A Pontada! Edson Olimpio Oliveira

A Pontada!

“É a rebimboca da parafuzeta!” – explicava o mecânico para a mulher já desacorçoada com seu carro adquirido em 72 parcelas (quase vitalícias!). Em todas as profissões escutam-se e observam-se pérolas que variam da realidade à fantasia, quando não da honestidade à trampa. Tanto do suposto profissional, como do cliente (nem sempre é uma vítima indefesa).

A Medicina, em sua milenar arte e ofício, traz consigo alguns sintomas ou diagnósticos que a interpretação já merece por si um livro de semiologia. Talvez até um tratado de “enroloterapia”. Um “nó nas tripas” cavalga entre uma obstrução intestinal – lembre o Bolsonaro e as sequelas da facada – e uma apendicite. Por lembrar da apendicite, ouve-se: “Tá com inflamação no pênis” – mas não é o “pinto” o vitimado. É o ancestral apêndice cecal. “Apendicite aguda ou pontiaguda”?

Crônicas & Agudas!

Território vasto e, por vezes, insípido e inodoro é o da “ameaça”. Há “ameaça” para tudo – ameaça de derrame, de enfarte, de hemorroidas, de congestão, de úlcera nervosa; ameaça de desmaio ou vago, também ameaça de pressão alta, entre várias outras. Uma “ameaça” pra lá de complicada é a “ameaça de gravidez”. “Ela tem essas ameaças de gravidez, suspende as regras, cresce a barriga, incha os peitos, mas monstrua uma barbaridade” – ouviu-se no plantão do “nauseocômio” da municipalidade. E tem criatura que “ameaça” com e sem aviso prévio, numa balada de encanzinar o cônjuge – “Tô com ameaça de dor de cabeça daquelas de rachar a moranga ao meio, sexo hoje nem pensar. Trata de te aquietar!” – quem já escutou uma parada dessas?

Crônicas & Agudas!

O segredo é levar a vida com bom humor e dançar conforme a música. Nenhuma ofensa ou menosprezo às manifestações de um povo que tem um dos mais caros (25% de todos os impostos federais) sistemas educacionais do planeta e também um dos piores. Abaixo do rabo do cão e do ‘cãodidato’. Tem criatura com “deploma de faculidade”, que a melhor letra é “O” ou o zero ao sentar na areia de um BBB da vida real.

“E a pontada?” – indaga o heroico sobrevivente do Brasil vampirizado por artistas e facínoras. Identificar uma “pontada” será um exercício da dedicação, acurácia do médico, talvez exames acessórios e afinidade técnica com o queixoso. A famosa “pontada no peito ou na paleta” com febre, dor ao respirar, talvez tosse, secreção, ausculta de ruídos pulmonares típicos, entre outras, fará pensar ou diagnosticar a célebre “pontada de pneumonia” – “dupla ou simples, doutor?” – indaga o impaciente. “Tá ameaçando ficar dupla e galopante.” – responde o doutor.

Crônicas & Agudas!

A “pontada na aba da costela”. A “pontada no vazio”. Uma “pontada aqui nessa zona morta entre o beiço, a venta e a orelha”. A “pontada na bexiga” e a “urina dolorosa”. Também, a “pontada nos rins”. “Quando essa pontada piora?” – pergunta o médico. A resposta: “Dói bem mais quando eu puxo o fôlego, tô de respiração curta como suspiro de gato no pelego”.

Há até a “pontada de amor”. Essa é grave e dá alguns desenlaces assustadores. Aflige o peito, naquela zona do coração apaixonado ou ressentido. Pode cravar-se como um punhal, numa única fincada ou como facada de canhoto ou vesgo – uma em cima da outra. Há pontadas que assolam até a alma da criatura – conhece alguma? Pois é, não há vacina e nem ivermectina para pontada de amor. Não creio que que a Anvisa autorize alguma prevenção ou tratamento. Mas nada, absolutamente nada, é um impeditivo para se amar e viver com a melhor e mais luminosa intensidade. Tente escapar das “pontadas”, mas ouse, insista e persista ponteando a sua jornada de vida.

2022.05.24 – A Pontada – Edson Olimpio Oliveira

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Sorria! Sorria, ame e trabalhe. Edson Olimpio Oliveira. Crnicas & Agudas. Jornal Opinio de Viamo. 17 Ma io 2022

Sorria!

Sorria, ame e trabalhe.

[Bandeira branca, amor | Não posso mais | Pela saudade que me invade | Eu peço paz] … [Saudade, mal de amor, de amor | Saudade, dor que dói demais | Vem, meu amor! Bandeira branca eu peço paz] – Max Nunes

Com Crônicas & PontiAgudas consolidamos um modelo, um estilo em que o cronista proseia com o poeta em seus poemas. Assim, esse palco iluminado do Opinião Jornal vem refletindo a prosa de mãos dadas, dedos entrelaçados com a poesia e num bailado que ousa traduzir sentimentos e embalar sonhos do autor e incita seus leitores.

Uma falange significativa e crescente de pessoas abdicou a leitura que persista por mais de alguns parágrafos ou que não se espraie em carinhas e figurinhas prontas. O empobrecimento intelectual ou o horizonte restrito da tela do celular traz uma subnutrição progressiva da mente. Qualquer dos sábios ou pensadores que gravaram seus nomes na civilização humana não dispôs de um fragmento das informações hoje disponíveis para qualquer pessoa ou mínima biblioteca.

[A mesma praça, o mesmo banco | As mesmas flores, o mesmo jardim | Tudo é igual, mas estou triste | Porque não tenho você perto de mim.] … [ Beijei aquela árvore tão linda, onde eu | Com o meu canivete,
um coração eu desenhei | Escrevi no coração meu nome junto ao seu | Ser seu grande amor, então jurei!] – Carlos Imperial

Estamos varando os tempos mais penumbrosos no pós-guerra. O ribombar de nossos corações lateja em nossos ouvidos. Vales de sombras espreitam um número assustador de depressões e suicídios. Desamor e insatisfação são molduras de vidas tristes num galope, num tropel de desesperança. Sorrir mais. Cultivar o bom humor. Jamais se abater com a pancada. Cantar e refletir. Aprender e evoluir. Voltar no tempo – jamais! Certeza do futuro – difícil! O melhor no presente, no aqui e no agora – única e real alternativa.

O medo de amar carimba o passaporte na infelicidade. Ame e ame intensamente. Marque a sua vida e sua trajetória pelo amor que você teve e ofereceu. Se a pessoa amada não correspondeu como você esperava… Você fez a sua parte!

[De que vale tudo isso se você não está aqui | … | Meu amor, há quanto tempo | Eu não falo com você | Isso só me deixa triste ! E sem vontade de viver] … [E o meu amor que é puro | Pode crer, meu bem,
eu juro | É tão grande que duvido | Que outro igual possa haver] – Roberto Carlos

Jamais seremos a flor bela, perfumada e solitária da pradaria do universo sem fim. Somos seres tribais, gregários por natureza, mas ancorados no porto seguro da família – do casal e da sua prole, talvez dos vínculos sanguíneos e muito dos irmãos de jornada. A mão que seca a lágrima e oferece o lenço é do braço que ampara e traz de encontro ao coração tanto na festa quanto na dor.

[Vou seguindo pela vida | me esquecendo de você | Eu não quero mais a morte, | tenho muito o que viver | Vou querer amar de novo | e se
não der, não vou sofrer | Já não sonho, hoje faço com o meu braço o meu viver] – Milton Nascimento

Bandeira branca, eu peço paz”! No lar, no trabalho, na sociedade. Sei que a paz não é gratuita. Jamais foi uma bênção divina sem o esforço e a contrapartida do merecimento. Bom humor – uma vida mais leve, menos “socos em ponta de faca. Paz – princípios morais, trabalho e vigília permanente. Os textos sagrados mostram os caminhos que somente cada um escolherá.

2022.05.17 – Sorria! Sorria, ame e trabalhe. Edson Olimpio Oliveira

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20 Maio – TÉCNICO DE ENFERMAGEM

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

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J que no morro mesmo, quero comida! Edson Olimpio Oliveira. Crnicas & Agudas. Jornal Opinio de Viam o. 10 Maio 2022

“Doutor Edson, – dizia, meu Amigo e padrinho de Crisma, seu Osvaldo Canquerini – fundador do Capão da Porteira’, tem morrido índio nessas tigueras que nunca morreu antes”. E soltava um sorriso matreiro como cavalo de cigano. Gostava de escutá-lo e conviver com ele. Uma fonte de sabedoria, respeito e amor centenário. É um dos privilégios que a vida me deu – Dona Otília, esposa, e Seu Osvaldo Canquerini. E vamos ao causo – adaptação livre pelo cronista.

“Já que não morro mesmo, quero comida!”

Nas Lombas, numa terra de coxilhas entre Santo Antônio da Patrulha e Viamão, residia um idoso e sua numerosa família. Homem bem quisto e respeitado de tomarem a bênção com chapéu na mão. Devoto da padroeira do Capão da Porteira, a Santa Terezinha. O coração já não troteava de marcha batida como cavalo de delegado, estava mais para potro manco. O pulmão, um fole velho que gemia e chiava como caminhão atolado nas estradas da região. O corpo já falquejado e lambido pelo trabalho duro num clima inclemente em que o vento Minuano não respeita alambrado e nem cerro alto.

Consultara e se tratara com vários médicos até ser “desenganado”. Restava-lhe o “doutor Dante”, um respeitado prático local. Xaropes e poções. Comprimidos e benzimentos. Promessas e lavagens intestinais quando o intestino empedrava e os supositórios de glicerina não afrouxavam a bigorna.

Num final de tarde invernosa, ao tirar o leite da vaca Elvira, tombou do banquinho e arroxeou os lábios, derramando o balde de leite. “Vovó acuda!” Gritou o netinho brincando de boizinhos com espigas de milho. Foi um Deus nos acuda e um corre-corre. Deitaram-no na sua velha cama. “Busquem o Seu Dante! – alguém berrou. Família reunida, despacharam volante para chamar os mais distantes A coisa estava osca, russa mesmo. Coisa como briga de foice no escuro. Logo chegaram carroças, carretas, uns a cavalo e muitos a pé. Um cortejo que varava a porteira e os alambrados e se acampavam na despedida final. Dispensaram o vinda do Padre, pois já lhe havia dado mais de uma extrema-unção. Estava abençoado e benzido uma barbaridade para a derradeira viagem para a cidade dos pés juntos ou de onde quem vai não volta.

Com a vela nas mãos e outras espalhadas pelo quarto e casa, as mulheres rezavam o terço e pediam benção de saúde e sobrevida à Deus. Algumas desmaiavam e um filho mais emotivo teve um ‘vago’ e quase engoliu a língua. Uns acudiam aos outros e os outros tomavam chás e homeopatias e eram abanados. “Isso é da vida e de Deus”, “todos vão um dia”, “ele vai pro Céu, é um homem sério e bom”… E bateu a fome no pessoal. Mate com broas e roscas eram insuficientes. Apearam uma manta de charque do varal e logo estavam preparando um arroz carreteiro no fogão de rabo. Mais aipim e batata-doce. A gata Rosada persistia deitada em seus pés na cama e o cusco Pitoco não arredava do lado de seu amigo. Baixaram as tábuas guardadas nos caibros do galpão e o Negro Acrísio, exímio carpinteiro, se agarrou na feitura do ataúde. A noite galopeava no lombo do vento Minuano, que cortava mais que língua de sogra. Esgotaram-se as lágrimas. Roucas gargantas. Nada do velho bolear a perna e passar para o outro lado. Trocaram velas nas mãos (queimadas dos pingos de sebo) do moribundo e esgotaram as rezas conjuntas. O pessoal já dormitava pelos pelegos.

Eis que o galo se empina e larga os primeiros gritos saudando o raiar do sol. Ermelina, a filha dileta, sempre ao lado do “paizinho” foi a primeira a ouvir: – “Já que não morro mesmo, quero comida. Tô com muita fome. Me faz uma sopa de galinha e frita uns ovos com a minha morcilha Até aprontar me faz um mate, menina”. Diz a sabedoria popular que lugar estranho é cemitério – tem altos muros e grandes portões de ferro. Desnecessário! Quem está fora não quer entrar e quem está dentro não pode sair. E seguiu a toada, mais ou menos assim naquela família e com aqueles amigos, pois ninguém além do Pai, Patrão Celestial, sabe o seu momento de subir ou de descer. A criatura, o defunto morre de olhos arregalados até com as pupilas bem dilatadas para enxergar o caminho – será verdade?

2022.05.10 – Quero comida – Eds Olimpio

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Encontro com o Destino! Edson Olimpio Oliveira. 03 Maio 2022.

Encontro com o Destino!

Dicionário Houaiss. Destino: tudo que é determinado pela providência ou pelas leis naturais. Sinônimos: acaso, acerto, casualidade, dita, estrela, fadário, fado, fatalidade, fortuna, lanço, sina, sorte, ventura.

A civilização ocidental tem muitos de seus fundamentos filosóficos ancorados na mitologia grega e no direito romano. Num mundo politeísta, os gregos identificavam divindades, em escala hierárquica, para cada atividade, situação ou clamor humano e as suas interferências no cotidiano. As Moiras eram três irmãs, divindades, encarregadas dos destinos de homens e dos deuses. Associadas ao fiar, tecer o fio da vida de cada criatura. Distribuir o fio e cortá-lo (representando a morte).

Os romanos tinham equivalentes chamadas de Parcas. E as Nornas na mitologia da Escandinávia. O conceito de livre arbítrio sempre existiu em formas e modulações para cada pessoa e época. Na nossa formação cristã-judaica, a força e a obediência divina são exemplares, mas cabendo ao homem escolher o seu caminho. E arcar com os custos de sua decisão e ato.

Crônicas & Agudas!

Na filosofia da reencarnação ou na religiosidade de muitas vidas a cumprir, a criatura volta para recuperar-se, resgatar seus maus feitos, tendo algo como uma agenda a decidir. Entretanto a decisão de evoluir ou iluminar-se continua sendo pessoal e intransferível. Observe que a palavra “intransferível” remonta todas as origens e em qualquer cultura ou religiosidade. Vai em choque, em desacordo e em desagrado, daqueles que atribuem aos outros as suas infelicidades ou agruras. Mesmo quando o resultado é a soma dos erros de uma falange, um grupo ou uma sociedade, ali está encrustado a decisão individual (livre arbítrio), ônus ou bônus pessoal.

“Por que eu?” Ainda: “Por que comigo?” O médico conversa com a adversidade de seu paciente. A fragilidade do corpo pode ou não estar atrelada à fragilidade do espírito. Isso ocorre em variadas, simples ou complexas situações: morte de pessoa amada, diagnóstico de câncer ou de outra grave enfermidade, entre outras. A hierarquia da dor é pessoal. Nenhuma métrica pode avaliar se a minha, a tua, ou o sofrimento de outra pessoa é maior ou menor. Cada coração ama e sofre na luz de sua alma.

Crônicas & Agudas!

Todos e cada um de nós é ligado ao uno – à vida e à morte. Brincamos ao falar que “ninguém vai quando não é a sua hora; o avião é o mais seguro meio de transporte”. Sempre alguém dirá: “Mas se for o dia, a hora do piloto!” Durante uma vida de médico e cirurgião, alguns pacientes diziam: “Orei e pedi muito pelo senhor e por sua equipe, pela enfermagem e por todos do hospital e seus familiares. Se vocês estiverem bem a cirurgia do meu filho (esposa, mãe, …) será bem sucedida.” Meu irmão Eduardo Lopes e eu, como muitos médicos e cirurgiões, fazemos preces nesses “encontros com o destino”. O livre arbítrio do enfermo ou de seus amados estaciona fisicamente antes do bloco cirúrgico. Lá no seu interior está a necessidade da melhor decisão e do melhor trabalho de todos os profissionais – o livre arbítrio de uns no destino do enfermo.

Muito se escreve. Muito se diz ou se silencia. A maternidade física ou espiritual é um formidável e maravilhoso “encontro com o destino”. Deus está ali nos concedendo aquilo que é seu divino privilégio – criar vida! Criar vida! E aqui está a nossa reflexão e entendimento. Ele nos criou e a tudo que existe, mas jamais nos abandonou. Sempre nos proveu para que escolhêssemos nossos destinos e fôssemos responsáveis por eles. A semente da Luz está dentro de cada pessoa. O destino dessa Luz está em cada coração, escaneada por cada mente e eterna como cada alma.

2022.05.03 – Encontro com o Destino – Edson Olimpio Oliveira

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Maio

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A Cabea do Bacalhau! – Edson Olimpio – 26 Abril 2022

A Cabeça do Bacalhau!

Escrevo essa crônica num sábado de Páscoa. Amanhã o Coelho Pascal distribuirá ovinhos e ovões, conforme o poderio monetário da criatura “ovacionada” (cruel essa!). Por que coelho na Páscoa? Se provocar o Google surgirão origens mil. Como a representação da fertilidade, tanto pelo número de crias quanto pelas várias gravidezes anuais da dona coelha. No entanto classificar um homem de “coelho” (caolho – “no bronca”) será ofensiva e deprimente na sua sexualidade.

Há mitos pagãos sobre o coelho comemorar o final do inverno. Orelhas grandes significam inteligência escassa para o jumento e assemelhados. E para o coelho? Ovo de chocolate num mamífero? Era difícil enfrentar as perguntas dos filhos e depois dos netos. Tentava escapar pela tangente, pelos olhares estava claro para eles: “O vovô tá enrolado e não sabe nada de coelho.” Enfim, o espírito pascal se ancora num porto repleto de ensinamentos, percepções e entendimentos que para nós cristãos são fundamentos de nossa existência.

Crônicas & Agudas!

Há dias em que os neurônios se rebelam. Nesses dias em que o peixe, por milenar tradição, está à mesa pronto para ser degustado nas mais diversas e apetitosas configurações. Um paciente, nos tempos de Capivari do Sul, trouxe-me um “ovo de avestruz” (leia-se: ema) e bateu de peito de pé: “Tô criando uns coelhos macanudos e já tão botando ovo de Páscoa. Vô forrar o poncho de tantos pilas”. Colocou pólvora no estrogonofe de camarão.

Até o humor do gaúcho é assim meio abagualado e xucro uma beirada. Aqui o xiru fica palitando os dentes com a ponta da adaga enquanto conta os deitados na peleia e tira proveito até da desgraça para fazer um amigo sorrir e não arriar os ombros nas intempéries da vida. Com essa largada do amigo paciente, quase me caíram os butiás dos bolsos, mas num relance aprumamos uma risada.

Crônicas & Agudas!

Conhece Chester? Não, não é o mordomo do FHC. Chester, aquele bombado frango de Natal. Deve ser um frango de academia, puxador de ferro, um “halterofrangofilista”. Sabe que os pacientes gostam de aplicar nos seus médicos? Sempre tem uma pegadinha. Uma piada de plantão. Um causo sabido e até descabido. Pois é, nesse balanço da carreta sem as abóboras se ajeitarem, o paciente sacou e atirou mirando com o olho esquerdo tipo japonês – de fresta!. “Edinho, tenho uma conhecida que está criando Chester com o marido e vendendo os ovos dele.” – entre um sorriso de político safado. E contou uma estória.

Alguém de “vozes” já viu um Chester no pátio, ciscando e comendo minhocas ou arrastando a asa para uma franga numa cantada funk? Eu nunca vi! Ou alguém ter uma criação de Chester ou desses parrudos assemelhados como fábrica de Hércules e clones do Arnold Schwarzenegger? “Jamé l’amour” – no verbo do Arigó do Lago da Tarumã, em bom francês viamonense.

Crônicas & Agudas!

Bacalhau! Não aquele que se usa no conserto do pneu (manchão). Não o jogador de futebol que joga a meia-boca, nem fede muito e nem cheira demais, entre San Juan e Mendoza, pega um bom contrato e se aposenta – no Colorado tem uma tropa. Nem outros de dicionário espremido – bacalhau, o peixe ícone da culinária portuguesa com certeza e de “nosotros” do outro lado do mar. Salgado ou sem sal. Pensa nuns bolinhos de bacalhau com um vinho ou uma cerveja gelada. Bacalhau à Gomes de Sá ou nas mais variadas versões e diversões, sabores deliciosos e até de comer ajoelhado.

Pois é, onde está a cabeça do bacalhau? Tem que ter. Não é parente da minhoca. O gato não comeu. Esse é outro desses mistérios que me corroem a mente nesse sábado de aleluia e sem um baile para ir. Cadê a cabeça do bacalhau? Quedê? Alguém, algum iluminado ministro do STF já viu e agarrou a cabeça do bacalhau? Embananou de vez. Lascou total.

O doutor Cabeça, meu meio-irmão, passaporte português, cidadania lusitana, escalou-se para clarear o mistério da cabeça do bacalhau. Enquanto isso, aceita mais um bolinho de bacalhau?

2022.04.26 – A Cabeça do Bacalhau – Edson Olimpio Oliveira

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Dia da CONTABILIDADE/ CONTABILISTA

Reconhecimento.Respeito. Gratidão!

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Cantando na Chuva! Edson Olimpio Oliveira – Crnicas & Agudas de 19 Abril 2022.

Cantando na Chuva!

Há lembranças que varam as décadas e, amorosamente instaladas num sofá especial da mente, afloram intensamente de quando em vez. O netinho Ítalo da Clarice, minha secretária, encanta-se com o cheiro da terra molhada, quando os primeiros pingos de chuva desafiam e enfrentam a poeira das ruas. “Que cheirinho bom esse de terra molhada, vovó!” – sapeca o verbo no topo dos seus 5 anos de idade.

Nos áureos tempos de estudante e depois de médico no Hospital da Criança Santo Antônio, os veteranos mestres nos alertavam para as diferenças de imunidade e desenvolvimento corporal e mental de crianças engaioladas nos espigões do centro de Porto Alegre em contraste com as crianças de periferia e sua liberdade de brincar nas ruas, nos campinhos, no sol e na chuva.

Em 1952, uns 70 anos bem passados, estreava a película Singin’ in the Rain (Cantando na chuva) com Gene Kelly dançando e cantando num cenário de forte chuva. Lembra-se?

[Estou cantando na chuva | Apenas cantando na chuva | Que sensação gloriosa | estou feliz novamente | Estou rindo das nuvens | Tão escuras,
lá no alto | O sol está no meu coração | E estou pronto para o amor]

O cheiro de terra molhada. A água, como ouro caído do céu, vai batucando com seus pingos a face. Os olhos, de início, se protegem. As pálpebras fecham-se num reflexo ancestral, primitivo de proteção, mas logo se abrem num iluminar a alma que se alegra. Somos crianças. Somos crianças em qualquer idade que a bem-aventurança floresce em nossos corações. Outras crianças recebem esse chamado e as mães, ainda temerosas de uma gripe ou uma dor de garganta, tentam frear os impulsos. Impulsos! Uma leve parada no acostamento da crônica: um dos piores suicídios é cortar os IMpulsos do coração.

Retornando! Formam-se poças de água. A lama vermelha, como a cor do sangue da humanidade de todos os horizontes, amacia e sova os pés descalços. Chutar uma poça de água! Chutar a água barrenta seja no cão amigo fiel, na irmã, nos irmãos, nos amigos ou simplesmente para que os respingos atinjam a si próprio. Logo aparece alguém com uma bola e a pelada está formada. E o circo está armado e ativo.

[Deixe as nuvens carregadas espantarem | Todos de seus lugares | Venha com a chuva | Coloque um sorriso no meu rosto | Vou seguir esse caminho | Com um refrão feliz | Apenas cantando | E cantando na chuva!] – Gene Kelly

Embrutecemos como humanidade. A natureza bela e fluida é nossa amiga e companheira. Geniosa? Cada um com sua personalidade, seu espírito, sua luz e sua sombra, suas lágrimas e seus risos. A chuva é uma bênção, um presente dos céus. Também ensinamento e freio para nossos desvios e atrevimentos.

Nos idos e longos tempos na sela das Morganas, nossas motocicletas, escutava-se muito sobre a sensação de liberdade do vento no rosto. Sempre pensei na chuva, principalmente, a chuva que te exige uma pilotagem mais segura, mas que lava o corpo e ilumina a alma. E assim bailamos na chuva. Permita-se recordar. Solte-se e repita, refloresça sentimentos, liberte a beleza, compartilhe – brinque e dance. E cante na chuva!

2022.04.19 – Cantando na Chuva – Edson Olimpio Oliveira

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Impunidade! Teu nome é Brasil?

Impunidade!

Teu nome é Brasil?

Em verso e prosa, a maioria cantarola que o Brasil é a “terra do futebol”. Nosso futebol sempre encantou pela beleza cênica, pela arte incomparável de seus jogadores que um drible vertia lágrimas ou ondas de riso e palmas. Entretanto perdemos o pouco da objetividade que tínhamos e sepultamos a glória do Pelé de todos os tempos e aqui no garrão cascudo da Pátria de um Falcão ou de um Ronaldinho.

Acostumamos com o parasitismo nos e dos clubes de futebol, a paixão novamente vence a razão. Se dentro das quatro linhas do gramado e no perímetro dos lençóis suados tudo vale pelo amor, o brasileiro aceita e elege aquilo que é o seu espelho. É a sua imagem refletida nos seus sabores e dissabores. Competência e merecimento são desprezíveis e não há nenhum latejar da consciência nas biscas e nas excrecências que nos dirigem, guardam e governam.

Crônicas & Agudas!

Brincar, gozar com o outro, tirar sarro, ou qualquer outra dessas pregações deveria se lastrear e encarar pelo respeito à pessoa. Se humana é bem melhor! Um criminoso acobertado pelo poder sinistro da turba arremessa a pedra que fere dentro do ônibus um jogador de futebol. Observe o arguto leitor que isso é um fato repetido em todas as suas variantes.

A pedra aqui é a bala contra um ônibus de eleitores ou políticos. É o mesmo ônibus incendiado pelos criminosos em algum tipo de “protesto”, ou algum alucinado imagina incendiar um ônibus lotado de pessoas para protestar contra qualquer coisa? “Ah, mas foi ato de torcedor adversário!” – memória obtusa, Torcedores (criminosos) invadem e agridem pessoas de seus próprios times.

Crônicas & Agudas!

A impunidade começa na complacência dos pais que permitem e apoiam diferentemente o filho homem em detrimento da filha menina. Um tribunal que julga pela cor e ideologia, remete àquela semente plantada lá naquele lar de elite ou no casebre. Um lar se ergue nos exemplos de seus membros, na história de seus ancestrais e caminha pelas escolhas que fizeram durante suas provas.

Não desejo que você concorde comigo, incito que você abra seu coração e gerencie com a sua razão. Qualquer povo de qualquer nação ou época é a continuação de seus lares e das pessoas que neles foram forjados. Nas últimas décadas temos aperfeiçoado a arte de formar e nutrir tudo aquilo que qualquer desavisado sabe que vai dar errado. E dá!

Crônicas & Agudas!

“Um dia Deus vai colocar o dedo na tua moleira!” – antiga sabedoria popular. “Moleira” é a fontanela em Medicina, i.é, região do crânio onde a armadura óssea ainda não fechou completamente, sendo área de risco nas crianças. Observe que que cada criatura que deseja evoluir e fazer a sua terra, pátria, nação, povo crescer precisa colocar o dedo em sua moleira. O município é a casa do eleitor, o país é o seu quintal (modifique, se desejar!) suas escolhas refletem onde? Indague-se!

Muito dessa escória nominada que nos governa e, principalmente, nos desgoverna está aí porque foram colocados e confirmados por alguém. O Divino Espírito Santo não os desceu dos céus. Aquilo que iniciou num lar, passou pelas péssimas escolas e piores universidades, forneceu conhecimento, aperfeiçoou monstruosidades – o Google seria uma estrada mais curta – e… Caráter?

A impunidade de um criminoso se condecora, ganha garbo e mesuras com uma caneta de ministro. Lá na base, na ponta da corda, tem a autoridade policial e o jornalismo do coitadismo e das “vítimas da sociedade”. Atores desse teatro macabro que nenhum dinheiro é suficiente para sustentar, nem quando a morte varre suas entranhas de país e as verbas eleitorais persistem. Do futebol, do lar, da delegacia, da política, …

A lista é longa! Dedo na moleira e assumir a responsabilidade! O indiferente é tão culpado quanto o resultado das más escolhas “dos outros”.

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*2022.04.12 – Impunidade – Teu nome é Brasil – Edson Olimpio Oliveira*

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