Empanzinado! Sim ou não?

 

2013 – 04 – 24 Abril 2013 – Empanzinado! Sim ou não? – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Empanzinado! Sim ou não?

Pelo desdobre da palavra”, como diria um gaudério amigo, empanzinado vem do verbo empanzinar ou ainda “de encher a pança(panza)”, empanturrar. O velho Aurélio de muitas guerras acrescenta: abarrotar, encher, iludir, enganar, embaçar, lograr, burlar, surpreender com alguma notícia má ou com alguma pancada. Depois desse curto passeio pelo vernáculo – vamo pro pau! “Mais x postos de gasolina assaltados essa noite!” – repete o noticiário acrescentando aos 50 outros postos assaltados. E assim com caixas eletrônicos, bancos, casas e cidadãos trabalhadores. Sistematicamente culpam-se os órgãos de segurança pública. Mas não seriam eles o reflexo de uma sociedade doente e carente de princípios morais e éticos. De uma justiça que alega “cumprir a lei”, quando na verdade pode estar favorecendo a bandidagem pela má e pessoal interpretação da lei? Da mesma justiça que “solta criminosos” porque as cadeias estão cheias, numa sociedade que carece muito mais de hospitais e postos de saúde e, no entanto, constrói estádios de futebol superfaturados.

Cr & Ag

Empanzinado, mas não iludido por um congresso nacional que mais parece o pior retrato dos piores eleitores ou um poço negro da sociedade enferma. Novamente as enchentes na serra fluminense e nos baixios de São Paulo com a desgraça de mortos e arrasados numa rotina anualmente repetida e consagrada para ascensão da politicagem mais canalha e sórdida (redundância ou ênfase?). E as centenárias secas do nordeste? E dê-lhe as imagens e os sons dos sofrimentos de homens e animais e os projetos que se acumulam e nada resolvem. Dizia um jornalista: – Vamos resolver o problema do Oriente Médico, acabar com o conflito milenar de judeus e árabes e ainda acabar com a seca e a miséria nordestina com uma só canetada – vamos doar o Nordeste para Israel! É o humor para alívio da náusea e do empanturramento ou seria a solução para a incapacidade nacional?

Cr & Ag

É a safra que não tem como escoar e as filas de caminhões nas estradas e nos portos esperando a assinatura do burocrata de plantão e o aval da autoridade incompetente. Depois de 12 anos de governo daqueles que promoviam as invasões de terra nos chamados “governos neoliberais”, continuam as marchas e contramarchas desse pessoal que clama por reforma agrária ou daqueles que são profissionais do conflito e da invasão. Solução ou purgante? O século 21 demonstra que a atividade rural ou agrícola deixou de ser coisa para amadores, práticos e afoitos para que a ciência, a técnica e o trabalho mostrem os reais caminhos e soluções. Um conhecido jornalista viamonense que milita na capital usa com frequência o termo “lixo humano” para classificar a bandidagem de toda ordem. Um caro amigo viamonense indigna-se, ofende-se com esse termo. Vejam como diversas pessoas no dia a dia empregam o mesmo termo para as hordas ou falanges de zumbis drogados que já não possuem nenhum outro vínculo familiar ou social, somente a brutal dependência da droga e de todas as formas de consegui-la e usá-la. Também dessa turma que assassina e estupra porque “não tiveram as mesmas oportunidades que você” e daí “foram para a criminalidade, pois são deserdados dessa sociedade opressora e capitalista selvagem”. Engasgou-se? Vai explodir a barriga?

Cr & Ag

Beleza a nova lei de “direitos e mais direitos” para os empregados domésticos! Novamente o fecundo e pródigo (com o dinheiro e o trabalho dos outros) legislador “esquece-se” de “deveres”. Assim é a chamada “constituição cidadã” que vem continuamente privilegiar e dar vazão ao oportunismo do populismo selvagem. Uma sociedade ancorada em direitos e mais direitos ou direitos adquiridos entranhados no DNA brasileiro está fadada a empanzinar-se e iludir-se. Concorda? Uma sociedade em que o sonho profissional e de segurança de legiões é aboletar-se no serviço público ad eternum ou idolatrar a estabilidade do emprego e assim menosprezar o mérito, o esforço, o desafio de criar e de vencer e capacitar-se para evoluir por suas qualidades…

Vendedor de Maçãs

Tesouros – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 17 Abril 2013

 

2013 – 04 – 17 Abril 2013 – Tesouros – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Tesouros

H

á uma expressão que se confunde com uma forma atual de agir perante as curiosidades ou interrogações do cotidiano: – Procura no Google! – quando o tema ou assunto envolve algo da Medicina, acrescenta-se “doutor” ao Google. A vida caminha ou o genérico “a fila anda” no mais amplo e literal sentido e ai de quem ousar parar, estacionar ou fincar o pé, pois será arrastado diante do inevitável de almeida. Há esforços para que os livros e enciclopédias sejam disponibilizados nas telas informatizadas. Logo a gigantesca Biblioteca do Vaticano e do Congresso americano estarão disponíveis ao click ou ao piscar dos olhos cibernéticos. Mas o livro ainda luta bravamente por seu espaço e pelos corações e mentes de muitos empedernidos.

Cr & Ag

Na casa da minha irmã Shirley e do cunhado Geraldo havia um portal mágico. Era uma estante em madeira marfim com portas de vidro e tesouros alinhados em suas prateleiras. Eram livros e enciclopédias. Sentava-me ao tapete no piso e devorava insaciavelmente páginas e mais páginas. Uma dessas minas chamava-se o Tesouro da Juventude e seus instigantes temas em que muitos raciocínios simples – “Se houvesse um grande muro, uma grande barreira cercando o sistema solar ou o universo, essa barreira ou esse muro não poderia continuar-se para sempre…”  – logo o universso é infinito. Fazia o ávido guri projetar-se numa jornada em que a imaginação é o único limite. A Enciclopédia Prática Jackson, a Enciclopédia Delta Larousse e seu imenso dicionário Caldas Aulete, que decifrava os vocábulos obscuros ou desconhecidos. Aplicava-me uma regra ao buscar um termo ou palavra: vou ler três acima e três abaixo, logo seriam dez e ainda a busca pela casualidade em abrir numa página aleatoriamente e colocar o dedo… e bingo! Outro horizonte desvendado.

Cr & Ag

E os gibis? Mandrake, Tarzan, Flash Gordon, Superman, Batman, os do Disney, Sobrinhos do Capitão, Brucutu… Deus do céu! Nas sessões da matiné de domingo no Cine Radar, ali nas franjas da caixa d´água, trocávamos com outros guris. Havia o Zé Dubin, mais velho e depois o conhecido médico, que comprava e revendia até em Porto Alegre. Trazia o DNA de negociante. Raras TVs e poucos possuíam essa novidade de som e imagem, mas nada substituía o livro e o gibi. Viamão nunca teve uma biblioteca permanente nem aquinhoada de bons livros. Seria uma maldição? A gurizada que gostava de ler ia conseguindo emprestado.

Cr & Ag

Nossa casa na Cidreira, na inóspita Viola de muito vento Nordestão e areia sem fim, tinham raros e distantes vizinhos. A casa ao lado e mais próxima era do seu Carlito Motta, ferreiro aposentado (hoje seria metalúrgico) extremamente hábil e um faz-tudo-bem-feito. Era um casal sem filhos. Dona Tereza era sua esposa. Lia muito e falava com argumentos sobre qualquer assunto. Mãos gigantescas (de ferreiro habituado às forjas e à marreta), corpulento, boca com sequela de paralisia facial, seu Carlito colecionava Mecânica Popular e Seleções do Reader´s Digest entre muitos outros livros e revistas. E alegrava-se em emprestar-me seu tesouro ao que eu devorava rapidamente e devolvia intacto para ser novamente presentado com mais volumes.

Cr & Ag

Meus pais pouco puderam estudar, pois ainda na adolescência tiveram que enfrentar trabalho duro pela sobrevivência, mas tinham essa luz que lhes apontava para que os filhos estudassem e lessem muito: – O único bem que nenhum ladrão vai tirar de ti é o estudo! – dizia-me minha mãe Dora incitando-me sempre para ler e estudar enquanto varava noites com as pilhas de costuras e a necessidade de aprontá-las e entregá-las para as clientes. Tesouros da vida e de muito amor!

Antonio Guzman Capel

Quadro/pintura de Antonio Guzman

cascade-Fanny Brennan

Imagem de Fany Brennan

O caminho de muitos – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 10 Abril 2013

 

2013 – 04 – 10 Abril 2013 – O caminho de muitos – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O caminho de muitos…

Muitos passam a vida acumulando coisas que pouco usaram ou que jamais usarão. Talvez como aquele casaco ou aquele sapato, ou um eletrodoméstico ou outra coisa qualquer. Amontamos coisas úteis ou inúteis. Temos a dificuldade em nos desfazermos de objetos como temos a dificuldade em nos livrarmos de dores ou sentimentos encravados, enraizados em nosso ser. A pessoa busca e anseia pelo perdão do seu padre ou pastor, do guia religioso ou espiritual para assim acalmar sua consciência ou aplacar as dores da alma. No entanto, talvez perdoar aos outros seja mais fácil do que se perdoar. Liberar-se de coisas materiais ou de coisas do nosso íntimo pode ser tarefa dura, dolorosa ou até impossível neste aqui e agora.

Cr & Ag

Você tem alguma casa em sítio? Ou casa de praia? Como você equipou esta sua outra residência? Muitos usam aquilo que consideram descartável, velho ou inútil no lar principal para povoarem os espaços da segunda casa. Ou do local de veraneio. Ou local de prazer. Veraneio, lazer associa-se com prazer, felicidade e alegria. O lar ou a casa original é o local de trabalho e de purgação, das batalhas do dia a dia e dos enfrentamentos com a dura realidade da vida, do cotidiano e dos relacionamentos. A casa da praia, por exemplo, é o local do prazer e das merecidas e ansiadas férias. O local onde despimos a maior parte das nossas roupas e das nossas atribulações e nos permitimos extravagâncias se comparados com a atividade dita normal ou habitual.

Cr & Ag

Mas se o local de veraneio e de lazer oferece novas emoções ou reavivamento das antigas, por que ocupar e trazer para aqui o que está “velho” ou inútil? Contradição? Não deveríamos equipar esse lugar com novos e belos móveis dando aquele sofá decrépito para algum necessitado? – Economia! – pensaste. Conhece aquela lenda urbana da esposa oficial que descobriu o “ninho de amor” montado pelo falcão peregrino? No seu local alternativo de sexo e alegrias – tudo novo e do melhor possível. Por que também não usar o descartável como aquilo enviado para a casa de veraneio?

Cr & Ag

Eis que um dia os sobreviventes se aposentarão. A maioria será esgoelada pelo INSS. Muitos vão atrás do sonho de morar no sítio e terem suas próprias e rechonchudas galinhas, sua horta, suas laranjeiras e outras maravilhas pacientemente catalogadas na agenda do aposentado. Outros sonham em morar no litoral. Praia! Que beleza sentir a brisa do mar nos cabelos, o odor salino, caminhar com os pés livres pelas areias com as ondas a lhe lamberem os dedos e chutando as tatuíras. Os novos dias serão longos ou acintosamente curtos para tantos projetos e sentimentos. Preocupações? A aposentadoria insuficiente do INSS e a insegurança de ter um marginal com o cano do tresoitão atolado em sua garganta ou ser ameaçado pelos “menores em situação de risco”? Novamente os sobreviventes dessas intempéries sociais do “capitalismo selvagem” enfrentarão a realidade que cultivaram e plantaram.

Cr & Ag

Na “melhor idade” (para quem?) estarão inapelavelmente velhos. Fatalmente velhos. O politicamente correto será uma mera e dolorosa quimera. Estarão cercados daquilo que descartaram como inúteis em seus lares e casas e agora sentir-se-ão inúteis para uma sociedade quem nem os governos socialistas respeitam como idosos e aposentados do INSS, apesar da propaganda em contrário. Analogia cruel e real! Escape-se dela. Usem o melhor na alegria e na felicidade. Roupa de combate e ração de campanha dos guerreiros ou militares são para a guerra, sob o açoite da artilharia ou da infantaria inimiga. Concordam?

Jim Warren4

Quem tem, teme – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 03 Abril2013

 

2013 – 04 – 03 Abril 2013 – Quem tem teme – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“Quem tem teme!”

E o Criador contemplava aquele mundo maravilhoso, sem poluição, sem guerras, sem conflitos sociais, mas ainda sem gente. Isso mesmo, sem pessoas. Então o Criador franziu o cenho e ergueu o supercílio direito e pensou: – Quem vai aproveitar tudo isso? Os animais são fantásticos, mas ainda são e continuarão sendo animais. Alimentos em profusão, frutas frescas ao alcance da mão e ninguém para consumir? – Ao seu lado direito um belo barreiro resplandecia ao sol de meia tarde. Até os barreiros eram formidáveis no Paraíso. O Criador reuniu o pessoal do planejamento e vieram alguns arquitetos. Na cola veio a turma da publicidade. Alguns identificam esse fato como o nascimento da democracia e outros do… orçamento participativo. Várias sugestões e ao fim de intermináveis segundos, Ele colocou a mão no barro e começou a modelar algo similar ao seu reflexo no espelho d´água. E modelando. Modelando. Eis que contemplou a penúltima obra daquele momento – o homem. Em barro e quase osso. Logo recebeu o sopro da vida e o acalento da eternidade.

Cr & Ag

Vários Oh! e somente um Iiiiih! Quem desaprovaria o Criador? Quem? Quem? O pessoal do marketing gritou: – Deve ser alguém contra o consumo e a economia de mercado! Olhavam-se desafiadoramente. Eis que surgiu o autor da desaprovação. Enroscada num galho de árvore estava ela. Sim, ela a serpente. E sua voz sibilina voltou a picar: – Tanto para tão pouco. É muito poder para o homem. Irá possuir e mandar em todos nós e o que temerá além do Pai? E quando o Criador estiver ocupado treinando o coro de anjos, ou refazendo mundos poluídos ou infestados de políticos larápios e de políticos complacentes, ou fazendo aquilo que a justiça não fez, quem colocará limites no homem?

Cr & Ag

Uma preocupação crescente, um temor reptiliano fez asas recolherem suas penas. A víbora, sentindo que dominava a plateia, picou novamente: – Mestre, aí nesse barro ainda fresco que escorre entre os glúteos do homem… Coloque um orifício, um buraco como nos animais seus súditos e ele temerá aos outros e a si mesmo. O supercílio esquerdo do Criador eriçou-se e a serpente cravou sua cauda escamosa no homem. E assim fez-se o ânus. Talvez haja algumas diferenças conforme a versão da direita ou da esquerda, ou do sindicato dos oleiros, ou dos médicos de plantão no Éden. Pouco importa, vale o temor gerado no homem pela presença do orifício crepuscular fatalmente assediado pelo barro eterno e como entrada ou saída amedronta ou alegra.

Cr & Ag

E a víbora primordial acertou sua derradeira frase: – Quem tem (ânus) teme! E o mundo caminhou e caminhou. Até que certo inglês intrometido chamado Darwin descobriu a teoria evolucionária. Como? Sim, as espécies evoluem. Até as humanas. E em pesquisas de cientistas chineses, americanos e paraguaios descobriram-se espécies brasileiras sem ânus – modelos e vários artistas da Globo. Identificaram ânus destemidos, alheios a qualquer ameaça, intrépidos, corajosos ao extremo entre políticos brasileiros e venezuelanos. Descobriu-se falsificação anal no Paraguai, assim como transgênicos como aspirações mutantes para terem mais de um ânus. Talvez para rotação de culturas.

Cr & Ag

Houve um tempo neste Brasil com S ou Z em que as criaturas temiam a cadeia. Prisão significava a defesa mortal de seu ânus contra as hordas invasoras. Sabiam de antemão que perderiam a batalha e que ânus de preso pode não ter dono próprio. Mas a terra ou a pátria do “jeitinho” resolveu que cadeia é o caminho passageiro entre a criminalidade e a liberdade para transgredir novamente sem culpa. Contaram com o auxílio da parte da justiça que liberta bandido, não condena à prisão político criminoso e enjaula o cidadão.

Cr & Ag

Tive a satisfação de cumprimentar pessoalmente uma das duas valorosas juízas desta terra. Elas são odiadas e temidas pelos bandidos e defensores de bandidos, pois não buscam as brechas da lei para libertá-los e entendem que criminoso deve cumprir pena preso. Preferencialmente, em defesa da sociedade, dos direitos humanos da sociedade e especialmente dos humanos direitos. Precisamos de mais juízes assim. Precisamos da lei ao lado do cidadão e que eles, os criminosos, voltem a temer mais do que são temidos.

Deus cria Sol e Lua

Deus cria o Sol e a Lua – por Michelangelo

Deus cria Eva

Deus cria Eva – Michelangelo

Uma luz no horizonte – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 27 Março 2013

 

2013 – 03 – 27 Março 2013 – Uma luz no horizonte – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Uma luz no horizonte

Nesta longa trajetória de médico e de cirurgião lembrei-me de certo hospital em que trabalhei. As dificuldades no Bloco Cirúrgico eram constantes. O equipamento estragado que não era reposto com brevidade, pior era aquele que deixava de funcionar durante uma cirurgia por falta de manutenção. Carência de pessoal ou pessoal sem treinamento adequado. Falta de material ou instrumental. Antissepsia e higienização duvidosas. A lista de problemas era grande e repetitiva. Suspendíamos e remarcávamos as cirurgias em melhores condições. Reclamar com a enfermagem responsável ou com a chefia do bloco eram palavras ao vento. Reclamar à diretoria? Sim. Resultava em promessas de que tal fato não se repetiria mais ou que em tal prazo teríamos uma solução. Novamente promessas levadas pelo vento. Documentamos as queixas e reclamações e logo éramos mal vistos como exigentes demais, “chatos”, “reclamãos”, pois “os outros aceitam e não reclamam”. E os relatórios e as reuniões eram “normais”. Havia duas opções: primeira – persistir e deixar o paciente sob risco aumentado; segunda – abandonar esse ambiente nocivo ao paciente e aos profissionais. Logicamente adotamos a segunda.

Cr & Ag

Recebemos ofício do secretário de trânsito e transportes que foi publicado na edição anterior do Jornal Opinião em resposta a minha crônica do dia 13 de março passado. O secretário Luiz Batista Preuss, ou Barbaroti, vem fazendo uma caminhada política inspirado e buscando dar uma sólida contribuição a sua cidade. Apesar de não o conhecer pessoalmente, sei de longa data das suas boas intenções e seu esforço pessoal. O cronista é, antes de tudo, um cidadão e no meu caso o médico com o maior tempo de atividade profissional contínua na cidade. Certamente os problemas encontrados pelo caro Secretário e seu/nosso Governo são diversos e relevantes, muitos com complexa solução ou atenuação. É importante o administrador público ser sensível e responsável, vigilante e atuante. O administrador público deve ser um gestor de obras e de sentimentos da cidade e do cidadão e estar presente, fora do gabinete, fora das reuniões intermináveis, mas dentro das dificuldades e da mecânica da máquina pública. Como é complexo gerenciar realidades e esperanças!

Cr & Ag

O prefeito Clodoaldo Veiga, como exemplo, aparecia vigilante no posto de saúde, na escola, nas filas e na garagem da prefeitura entre outros locais. O governador Jair Soares adotava esse sistema. Outros administradores públicos verificam pessoalmente as informações recebidas, pois sabem que o papel tudo aceita. Assim daria um conselho ao caro Secretário, se me permite. Nunca confie totalmente em seus assessores e comandados, vá viver in loco como cidadão e como administrador responsável. Jamais deixe de ser gente, pessoa, cidadão e consumidor. Os cargos são transitórios, mas o legado e as pessoas são fundamentais e razão primeira do homem público. O amigo viamonense Gil Ferretti repetia sempre durante um período que busquei a vida política: – o político deve servir e jamais ser servido. Assim acreditaremos que as coisas irão melhorar em qualidade e respeito ao cidadão e à cidade. Espero de todo coração que o caro Secretário Barbaroti, assim como seus colegas e o Prefeito, exerçam o poder que lhes foi confiado pelo voto popular e façam uma bela e próspera administração. Será ótimo para todos! E nós que estamos do “lado de fora do balcão” devemos contribuir para o sucesso do governo, jamais para a sua desgraça. Seu sucesso será o sucesso de todos os munícipes, assim como a sua desgraça. Peço vênia ao colega de jornal e evangelista: – Orai e vigiai!

Davi e Golias

Davi contra Golias – de Michelangelo

Vamo pro pau – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 20 Março 2013

 

2013 – 03 – 20 Março 2013 – Vamo pro pau – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Vamo pro pau!

Dizem as boas línguas que avós são pais adocicados. Outros com a mente mais nebulosa dizem que os avós “estragam” os netos, fazendo aquilo chamado de “deseducação”, como certas escolas em que a disciplina ficou dormindo e não foi à aula. Predicados e qualificativos andam abraçados, mas vejo com singular felicidade a convivência entre avós e netos. E não se trata de querer recuperar algo nunca vivenciado com os filhos, mas novas e maravilhosas oportunidades de encantamento e de formação pessoal. Os exemplos abarrotam a literatura. Por esse meandro, considero dois tipos de avós – aqueles que contam estórias ou histórias e aqueles que algum dia ainda as contarão. Não há criança que não goste de escutar estórias, há adultos com pouca paciência e vontade que tão logo se abram sorrisos, olhares de apreensão ou até medo controlado, movimentação coreográfica e a curiosidade que encanta e transborda que o tempo deixa de ser contado pelos tradicionais e frios segundo e minutos.

Cr & Ag

Desde as tradicionais estórias, como as dos Irmãos Grimm, como aquelas criadas associando temas e pessoas conhecidas com os sempre presentes bruxas e fadas, lobisomens, lenhadores, porquinhos e lobos, madrastas e padrastos, anões e gigantes, florestas e desertos, noites escuras e dias luminosos, carros de corrida e vassouras turbinadas. Há que ter suspense. Muito. E finais felizes. O mocinho deve sempre vencer e salvar a criança. Outro dia, um avô feliz contava ao neto de olhos esbugalhados a estória da bruxa que raptou o Joãozinho que mora logo ali no Fiúza.

A Brigada andava procurando essa bruxa bandida que dá balas com veneno para as crianças na saída da escola e aí pega as crianças que falam com estranhos e coloca num grande saco escuro e leva para a sua casa nos matos da Tarumã. A Brigada até já prendeu ela algumas vezes, mas tem uma turma que solta ela de novo. E foi numa noite dessas que as casas fecharam bem as portas e as janelas e chamaram as crianças que estavam brincando na rua pois escutava-se um barulhos tipo um jato, um avião e umas risadas de malvada voando. Avisaram que era a bruxa da melancia chulezenta. Ela tem um pompom muito grande e não se limpa direito quando faz cocô. Que nojo! E aí fedia e juntava moscas.

Ela não toma banho?

– Claro que não. As unhas são grandes e sujas. Os dentes são fedorentos e podres naquela boca grande, tamanho da boca do lobo mau. E passava voando na vassoura para achar alguma criança. E o Joãozinho desobedeceu à vovó dele e ficou na rua brincando de bicicleta já de noite no escuro. Sabe que é a vovó que cuida dele quando o paizinho e a mãezinha estão trabalhando para comprar comida e roupas, remédios e brinquedos. Pois a bruxa maldita atirou uma corda e laçou o menino desobediente, colocou no saco e levou para a casa dela. Queria que ele engordasse para assar ele no espeto e comer. A vovó viu na hora que a bruxa carregou ele. Aí pediu socorro pra polícia e pros vizinhos. O seu Assis, pai do Silvano, lembrou-se de chamar o lenhador valente. O celular não funcionou e o seu Assis foi correndo chamar ele. Foi a sorte. O lenhador pegou seu machado e foi no castelo da bruxa malvada. Quando chegou lá a bruxa botou um dragão, um lobisomem e um anão para não deixar ninguém entrar até ela engordar e comer o menino desobediente. O lenhado valente nunca se acovarda e gritou: – Vamo pro pau! E cortou o rabo e a cabeça do dragão. Aí veio o lobisomem, ele deu uma pauleira no bicho. Ainda tinha o anão que era campeão de luta. A briga foi muito feia, até que ele acertou um rabo de arraia e uma voadora no anão. Isso ele aprendeu com o tio Chico Barbeiro. A bruxa olhava agora com medo lá da janela bem no alto. Aí o lenhador mirou a grande porta do castelo e gritou de novo: – Vamo pro pau! E enfiou o machado com toda a sua força até rebentar a porta. A bruxa de tão assustada até soltava pum muito fedorento. E pegou a bruxa antes que ela fugisse na vassoura. Abriu a barriga fedorenta dela e encheu de pedras e jogou no lago da Tarumã. Bem no fundão. E de lá essa aí nunca mais vai sair…

Cr & Ag

Mudando da mala para o saco já que o espaço está acabando e a Natacha terá que espremer o texto no meu cantinho. Dizia-me um amigo que a situação do município está horrível e ele é um dos colaboradores diretos dos eleitos. E aí? Pois esperamos que as estórias sejam menos assustadoras, mas quando a situação representar a bruxa que quer nos devorar com seus dragões e outras feras seja dado um brado: – Vamo pro pau! Acreditamos que sempre existirão lenhadores para aliviar a bronca e salvar a situação.

 

Elvira Amrhein  3-749410

Trânsito em Viamão – Edson Olimpio – Jornal Opinião – 13 Março 2013

 

2013 – 03 – 13 Março 2013 – Trânsito em Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“O que está ruim ainda pode ficar pior!” & “Pouco já é muito!”

Olha aí e me diz se isso está certo? – irado e agitado o cidadão interpelou-me.

Vamos ver. O que é que está errado? – disse-lhe.

Cheguei aqui no laboratório para fazer os exames da minha mãe eram quase 8 horas. E agora já é meio-dia, voltei para ir ao banco. Tá vendo aquele caminhão ali? Pois esse caminhão estava estacionado quando cheguei e continua ali estacionado até agora. E não tem jeito de estar estragado ou em conserto. Deve estar hospedado nessa vaga que a Prefeitura do Bonatto criou. A gente não consegue estacionar nem para fazer exames de laboratório para a mãe e nem para consultar com o médico, mas caminhão ganha exclusividade. O senhor deveria citar isso no seu jornal, pois duvido que o Bonatto e o André saibam disto e se souberem e deixarem é sinal de que o trânsito de Viamão que está ruim ainda pode ficar pior.

Entendo e respeito a sua opinião e vou colocar sim no jornal do Pedrão. Acredito que providências serão tomadas. – e despedi-me do cidadão e eleitor indignado.

Cr & Ag

Vamos ao caso. A prefeitura estabeleceu uma área exclusiva de carga e descarga na rua Cirurgião Vaz Ferreira contígua ao Laborclínica. Por que ali? Algum estudo técnico apontou como área prioritária de comércio e que caminhões ali estacionem e levem suas cargas a quadras dali? Interessante e duvidoso. Até agora os estudos técnicos não identificaram aquela área que tem tradicional laboratório de exames clínicos e consultório médico como merecedora de área prioritária para Idosos ou temporária para exames e consultas.

Cr & Ag

A regra é de que se criem “coisas” e que não sejam corretamente fiscalizadas. Vejam as áreas de Idosos e Deficientes Físicos aqui do perímetro central, estão geralmente ocupadas por motocicletas e veículos sem o respectivo cartão legal e necessário que comprove sua situação. É um absurdo que se repete, constrange e limita a quem necessita e pode legalmente usar. A lei federal reserva 2% das vagas para essas condições especiais. Quanto a vagas de Carga e Descarga, as cidades limitam a circulação de veículos pesados no perímetro central para horários determinados. A brutal insuficiência de vagas de estacionamento regular incita o gerenciamento eficaz de cargas e descargas em horários fora do pico comercial. Assim Cargas e Descargas, nos perímetros centrais, fazem-se fora do horário comercial e/ou regula-se e fiscaliza-se a correta utilização dos espaços para evitar aqui que o cidadão flagrou: – a hospedagem dos caminhões.

Cr & Ag

Criar o que não controla, administra e gerencia é como o ato de parir e jogar a cria ao mundo. Infelizmente parem-se leis e normas e deixa-se ao sabor do acaso ou da lei do maior e do mais forte. Ou do jeitinho e do trambique. Esperar que muitos cidadãos tenham o senso de comunidade, tenham a consciência da vida em sociedade sem que abusem dos outros em benefício próprio, é acreditar que o Papai Noel e o Coelho da Páscoa resolverão os problemas estruturais do Brasil e que a inflação não retornou. Principalmente no trânsito vige a lei da selva de pedra, as criaturas estacionam onde não devem, ocupam espaços de dois veículos, batem nos outros carros e fogem. Isso vai do desatento ao canalha. Do despreparado ao adepto da lei de Gérson – “levar vantagem em tudo”.

Outro dia, um cidadão, defronte a Center Car, chamou-me a atenção para que “o Bonatto-André estava consertando os paralelepípedos daqueles buracos quase eternos”. Disse-me: – Veja doutor Edson que pequenas atitudes como essa já mostram que tem alguém se importando e corrigindo aquilo que antes ninguém dava bola, mas que incomodava todo mundo. O pouco já é muito. Respondi a este cidadão viamonense e ao outro do início que devemos dar um crédito de 100 dias aos novos governantes, mas podemos desde já ajudá-los a corrigir rotas e atitudes.

Ano Novo

Barriga de aluguel – Edson Olimpio – Jornal Opinião – 06 Março 2013

 

2013 – 03 – 06 Março 2013 – Barriga de Aluguel – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Barriga de Aluguel

Crônicas de um sobrevivente de um verão infernal

Salvo provas em contrário, se você está desfrutando dos humores e sabores da melhor coluna desses pagos, apesar do jornal ser gratuito, ainda estamos vivos apesar do calendário Maia – algo a ver com o deputado? – e do calor que faz urubu voar de costas e formiga usar chinelos havaianas. Há que ter criatividade para crescer e sobreviver sendo sequelado numa das piores educações do planeta. Vamos nos aproximar mais um pouco do ventilador ou do benfazejo Split. Mais um copinho de água gelada? Já quer demais, luz e água ao mesmo tempo? É como governantes competentes e a ERS 118 de piso civilizado, até aqui impossível. É inacreditável. Mas paremos de delongas e de milongas – ou seria do enrolation? – e vamos contar a invenção deste viamonense dos quatro costados.

Cr & Ag

O cara para se dar bem na vida não basta ser inteligente, tem que ser criativo. Tem que acertar a chave sem enfiar no buraco da fechadura. Jamais desperdiçar a última bala e jamais ficar na mão pela falta do papel higiênico. E nunca ser mandado pela mulher – o que convenhamos agora ficou mais complicado e raro. Pois assim fui alvejado em plena travessia do Itaú, ou no largo do Guará: – Edinho de Deus venha cá homem que quero falar contigo e… – assim aquela parede humana parou-me no meio da avenida com o sinal abrindo e os “Viamão lotado” desesperados na buzina e no acelerador.

– Preciso duma mãozinha tua e do Pedrão pra divulgar meu novo trabalho.

– Legal, voltaste a trabalhar? Recebeu o precatório do Tarso?

– Que precatório que nada, o Tarso é outro que enrola doente e professor, mas agora vou me dar bem na vida. A nega veia tá segurando as pontas faz tempo e com 72 horas semanais e quatro escolas tá com ameaça de depressão e gastrite. Fora o calorão da menopausa. Tu sabes né?

– Mas estamos aí para te dar uma mão, amigo. Queres ajudas para emagrecer? Baixou um pouco dos 120?

– Que emagrecer nada! Tá louco meu! O cara só tem prazer na vida com boa comida. E sexo to quase fora. Seguinte o esquema é “barriga de aluguel”. BARRIGA DE ALUGUEL! – gritou ainda mais alto para meu espanto.

– Legal, mas agenciar essas gurias que querem faturar uma grana alugando para gravidez? Mas e as leis?

– Pô meu, sossega leão! Já tá te adiantando sem saber do meu esquema milionário. Vê se escuta e depois ajuda.

-Legal!

– Olha só no teu consultório o que tem de gente que tá num drama do cão fazendo regime. Olha a comida e não deve comer. Ainda mais nessa época de festas e férias. O cara tem grana e não pode comer por causa da dieta. A guria quer colocar um biquíni e caem aqueles babados e pneus de patrola pra tudo que é lado. A barriga chega antes nas festas e não é qualquer cadeira que cabe a busanfa. Aí bate o estresse, a depre e outras loucuras. Aí entro eu no Tele Barriga de Aluguel. Com plantão de 24 horas e por um preço módico eu como tudo pela criatura. Mato dois caolhos com uma machada só, como diz o Lulinha Bródi. Sacou o lance genial?

– Tu vais alugar a tua barriga? Comer e beber e empanturrar-se pelas pessoas que te pagarem?

– Isso, isso! Que bom conversar com pessoas inteligentes e esclarecidas. E ainda aceito cartão de crédito e vale rango. Como eu não tenho problema de peso, só tenho a solução – barriga de aluguel. Tele Barriga! Mandarei fazer uns panfletos e peço tua ajuda e do Pedrão pra alavancar meu negócio.

– Firme! Vou falar pro Pedrão e deixa teu telefone e uns panfletos que vou te indicar. Gostei do teu projeto e acho que nunca ninguém teve essa ideia antes de ti. – e despedi-me desse amigo genial. E cuidem-se do excesso de sol na moleira.

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Soja & Pampa – Edson Olimpio – Jornal Opinião – 27 Fevereira 2013

 

2013 – 02 – 27 Fevereiro 2013 – Soja & Pampa – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Soja & Pampa

Nos idos de 2002 estive em Herval do Sul com três propósitos: – primeiro um encontro motociclístico; segundo, conhecer a capital nacional da caça ao javali; terceiro, conhecer os assentamentos da reforma agrária na região. A estrada de acesso passa por Arroio Grande que traz lembranças da minha infância e adolescência das caçadas de marrecão e dos acampamentos de viamonenses. Herval do Sul parecia uma cidade fantasma. O “melhor” hotel seria o do Sindicato Rural que dava os sinais do sucateamento e ainda mantinha as imagens de quadros e empalhados das formidáveis caçadas de javalis por brasileiros e estrangeiros. Mantinha um atendimento cordial e ótima comida. O encontro motociclístico agrupava na praça principal uma meia dúzia de gatos pingados a espera dos visitantes de motocicleta. E os assentamentos? Essa região do estado estava tomada por vários assentamentos dos chamados “colonos sem terra”. As margens de rodovias do estado contavam com inúmeros acampamentos de lona preta e várias convulsões sociais. No ano anterior teve o Fórum Social Mundial em Porto Alegre e chagas eram abertas como as invasões e destruições de propriedades, inclusive com um sindicalista ou terrorista francês de nome José Bové e organizações como a Via Campesina e o MST. – E os assentamentos? – pois em Herval estava localizado o famoso Santa Alice que era o piloto em novas metodologias e técnicas de fixação do homem rompendo o latifúndio típico do sul do estado e do pampa para a propriedade familiar e comunitária.

Cr & Ag

Graves contradições entre realidade e sonho grassavam na região. Muita dor, sofrimento, desesperança e abandono de todos os lados dos conflitos da terra e da sociedade. No retorno, abastecia em Arroio Grande quando um cidadão vendo a placa da moto veio conversar comigo. Identificou-se como ex-aluno da ETA e conhecia diversos viamonenses durante os anos que aqui convivera. Disse-lhe que estava espantado com as mudanças para melhor de sua cidade que acontecera em poucos anos e perguntei-lhe qual o segredo: – O segredo é trabalho e soja! A região quase afundou com a reforma agrária, pois de quem foi tirada a terra ficou na miséria e não recebeu a indenização e quem veio, chegou despreparado para essa região e pobre de dar dó. Aí uma turma resolveu trazer umas sementes aí do Uruguai e plantar. É a transgênica – cochichou. E começaram a ganhar dinheiro como nunca antes. Ainda mais com o superporto ali pertinho em Rio Grande. O pessoal tá enfiando soja direto, só como medo das invasões e perseguições.

Cr & Ag

Passados cerca de 10 anos, o casamento da soja com o pampa está de vento em popa. Quem costuma ir à Santana do Livramento-Rivera para “umas comprinhas” observa os campos a perder de vista sendo recoberto pela oleaginosa do ouro verde. E dos dois lados da rodovia. Quem viaja por Dom Pedrito, Bagé, Aceguá, Pinheiro Machado, Pelotas, enfim toda essa região sul e fronteiriça assiste a soja mudar a paisagem de campos desolados com escassos animais em criação extensiva ao surgimento de empresas, silos e riqueza. Um mundo faminto, como o gigante capitalista-comunista chinês, torna a produção brasileira e gaúcha destino certo e rentável. Um conhecido disse-me que: – se vendesse a R$45,00 já dava para tirar uns pilas, mas vendeu a mais de R$70,00. As Missões e o noroeste rio-grandense já não correm “solito nesta cancha reta”, contava-me.

Cr & Ag

Novos tempos, mas ainda velhas cabeças e degenerados entendimentos. O chamado “capitalismo excludente” arremessou a classe média cerca de 50 milhões de brasileiros sedentos por consumir e viver com conforto e novas realizações. O mesmo “capitalismo da concentração de renda” colocou mais de 400 milhões de chineses no mercado de consumo e fora da pobreza absoluta e comunitária. Não foi somente a terra que sacou da pobreza e da miséria física e intelectual centenas de milhões de pessoas no planeta, mas a educação de melhor qualidade e a possibilidade de ter sonhos e de realizá-los por seus esforços e méritos. A terra cada vez necessita de menos ideologia e mais tecnologia. Quanto melhor educação e maior uso da caneta e do computador, mais leve será a enxada e mais produtiva a terra.

Mosca

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Conflitos do dia a dia– Edson Olimpio–Jornal Opinião–13 Fevereiro 2013

 

2013 – 02 – 13 FEVEREIRO 2013 – Conflitos do dia a dia – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Conflitos do dia a dia

Diz-se que mais complicada é a vida porque as pessoas a complicam mais ainda. Redundância? Verdades. Pois a visão que cada um tem do mundo é muito sua, muito particular e muito especial. Influenciada por diversos fatores, inclusive por influência ideológica. Como assim? Alguns são de esquerda, outros são de direita, muitos são do “pip” – partido do interesse próprio. Vários tendem a generalizar o “ingeneralizável”, por alcance reduzido do entendimento, como defesa de suas fraquezas ou imperfeições ou pelo efeito revoada – prefiro esse termo ao correlato “efeito manada”, pois revoada é de aves, pássaros ou de avoados. Assim é desde o mais singelo e banal termo a mais complexa e profunda colocação. Em épocas de mensalão julgado e condenado, em que a força de caracterizar como inverdade ou utopia foi vencida, ai de quem mostrar-se respeitar as instituições. Correm-se riscos, como o ex-governador Olívio, que agora é perseguido por segmentos do seu partido político.

Cr & Ag

“Chinelagem” está nesta moda dos novos termos cunhados Na periferia ou nas novelas. “Chinelo” vem na linha do antigo “muquirana” e outros do gênero. Pois um amigo mostrava-se indignado com outro que usou essa expressão para catalogar esses motoristas que dirigem com os braços pendentes nas janelas abertas, jogam lixo pela janela do carro até em movimento, das moçoilas (sempre busquei um tempo para usar esse termo) que usam shorts abusivamente curtos adentrando as cavidades naturais inferiores e traseiras em ambientes não condizentes. Mais: dessas criaturas que no banco do carona andam com os pés sobre o painel do carro e ainda de chimarrão em punho; dessas criaturas que usam o celular como se falassem em comício; desse pessoal que ataca com unhas e dentes os bufês e carregam pratos como montanhas de comida em sua derradeira refeição antes do cadafalso; desses que persistem em furar filas e conversar nos cinemas ou que paqueram acintosamente o par alheio. A lista é grande e o admirável leitor deve estar acrescentando novos itens. Se você está fora dessa turma não há porque irritar-se com o alheio. A boa educação separa e seleciona já a má tende a compactar, a juntar alhos com bugalhos.

Cr & Ag

Outro dia um amigo sentia-se muito ofendido com um conceituado jornalista que usou o termo (sic) de “lixo humano”. Aqui certamente há um viés ideológico do entendimento e da aceitação. O politicamente correto e o absolutamente esdrúxulo podem conviver em sintonia. Assim podem estar “negro” e “afrodescendente”? Citando outro ex-governador, Alceu Colares, que aprecia ser tratado como “negro gaúcho e brasileiro” e tem o maior e inesgotável orgulho de sua raça e cor. No entanto, outros se sentem ofendidos. “Uma questão de ordem”, parafraseando um colega que constantemente aparteava as reuniões médicas, assistam aos filmes Lincoln e Django, vejam racismo e escravidão com outra ótica. Voltemos ao “lixo humano” – há moradores de rua e moradores de rua, há drogados e drogados, há bandidos e bandidos, há médicos e médicos, há… Nem tanto ao céu e nem tanto à terra. A escória da sociedade seria o lixo humano? Para estar neste grupo classificado como ralé ou escória dever ser pela condição econômica ou pela podridão, putrefação dos valores morais e humanos?

Cr & Ag

Alguém é um assassino, estuprador ou tem as piores qualificações, pode ser considerado uma pessoa “normal” como milenarmente nos foi ensinado e a razão nos mostra? Há seres que jamais serão corrigidos ou terão alguma recuperação, há seres em que o mal é inesgotável e deveriam estar sempre afastadas do convívio social? Realidade ou é uma visão distorcida? Seres que se arrastam em gabinetes refrigerados ou nas vielas sépticas cujo único propósito e objetivo na vida são de fazer o mal aos outros, buscando a sua vantagem. Conhece alguém assim? Acredita ser possível que existam e que convivamos em harmonia com eles? Nem todo presidiário é “lixo humano”, mas muito “lixo humano” deveria estar e permanecer nas penitenciárias para exemplo e proteção de todos? Há exagero nesta tese ou neste entendimento? Interrogações. Essa é a função do cronista – raciocine, entenda e posicione-se! Não podemos ser submissos nem à fé absoluta, lembre-se do pastor Jim Jones.

John Wayne

Cavalos nos Cabelos

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