Carta Aberta à Secretária de Saúde de Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 01 Setembro 2015.

 

2015 – 09 – 01 Setembro – Medicamentos, Carta Aberta ao Secretário de Saúde de Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Carta Aberta à Secretária de Saúde de Viamão.

 

Cara Gestora

Sandra Sperotto

Secretária de Saúde

Município de Viamão.

 

Referente: medicamentos denominados de “Amostras Grátis” distribuídos pela indústria farmacêutica nos consultórios e ambulatórios médicos; medicamentos entregues por pacientes ou familiares por mudança de tratamento ou outros fatores, mas em perfeitas condições de uso.

 

Sou atualmente o Médico viamonense com maior tempo de vida profissional contínua aqui na minha cidade natal e tenho ao longo desses mais de 40 anos de atividade recolhido os medicamentos distribuídos pela indústria farmacêutica através da visitação de seus propagandistas e representantes com o objetivo de beneficiar aos pacientes. E principalmente aos mais necessitados. É consciência geral que as deficiências generalizadas da saúde pública brasileira precisam contar com as medidas clássicas e convencionais assim como a implementação de novas atitudes que viabilizem tratamentos mais eficientes e universais. Durante os anos em que trabalhei na Unidade Sanitária, Rua José Garibaldi, por solicitação pessoal do Prefeito da época e por cedência do Ministério da Saúde, trazia ao posto vários medicamentos necessários para variadas especialidades clínicas até que a chefia da unidade acusou “ordem superior para não receber ou distribuir amostras grátis”. Constata-se que em consultórios e clínicas de Viamão grandes sacos de amostras grátis são mensalmente encaminhados para descarte sem nenhum benefício aos necessitados. Já entreguei para vereadores vindos pelo Jornal Opinião muitas amostras grátis que beneficiaram sua assistência comunitária em consultórios não visitados pela indústria. Os próprios pacientes e seus familiares retornam para o consultório os medicamentos não utilizados e até recebidos nas Unidades Sanitárias. É amplamente conhecida a dificuldade em repor e ampliar estoques e tipos de medicamentos.

 

Pergunto-lhe Cara Secretária! Há como a Secretária de Saúde absorver os medicamentos recebidos em absoluta gratuidade e redistribuí-los aos cidadãos viamonenses como já é praxe em vários municípios brasileiros, segundo a grande mídia? Se positivo, como fazer para que esses medicamentos tenham um melhor e mais digno destino? Se negativo, há projeto definido para que os cidadãos viamonenses, principalmente aos mais carentes, sejam beneficiados com aqueles de medicamentos? Acredito que com a conscientização e participação dos médicos, demais profissionais da saúde e de seus colaboradores teremos uma nova fonte de medicamentos aos viamonenses. Igualmente importante é o florescer, crescer e expandir a consciência das pessoas em participar, contribuir e dividir o que lhe sobra com os necessitados e auxiliar os serviços públicos.

 

Sendo tema importante e de grande necessidade social, a melhor e mais digna assistência aos enfermos e necessitados, certamente nenhuma bandeira política ou ideológica seria contrária ao enfermo, essa coluna estará aberta para sua resposta. Estaremos igualmente conscientes das manifestações dos representantes do povo no Poder Legislativo e da Chefia do Poder Executivo.

 

Agradeço a atenção!

Aguardo!

Saudações!

 

Edson Olimpio Silva de Oliveira – Cremers 7720

Viamonense – Médico – Escritor – Cronista do Jornal Opinião

 

clip_image002

Solidariedade! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 09 Setembro 2015

 

2015 – 09 – 08 Setembro – Solidariedade – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Solidariedade!

 

A

 vertente católica, evangélica ou espírita da nossa formação brasileira nos inclina à solidariedade com os menos protegidos, com os desassistidos e agora… com os funcionários públicos com salários parcelados. Dias atrás ocorreu uma passeata ou manifestação orquestrada pelo CPERS na avenida central. Roupas negras, palavras de ordem e faixas de protesto. Algumas pessoas assistiam com “pena dos professores” e outros, no entanto, exercitavam a razão. Quem trabalha deve receber. Quem não trabalha deve receber? O estado falido por gerenciamento caótico gerou essa situação. Os contribuintes, que também são funcionários públicos, sustentam uma máquina pública que se alimenta de si mesma e um quase nada para aplicar no velho e sempre necessário básico – segurança, educação, saúde e infraestrutura. E falta muito! Uma orgia populista incendiou as finanças do país. Não há valor moral em ajudar necessitados em causa própria, querendo seu voto, trazendo-o no cabresto maligno e para enriquecer espoliando as empresas públicas e o próprio estado.

 

Cr & Ag

 

Aos 23 anos de idade o metalúrgico abandonou à fábrica e ingressou definitivamente nos sindicatos. Com sua ascensão ao poder o sindicalismo floresceu e seu apetite aumentou. A adesão sindical deveria ser opcional ao trabalhador e jamais compulsória como é. Apesar dessa bonança, as verbas governamentais nutrem direta e indiretamente vários deles. O sindicato defender o salário de seu membro é uma obrigação básica, principalmente por que dali daquele “couro sairão as correias e as rédeas”. Muitos professores lamentam que a “disposição e valentia” do seu sindicato não apareçam na defesa daquele professor sobrevivente na sala de aula acuado por hordas de jovens agressivos e muitos delinquentes. Por sinal, quanto mais trabalha o professor, menos vê seu sindicato. Muitos estranham que a fúria sindical não ataca igualmente os governos do PT.

 

Cr & Ag

 

Você assalariado – imagine-se recebendo o dobro! O dobro, pelo menos. Isso seria perfeitamente viável se “seu sócio chamado governo” e anexos se contentassem com uns 20%. Gostaria de ganhar o dobro? Muitos estão felizes em ganhar menos do que deveriam, mas assim cumprir religiosamente sua devoção ajoelhando e votando nas mesmas biscas que quebraram o país, assim como uma das maiores empresas do planeta e orgulho nacional – a Petrobras. Mas “a culpa é da crise internacional”. Não confundir com a crise do Internacional! Mentiras safadas. Enquanto os outros crescem o Brasil fica no negativo. Bons de propaganda! Papo dez! Realidade é outra coisa. Mentirosos realmente. “Fora FMI”! “Dívida externa”. “Pré-sal”. “Vamos baixar o preço da energia elétrica”. Jamais os bancos faturaram tanto quanto nesses dois últimos governantes brasileiros. Daí a saudade do Collor e sua Fiat Elba. Agora o Collor esnoba com os mais caros veículos do planeta, abençoado pelo lulismo que o cooptou, assim como Maluf e outros. Vários outros!

 

Cr & Ag

 

Que maravilha se o CPERS se interessasse por uma escola de qualidade (estatística Brasil: menos de 9% atingem o mínimo em matemática e até 13% em português), com alunos que saíssem preparados para o mundo real, professores motivados e protegidos da delinquência, professores educadores e não talibãs de ideologia fracassada (comunismo), que o mérito seja a indicação e a razão e jamais o compadrio político obsceno, que profissionais tenham orgulho em serem “professores” e não outros epítetos ideológicos. Lula diz que o “sacrifício é necessário”. Que sacrifício para nós que trabalhamos zurrando para pagar os mais absurdos impostos da Terra e que nada roubamos. Que não falimos com o Brasil, que não quebramos a Petrobras, que não estamos nos escambos sinistros desse vampirismo que nos assola e que Operação Lava-Jato é uma lavagem expressa do Ganso? Nosso sacrifício para a fortuna deles? Legal? Solidariedade?

clip_image002

Diálogo de dois bebês no útero. – 2015–05 Setembro

 

Diálogo de fetos

Com Amor! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – 25 Agosto 2015

 

2015 – 08 – 25 Agosto – Com Amor! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Com Amor!

 

“Querido pai, mesmo que Deus não me dê a glória e a suprema benção de te ver 100% bem, que pelo menos permita que eu caminhe ao teu lado e seque tuas lágrimas e segure na tua mão quando tu precisares. Como tu fizestes por mim.” – Uma filha amorosa.

 

A

 vida sempre tenta nos ensinar, abrir nossos olhos para a realidade, aguçar nossos sentidos para que nessa jornada o nosso tempo seja realmente aproveitado e utilizado em construir e reconstruir nossos corpos, aprimorar nossas mentes e evoluir nossas almas. E nada disso se faz e nem se realiza somente com a mais apurada técnica e o extenso conhecimento, nada existe sem a essência que nos criou no aqui e no agora ou que nos fez humanidade num tempo que ousamos esquecer. Essa essência vital está no toque divino e no seu sopro no barro primordial absolutamente por amor. Amor! Esse amor foi transferido a todos os pais e mães que geram seus filhos. Que fossem todos gerados pelo amor e embalados nos braços, aconchegados junto ao coração, amparados na sua jornada como pessoas de amor nessa que será mais uma vida dentro de uma existência eterna.

 

Cr & Ag

 

Eles (os pacientes) buscam no médico ou no psicólogo a volta ao pai primordial que lhe amparará e com seu conhecimento e por seu entendimento lhes dará alívio para suas dores, talvez uma cura para suas enfermidades e pelo menos um colo de amor para protegê-lo do sofrimento que dilacera seu corpo e macula seus melhores sentimentos. Vocês acompanharam comigo a crônica “A Lágrima do Diabo!” e sentiram comigo emoções e sentimentos que muitos até desconheciam poder liberar. Erga seus olhos e leia novamente o trecho de uma carta de uma filha amorosa ao pai enfermo. Feche os olhos comigo! Apenas um momento! Sinta as lágrimas brotarem de seus olhos e permita-se ser gente como cada um de nós. Choro cada vez que a leio. Acredito que cada um de nós amaria e desejaria com toda a força de seu coração ter alguém – e principalmente uma filha – para “secar as lágrimas e segurar a mão quando precisar”. É a essência divina vertida em bálsamo miraculoso.

 

Cr & Ag

 

Somos seres imperfeitos. Troteamos atrás de ídolos corrompidos que evitamos reconhecer. Defendemos e nos entregamos de corpo e alma para bandeiras de dor e desamor. Devoramos nosso tempo buscando amigos virtuais que nos trazem imagens supérfluas e frases desprovidas de real e pulsátil amor. Ansiamos ser amados! Realmente amados. Há consultas que deveríamos pagar ao paciente pelos ensinamentos que colhemos, pelo amor que experimentamos e pela evolução moral que ousamos persistir e tentar sempre. Tantas vezes embalamos nossos sentimentos em papéis de presente ou no espocar de rolhas vertidas em borbulhas e estalidos de cristal. Nada contra quem assim procede desde que o amor seja o presente maior e jamais confundido, postergado ou trocado. Que cada um de nós e todos nós plantemos essa semente em nossa alma imortal e que num filho e numa filha que Deus colocou ao nosso lado para que amparássemos e guiássemos possam um dia “secar nossas lágrimas e nos guiar” para a Luz e afastar as sombras de nossos sofrimentos. Obrigado!

clip_image002

A lágrima do Diabo! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 18 Agosto 2015

 

2015 – 08 – 18 Agosto – A Lágrima do Diabo! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

“A Lágrima do Diabo”!

 

C

hocou-se com o título? Então abra sua mente e seu coração e vamos adentrar um território de alto risco para o corpo, para a mente e para a alma. Uma paciente trouxe-me sua mais extrema intimidade durante uma consulta. Sou médico de sua mãe e irmão, entre outros familiares. Agora na sua aposentadoria, depois de extensa vida na educação, de ter trilhado as dores da dependência química e dos sofrimentos amorosos, dedica-se ser cuidadora de sua mãezinha idosa. – Doutor, posso lhe contar uma coisa que nunca disse pra ninguém na minha vida e nem para o meu psiquiatra? – com os olhos buscando os meus. E continuou depois da minha concordância: – Penso em morrer. Já pensei em me matar e…! – senti o brutal sofrimento das palavras arrancadas de seu coração. O grande amigo e mestre Dr. Antonio Veiga afirma sempre: – O terapeuta deve amar seu paciente! Entendam como o amor à humanidade, ao ser humano, o amor Crístico e sem nenhuma outra conotação física ou material. Imenso conhecimento técnico é insuficiente para o melhor tratamento se não houver amor. Agora afastada das drogas, a paciente motiva-se com a atenção à mãe idosa e enferma e reparte amor com trabalho espiritual dedicado à comunidade. Na nossa concepção cristã, tirar a própria vida ou simplesmente desejar instaura um processo de dor e culpa que corrói a pessoa.

 

Cr & Ag

 

Nem sempre o terapeuta é somente o psicólogo ou psiquiatra, médico ou representante religioso, mas frequentemente busca-se conforto e apoio no cônjuge, nos filhos e familiares, nos amigos, na fé religiosa e até nos animais. Somos seres que necessitam do toque do amor. Ensinam-nos que temos anjos de guarda ou seres de luz que nos protegem e orientam. No entanto, o lado negro da força está também conosco. Onde há luz há escuridão e sombras entre elas. Somos nutridos pelo bem e assediados pelo mal. Diversas situações levam-nos para esse caminho, descaminho ou atalho fatal – desamor, ausência de horizontes, enfermidades graves ou crônicas com severo sofrimento físico e mental, velhice, mortes de pessoas amadas, solidão, etc. A multifacetada enfermidade depressiva acomete também à criança, apesar da miopia de médicos e familiares. A ciência não criou nenhum aparelho que consiga quantificar ou medir a dor mental ou espiritual. Nem a felicidade! A mesma dor e sofrimento que alguns desdenham, outros são literalmente despedaçados. A mutilação física é medida com a perda de órgãos ou membros, mas muitos acreditam ser “frescura, bobagem” ou outra explicação tosca aos quadros depressivos. A psicoterapia e os tratamentos medicamentosos são da área médica. Nosso alerta é para os demais.

 

Cr & Ag

 

Jamais o terapeuta pode ser o juiz, o júri ou o carrasco do seu paciente. Quem ama deve ter cuidado dobrado e raciocinado. “Dizer a verdade”, “o mundo é assim”, “tempestade em copo d’ água”, “tem tudo pra ser feliz”, “tem gente muito pior”, “essa mulher (ou homem) não vale tua dor” e vai por essa senda para alguém em sofrimento e muito vulnerável, muitas vezes não ajuda como até agrava. Muitas pessoas e especialmente familiares encaram a situação depressiva como aversiva ou contagiosa, uma lepra mental e afastam-se. Em vez de oferecerem o abraço, o ombro, o carinho e a proximidade amorosa distanciam-se. Quantas vezes vemos belos funerais, prantos e lamentações, o retorno dos ausentes e a  sutil ignorância  quando faltou amor em vida. Alertemo-nos! Atitudes e comportamentos, até inconscientes, revelam as sombras da dor interior. “Homem não chora, diz um verso e vai embora!” – tão poético quanto desprovido de verdade. Somos humanos, independente de gênero, cor, ideologia e outros portantos. “O mundo anda rápido demais” e “precisamos trabalhar” serve como atenuante? Quantas vezes não queremos enxergar aquilo que nos machuca os olhos e nos agulha os sentidos, pois nem todos ainda depois de longo esconder (como a paciente) e nem com tal veemência expressa seu desejo que a única certeza depois que nascemos seja mais breve e o suposto alívio – jamais será alívio real! – antecipado. Somos seres imperfeitos em busca de entendimento e assim iluminar nossa alma e afastar as sombras e a escuridão de nós, das pessoas que amamos e de quem estiver nessa jornada.

Anjo e Inferno

Espontaneidade! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 11 Agosto 2015

 

2015 – 08 – 11 Agosto – Espontaneidade – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Espontaneidade

 

O

lhe-se! Sente-se progressivamente robotizado? Ou ainda se conserva natural e espontâneo? No evoluir da humanidade, os povos desenvolveram calendários para marcar suas efemérides ou simplesmente datas especiais. O império romano universalizou a marcação do tempo. Talvez até acreditasse que assim dominaria ou domesticaria o tempo como realizava com outros povos pelo poder de seus generais, suas legiões e seu modo de vida. Doce quimera! No entanto as pessoas passaram a identificar melhor até a data de nascer e de morrer. As pessoas viajavam, emigravam, iam combater em terras distantes e lá plantavam novas raízes e assim novas famílias. E a origem? A Igreja divinizou os dias do calendário com suas datas santificadas e dignas de comemorações. Isso se estendeu às famílias plebeias. E os aniversários deixaram de ser festivos somente aos ricos e poderosos.

 

Cr & Ag

 

No entanto, a roda do tempo jamais deixa de girar e as necessidades das pessoas são “pessoais” (perdão pela redundância escolhida). O comércio aproveitou e criaram-se dias festivos para tudo e para todos. Isso auxiliou as pessoas a demonstrarem seus sentimentos com datas predeterminadas. Quando a vontade de olhar, sentar junto, conversar, abraçar, beijar toca nosso ser, podemos deixá-la bem guardadinha em algum lugar da mente ou do coração e permitir que se exteriorize no dia do amigo, no dia do aniversário, no dia… Olhem que maravilha – sem culpa! Pois isso é normal e todos fazem assim – expressamos. Até amamos a humanidade quando nos conectamos numa rede social. E nos contentamos em ser amados ou lembrados naquele belo e cintilante dia mesmo que a espontaneidade não exista mais.

 

Cr & Ag

 

As mais belas obras literárias ou artísticas brotaram da espontaneidade. Até a sexualidade foi domesticada – “toma o comprimido, em 30 minutos o pênis bate continência e está apto ao combate”. Com data e horário de início e fim. Um ato de amor e com muito amor, para muitos se degenerou numa troca garbosa de fluidos e quando não filmado e documentado para exposição virtual – “somente entre nós!”. Os templos esportivos, da cancha atlética, das piscinas aos gigantescos estádios de futebol – vejam como na Europa os estádios lotam! – buscamos a espontaneidade do grito de vitória ou o berro de dor que a derrota nos avassala. Ali ainda buscamos nossa identidade humana com algo que é intrínseco, interno, íntimo e do âmago de nossa humanidade. Ali os sentimentos florescem e afloram num aluvião. Ali nos permitimos odiar e amar, mesmo aos nossos mais próximos amigos ou familiares. Ali deixamos de lado por certo tempo a robotização crescente de nossos sentimentos e a manifestação de nossas emoções.

 

Cr & Ag

 

Não possuímos o que amamos e tantos se sentem plenos ao amar o que acreditam possuir. Amor? A vida é um contínuo evoluir em desapego. Inclusive dela própria, quanto o mais de datas, posses, presentes e do poder que inebria e corrói nossas sensibilidades, amortece nossos sentidos e sentimentos e embrutece nossa alma. Nada é perfeito. Somos imperfeitos. Sofremos com nossas dificuldades em melhorar, evoluir e “amar” sem datas programadas. A idade será sempre um adversário. Na infância somos incapazes, na juventude, acreditamos na “vida eterna”. Na vida adulta “não temos tempo para isso” e quando os anos pesam, estamos como a árvore velha que pouco ou nada se verga…

Benjamin_Von_Wong_2

O Inverno da Alma – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 04 Agosto 2015

 

2015 – 08 – 04 Agosto – O Inverno da Alma – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

O Inverno da Alma!

 

O sol primaveril em pleno Agosto do inverno do ano doloroso de 2015 entra docemente entre os braços das cortinas e vem agulhar meus olhos. Ainda quero um derradeiro cochilo. Talvez um sonho a embalar ou na preguiça matinal deixar a mente rolar entre os lençóis e respirar no travesseiro tantos momentos, tantas estradas, tantas passagens belas muitas e outras para reforçar nosso espírito no tempo da existência. O clima mudou e as pessoas mudaram. Os cenários mudaram, no lugar dos dinossauros prestes a nos devorar outras criaturas também ameaçam nossa vida. E a vida de nossos familiares. E das pessoas amadas. E daqueles que não conhecemos pessoalmente, mas nos solidarizamos com suas dores e perdas nos noticiários ou na vastidão das redes virtuais.

 

Cr & Ag

 

Há pessoas demais no planeta? Estamos confinados numa ilha cercada de magníficas estrelas, sóis de todos os tamanhos, mundos a explorar, mas literalmente presos numa casa magnífica que tornamos cela ou presídio para uma humanidade que se autoconsome e que no último meio século destruiu mais o planeta que nos de milhares de anos  passados. Está no nosso DNA – Destruição Nos Atrai! Cientistas, ali nas pestanas do século XXI, diziam que nossa nave suportaria em equilíbrio uma população de 2 a 2 e meio bilhões de pessoas. Navegamos com cerca de 8 bilhões de seres humanos uns e outros nem tanto. Continuamos guerreando por mais poder, por ideologias sinistras e fracassadas, por religiões que um deus quer esmagar os deuses dos outros ou seus adeptos. Nada nos satisfaz. O consumo de bens ou utilidades materiais e o consumo do ser humano crescem e os corações embrutecem. Faraós atuais acumulam riquezas numa voracidade que fariam dos dinossauros uns meros predadores de categoria inferior. Qual o caminho? Solução?

 

Cr & Ag

 

Somos seres de amor e de ódio. No instante que uma criança diz para sua mãezinha: – “Quero que tu morra!” – por alguma contrariedade ou decepção, realmente o seu coração e sua alma desejam aquilo. No entanto, dispara-se um gatilho de dor em seu interior e o receio e o medo absoluto de que sua mãe realmente venha a morrer, gera-se um sentimento doloroso, a culpa. Logo o amor contido se extravasa num abraço, num beijo, num choro ou em palavras. Nós seres comuns desse mundo somos inundados e vários são consumidos por ódio. Mas também alimentados, nutridos e acalentados pelo amor. Somente cada um de nós tem o poder divino de optar por qual sentimento ou caminho persistir na sua jornada. Acredito que há criaturas que nascem absolutamente malignas, na sua essência e não se permitem crescer no amor. Seu horizonte será de dor e dominação, posse e poder e o inverno persistirá em seus corações enquanto não desejarem que os raios luminosos do amor modifiquem sua existência. Entenda que não expressamos aqui somente o amor físico, o amor fraternal, o amor paternal, entre outros entendimentos, mas uma modalidade, uma forma, uma essência plena de pureza e absoluta no universo que tem em Cristo o seu modelo.

 

Cr & Ag

 

A transitoriedade do inverno com suas dificuldades e dores tem sua necessidade de entendimento e de aprimoramento e logo seremos despertados de alguma sonolência ou de um coma de sensibilidades alteradas ou quase apagadas e nossas memórias sentidas ou ocultas nos ajudarão a despertar mais alguém. Você já abraçou alguém hoje somente por amor? Espera alguém tomar a iniciativa? Ou algum ser da natureza que nos cerca, protege e nutre? Comecemos! A reação em cadeia necessita de uma primeira explosão. E que seja de Amor!

Disinganno - por Franchescko Kvirolo - 1757

1757 – DISINGANNO – por Franchescko Kvirolo – totalmente em mármore

Luiz Eduardo Gautério GALLO–recebeu livro A Pizza Literária

 

Grande amigo Edson:

O carteiro acaba de entregar aqui em casa o livro que me enviastes.

Como solicitado, estou confirmando o recebimento.

Vou começar a leitura pela página 174. Teus colegas não vão ficar sabendo; depois eu volto às páginas iniciais…

Quero te agradecer a gentileza do envio e ressaltar as palavras da dedicatória. De fato, nos meus 27 anos de Viamão, 1975 a 2002, tive a oportunidade de criar algumas raízes, fazer muitos amigos e marcar principalmente a minha trajetória profissional. E você, Edson, como médico, vizinho e amigo de muitas horas difíceis, sempre me ajudou nessa trajetória.

A distância que nos separa hoje serve apenas para reforçar meu respeito, admiração e carinho, por ti e tua querida família.

Aqui na minha aposentadoria tranquila e olhando o mar da Praia do Cotovelo seguirei acompanhando teu trabalho literário. Nesse momento estou lendo “Não há silêncio que não termine” da Ingrid Betancourt, aquela senadora colombiana que foi sequestrada e ficou 7 anos nas mãos da guerrilha, na selva amazônica. É um bálsamo para o nosso sentimento de liberdade e para reforçar os direitos humanos.

Depois vou atacar de pizza literária!

Abraços e até breve.

Gallo  

A vergonhosa falta de água em Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 28 Julho 2015

 

2015 – 07 – 28 Julho –  A vergonhosa falta de água em Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

A Vergonhosa falta de água em Viamão

 

S

e há pouca água nos rios, falta em Viamão. Muita água nos rios e falta em Viamão. Acreditem há um canalha por trás da vergonhosa situação. – “Inundou a casa de bombas!” – explicam. E muitos aceitam sem interpretar ou discutir racionalmente. Viamão, como muitos municípios gaúchos, têm sua base agrícola na plantação de arroz irrigado. A oriziculturas depende de “casas de bombas ou de máquinas”, chamado de “levante d’ água” pelos agricultores. Jamais soubemos de um levante de água ser inundado, mesmo construído em banhados, várzeas inundáveis e de rios e lagoas. – Por quê? – simplesmente constroem e colocam as bombas, antes diesel e agora elétricas, num nível que as inundações não atingirão. E ninguém usa engenheiros especializados ou técnicos graduados como a senhora Corsan.

 

Cr & Ag

 

– Foi muita enchente! – retruca o Arigó de botas. Imaginem se as plataformas petrolíferas que suas bombas buscam petróleo em alto mar há milhares de metros de profundidade inundassem com essa facilidade. E alegam que a engenharia nacional, como da Petrobrás, é referência mundial. Não para a Corsan! Seria somente incompetência? Construir casas de bombas sem adequada proteção, não ter um plano B numa emergência corriqueira ou insólita, como um terremoto no Rio Grande do Sul. – Haveria uma orquestração sinistra de “verbas complementares, verbas para emergências, aditivos” e outras insinuações como estamos vendo no Petrolão?

 

Cr & Ag

 

Em condições normais falta água no meu consultório aqui no centro quase todas as semanas. No inverno e no verão. Ou no inferno e vocês verão. Trocadilho maldito. Vejam a “Caixa D’Água”! Caminha para ser centenária. Observem que a população cresceu nesses mais de 50 anos! E ela está ali solitária, única, impávida abastecendo e tentando “segurar a bronca”. Várias dezenas de milhares de viamonenses sedentos, corpos em crescente fedentina pelos banhos ausentes, dentes escovados em seco, sanitários esvaziados com água mineral, água usada em proporções homeopáticas anseiam por uma chuva salvadora. Talvez colocar tonéis nas calhas e nas goteiras, cisternas nordestinas e guardar a água, pois quem deveria fornecer pode estar “inundada”, pelo menos na competência afogada e flagelada.

 

Cr & Ag

 

Olhamos e não vemos! Escutamos e não ouvimos! Somos brasileiros e ficamos “nos achando”. Paremos com essa milonga de que “Deus é brasileiro” (faz porto em Cuba e perdoa  ditadores) e nos protege da nossa ignorância e submissão. Elegemos hordas de safados e incompetentes pensando, talvez, no nosso hálux (dedão do pé) ou no dedo indicador. Passando por painéis de obras públicas admiro a ousadia do gestor. – Por quê? Observe, por exemplo, o painel da UPA na Ana Jobim – por sinal, próxima demais da pista de ERS 040, que num futuro alargamento… – veja o custo total da obra! Está até em centavos. Repito – centavos! Não há no Brasil quem consiga calcular com precisão de centavos qualquer obra. Nem em nossa casa. Pior nas obras públicas que se arrastam morosamente sem prazo de conclusão real. Que diga a dona Dilma com seus PACs e obras da Copa! Essa pretensa exatidão é travestida de uma imagem de eficiência e honestidade quando qualquer molusco sabe que há segundas ou terceiras (ou mais) intenções ocultas. O cidadão olha e não enxerga. Kardec na filosofia espiritualista já pregava “a fé raciocinada” em que tudo que “ofender a razão não dever ser bom”. Precisamos evoluir num país em que os alunos terminando o ensino médio são absolutamente insuficientes – cerca de 8% atingiram somente o básico em matemática e 13% em português. Insuficiência escolar completa-se com carência de compreensão e raciocínio básico. Talvez nada disso seja importante, pois precisamos de “espertos” e operários que saiam das fábricas e enriqueçam nos sindicatos ou na vida pública. Ops, sem generalizar!

Alma pampa – Lúcia Barcelos – Poetisa

 

A singular amiga e poetisa Lúcia Barcelos nos apresenta mais um belo poema.

Colaboradora e novamente presidente da ALVI – Associação Literária de Viamão e que prepara mais um livro/coletânea para esse ano em dobradinha dom o escritor e tradicionalista Fraga Cirne – outro inestimável membro da ALVI.

Eds

 

Alma-pampa

 

Tenho n’alma vastas campinas

Cingindo margens de rios!

Tenho vertentes, calafrios

De ventos que dão laçaços,

Sangas, e pássaros erradios,

Que cortam livres espaços!

Tenho n’alma, tiros de laço,

Rodeios e marcações,

Desgarradas recordações

Bordando orlas de açudes.

Tenho n’alma, pedras rudes,

Dores que imprimem fendas,

Mas tenho também as rendas

Suaves, dos sentimentos.

Tenho n’alma, acampamentos,

Espaços cheios de luz,

Festas, congraçamentos,

E a poesia que seduz.

É uma alma descortinada,

Larga, como as coxilhas,

Feita de ermos e maravilhas,

Esta alma que descampa.

Tenho, sim, uma alma-pampa

De saudades andarilhas!

 

(Lúcia Barcelos)

Entradas Mais Antigas Anteriores Próxima Entradas mais recentes