

 

2015 – 09 – 29 Setembro – Aquilo que eu não digo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

Aquilo que eu não digo

 

T

alvez, com exceção dos golfinhos, sejamos os seres terrestres que mais neurônios usamos para nossa vida e nossa comunicação e interação com os outros seres e conosco mesmo. A nossa essência vital exige e necessita que estejamos próximos de outros seres e que neles busquemos algo que entendemos como retribuição, mas que verdadeiramente é a confirmação daquilo que sentimos e ansiamos de nós mesmos. Vamos a uma pequena história e real como essa crônica. Um casal de amigos, depois de longa viagem de motocicleta em que atravessaram o continente, saindo aqui do oceano Atlântico e estando sentindo no rosto a maresia do oceano Pacífico e com os olhos absorvendo belezas embaladas por aves bailando a sua volta e a mente agradecida acomodando tantas emoções, curtia-se naquele dia que de moldura e tela de fundo cumpria as bodas de vinte e cinco anos de amor. Eis que ela entre carinhos e reticências, argui-lhe: – Tu me amas mesmo? – os corações, mesmo enamorados e entregues, necessitam a confirmação recorrente, como um referendum a cada tempo, o endosso verbal do amor. Alguns suspiros depois em que os olhos se mesclavam e amalgamavam suas almas, ele respondeu-lhe: – Eu me amo!

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Cr & Ag

 

Interjeições anuviaram seu coração. – Então tu não me amas?! – com a dor manifesta nas feições e uma lágrima brotando em desgosto depois de tudo e de tanto… Ao que ele estreitou-a amorosamente em seu peito, beijou com a suavidade do beija-flor os seus lábios que se afinavam e após retirar alguns cabelos que a brisa do mar trazia para sua face, explicou-lhe: – Eu te amo tanto e por tudo, porque eu me amo. Ninguém consegue amar integralmente e realmente outra pessoa se não se amar absolutamente. O amor sai do meu coração e da minha alma, vai ao teu coração e à tua alma e retorna para mim com essa essência imortal que é o nosso amor. Ela talvez ainda não tivesse assimilado, digerido e compreendido, mas suas palavras reverberaram profundamente, como sempre, e uma sinfonia em perfeita sintonia acomodou-os no amor que tanto e tão bem ainda hoje (outros vinte e cinco anos depois) cultivam, protegem e exercitam. Palavras! Podemos demonstrar o que somos e aquilo que sentimos pelo outro de tantas e tão maravilhosas formas e maneiras. Pela linguagem corporal desde o singelo piscar de olhos ao abraço mais íntimo. Podemos amar intensamente e não somente habilmente copular. Ou presentear. Dançar ou somente entregar-se a uma melodia ou a sua poesia. Ou uma mensagem escrita do próprio punho e com os perfumes de nosso ser. Tantas e tão belas e sublimes maneiras e alternativas!

 

Crônicas & Agudas ou Cr & Ag

 

Mas, para a imensa maioria de nós humanos, jamais podemos ausentar as palavras, ou desmerecê-las, e tardá-las. Postergando-as para outro tempo, outro momento ou quando for preciso. Para quem? Não dominamos o tempo. Quando eu devo ou posso e não digo talvez jamais aconteça de poder expressar-me novamente e o amor será ensombrecido, tisnado nalguma alma. – Eu sei que ele (ou ela) sabe do meu amor! – tantos dizem assim. Tantos relacionamentos acabam ou não evoluem assim. Precisamos e nossas almas necessitam da verbalização integral, completa, da voz mais real do nosso ser, não como a arma do convencimento espúrio, mas com o dom e a benção de nos aproximarmos e nos integrarmos com a essência das existências, com a luz da vida – o amor! O daqui a pouco ou outra hora não nos pertence. Transfira o amor entre dois seres de um casal para qualquer situação de amor e nada muda desse entendimento. Somos seres de amor e de ódio. É absolutamente errôneo o entendimento de que nascemos puros e somos desvirtuados pela vida. Estamos nessa existência com os conteúdos de amor e de ódio, entre outros, trazidos pela nossa alma imortal. O ruim e o belo fazem o que nós somos, mas também nos habilita, permite e nos dá as ferramentas essenciais para evoluirmos… amando. E verbalizando! Tornando em palavras aquilo que somos e para quem somos.

 

 

 

Desengate, Ferro na Boneca, …–A Língua do Povo! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 22 Setembro 2015

 

2015 – 09 – 22 Setembro – Desengate, Ferro na Boneca – A língua do povo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

Desengate, Ferro na Boneca,… – A Língua do Povo!

 

U

samos e, por vezes, até abusamos das expressões coloquiais. Não pelo temor de ser visto como pernóstico, mas pela facilidade e fluidez do entendimento. “Vox populi, vox Dei”? Cada região e cada época no seu tempo e realidade as empregam e logo ali adiante, com a passagem dos anos, elas tornam-se “desempregadas”. Observe atilado e-leitor que os nomes pessoais abundam (em todos os sentidos!) conforme as novelas da TV ganham ibope ou notoriedade, mesmo que transitório como amor de carnaval. Na minha infância e juventude era correntemente usado “desengate”, por exemplo. Minha mãe, a dona Dora, alertava: – Não fala assim guri. Assim é feio! Mas o Edinho do Cabeleira não compreendia o porquê do “feio”. Logo a usava com os amigos e longe da minha mãe. Um dos meus tios que eu amava muito, o Zé Uia, e que já estrelou diversas crônicas, tinha seu vocabulário com o emprego constante de diversas dessas expressões populares e que muito assistíamos encantados os seus “discursos”. Ao que a dona Dora alertava: – Teu tio já é homem feito e fala do jeito que quiser e guri tem que aprender o certo!

 

Crônicas & Agudas ou Cr & Ag

 

“Desengate” significava sair de uma situação ou de um aperto e partir para algo melhor ou novo. – Bah meu, larga dessa mina. Essa mina é que nem corrimão de ônibus, qualquer um chega e enfia a mão! – alertava o mais experiente. – Cavalo lerdo e mulher ligeira, ninguém segura, ninguém busca! Desengata meu!”– outro amigo. – Isso não é trabalho, já é uma escravidão. Te desengata! – Vê se estuda e sai dessa, te desengata e vê se não roda de novo! – assimilaram o golpe do “desengate”? Ao jovem, o imediatismo e o atropelo das emoções e das vontades torna o raciocínio pesado e até desnecessário. Veja como a grande maioria dessas expressões tem algum fundo sexual. Como quase tudo na vida humana e animal. Sexo e poder, poder e sexo! Inclusive oculta nas siglas partidárias. Duvida? Veja: PT – Poder e Tesão! Analogia livre. E desengate estava nesse leque observado pelo catolicismo de minha mãe, mesmo que ela nunca tenha me decifrado o “feio”, mas ali estava a busca da virtude moral.

 

Cr & Ag

 

“Isaac Newton estava dormitando sob uma macieira, entre cochilos e roncos, eis que senão quando uma maçã vermelha como a face ruborizada de uma branquela envergonhada ou como a camiseta colorada lhe caiu à cabeça. E foi nesse sopapo vegetal que lhe aflorou a Teoria da Relatividade. E nada mais foi como antes. Nem para as maçãs vermelhas e nem para os dorminhocos!” – T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse. Pois foi num desses “eis que senão quando” (ansiava usar essa expressão) que flagrei o interlúdio amoroso de um cão e de uma cadela no calçadão central. Floreios e preliminares. E… entende? Ato consumado, amores consumidos. A cadela roda a cabeça e lança sofridos olhares. O cão, antes atlético e heroico, com um olhar triste permanece atrelado, unido, ligado ou… engatado na fêmea. É o pedágio que a natureza cobra, desde os tempos da cobra no Paraíso. E deslindar “Ferro na Boneca” torna-se desnecessário e fastidioso agora.

 

Crônicas & Agudas – Cr & Ag

 

O Brasil está ferrado do primeiro ao quinto (alusão ao jogo do bicho), literalmente engatado no maior esquema de roubalheira e corrupção da história desse país e da maioria dos países democráticos. A fala de Hélio Bicudo, fundador do PT, e do Ministro Gilmar Mendes, da mais alta corte de justiça do Brasil, escancara a indignação de uma autoridade com longa experiência de vida e de combate e possuidor de informações que nenhum de nós sequer imagina. Como será esse doloroso desengate com o PT e seus associados? Será que Ferro na Boneca seria o impeachment desejado pela maioria dos brasileiros? A ladroagem aposta na memória curta e na fidelidade religiosa, assim como no limitado entendimento, no escasso e simplório raciocínio, na conversão regiamente paga de “intelectuais” e de segmentos da imprensa e formadores de opinião e coloca a culpa no sofá (inimigo externo ou “elite”, capitalismo, ianques, etc). E você e-leitor?

Governo come nosso dinheiro

Quanto vale a sua vida? – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 15 Setembro 2015.

 

2015 – 09 – 15 Setembro – Quanto vale sua vida – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

http://www.edsonolimpio.com.br

 

Quanto vale a sua vida?

 

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ara entendermos certas coisas precisamos de um exercício mental, uma musculação na lógica e na matemática que nos acompanha e até atemoriza. A primeira ideia é de que “a vida não tem valor”. Observem que aqui se desencadeia o duplo sentido. Para o criminoso no “exercício de sua profissão” (muito importante no contexto social e amplamente defendida pelos direitos humanos do criminoso) a vida da sua vítima é algo chamado de dano previsível ou efeito colateral. Ao cidadão com o filho gravemente enfermo em seus braços e correndo pelos postos de saúde e emergências lotadas sem um atendimento necessário e eficaz, a vida é tudo e trocaria a sua pela dele sem pestanejar. Outros entendem que o rico e o miserável valem diferentemente. Os poderosos tratam-se nos melhores hospitais e os pobres ficam entregues à demagogia e aos mitos repetidos à exaustão ou na esperança de uma nova CPMF salvadora. Vida é poesia, e arte, encanto dos escritores e dádiva de Deus. Quanto vale a vida de um brasileiro? Um cidadão comum como eu e você. Não sabe? O governo brasileiro sabe! Pegue um documento de propriedade de veículo (DUT) e leia no verso: R$ 13.500,00. A invalidez permanente vale o mesmo – R$ 13.500,00. Agora você sabe quanto cada um de nós vale e leia um pouco mais e verificará que terceirizaram o valor da nossa vida.

 

Cr & Ag

 

Esse governo que nada viu e nada sabe também terceirizou a nossa saúde entregando-a para estrangeiros de qualificação incomprovada e suspeita, pois é mais útil para a ideologia amamentar e nutrir o governo cubano do que colocar brasileiros aprovados em concurso público e com planos de carreira para tratar brasileiros. Morrem mais de 60.000 brasileiros anualmente, durante e no tempo imediato de acidentes de trânsito. Uma quantia não revelada morre tardiamente das complicações. Corpos, mentes e espíritos mutilados vagam dolorosamente embretados em ônibus, vans, ambulâncias e cadeiras de rodas. Não terão batedores de escolta, helicópteros ou as UTIs e suítes do Hospital Sírio Libanês ou equivalentes – jamais os genéricos, se me entendem! Os sobreviventes tentarão buscar o seguro DPVAT de R$13.500,00 na burocracia maligna e na lerda justiça e logo estarão vegetando na humilhação da aposentadoria do INSS e estampados no Jornal Nacional em pronunciamentos dos “entendidos” de que eles são “a causa da desgraça das contas públicas”.

 

Cr & Ag

 

“A culpa é do motorista” – é o refrão do hino tétrico e satânico que permite formação sumária para conseguir carta de motorista (habilidade em dirigir? – talvez bem mais tarde), justiça leniente e até conivente com o poder,… a lista é longa. E estradas obsoletas e sem a mínima e necessária manutenção. Quando fazem algum remendo com uma “moussé de chocolate negra”, a sinalização tarda e quase nunca aparece e as simplórias faixas pintadas no piso ou as placas pichadas dos acostamentos favorecem as mortes e mutilações. Você que teve a coragem de acompanhar-me até aqui está constatando que é mais barato para o governo brasileiro pagar algumas indenizações de R$ 13.500,00 do que cumprir sua obrigação legal e constitucional. Isso é custo benefício? Quer dar outro nome? Não, você não é um Zé Ninguém! Você é importante! Você é um Zé do Voto e uma Maria do Voto! Você ainda não sabe o poder da sua arma, mas muito dessa escória que elegemos e até idolatramos sabe e teme. Quem tem, temer! Se você ainda transpira sangue para pagar plano de saúde, escola particular, vestir-se e comer, água e energia elétrica mais cara que o preço da morte brasileira e ainda trabalha cinco meses do ano para sustentar a roubalheira como fratura exposta no Mensalão e no Petrolão, fique esperto e olhe nos olhos de sua família e saiba quanto valemos em real para a real elite brasileira. A mesma elite que se alimenta de consultorias, palestras, salta das estradas acidentadas para jatinhos executivos de empreiteiras, das moradias pagas sofridamente em trinta anos para coberturas de cinema e condomínios de luxo. A elite cujos filhos tornam-se gênios dos negócios com o advento iluminado dos pais ao panteão das poderosas divindades no governo e nas estatais. Então, “se toca meu”, como diz um amigo motociclista: R$ 13.500,00!

 

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