Patente!–Desejo e Necessidade–Edson Olimpio Oliveira

10 Outubro 27/2010 – Patente – Desejo e Necessidade – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas e Agudas – Jornal Opinião

Patente! – Desejo e Necessidade.

– Série Humor ainda é um bom remédio! –

– Ah no meu tempo! Como seria bom ter isso ou aquilo de novo… – certamente escutam essa ladainha até com alguma frequência. Nostalgia! Conservadorismo! Mas se há uma coisa que ninguém quer de volta é a velha latrina. As casas de nossa Viamão jurássica contavam com uma latrina ou patente de casinha no fundo do quintal. Geralmente ao lado do buraco do lixo – sim, um buracão para acomodar o lixo das casas, pois o recolhimento é coisa modernosa.

Contratava-se alguém ou a incumbência era ao familiar mais forte de cavar um buraco profundo de cerca de 1×1 metro de boca. A casinha de madeira era instalada sobre esse fosso. – E o pessoal que não tinha nada disso? – aliviava-se em bananeiras ou mamoneiros plantados estrategicamente e ainda contavam com a criação de aves para fazer sumir os dejetos. Coisa medonha – agora! Na época era normal. A porta da casinha era trancada por uma tramela de madeira e pelas frestas evitava-se de alguém querer utilizar tendo outro no interior. Era coisa para adulto, temiam que as crianças caíssem no buraco de estrume. Papel higiênico também é moderno. Num prego ou num arame pendiam pedaços do Correio do Povo ou papel de pão. Assim nasceu o hábito de ler ao evacuar – será? Era comum o medo de levar uma picadura nos glúteos, pois aranhas habitavam esse local apesar do odor terrível amenizado com pás de cal virgem eventualmente.

– E durante a noite ou com chuva e no inverno? – inquieta-se o atilado leitor dessa coluna instrutiva e reconstrutiva da história defecatória dos gaúchos. Respondendo – penicos! Metálicos ou de louça decorada. Dependia do poder do burguês. Enchiam-se os penicos durante a noite ou nas tormentas e depois eram esvaziados na latrina ou no mato. Ou na cabeça de algum seresteiro intrometido. Aqui no sul cunhou-se a palavra Patente como sinônimo de banheiro ou de latrina. – Por que o nome? – anseia-se o leitor. Essa educadora coluna explica. Os vasos sanitários eram aqueles tradicionais de louça branca. Importados da Europa ou dos Estados Unidos. E traziam impresso “Patent Req.” (Patente Requerida) e Made in USA. Eis que o pessoal da estiva do porto sonhando em ter um vaso daqueles, passou a chamá-los de Patente – coisa de rico. Para bunda de rico! Inclusive um desses estivadores deu o nome de Madeusa para sua primogênita. Made in Usa para Madeusa! Beleza.

Quem gosta de miséria e passar trabalho é gringo rico ou burguês. Pobre quer coisa boa e… Pois tenho um amigo que ao saber do prêmio dos 119 milhões soltou aos quatro ventos o seu portentoso desejo: – Quero uma patente só pra mim! Uma patente só minha e de meu uso exclusivo. Inicialmente causou certo espanto, mas logo entendemos seu “projeto de vida”. Continuou: – Não há romantismo que aguente o fedor de uma defecada (Nota: o termo original é outro). Muito casamento terminou por isso. Devia ter a Bolsa Patente pro cara poder ter paz de espírito e poder se concentrar no ato. O cara até vive sem sexo, agora ninguém vive sem defecar. Me contou um engenheiro que o Presidente na reforma do Palácio do Planalto, trouxe uma patente americana. Com tudo que tem direito a esquerda. Assento aquecido de gel de silicone maciozinho que nem seio de mulher. Sensor de presença com perfume a escolher e som ambiental conectado num Ipod. Internet sem fio. TV LED 60 polegadas. Telefone por satélite e conta paga por nós é claro. Sistema auxiliar para constipação. Galvão Bueno gritando – Vai que é tua Fulano! – quando o cara faz o gol. Jato de água morna e ar quente para secar o pompom. Ambiente climatizado e livre de odores corrosivos. Biblioteca ou torneira de chope gelado – a escolher. Neon na porta – Tem Gente! Com aviso sonoro simultâneo – Vai defecar em outro lugar! Os mimos e utilidades continuam e vai longe, só depende da imaginação e desejo do milionário ou do representante do povo.

Aparvalhado? Boquiaberto? Acredito porque estava lá. Desejos são desejos. E você o que desejaria ardentemente fazer se ganhasse uma bolada na loteria? Ou fosse ungido na política?

Lançamentos Literários.

Livro Arquivo Poético – Antologia de Poemas de Fernanda Blaya Figueiró no dia 03 de novembro, às 18,30 horas, na Biblioteca Lucília Minssen, no 5º. Andar da Casa de Cultura Mário Quintana. Prestigiem!

Livro Encontro Pontual – Antologia de Poesias, Contos e Crônicas – Especial para a 21ª. Bienal Internacional do Livro de São Paulo de 2010. Este colunista que vocês dão a honra de prestigiar participa dessa nova obra literária. Tenho o Conto A Praga do Lençol estampada a partir de página 63 do livro, trazendo uma adaptação livre de uma história que minha mãe contava aos filhos e familiares de uma remota lenda viamonense. Está à venda: www.asabeca.com.br e www.scortecci.com.br.

Ausente

Na vasta folhagem dos acontecimentos idos

pousam pássaros em bando com lembranças no bico.

Faço silêncio total e assim fico,

languidamente,

plena do ausente!

Lúcia Barcelos – Poetisa

Filé de Traíra! – por Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 20 Outubro 2010

10 Out 20 – Filé de Traíra – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Filé de Traíra!

– De onde vem o leite Maria?

– Quando não tem na geladeira, vem do mercado! Ora essa!

A

 família dos Oliveira teve pescadores, caçadores e afins ou assemelhados. Cresci escutando as histórias sobre meu avô paterno – Olimpio Laurindo de Oliveira. Onde hoje é a igreja da Estância Grande, ali tinha o seu comércio de “secos e molhados” (como se dizia antigamente aos mercados ou armazéns em que de tudo um pouco era comercializado) e as terras que foram do seu Olimpio. Caçadas de marrecão durante o inverno quando a temporada de caça permitia e pescarias o ano todo e principalmente no verão.

Pescava-se de caniço com diversos tipos de iscas dependendo o peixe que se desejava. Inicialmente fio de linho ou similar e depois com o advento do nylon, esse tomou conta. Dois peixes principais – jundiás e traíras. Afora as pescarias de lambaris – carás, tambicus, etc.. Os lambaris também serviam de isca para capturar as traíras. O jundiá é parente do bagre e carrega o sangue de baiano – lento quase parando. Já a traíra tem parentesco com a piranha, eu acreditava. São peixes de escamas com dentes afiados e vorazes. Fazíamos um preparo no anzol com arame para impedir que a traíra quando mordesse a isca cortasse o fio de pescar. Tudo artesanal inicialmente. Além do caniço usavam-se redes com uma, duas ou três malhas, estas chamadas de feiticeiras. Também se usavam espinhéis com diversos comprimentos e tamanhos de anzóis.

Meu pai Aldo era extremamente habilidoso em confeccionar esse material de pesca. Ops, esqueci das tarrafas, que meu pai não as usava. Voltando às traíras. Peixes com famosas espinhas em forquilhas que causaram engasgos até fatais em muitas pessoas e que as famílias evitavam que as crianças comessem dessa carne. Lembro do saudoso José Menezes, antigo tabelião do Cartório de Títulos e pai do advogado Dr. Fernando Menezes que nas pescarias colocava postas inteiras de traíra dentro da boca e com habilidade incomum separava as espinhas num dos cantos da bochecha e logo a seguir colhias com a mão em concha, descartando-as. Fantástico. Meu pai também era um dos mais hábeis cozinheiros entre os companheiros de caçadas e pescarias e fazia diversos tipos de pratos com peixe nos acampamentos. Peixe à escabeche num panelão de ferro, na alegria da barraca com os pássaros fazendo coro e eu um guri cheio de idéias e pretensões escutando as conversas dos adultos. Tudo de bom. Eventualmente: – Edson vai lavar os pratos e as panelas! – Isso era a senha que agora o assunto não era para guri. Tudo bem. Já estava bom demais.

– E o filé de traíra?

Pois seu Aldo preferia as traíras menores para retirar o filé. A faca era afiada na pedra e o dedo polegar servia para habilmente testar o fio. Então o filé era deitado na tábua pelo lado do couro e a faca traçava riscos longitudinais e horizontais na carne alva. Nunca mais que 0,5 cm entre cada corte. Isso cortava as espinhas em pedaços minúsculos. Logo esse filé era levado à frigideira com óleo ou banha fervente ao máximo com o fogareiro à querosene roncando. Fritos ao ponto de crocantes. Assim qualquer humano comeria traíras sem o risco de engasgar-se com as espinhas.

Vejam uma vida que carrega o ritual do preparo e anseio emocional com tudo que envolvia uma pescaria até aproveitar o sabor de algo temido, mas extremamente gostoso. Que essa analogia mostre-nos quantos filés de traíra a vida nos oferece. Muitos não sabemos de onde vem – lembram do leite acima? – e outros tantos temos medo ou não sabemos aproveitar o sabor e a energia.

 

 

Indiscreta

Aguardarei o pouso

Das feiticeiras asas que inventas,

E depois das tormentas

Galoparás auroras em meus braços.

Nas manhãs, sem pressa,

Envolvidos na seda dos lençóis e dos abraços,

assustaremos a  estrela distraída

que nos espreitou por toda a madrugada,

e depois, de tão cansada,

amanheceu no céu, adormecida!

Lúcia Barcelos – Poetisa

 

A Criação

Primeiro, era somente trevas.

Depois da Criação,

eram Adãos e Evas.

Em meio a essas criaturas, alguns ardiam inspiração.

E então,

Deus arquiteta:

faz o poeta!

Separa a luz da escuridão.

À treva, denomina “noite”,

À luz, denomina “dia”,

e a esta coisa que arde,

Chama POESIA!

            Lúcia Barcelos – Poetisa

 

 

 

Pensamentos Ruminantes! – Ou nem tanto assim.

 

# Pugilato na Câmara de Vereadores! – Quem bateu? – Quem apanhou? – Somente uma certeza – todo cidadão está envergonhado!

# Votar em branco seria manifestação de racismo?

# Tiririca e Maluf e incontáveis similares! – E depois reclamam das coisas!

 

 

Quando a Vida Continua! – por Edson OLimpio Oliveira – Jornal Opinião – 13 OUTUBRO 2010

10 Out 13 – Quando a Vida continua! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Quando a Vida continua!

 

A

 natureza nos ensina e demonstra que a Vida surge e persiste quando tudo parece conspirar contra. A vida normal das pessoas e o seu dia a dia desde o trivial funk até ao mais erudito e acadêmico atropela as campanhas eleitorais e respira num ritmo frenético daquilo que é contrário e adverso aos sentimentos dos candidatos e partidários de um ou outro candidato. Por mais que nos ensinem de que dependemos ardentemente das escolhas dos governantes e demais políticos, parece que a maioria da população insiste em aproveitar um feriadão, como este passado, por exemplo.

 

Movimentos sociais ou movimentos políticos importam menos do que a cerveja, o churrasco, a oktoberfest, a viagem ao litoral ou à serra? Ou à reunião com os amigos ou familiares? Ou, enfim, as coisas da vida de qualquer pessoa? E o outro lado. Ou outros lados – a turma que come, bebe e respira política. Ou a turma do quanto menos política e governantes e políticos, melhor para si. E a turma intermediária – ou aguenta ou tem algum interesse pela política. Tenho amigos em todos os quadrantes, inclusive naqueles pouco mapeados que mais curtem a sua vida familiar, profissional ou pessoal do que todo o resto. Para os amantes radicais pela turma política, os demais são alienados ou do contra. Contra o que? Contra as suas cores, legendas e ideologias qualquer que sejam. E a felicidade? Com que está a felicidade? Jamais vai haver real felicidade quando a busca incessante do poder for a maior força motriz? Quando alguém disser que a sua felicidade está em servir e somente em ser útil, ou estamos diante de alguma divindade ou pré-santificação, ou numa outra situação mais oculta.

 

Internacional e Grêmio! Observem as correntes dominantes ou os torcedores fanáticos. Aí surge a pergunta inevitável – Felicidade e Fanatismo convivem em harmonia. É possível fanatismo por qualquer coisa e ser feliz? Do deus ou do futebol, passando pela política. É possível aspirar e competir acirradamente pelo poder e ser feliz? É possível fazer feliz aos outros quando a felicidade ou o amor é secundário ou ausente em nossas vidas?

 

Outra face do diamante – o que seria do mundo civilizado se não houvesse pessoas que fizessem política? Talvez toda a estrutura de sociedade nos moldes que conhecemos e vem evoluindo nos últimos milênios teriam sucumbido no nascedouro. O espírito e a gana do predador seriam maiores? Ou dependemos e vamos continuar dependendo das nossas escolhas para que os melhores ou mais aptos nos liderem? E isso somente viceja e evolui na democracia e com absoluta liberdade de imprensa e justiça livre e equânime a todos os cidadãos. Eis quando alguém lamenta ou acusa que “melhores” pessoas ou “sempre os mesmos” concorrem ou lideram, argua se ele ou seus amigos teriam coragem e determinação para enfrentar às pessoas e irem às vias de fato das urnas pelo voto livre. Nem tanto ao céu e nem tanto à terra! – é um bom ensinamento?

Rua Alcebíades Azeredo dos Santos! – Um Pesadelo Diário. – por Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 06 OUT 2010

10 Out 06 – Rua Alcebíades Azeredo dos Santos! – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Rua Alcebíades Azeredo dos Santos! – Um Pesadelo Diário.

 

F

iz minha graduação médica na segunda melhor Faculdade de Medicina do Brasil. Ali também fiz a minha pós-graduação em Cirurgia. Entre tantos e magistrais ensinamentos colhidos de mestres da maior capacidade técnica e visão humanística há uma que trata de situação vivida por nós aqui no Centro histórico de Viamão. Qual o ensinamento no caso? Ensinavam-nos que por melhor que realizássemos os atos cirúrgicos, por mais perfeita que fosse a sua execução e o resultado da sua função ou de livrar o paciente da sua enfermidade, tudo isso poderia ser toldado ou mal visto pela cicatriz deixada. “A cicatriz é a assinatura do cirurgião!” – assim aprendi e com meu colega e meio-irmão Eduardo Dias Lopes realizamos ao curso dessas mais de três dezenas de anos e muitos milhares de procedimentos cirúrgicos executados a tentativa de dar a melhor cicatriz aos nossos pacientes.

Isso, infelizmente no nosso entendimento, não é regra ou conduta de muitos colegas de profissão. Pior ainda quando o ato principal feito na cavidade abdominal ou em outra região anatômica é inadequado de qualquer forma. E cicatrizes de má qualidade estética ou com complicações diversas não são somente obras do acaso ou do risco percentual. O que isso tem a ver com a Rua Alcebíades Azeredo dos Santos uma crucial via de acesso e escoamento de pessoas e carros entre o Centro histórico à RS 040 (San Marino)? Todos sabem que Viamão está sendo aberta ou rasgada para a canalização de esgotos sanitários. O pavimento é arrancado e canalizações são enterradas ou sepultadas. Fecham-se as valetas com os canos. Toda a poeira, barro, buracos e desvios de fluxo de antes seguem intermináveis. Meses passam. Eventualmente fazem algum reparo de péssima qualidade no pavimento em pontos aleatórios. Soltam-se as pedras. Buracos e valetas se abrem. Uma via crucis diária para quem que ali circular – milhares de pessoas e veículos! O comércio fica prejudicado. Os prestadores de serviços sofrem prejuízos econômicos e materiais. A imagem da cidade e de seus administradores fica prejudicada. Diversos cidadãos e leitores procuram-me para que seu pleito seja exposto e uma solução atingida. A analogia, reforço, está em saber da qualidade do serviço sepultado sob a terra!

 

Eleições!

Como minha página é entregue para publicação antes de qualquer evidência de resultado eleitoral, a ausência de comentários sobre o resultado do pleito tem essa justificativa. Voto na Escola Walter Graff. Algo que causou muita estranheza e irritação aos presentes era a extensa fila dos eleitores na seção 177 enquanto as outras três seções não havia qualquer fila na manhã de domingo. Casualidade?

Saudamos aos vencedores e esperamos ardentemente que Viamão tenha sido brindada com a vitória de seus candidatos. Esperamos que o povo viamonense tenha conduzido à Assembleia Legislativa e ao Congresso alguns ou todos os candidatos nativos da região.

Sou Burguês e nem sabia! – por Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 29 Setembro 2010

9 Set 29 – Sou Burguês e nem sabia – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

E na fila do Banco:

– “Sou Burguês e nem sabia”!

C

ausa estranheza a frase acima? Causou inclusive em quem a pronunciou. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas e IBGE cerca de 50 milhões de brasileiros ingressaram na classe média nos últimos anos. Ainda causa mais estranheza os discursos inflamados de candidatos combatendo a “elite dominante”, teoricamente seriam os chamados ricos ou “novos-ricos”. O Brasil agrega nomes entre os bilionários do planeta. E isso é bom. Estamos no século XXI (21). Há quem pense e age como se ainda estivesse no século XIX (19). Naqueles anos dolorosos com o processo de industrialização que a aristocracia dominante perdeu espaço para uma nova classe social que se não ostentava títulos de nobreza ou nobiliárquicos detinha a produção e os serviços gerais. Como exemplo, os profissionais liberais.

No século XX (20) a humanidade enfrentou guerras mundiais, holocaustos e a queda do império soviético. Que soçobrou mais por seus defeitos do que pelas virtudes do capitalismo. Esquerda e direita digladiam-se ainda, infelizmente aos “civis”. Eis que há poucos dias, um dos maiores símbolos do comunismo – Fidel Castro – confrontou-se com sua própria consciência e referiu que o sistema cubano é inadequado ao mundo vigente. Mérito do grande líder ou o pé no pescoço da economia e do povo cubano fê-lo assim sentir. Ou o exemplo do gigante chinês num misto de capitalismo feroz com regime comunista? Anuncia-se que de imediato 500 mil cubanos (10% do funcionalismo) serão demitidos da teta mãe do emprego no governo. Vão ter que se virar para sobreviver neste esboço inicial de economia aspirante à capitalização?

Os Novos Burgueses! O ser humano nasceu para ser feliz ou para sofrer? Para servir ou ser servido? Para conquistar seus desejos ou permanecer sufocado em suas aspirações? Mais de 2/3 da nova classe média estudou mais que seus pais. Mais de 2/3 tem e aspira melhorar os confortos disponíveis no mercado. Mais da metade faz turismo e os que não foram planejam viajar ao exterior. Mais de 2/3 tem computador no lar. E por aí vai. Há que acredite e propague que o brasileiro cresce apesar de seus governantes que cravam cerca de 40% de impostos no cidadão que paga as más administrações de todas as cores. Somam-se as rapinagens dos políticos e de seus comparsas fartamente publicados na mídia.

Quem não quer ser burguês se isso significa comer melhor, morar melhor, ter um carro melhor, estudar melhor, enfim viver melhor e oferecer uma vida melhor para seus familiares? Outro dado interessante, cerca de 2/3 gostaria de continuarem morando na mesma região, mas com melhores condições de infraestrutura e segurança. Qual ou quais os caminhos para ser um novo burguês? Ou para crescer sem causar mágoas – um novo classe média? Estudo de qualidade, trabalho e estabilidade econômica. Em algum tempo teremos uma nova consciência coletiva da sociedade pela liberdade e pela realização dos sonhos. Em tempo – quer coisa mais burguesa do que as carreatas que aí estão colorindo ruas e estradas? Milhares de veículos, a maioria com menos de dez anos de uso desfilando com bandeiras e adesivos em competição democrática e ostentando seus recursos e posses? Ser burguês é crime ou pecado? Usufruir do esforço próprio e trabalho é o mesmo que locupletar-se pelo trabalho alheio ou nas maracutaias sem fim? Um espiritualista falando sobre “Nossa Casa” lembrou que “nos planos mais evoluídos e iluminados não há Direita ou Esquerda…”

De Faca na Bota! – por Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 22 Setembro 2010

9 Set 22 – De Faca na Bota! – Especial Semana Farroupilha 2010 – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

De Faca na Bota!

– Especial Semana Farroupilha.

O

 dia amanheceu azedo! E com gosto de pelego na boca. Eks! E era pelego mesmo, pois a criatura ainda roncava como Mercedes Benz atolado na Faxina. A baba grossa escorria pelo canto da boca deformada pelo sono modorrento. – Coisa de bebum! – cochichou a prenda que raspava o estrume fresco da sola do sapatinho. O marido, índio dos mais machos, olhou para outro lado disfarçando o constrangimento de ter que se explicar pro taura. E acelerou a retirada.

Uma mistura de bordogue com o cão dos infernos de Dante guarnecia o dono. O animal deformado pelas cicatrizes de peleias com touros sanguinários tinha o couro repuxado como roupa amarrotada. Mas, como sentinela, continua ali. Olhos relampejando e o gosto de sangue nas presas expostas.

Madrugada anterior. O carteado corria solto no encerado do pala vermelho estendido sobre a mesa. A costela tinha deixado seu recado nos bigodes e barbas lustrosas. Agora somente a cerveja ou algum liso de cana descia a goela ardida. Algumas mãos tremiam empunhando as cartas. Olhos escondidos nas sombras das abas largas. Esta bailanta de mãos e cartas deixou somente dois pelejadores naquela arena rubra. A aposta final era uma égua crioula tri-premiada nas canchas retas de Carazinho. Seu nome: Brizoleta. Jamais havia perdido, inclusive para os cascos lisos dos castelhanos.

– Tão pifados os dois! – murmurou entre uma tragada de palheiro e uma cuspida pro lado do Demenciano.

Gumercindo puxa lentamente uma carta do lombo do baralho.

– Sete belo! Bati, eta porquera! – berrou dum salto só de euforia.

– Me roubaste desgraçado! – relinchou agourentamente o índio Jordão. Meio sangue guarani com castelhano foi expurgado da Brigada depois de deixar as tripas de um coronel lambendo o chão e ainda ostentava a fama de matador nas barrancas do Uruguai. Na revolta de mau perdedor berrou aos quatro ventos: – Não vais viver pra contar vantagem! – e puxou de uma adaga camuflada dentro da bota rustilhona. Gumercindo, num lance de sobrevivência atirou-se pra trás chamando o pala vermelho para o braço esquerdo. Enrolou no braço num sobressalto de sobrevivência aos possíveis golpes da adaga. O pala seria defesa ou mortalha. A platéia abriu um clarão derrubando bancos e mesas, num salve-se quem puder de dar dó. Já tinha valente enchendo as bombachas. A turma do deixa disso xiru véio e quem te pede sou eu sumiu do mapa. O aço branco riscava o céu da barraca de lona.

Gumercindo caído ao chão buscava alguma defesa ante a fúria avassaladora do oponente. Eis que o bordogue saído de algum lugar incerto e não sabido saltou em defesa do dono e companheiro. Seus caninos enterraram-se até o osso no braço assassino. O índio era muito grande, mas até gigante tem hora de ajoelhar-se. O inesperado ataque do cão fez Jordão tropeçar num banco e cair em direção do Gumercindo. Eis que apareceu um espeto, ainda com um resto de costela seca, na mão desesperada da quase vítima. E o espeto entrou cantando um hino de morte na barriga de Jordão. Entrou ali naquela zona encascurrada do umbigo e saiu faceiro pelo lombo da criatura. – O sangue jorrava que era a coisa mais linda de se ver! – contava faceiro um dos valentes espiando ao longe.

Resumindo – a polícia levou o defunto e liberou o trago pra acalmar os ânimos. Como o delegado estava por perto e viu a cena declarou legítima defesa e mandou vacinar o bordogue. E o resto? Ninguém sabe ao certo onde começa a lenda da peleia num acampamento farroupilha e onde termina a realidade. Mas tem uma sepultura no fundão de São Luiz Gonzaga com um espeto cravado e uma coleira de cão.

Vocabulário auxiliar:

– Bebum: pessoa alcoolizada. – Taura: gaúcho valente. – Bailanta: baile gauchesco. – Sete belo: sete de ouro nas cartas. – Pifados: no jogo de carta pif-paf quando o jogador está por uma carta para vencer ou bater. – Encascurrado: com sujeira ou cascão. – Rustilhona: tipo de bota cano alto com tira de couro apertando a boca contra a perna.

Siglas! – por Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 15 Setembro 2010

9 Set 15 – Siglas – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Siglas!

H

istoricamente as siglas surgiram em nossa língua pela sua raiz latina. Os romanos já eram eméritos usuários de siglas. E cravaram uma sigla até na Cruz de Cristo. Assim o brasileiro tomado de um encanto varonil abraçou-se às siglas. E na política e na administração pública as siglas fincaram pé e tornaram-se parte do império do administrador de plantão.

Vocês comiam sopras de letrinhas nas suas infâncias? Quando a dona Dora, mãe do Edinho, ia preparar uma sopa com a massa de letrinhas, espalhava um pouco sobre a mesa. O Edinho ficava ali extasiado juntando letrinhas de massa tentando formar alguma palavra. Aqui entra a Teoria Evolucionária de Darwin – a criatura deixando de ser analfabeto, buscando evoluir para algo mais letrado. Sofre um abalo em sua evolução quando usa o alfabeto para criar a aberração da pichação. Eis que continua ou pode ficar nesse limbo ou umbral. Ou ainda humanizar-se abandonando essa animalidade destrutiva.

As placas de sinalização das rodovias foram acrescidas de mais uma letra ao RS 40, por exemplo. Pergunta para que? Vamos tenha coragem! – Pra que Edinho? – Meu caro e paciente leitor, há duas possibilidades principais. Primeira – o toque pessoal do gestor público! A criatura precisa mostrar algo de útil (?) em sua gestão. Fazer algo para ficar diferente dos anteriores. Poderia ser um lado artístico? Imagine a criatura reunindo seus eleitores e sua família e mostrar em grande comício com carro de som: – Eu botei essa letra aí na placa! A claque agitando bandeiras e aplaudindo. Se alguém perguntar onde está a rodovia, sim porque ali parece superfície lunar ou as trincheiras farroupilhas, será espancado e perseguido. Segunda – contratar agências de publicidade, trocar placas de sinalização, mapas e documentos, enfim tudo com as novas denominações. Custo disso? Alguém pergunta? Alguém se importa? Eventualmente isso pode explodir em mais um dos intermináveis escândalos que contam com o esvaziamento pelo tempo ou com a complacência do voto do eleitor. Algum cidadão ofendido pode usar siglas para defender-se. Pensam em alguma?

Todos os governantes usam de siglas para nomear seus projetos e seus planos de ação. Os resultados reais quase invariavelmente ficam na penumbra do esquecimento. Teoria do Caos? O que está péssimo ainda pode piorar. Ou na versão popular – “o fundo do poço ainda tem vários subsolos”!

Tenho conversado com empresários que persistem no discurso de que “são sempre os mesmos que concorrem e por que não aparecem outros melhores”? Melhor ou pior pode ser subjetivo.  O que ocorre é que além dos políticos profissionais – e nada contra eles – os tais “melhores” não tem a coragem de assumir suas ideologias, posições e intenções. Nem de botar a face na janela e buscar ser votado. Escondem-se dizendo que no comércio e na indústria não podem participar ativamente nem apoiar explicitamente. Isso é falso. Em vários locais empresários apoiam economicamente e ideologicamente diversos candidatos e lutam por suas ideias pessoais ou de classe. Isso é admirável e respeitável. Ficar na penumbra acusando é que não contribui positivamente. Há que ter coragem e responsabilidade!

Fisioterapia da Espiritualidade! – por Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 08 Setembro 2010

9 Set 08 – Fisioterapia da Espiritualidade – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Fisioterapia da Espiritualidade!

Vivemos numa época muito interessante da evolução humana. Ao lado de invenções fantásticas que a cada dia extasiam nossos sentidos, nestes últimos cinquenta anos o mundo foi mais devastado pelos homens do que nos milênios da humanidade sobre a Terra. Observe-se também que a espiritualidade ganha espaço nos lares e nos corações, seja pela radicalidade feroz, seja pela iluminação das pessoas. Vivemos o culto do belo e da forma física cada vez mais escultural. Academias lotadas. Novas academias. Noutro lado – igrejas lotadas. Novas igrejas. Nem tudo é sempre assim.

Em todas as nomenclaturas religiosas existe uma busca de novos horizontes. Jamais se constituíram tantas igrejas pentecostais no Brasil como nas últimas décadas e sua crescente importância e poder nas sociedades. O Espiritismo como doutrina e filosofia codificada pelo francês Kardec encontrou no Brasil seu mais fértil terreno – o filme Nosso Lar encanta e atrai multidões aos cinemas. Eis que a fé tenta aproximar o homem de Deus, mas muitas religiões exercitam o separatismo entre os homens. Conhecer religiões, entender doutrinas pode fazer o homem encontrar-se em algumas das inúmeras correntes de fé ou não professar isoladamente nenhuma delas. Para muitos a religião pode ser o caminho do poder e da posse sobre as mentes e espíritos menos evoluídos, para outros deve ser a trilha da luz e do esclarecimento.

Se pensarmos cada religião ou cada corrente religiosa como um rio – grande ou pequeno – entenderemos assim que todos irão confluir num único oceano. No oceano da única divindade de amor. Fechar a inteligência, impedir que nossos horizontes se alarguem ou ampliem leva-nos às represas e à estagnação pantanosa.

– Me caiu a ficha! – é uma forma de manifestação que significa “agora entendi”.

A ficha cairá muitas e muitas vezes nas inúmeras conexões que nosso espírito eterno permitir no curso das existências. Geralmente não nos apercebemos dessas conexões que podem ser esclarecedoras de muitos contratempos e severas dificuldades vivenciadas. Afinal, quantos sentimentos nocivos alimentam nosso ser? A Bíblia fala em “plantar e colher”, a nossa razão não pode negar essas evidências. Entre tantos e tantos caminhos da iluminação de nossa vida, de nossa existência, de nosso ser, precisamos encontrar exercícios ou a fisioterapia da nossa espiritualidade. Uma dessas atividades fisioterápicas pode ser efetuada em qualquer lugar e em qualquer momento. É a oração. A oração estabelece a conexão instantânea e direta com a divindade, com nossos anjos de luz e de guarda e de nossa mente com nossa alma. Além disso, conecta-nos com todos os seres humanos existentes, vivos ou “mortos”.

Orar pelos que amamos. Orar pelos que nos amam ou nos amaram. Orar muitos pelos que odeiam ou são odiados. Você já orou hoje? Que tal uma prece agora?

Quando a Com ida não é o único Alimento! – por Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 04 Setembro 2010

9 Set 04 – Quando a Comida Não é o Único Alimento! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Quando a Comida Não é o Único Alimento!

P

recisamos da comida, como alimento, para viver. No entanto, precisamos do amor e do convívio afetivo para vivermos melhor e sermos pessoas melhores. Nada disso é novidade e está no contexto de todas as obras de autoajuda e de cunho psicológico. Há poucos anos as mães preocupavam-se e angustiavam-se nos consultórios porque seus filhos comiam menos do que elas acreditavam deveriam comer, principalmente quando eram criados com mamadeiras pela impossibilidade do leite materno. Aqui no nosso gauchismo denominavam-se guachos (guaxos) em alusão aos animais criados com mamadeiras.

Os bebês eram sadios se estampassem a imagem de Bebê Johnson’s – gordinhos e farináceos! Curiosamente não convivíamos com esta epidemia de obesidade. Esses acordes iniciais são para falarmos da crescente rotina de comer fora de casa ou comer em restaurantes ou nos marmitex em algum local de trabalho. Peço que se dispam das defesas e justificativas e dos porquês vivem e fazem assim – comer fora. A mulher dentro do lar como mãe e esposa foi a coluna mestre da humanidade por muitos dezenas de milênios. Essa mulher buscou outros horizontes. Desfaz-se a imagem interior e ancestral do homem indo à luta ou a caça para buscar alimentos e da mulher cuidando da prole e alimentando-os. Aqui também está muito do nascedouro e da vertente do homem que não tem para onde voltar, nem para alimentar e nem para defender. Menos para sexo, sim, pois o sexo deixou de ser conquistado. O mesmo para a mulher que perdeu o protetor e caçador.

Quando a caverna deixou de ser a caverna, o lar começou a fragmentar-se – quando algo se quebra qual o som? Poder ser Crack! Terrível paralelo. A família perdeu seus vínculos e sentimentos, como a gratidão, que não nascem em restaurantes, pubs ou fast-foods. O casal e seus filhos, irmãos e suas famílias e os idosos estavam em volta de uma fogueira num mundo repleto de predadores animais e humanos insipientes. A fogueira trazia calor, luz e proteção e também um canal aberto com o mundo espiritual. A TV junto às refeições traz ou arranca de nossa memória primitiva esses sentimentos que para a imensa maioria dos que caminham e deliberam em duas patas são ausentes. E a TV traz-nos ídolos e divindades até perniciosas.

Crianças nas creches e nas escolinhas. Filhos nas escolas. Pai e mãe trabalhando na ânsia de ter mais e de dar mais aos seus filhos. “Precisamos dar tudo aquilo que eles precisam ou que não tivemos!” – ouve-se. Aviso novamente que retirem suas couraças protetoras e suas defesas, não estamos acusando ninguém. Estamos tentando tomar consciência de algumas das facetas desse prisma fantástico que é a nossa existência. O ato de cozinhar foi desaprendido e para muitas mulheres é no mínimo desnecessário quando não ultrajante. A família deixou de cozinhar e comer junto. A paz e o amor do fazer e do comer em família custam tempo e dinheiro. Comer fora é mais barato. Ter um ou uma amante é mais econômico do que ter esposo ou esposa. Comer em restaurante não tem nem louça suja para lavar. Fazer sexo e depois do banho voltar à vida rotineira sem as preocupações de contas, casa, filhos e outras atribulações é muito melhor e mais econômico?

Espero que não entendam como comer em casa seja reunir os amigos e a tribo e fazer um churrasco com um monte de caras afogados na cerveja (alguns no pó!), uma gritaria infernal e falando mal de uns e outros. Isso é qualquer coisa menos uma cerimônia de amizade, compreensão, disciplina, convivência afetiva…

Observem o avassalador crescimento de cursos de culinária e programas de cozinheiros em toda a TV mundial. Isso também é globalização. Isso desperta o nosso inconsciente coletivo em comer melhor e fazer comidas melhores para pessoas que amamos ou para ostentar as qualidades perdidas na mesa e na cama. Meus (nossos) filhos e netos lembrar-se-ão da galinha frita da vovó, do arroz de china pobre do pai ou da maravilhosa comida cinco ou mais estrelas do melhor restaurante? Entendam que esse exercício a que vocês foram estimulados a fazerem comigo jamais teve o objetivo de magoá-los e sim de tornarem as suas existências mais luminosas e amorosas e de um futuro com pessoas mais felizes e aptas a amarem e serem amadas, respeitarem e serem respeitadas e com gratidão deixarem um mundo melhor para os seguintes.

Flávio Ribeiro e Maria de Lourdes Silva – por Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 25 Agosto 2010

8 Ago 25 – Flávio Duarte Ribeiro e Maria de Lourdes Albanus da Silva – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Flávio e Maria de Lourdes!

– Quando a Terra perde pessoas exemplares e o Céu ganha mais dois Anjos. –

 

A

certos e erros! Amigos e inimigos! Virtudes e defeitos! Coragem e covardia! Perseverar e desistir! Nesta balança visível ou invisível as qualidades e incorreções dos seres humanas são pesadas e avaliadas. Muitas vezes um incidente, como um pouso problemático, pode colocar nas sombras toda uma trajetória de vida. O somatório é o mais importante para a balança pender para a Luz e para o Bem. Contadores e economistas lidam diuturnamente com somatórios. Daí com balanços! Sintam a simetria. E os números precisam chegar ao final demonstrando perfeição ou exatidão. E quando alguém morre ou desencarna, num livro do Criador fecha-se um balanço. O balanço de uma vida. E logo de muitas vidas!

Longos anos numa instituição bancária. Muitos mais a frente de uma empresa de Contabilidade. Cuidando do patrimônio dos outros. Defendendo o dinheiro dos outros. Como alguém passa a sua existência cuidando do “bolso” e dos bens alheios e persiste colhendo elogios, respeito e admiração? Como alguém tem a sua vida associada a um partido político e persiste cultivando o respeito e a admiração dos adversários de legenda e ser um balizador moral para tantos? Como alguém vê suas forças físicas serem sugadas por enfermidade deformante e sinistramente lenta e sempre mantém a coragem e a determinação da cura e da palavra de conforto para todos a sua volta?

– Ele era seu fã! – Disseram-me a Fabiane, o Flavinho e a Therezinha em momentos diversos, quando tentei através dos seus grandes amores, abraçar mais uma vez o amigo Flávio Duarte Ribeiro. Sabia dele próprio que era um leitor assíduo de meus textos. Mas muito antes disso, conhecemo-nos por meus pais. Sempre teve um especial apreço pelo velho Aldo. A dor de quem perde alguém que ama é brutal. Quem já perdeu sabe! A espiritualidade nos acalenta e até pode atenuar, jamais deixar de sentir a chaga que se abre em nosso coração e em nossa alma. Somente com o Tempo, esse companheiro inexorável, podemos auferir Entendimento e assim conviver com nossas cicatrizes.

Há tantas coisas para nos lembrarmos das pessoas que amamos! Mesmo quando essa vida de trabalho e compromissos ousa e consegue que convivamos de menos com pessoas exemplares. Cada um sente-se tocado por algo – palavras, atos, gestos, escritos ou pela Luz. Essa Luz estava no olhar do Flávio. Havia uma Luz especial em seu olhar. Nos momentos de silêncio, entre os espasmos do corpo lutando contra a enfermidade que o torturava e aprisionava-o, ali estava ela – a Luz! Pensem! Apercebam-se! Guardo a Luz do olhar de um amigo do meu pai e meu! Que guarde a Viamão que ele tanto amou seu exemplo de cidadão e pai e que seu legado jamais siga caminho diferente do que ele foi.

Maria de Lourdes Albanus da Silva! – A Luz no Olhar.

H

á poucos dias encontrei novamente essa Luz. Novamente em um corpo frágil de uma mãe querida e avó muito amada. O peso dos anos, faltavam quatro dias de seu aniversário de uma longa vida de dedicação e amor, sobrecarregava seu corpo. Ao atendê-la em seu leito, o frágil coração não conseguia retirar a Luz que sempre teve. O ser humano sente-se tocado por tantas coisas, mas creio que, como os poetas sentem, através dos olhos vislumbramos uma alma. Sentimos pelos olhos a Humildade e o Amor. Muitas pessoas esquivam-se de velórios e de seu conteúdo de despedida e intenso sofrimento e preferem guardar em seus corações as melhores imagens daquela pessoa e o toque de sua Luz. Temos o privilégio de cruzar na existência com pessoas especiais e iluminadas.

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