Elmo do Darci Sandália e Dinho do Aldo Cabeleira–Edson Olimpio Oliveira–Jornal Opinião–21 Novembro 2012

 

2012 – 11 – 21 Novembro 2012 – Elmo do Darci Sandália e Edinho do Aldo Cabeleira – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Elmo do Darci Sandalia e Edinho do Aldo Cabeleira

Numa pausa recuperadora do fôlego na aula com o professor Franken Böes discutíamos sobre temas dessa coluna, das expressões quase esquecidas e, principalmente, fatos e pessoas que têm sido eternizadas nas páginas do jornal Opinião, sempre com formidável apoio do professor Pedrão. Na mesma esteira encontrei-me novamente com um dos homens mais corajosos e destemidos de Viamão – o Elmo da Funerária ou o Elmo do Darci Sandália. Invariavelmente o Elmo me trata como o filho do Aldo Cabeleira e saca do baú as caçadas de marrecão em Arroio Grande, Jaguarão, Santa Vitória do Palmar e no Uruguai. Heim? Por que da valentia indômita do Elmo? Começa que quem se mete com o Elmo termina sob sete palmos. Os clientes podem queixar-se dos médicos, jamais do Elmo. E esse não teme fantasmas, almas penadas ou assombrações. Quer mais – o homem é uma enciclopédia viva sobre Viamão e sua gente. Há poucos como o grande Elmo. Lembrei-me de outros – o Moacir do Cartório e o Haroldo Franco.

Cr & Ag

Hoje somos ilustres desconhecidos num oceano de população crescente e atribulada em fazer contas e pagar quando puder. Trouxemos para esse luminoso espaço estórias e histórias da cidade e de seus personagens. Lembram-se da crônica “Quem roubou o caixão do Nei Fraga?” As controvérsias persistem apesar do resgate do ataúde. E das lendas de Viamão? E dos causos do tio Cirne? A saudade aflora na mente do cronista esses temas. Os Fragas são frequentes nestas andanças literárias, tanto pelo número de criaturas quanto por suas estórias. Segundo o primo Danilo Malta, quase todos somos de alguma forma parentes nesta cidade ancestral. As famílias separavam-se em muito pela política ou pelas rixas intrínsecas, isso não mudou. E a identificação da pessoa geralmente estava associada ao nome do pai, outro familiar, da família ou da origem geográfica.

Cr & Ag

O mundo torna-se homogêneo pela volumetria. Tudo fica como que pasteurizado, liofilizado, inodoro, incolor e insípido. Há criaturas que comem, bebem, dormem e transam numa corrente ou esteira de linha de montagem. A individualidade busca do sucesso, do ter mais e mais e acaba na depressão do ser menos. Há quem queira e esconda-se nesta massificação do cinzento como das sociedades comunistas de outrora ou ainda perdendo o ranço. Mas o mundo se repete e dois eméritos relojoeiros de Viamão eram colorados fervorosos – o Messilva e o meu querido tio Zé Uia e agora aí está o Alexandre (primo do Danilo) para infernizar os gremistas. Messilva e Zé Uia tinham sido barbeiros inicialmente.

Cr & Ag

Um universo de apelidos. O termo alcunha era usado para a bandidagem. Alguns incorporavam o apelido de tal forma que eram tratados como se sobrenomes fossem. Aí vai meu avô paterno – o velho Olimpio Carneiro, fundador de Estância Grande. O “carneiro” era um apelido e também avô da Maria do Clodoaldo (prima do Danilo também). Voltando ao Moacir do Cartório (primo da minha mãe Dora) e ao seu nobre pai Adônis. Entre inúmeras qualidades do Adônis estava a de orador exemplar. Tenho gravado a cena do sepultamento de um viamonense e nas despedidas finais, o seu Adônis tomou da palavra e em candente discurso trouxe todas as pessoas para as emoções incontidas em abraços e choro entre os túmulos do cemitério central. Esse extravasamento de emoções e sentimentos marcou esse guri viamonense e assisti fragmentos da dor e da coragem desse guerreiro enfrentando uma mortal enfermidade de laringe. Muito me doía silenciosamente olhar sua traqueostomia e a perda daquela voz que tanto tocava os corações. E esse guri pobre foi estudar fora de seu ninho querido, abrir uma grande lacuna temporal e optar por voltar e aqui construir família e profissão e hoje ser o médico com maior tempo profissional em Viamão.

 

Criancas Desaparecidas

 

35 MIL CRIANÇAS POR ANO

A gratidão e o papel–Edson Olimpio Silva de Oliveira–Jornal Opinião–28 Novembro 2012

 

28 Novembro 2012 – A gratidão e o papel – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A gratidão e o papel

Sempre repercutem com grande intensidade as crônicas em que citamos fatos e vultos da Viamão querida por todos nós. Um amigo leitor lembra-se de um viamonense que propaga e divulga a sua forma a nossa cidade e seu povo, é o jornalista Rogério Vaz Mendelski. Na esteira das outras crônicas, o Rogério irmão da Marta. A Marta esposa do caro delegado Parobe Magdalena. O Rogério, não importa a emissora, é meu e de muitos o companheiro do acordar, fazer a higiene matinal, tomar café e ir ao trabalho. Há quem discorde de suas posições e de sua ideologia, mas jamais se pode atribuir ao Rogério a fraqueza de personalidade ou o mudar de posição pela “governabilidade”. Talvez tenha sido o jornalista mais agredido e acossado pelo petismo xiita. Dizem que os processos choviam a cântaros em sua cabeça. Não o conheço pessoalmente, mas sei que jamais deixou de ser fiel as suas ideias e ideais, amigo dos amigos e guerreiro implacável pela evolução e melhoria deste Estado. Há que enaltecer sua coragem e seu espírito viamonense.

Cr & Ag

Tenho por rotina e hábito imprimir em papel todas as fotografias importantes da minha família, dos meus amigos e colegas, das imagens que minhas retinas gostariam de fixar e o espírito de reaquecer-se ao relembrar. Da mesma forma, a maioria dos textos que escrevo, mesmo que não sejam enviados ao jornal ou publicados em livros ou revistas. Não sei viver no o mundo virtual com as coisas do coração. Há que haver o toque, o tempo de elaborar os sentimentos, os odores e toda essa gama de emoções que fazem a nossa humanidade amar e sofrer. Imensos arquivos de vídeo e imagem guardados em pastas de computadores soam-me como de um vazio doloroso. Amo o papel e sua capacidade de mensageiro e intérprete da vida. Cada nome dos meus pacientes gravado numa receita ou prescrição é singular. É único para aquele paciente. Não tenho “caligrafia de médico”, tenho a caligrafia de quem ama e torna visível e único o que faz. Não somente os medicamentos são mais legíveis, mas o nome do paciente recebe toda uma carga positiva de respeito e amor profissional.

Cr & Ag

Eis que o jornal deve receber do autor o mesmo cuidado que tem com sua vida pessoal e profissional. Não critico quem pensa ou faz diverso, pois o mundo não nos fez todos na mesma forma primordial e é na diversidade que crescemos e buscamos a beleza. Cultivo a gratidão e a protejo na minha trajetória de vida. Agradeço ao Professor Pedrão Nigeliskii que por esses quinze anos tem sido um amigo de fé e oferece-me esses espaços jornalísticos com absoluta liberdade. Outro amigo querido é o General de Exército Médico Luiz Alberto Soares, escritor, historiador, presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames) gaúcha e por longos anos da nacional e um mecenas das artes literárias. O Soares é daquelas pessoas que o mundo nos presenteia com a sua amizade e carinho.

Cr & Ag

Perenizar, eternizar, divulgar, abrir o horizonte, estimular o conhecimento e o raciocínio do leitor e… um universo de deveres e possibilidades. Há quem compare o cronista com a mulher. – Como assim? – deve estar-se arguindo o primo Sílvio Boca (primo do Danilo, do Haroldo, da Maria do Clodoaldo, da Leda Barreto… a corda é longa). A mulher deve ser filha, esposa, mãe, neta, amiga, companheira, conselheira, apaziguadora, cúmplice, amante, protetora e tantos outros predicados e outras qualificações em sua existência. Há momentos em que a inspiração é escassa, mas o cronista deve cumprir seu prazo de entrega da coluna. Há quem faça a via curta – copiar da internet e colar. E deu. Aí sempre me bate esses sentimentos, as manifestações dos leitores, como da querida Úrsula Nigeliskii – “Edson, sempre começo lendo o jornal pela tua coluna!”. Amigos mostram recortes de jornais com as colunas arquivadas e rotinas e programas de vida podem ser evoluídos pelo toque de quem escreve e de quem lê. A luz nos traz alegrias e responsabilidades.

Nota de dor e de tristeza

De 2005 a 2012 o Brasil perdeu 41 713 leitos do SUS. A perda no Rio Grande do Sul, no mesmo período foram 2 534 leitos do SUS. O nosso Estado tem o dobro de médicos necessários para um bom atendimento conforme parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS). Sobram médicos, sobram pacientes e emergências lotadas, sobram mortos, mutilados e desesperados, faltam leitos e responsabilidade aos governantes. E falta consciência para uma melhor escolha ao eleitor enquanto sobra ideologia retrógrada, passividade e corrupção.

Seio seco

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Sexualidade e Felicidade – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 07, 14, 21 Setembro 2011

09 SETEMBRO 07 – 2011 – Sexualidade e Felicidade – CAP 1 – Edson Olimpio
Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Sexualidade e Felicidade

Capítulo
1 / 3

Sexualidade
e Felicidade formam um dueto que se tocado com sabedoria e discernimento traz harmonia
e iluminação a todo ser humano. Buscamos ser felizes, seja por vias diretas ou
por vias tortas e nebulosas. Mesmo trilhando os caminhos da desgraça anunciada
o ser humano está em busca de felicidade. O ser humano busca até nas drogas uma
pausa em sua dor e sofrimento, mesmo pactuando com a destruição de seu corpo e
alma almeja alguns momentos de suposta e ilusória felicidade. Eva, a mãe
ancestral de grande parte de nós ocidentais, buscava a destruição do seu mundo
paradisíaco ou elevar-se?

O
ser humano jamais conseguirá ser feliz isoladamente ou no deserto de sua alma.
Aqueles que buscam o poder, seja do dinheiro ou do domínio sobre os outros,
iludem-se nesta suposta conquista de felicidade. E onde entra ou sai o sexo? O
sexo ou a sexualidade está na raiz de tudo. Os impulsos básicos da humanidade
estão assentados firmemente no exercício da sexualidade.

O
que seria o exercício da sexualidade? Para muitos seria como uma “academia do
sexo”. Ledo e rotundo engano. Em certa entrevista o padre Marcelo Rossi, com
instigante perspicácia e inteligência, mostrou que a sexualidade humana está
também ou muito mais na castidade e não no celibato. Assim, o exercício pleno
da sexualidade não passa por transar
adoidadamente
e sim por fazer da sexualidade um ato de prazer de ambos em
busca da felicidade ou na sublimação e crescimento espiritual.

Novamente
pela Eva ancestral, religiosos – jamais todos – transformaram a mulher no ser
secundário e pecaminoso que durante séculos acompanhou com inferioridade o
homem-macho para a continuação de sua prole ou para seu prazer. Havia duas
mulheres absolutamente distintas e incomunicáveis,
pelo menos na teoria. Nos museus de vestuário, vêem-se roupas femininas que
ofereciam um pertuito ou um buraco por onde o homem faria o ato sexual. ─ Então
faziam sexo sem tirar a roupa? Sim. Sexo para reprodução, jamais por prazer
feminino. O prazer feminino nas esposas formais seria pecaminoso e reprovável.
E para piorar, a esposa sentindo prazer era risco para o macho que se não
estivesse absolutamente apto para o ato sexual, corria o risco da fêmea procurar outro macho mais capaz
alguns nutriam essa insegurança.

As
demais e inesgotáveis modalidades de executar o ato sexual estariam ao encargo
das outras mulheres ─ prostitutas ou
escravas daquele mundo dito por alguns como primitivo se comparado com o atual.
Calcula-se em mais de um milhar o número de crianças geradas pelo então senhor
feudal e nobre português dono da capitania de Pernambuco. O furor sexual da
criatura era mitológico e de índias, negras, mestiças de toda ordem e
prostitutas importadas geraram-se crianças com mãe e absolutamente sem pai. Eis
aqui outra vertente da sexualidade e da paternidade humana antes das festas
funk particularmente – as mulheres sabem quem é o pai de seus filhos. No
entanto, os homens acreditavam na palavra das mulheres ou viam-se nas formas e
traços das crianças. Eis que a Medicina insatisfeita pela palavra volátil criou
o teste de DNA.

Fim do Capítulo
1 – todas as crônicas estarão disponíveis em
https://edsonolimpio.wordpress.com

09 SETEMBRO 14 – 2011 – SEXUALIDADE E FELICIDADE – CAP 2 –
Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal
Opinião

Sexualidade e
Felicidade

Capítulo 2 / 3

 

Como
até o teste de paternidade pode falhar, a mídia revelou que um  ex-presidente foi vítima de pensionamento e toda sorte de abalos pessoais e morais
durante uns dez anos de uma criança tida como sua como uma jornalista. Azar ou
estratégia de Maria-chuteira?

Os
métodos anticoncepcionais são usados desde tempos imemoriais pela humanidade.
Desde artifícios como tripas de animais fazendo às vezes de camisinha até infindáveis simpatias ou
mágicas poções. Foi sempre a busca da liberdade de fazer e de sentir com o
mínimo ou nenhuma responsabilidade sobre os considerados efeitos adversos – as
gravidezes. Outra máxima existencial: ─ Quando o macho pensa com a cabeça de
baixo, a de cima é só para segurar o chapéu! É de uma época que ainda se usava
chapéu. Hoje temos o equivalente boné que se usado fora da posição normal
demonstra e imaturidade e o espírito moleque do portador.

A
pílula anticoncepcional trouxe a redenção da mulher para a ampla e assumida
sexualidade. E não foi preciso nenhuma Isabel com estímulo de nenhum Patrocínio
para assinar essa lei áurea da feminilidade. A liberdade sexual confundiu-se
com a libertinagem desenfreada (redundância?) em muitos corpos e mentes. Isso
também faz parte natural do milenar represamento de sentimentos e de emoções.
Para muitos estudiosos, a revolução industrial e os movimentos feministas na
América do Norte permitiram e busca e o surgimento da uma nova mulher. Entende-se
que os singulares movimentos dessas heróicas mulheres tiveram o condão de
transformar o singelo movimento de pálpebras e olhos e o inebriante movimento
dos quadris numa nova vida de maior liberdade e possíveis conquistas.

A
pílula (anticoncepcional) neste meio século de uso e abuso ajudou enormemente a
gerenciar a feminilidade desde a acne, a dismenorreia e a famosa TPM – tensão
pré-menstrual, as menstruações excessivas ou escassas e chegando a participar
da libido. Seja pela atividade hormonal intrínseca do medicamento, seja pela
liberdade de mente e corpo no coito e em seus plenos de encantos nos interlúdios.

E
neste ocaso de século XX e alvorecer do século XXI o macho viu-se frente à sua
pílula. A não menos famosa pílula azul do Viagra, ajudou a afugentar um dos
temores mais primitivos da alma do macho – o fracasso na ereção ou o mau
desempenho sexual. A esplendorosa oferta de fêmeas no mercado jogou o macho contra a parede, ou melhor, prensado no
colchão pela exuberância da nova fêmea humana e pela sua necessidade assumida
ou até pela sua volúpia.

 

Fim do Capítulo 2
– todas as crônicas estarão disponíveis em
https://edsonolimpio.wordpress.com

 

09
SETEMBRO 21 – 2011 – Sexualidade e Felicidade – CAP 3 – Edson Olimpio Oliveira
– Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Sexualidade e
Felicidade

Capítulo 3 –
Final.

Um
emérito barbeiro e médico prático de
Viamão abastecia muitos amigos e outros nem tanto de estimulantes e
afrodisíacos como nó de cachorro – um
cipó rasteiro das pedreiras do Espigão até Itapoã. Sempre, em todas as eras, o
homem municiou-se de estimulantes sexuais. ─ Não que precise, mas não custa ter
de estepe pra numa necessidade… – justifica-se um estóico machão.

Eis
que o machismo encruado e empedernido custa a revelar ao homem vantagens
similares às da mulher com esta evolutiva série de medicamentos chamados para
Disfunção Erétil. Mais idade e mais refratário ao seu uso. Os mais jovens tem
usado com maior freqüência para apimentar a relação do casal ou para
salvaguarda-se numa cobrança da ou das parceiras. Há mulheres que ainda
manifestam uma contrariedade ao homem que os usa, seja porque “se ele me amasse
ou me desejasse isso seria desnecessário”, ou “o cara não funciona como
deveria”, ainda “agora ele pode sair dando tiros na rua”, por exemplo. Custam a
entender e apreciar que as vantagens que elas usufruem da moderna farmacologia
estão à disposição dos homens para a felicidade de ambos.

Absolutamente
nada contra quem queira viver sem energia elétrica ou andar de carreta ou de
fusquinha, mas tudo a favor da evolução e da qualidade de vida. Sintam como
homens e mulheres de mais de 50 ou 60 anos estão em plena atividade com vida e
beleza. Há pouco tempo, a mulher acabava-se com a menopausa. Sintam como agora
estão belas nas formas e no conteúdo. Jamais se usou tanto silicone desde a
juventude até a idade madura quanto agora – felizmente. As dores de cabeça e
enxaquecas ou o teatro do faz de conta nos lençóis deixaram rastros amargos de
passado sombrio. Suicidas por impotência tendem a ser história macabra.

O
belo exercício da sexualidade plena do homem e da mulher é inarredável do
caminho da felicidade e da evolução. As conquistas médicas e farmacológicas
vieram iluminar a existência humana na face deste planeta e devem ser aceitas e
encaradas com respeito e parcimônia. Sem abusos, mas sem preconceitos.

O
sol nasceu para todos, diz a sabedoria popular. No entanto, nem todos podem
tomar banho de sol, complementa o cronista. O estágio evolucionário é variável
entre nós. O entendimento e aceitação de verdades intrínsecas à humanidade
precisam ser conquistados diariamente. Sem tréguas! Sexo, raça, cor, religião,
idade e tanto mais precisamos de iluminação.

Somos
seres nascidos para o Amor e direcionados para a Felicidade. A Sexualidade nos
fortalece e revigora e força-nos a ter limites e respeitar aos outros como
gostamos de sermos respeitados.

Fim do Capítulo
3 Final – todas as crônicas estarão disponíveis em
https://edsonolimpio.wordpress.com

 

 

O Coitadismo Brasileiro – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 31 Agosto 2011

08 AGOSTO 31 – 2011 –  O COITADISMO BRASILEIRO – EDSON OLIMPIO
OLIVEIRA – CRÔNICAS & AGUDAS – JORNAL OPINIÃO

 

O Coitadismo Brasileiro

 

Esta semana a TV brasileira foi pródiga em mostrar cenas de jovens agredindo
professores dentro de escolas por todo o país. Igualmente apresentou uma série
de professores agredidos, espancados e ameaçados de morte por pais de alunos.
Isso não configura nenhuma novidade ao alcance da vista cansada ou dos mais
míopes e desinteressados. Todo tipo de violência passando pelo carro com a
pintura riscada, pneus furados, ameaças explícitas chegando invariavelmente às
agressões físicas com vários professores apresentando sequelas dos danos a eles
infringidos tanto da parte corporal como da psicológica.

Observem
que isso não é primazia das escolas, está espraiado por todos os setores da
vida brasileira. Eis que uma servente de escola envenena a comida das crianças
e dos demais trabalhadores. A polícia identifica-a. A seguir vem seu advogado
apresentar pungente brado contra o delegado por a indiciada ser “jovem, pobre e
negra”. Não bastasse um anteparo protetor a malignidade tem três: é jovem –
logo não sabe o que faz; é pobre – logo a sociedade é culpada da sua situação
econômica; e finalmente é negra – logo todos tem uma dívida secular com ela.
Esqueceu-se o ilustre defensor em apresenta-la como Mulher. Mas logo deverá
fazer isso.

Na
política nacional, a presidente Dilma está enfrentando a herança maldita de
muitos, mas principalmente dos dois últimos presidentes – lá se foram dezesseis
anos de um FHC frouxo e engavetador e
passou por um Lula que nada soube ou viu
e loteou à impunidade dezenas de ministérios e milhares de cargos públicos em
nome da discutível governabilidade. A praga malufiana
rouba, mas faz – encontrou guarida na
intensa atividade da famigerada lei de Gérson
levar vantagem em tudo! Avisamos
aos escandalosos e idólatras de plantão que jamais se olha somente as
qualidades da pessoa. Até no amor deve-se ver e sentir os defeitos do outro.

Permiti-me
cunhar a palavra Coitadismo (dos
coitados) para a coluna a fim de que o arguto leitor sinta-se presa ou vítima
de uma infecção ideológica, religiosa ou social do brasileiro. O bandido é
intensamente defendido por organizações de outorgados
direitos humanos. Alguns segmentos dos aplicadores de leis são benevolentes ou cúmplices
dos infratores ou bandidos de todas as pelagens em detrimentos das suas
vítimas. Há outro intenso loteamento das terras brasileiras por leis e seus
entendedores e aplicadores para reservas indígenas, quilombolas e sem terras.
Exemplos: reserva Raposa Terra do Sol em Roraima onde agricultores e índios com
cerca de um século ali trabalhando foram expulsos e jogados nos lixões de Boa
Vista. Vejam a criação do “quilombo
de Morro Alto aqui em Torres. Seria outra vergonha travestida da legalidade e do
mito da eternização da culpa e dívida?

Não
há nenhuma generalização a qualquer extrato social, pois aquela é a prima burra
da escassez de entendimento ou da maldade. Toda a sociedade brasileira está
pagando em dinheiro − mais de cinco meses por ano de trabalho − entregue aos
governos e seus perdulários e parasitas oficiais. E pagando com a degradação da
disciplina, do respeito, da verdade, da legalidade e do amor em suas famílias,
nos ambientes de trabalho e nos mais diversos meandros da vida brasileira.

 

Tribos Indígenas de Viamão – Realidade ou Mito – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 24 Agosto 2011

 

08 AGOSTO 24 – 2011 – TRIBOS INDÍGENAS DE VIAMÃO –
REALIDADE OU MITO! – EDSON OLIMPIO DE OLIVEIRA – JORNAL
OPINIÃO

Tribos
Indígenas de Viamão

Realidade
ou Mito?

 

Outro dia numa conversa entre intelectuais surgiu o tema das tribos indígenas de Viamão. Alguns amigos sentiam-se despreparados para debater o assunto, no entanto, outros defendiam a afirmação de que os
indígenas guaranis ou miscigenados que ocupam áreas do município como Cantagalo
e Estiva são originários daqui mesmo. É impressionante como se pode ou tenta-se
reescrever a história. Todas as terras da América eram ocupadas por silvícolas.
Uma imensa diversidade de tribos com hábitos e costumes confluentes ou
conflitantes e nesta região meridional com nomadismo presente. Logo todas as
terras são originalmente dos chamados índios. Mas daí a tornar áreas do
município como de posse ancestral deles, vai um excesso. Isso certamente seria
mais apropriado para Santo Ângelo, por exemplo.

Os atuais índios viamonenses foram deslocados para cá por alguma finalidade
política, ideológica ou econômica. Os índios de Porto Seguro na Bahia, um dos
paraísos turísticos do Brasil foram ali realocados de sua origem a cerca de 500
km de distância. – Onde o Brasil começou tinha que ter os índios para serem
mostrados aos turistas. Isso traz Money pra Bahia! – comentava o guia turístico
caminhando na fantasiosa aldeia entre a venda de artesanato e poções
afrodisíacas ou gordura de peixe-boi para enxaqueca e junta destroncada.

Vamos anexar uma anedota médica para ilustrar o caso. Vocês sabem a diferença entre o
neurótico, o psicótico e o psiquiatra? Não sabem? Tentem. A resposta: o
neurótico é o cara que constrói castelos no ar. O psicótico habita ou mora
nestes castelos. E o psiquiatra cobra o aluguel. Assim ocorre com muitos
intelectuais que constroem teses e montam todo um enredo que justifica e
comprova suas afirmações e logo há um caudal de seguidores ávidos por
assemelharem-se com seus ídolos ou mestres. Na extinta União Soviética, o
comunismo reescreveu a história e as pessoas sumiam dos livros e das
fotografias e pinturas. Na China, Mao Tsé Tung quis apagar todos os vestígios
das milenares tradições chinesas. Na América do Norte, a indústria do cinema
criou um universo fantástico do faroeste.

Neste brasilzão avidamente devorado por políticos de todas as pelagens e rugidos, ser
índio torna a criatura em algo supostamente puro e que deve ser ressarcido pelas atrocidades do homem branco
alardeiam vários. Sempre faço esse alerta em minhas crônicas – toda a
unanimidade é burra e entender como generalizado faz parte da carência de
melhor entendimento da criatura. Ser índio é estar acima da isonomia da
constituição e detentor de certas vantagens. Os indígenas que habitam Viamão
merecem todo o respeito que qualquer cidadão merece e que pela educação
adequada saiam do aquário do paternalismo eterno e vivam em harmonia com todos
os cidadãos nativos ou não da cidade.

Querem outro tema polêmico? Viamão e os quilombolas. Qual sua opinião?

Destino Incerto – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 17 Agosto 2011

08 AGOSTO 17 – 2011 – Destino Incerto – Edson Olimpio
Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Destino Incerto

 

− A Cuca é muito braba!

− A bruxa Memeia é mais braba e morde!

− É, mas o Bicho Papão é mais brabo ainda!

Assim estava a conversa de meus dois netos de pouco mais de três anos, a Ana Luiza e
o Lucas. Olhos arregalados e seus temores expostos na singeleza da imaginação
infantil. Seus medos se agravam com os cantos escuros ou quando nas
brincadeiras a fantasia aparenta ser real. Os nossos medos de adultos são muito
mais reais e diversos. Recebi neste final de semana mais um boletim informativo
do atuante comandante da Brigada Militar local, Coronel Freitas. Apesar do esforço
das forças policiais certos tipos de crimes permanecem estáveis em número
absoluto. Na opinião do cronista, com esse inchaço populacional de Viamão, talvez
haja uma diminuição relativa.

Ser policial, civil ou militar, é antes de tudo uma vocação. Fala-se de vocação de
sacerdotes, médicos e professores. Esquecemos outras carreiras e ofícios
vocacionados – bombeiros, socorristas, etc. Se atentarmos para o salário e as
condições insuficientes de trabalho ofertados pelos governantes de plantão
estaremos diante dos anjos da guarda ou nos anteparos ou coletes salva-vidas da
sociedade. Faça uma caminhada da Agência da Receita Federal, aqui no Centro,
até ao Posto de Saúde. Observem a quantidade de indivíduos vagando como quem
não quer nada ou esperando alguma coisa ou alguém. Ou com esses abrigos
cobrindo a cabeça e escondendo os olhos. Ou usando alguma artimanha qualquer
como o predador esperando o descuido da presa. Observei brigadianos exigindo
documentos ao interpelar essas pessoas. A realidade estampada é de uma escória
crescente e agressiva apta e pronta para atacar. E atacam. Não agridem mais
pelas forças policiais presentes. – Doutor a gente sai de casa e não sabe se
volta! – dizia uma senhora atacada
defronte uma das lojas centrais.

E assim é em qualquer lugar. Alguns piores! Observem o trabalho dos seguranças
nos shopping centers. Os templos do consumo seguro já não são mais tão
indevassáveis ao crime. Há que estar sempre vigilante e nunca omitir-se de
avisar ao policial da suspeita do cidadão acuado. – Precisamos de leis mais
rigorosas! – dizia-me um amigo. Não é uma verdade real. Temos leis que precisam
ser executadas do presidente ao peão. A Medicina ensina a combater a
enfermidade com energia e com todos os recursos possíveis. O câncer é câncer.
Vacinação para evitar a propagação das doenças infecciosas. Mas o cidadão que é
debulhado na metade dos seus ganhos pelos governantes de plantão assiste o país
sendo violentado econômica e moralmente. Caem ministérios ou suas equipes de
governo quase toda semana. Algumas vestais horrorizam-se com a atuação do
Ministério Público ou da Polícia. – Algema é um absurdo e desnecessário! –
vocifera alguma cobra-rei.

Essa contaminação ou essa virulência dos graúdos
e a sua quase permanente impunidade – ainda mais com a salvaguarda da
famigerada governabilidade – dissemina-se por todas as camadas sociais e
encontra abrigo e estímulo na criminalidade. − A crise mundial de diversos
países parece motivar a voracidade de governantes e administradores do país e
querem locupletar-se ao máximo antes do barco afundar! – lamenta-se um amigo.

 

Laranja de Amostra – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 10 Agosto 2011

08 AGOSTO 10 – 2011 – “LARANJA DE AMOSTRA” – EDSON OLIMPIO OLIVEIRA –
JORNAL OPINIÃO – CRÔNICAS & AGUDAS

“Laranja de Amostra”

 

Mostram-nos
o que lhes interessa. Querem nos cativar. Desejam ganhar a nossa atenção ou
capturar os nossos sentimentos. Essa peça da sabedoria popular expõe a técnica
de vendas do feirante – colocam-se as mais bonitas laranjas por sobre o monte,
escondendo as mais feias, defeituosas ou já passadas. Talvez muitas até podres.
Quase todos sabem disso e apercebem-se fazendo a escolha das frutas
pessoalmente e não permitindo ao vendedor que ensaque as laranjas à sua
vontade. Usam a boa conversa
mostrando outras frutas igualmente bonitas e apetitosas ou ressaltando o
frescor das hortaliças ou o aipim
descascado e que cozinha e fica como uma manteiga
. Distração!

Distração é a alma do negócio – outro ditado
popular. Cativa-se quem quer e precisa ser cativado. Diz-se aquilo que o outro
necessita ouvir. Tudo sem mudar o alvo, que é o bolso do consumidor. – Como está frio hoje dona Genoveva! Como vai
o seu Gumercindo? Está melhor do reumatismo? Já a senhora parece que renovou!

desde a mais aguda técnica comercial até aos mais belos sentimentos reais numa
negociação o fundamento do sucesso está na ausência de prejuízo aos
participantes. Sempre que houver vantagens mal adquiridas a relação terá seus dias contados e o vendedor uma vida
mais curta no seu ofício.

Como o quero-quero que canta para um
lado quando o ninho está em outro lugar!
Somos assolados diuturnamente e o
fazemos quase sempre neste intercâmbio fantástico que é a vida e as suas
relações. Ninguém gosta de ser passado
para trás,
seja numa singela fila em algum caixa comercial ou nos postos de
saúde ou no cinema. Muito menos no amor! As laranjas
de amostras
podem estar aí ao seu lado. Risonho ou risonha. Sempre
cativante. Eis que vários descobrem muito tarde que o inimigo dorme ao seu lado. Terrível? Real. – Eu não sabia que ele era assim. Todo mundo tem os seus defeitos. Até eu
tenho um monte. Mas sempre achei que com o amor tudo iria mudar. Ele era legal
comigo. Tem um gênio meio forte por problemas da infância, mas ele tem um lado
bom…
– Tudo sempre tem algum lado ou parte boa. Até as laranjas podres da
parte inferior da pilha tem alguma parte boa. Talvez. Isso basta? Custo versus benefício compõe outra
parte importante e fundamental na relação comercial e certamente em qualquer
relacionamento humano. Mas, no entanto, se o custo é muito elevado ou doloroso,
qual seria o benefício prevalente? Dor não é benefício. Dor é para-efeito ou contraindicação
para qualquer uso ou consumo. A dor do
bolso é a dor da alma
diz quem acredita ser o bolso o local mais sensível do corpo humano.

Somos
mariposas vocacionada para a luz. Nosso eu cristão precisa acreditar que algo de bom existe ali. Infelizmente nem
sempre isso é verdadeiro. Algumas criaturas são pútridas e pestilentas até as
suas mais profundas entranhas. A graduação de virulência é extensa e seletiva.
Assim como somos impelidos a buscar e explorar as melhores laranjas e até das
machucadas tirar algum suco útil, jamais poderemos abster-nos da razão. Socos em facas de ponta – outra
maravilha da astúcia popular – fazem parte da nossa escola de vida e desse
aprendizado eterno. Nada se encerra, tudo continua!

Frialdade – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 03 Agosto 2011

 

08 AGOSTO 03 – 2011 – FRIALDADE – EDSON OLIMPIO OLIVEIRA – CRÔNICAS & AGUDAS – JORNAL OPINIÃO

Frialdade

− Eu até que gosto do frio. Eu não gosto é de inverno! – dizia-me o amigo.

− Como assim? Frio é frio e inverno sem frio não é inverno.

− Me explico Edinho. Frio com glamour é outra coisa. Frio com um vinho e uma lareira e dormir de conchinha é uma coisa. O cara andar batendo queixo até caírem as restaurações dos dentes, com as coisas encolhidas, quase sumidas é outra coisa. Me entende?

­E continuou:

− Essa novela de entra dia e semana e mês com chuva a qualquer hora, calor alucinado à tarde e 2 graus à noite. Pô meu, isso cansa. Sabias que uso dois números de sapatos? Coisa de louco, cara. Meus calçados de inverno são dois números maiores por causa das meias. Chego a usar três pares de meias. Agora comprei umas meias uruguaias em Rivera que esquentam legal, mas dá um chulé… um fedor do cão!

− Nesse ritmo usas cuecas menores no inverno, eheheheh!

− Até poderia se largasse a cerveja. Sabe como é a barriguinha de cerveja? Para os atrevidos e  inimigos alego que não é barriga é calo de  ficar com as irmãs deles… Agora comprei umas roupas térmicas para quem é motociclista ou anda na neve. Fica ligada no corpo, não ocupa espaço e tu usas até com terno que ninguém nota.

− E qual o resultado?

− Legal e não deixa cheiro nenhum. Tu ficas que nem o Homem Aranha. De preto. Horrível esse tal de inverno, Edinho. Fiz um esquema com o motel Sahara. O nome já me é sugestivo de calor e influi psicologicamente. Ligo pro pessoal que já prepara a suíte com ar ligado no calor máximo e até o piso aquecido. E a banheira aquecida ligada…

− Tá brincando! Verdade ou gozação?

− Verdade cara. Já passei vergonha e agora não passo mais. Estava que nem o time do Grêmio que custa a aquecer e quando aquece já se queimou. A mulher geralmente leva um tempo pra se aprontar e no caso era eu que levava uma época jogando conversa fora até esquentar e daí tirar as luvas e o monte de roupas… Mas vamos mudar de assunto. Desgraça… basta o governo e os políticos.

− Acho que te entendo. A gente sempre pensa nas coisas difíceis que o frio traz para os necessitados, para os carentes. Para esse mundo de pessoas que vivem numa penúria de dar dó enquanto a roubalheira é cada dia maior. Caem ministérios inteiros, mas o partido continua de dono dos cargos e nada muda…

− Cada um tem o governo que merece e o político que elegeu.

− Isso é que nos assusta, o frio vai chegando aos nossos corações e cada vez diminuem as campanhas de auxílio aos necessitados. Muita gente está esgotada de tantas taxas, impostos e roubalheiras, mas precisamos ser críticos sem deixar o frio congelar nossa alma ou nossos sentimentos. – perdemos o humor e nos despedimos.

A Maravilhosa Beleza do Silêncio – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 27 Julho 2011

 

07 JULHO 27 – 2011 – A MARAVILHOSA BELEZA DO SILÊNCIO – EDSON OLIMPIO OLIVEIRA – CRÔNICAS & AGUDAS – JORNAL OPINIÃO

A Maravilhosa Beleza do Silêncio

Lembra-se de escutar somente a sua respiração? Ou se parar de respirar e aguçar o ouvido e… Silêncio! Absoluto silêncio. Isso talvez seja um exercício para alguns e uma impossibilidade para a maioria. Vivemos num mundo de ruídos e barulhos de toda ordem e intensidade. Talvez, com exceção dos desprovidos da audição ativa, o silêncio seja algo inusitado ou absolutamente impossível. Doutrinas ou filosofias, particularmente orientais, tentam que o iniciado exercite a absoluta abstração dos sons. E que numa escala crescente de percepção sinta os sons de seu corpo, após os que o circundam, os da natureza e da vida e assim os sons do universo.

A audição humana tende a degenerar-se nas próximas gerações pelo abuso de algo que poderia ser denominado de inferno sonoro. Quando uma pessoa sai de alguma metrópole e vai para locais mais isolados na natureza, algo que inicialmente causa estranheza é a falta ou a ausência dos sons do chamado progresso. A juventude usa e abusa de equipamentos sonoros diretamente em seus ouvidos. Em volumes crescentes e detonantes. Nas festas ou baladas diveras o som precisa estar na máxima altura para que a curtição seja plena. Corpos se torcem e retorcem ao ritmo frenético com os mais variados aditivos químicos ou suas misturas sem que a voz real das pessoas seja ouvida e assimilada. A batida instrumental ou eletrônica joga as criaturas num bailado surdo aos corações, no entanto audível aos mais primitivos impulsos do homem ou do animal que o habita. E assim como se rompem tímpanos, fraturam-se e liberam-se sentimentos contidos pelos milênios da disciplina, da religião e da vida em sociedade.

Somos seres sonoros, sendo a audição um de nossos mais poderosos e influentes aliados na vida neste planeta. Os sons nos encantam e nos atormentam. A música tem o poder de transportar-nos a um belo universo que um dia já foi vivenciado ou às fantasias de beleza plena. A mesma música libera em nosso ser os mais tristes e deprimentes sentimentos ou remete-nos para o purgatório do sofrimento experimentado ou não identificado plenamente pelo nosso raciocínio e percepção. Está música ou estes sons alimentam ou desabrocham os outros sentidos de nosso corpo e as luzes de nossa alma. Imagens, odores e uma plêiade de percepções irão percorrer-nos sendo tocados por uma melodia ou sonoridade.

Numa época remota da vida desse cronista, iluminava-me com os sons extraídos do acordeom por minha irmã Shirley. As pessoas silenciavam e suspiravam às suas melodias. Eis que assim apercebi-me, talvez pela vez primeira, como os animais sentiam-se tocados pela música. Sempre tivemos cães e gatos em nossa família. Tínhamos um cão da raça Fox – o Bric. Dependendo da melodia saída da gaita eram os seus sentimentos, que variavam da contemplação olhando-a atentamente, para a alegria em pulos e caía para o choro em lastimosos uivos. Mas ele sabia quando ela pegava a caixa do acordeom e ansiava pelo que viria a seguir. Ouvimos. Apercebemo-nos. O entendimento geralmente é tardio quando não é ausente. A audição animal supera a humana por dezenas ou centenas de vezes. Os animais cativam-se ou afastam-se das músicas ou dos barulhos. Como seres ditos civilizados somos quase obrigados a conviver com os abusos sonoros e perdemos a beleza de sentir o silêncio e o murmúrio da vida.

Politicamente Correto – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 20 Julho 2011

 

07 JULHO 20 – 2011 – POLITICAMENTE CORRETO – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Politicamente correto!

– E aí os caras me chamaram no portão: – Abri aqui ó mulato! Viemos falar com teu patrão. Primeiro que aqui só entra com ordem do doutor e segundo eu não sou mulato ou mulatinho, sou negro e pode me chamar de negrão. Então já não gostei de nada disso. Essa foi parte da conversa do meu funcionário senhor Alaor.

Vivemos num mundo onde se bailou e continuar a oscilar-se entre os dois extremos, seja da apologia, seja da radicalidade. Tudo que se localiza nos extremos geralmente é ruim para qualquer lado que penda, agite ou olhe. O ilustre Governador Colares exercitava com maestria e sem nenhuma dificuldade a cor da pele: – Deixa que o Negrão resolve! Há que se cuidar até ao falar em público e cometer algo que possa ser considerado ofensivo para algum segmento étnico, ideológico ou sexual. Comenta-se que um ilustre jornalista foi processado e execrado por dizer: – Bandido bom é bandido morto! – E quando algum bandido ou facínora era morto pelas forças policiais: – Um a zero pra sociedade! Talvez seja o que a maioria pensa ou sente. Mas entre sentir e dizer…

A praça atrás da Igreja matriz é um reduto de desfiles gays. Todo mundo sabe e alguns até comparecem… Sabe-se que um feirante discordando da mudança da feira livre para as bandas do cemitério alegou que seria por causa dos gays e não porque a Igreja estaria incomodada. Foi alertado por seu cliente advogado que poderia ser processado por falar isso em público porque estaria discriminando o “livre trânsito e a ida e vinda desse segmento social”. A cliente ao lado, escutando e posteriormente narrando o fato, talvez pela idade avançada, ficou abismada de “como esse mundo de Deus e do Diabo tá mudado”. A Brigada realiza uma necessária limpeza com frequência nos drogados da Praça da Matriz – novamente no perímetro da Igreja – e na praça da Rua Garibaldi defronte o posto de Saúde. Logo logo os brigadianos serão processados por impedirem o consumo individual desses “deserdados do capitalismo”. Permite-se o consumo individual, permitem-se os movimentos em passeatas de apologia e apoio às drogas, “de repente uma criatura estará fumando maconha, se picando, cheirando, usando crack no banco do lado no ônibus e tu não terá pra quem se queixar e muito menos quem impeça esse absurdo”– exclama em sofrimento um amigo.

O bandido tem todo o direito de roubar, estuprar e assassinar? Considerando que essa é a sua profissão que logo estará regulamentada ou apoiada por ONGs sustentadas pelo nosso dinheiro entregue por bandidos de colarinho branco – termo surrado e velho, mas ainda usável! – nós, as vítimas, continuaremos a ser boiada no brete social. Desarmados. Impossibilitados de nos defendermos. E criminalizados se oferecermos resistência ou à mínima injúria aos criminosos. Logo os facínoras estarão agrupados dentro de algum movimento social e protegidos por leis. Numa campanha política que participei: – É isso aí doutor, temos que fazer campanhas para mais hospitais e se sobrar dinheiro que façam presídios, o bolo não dá pra todo mundo! Acho que todos na política ouvem algo assim, pois já inquiri vários políticos e esse é um sentimento recorrente, mas inviável de ser manifesto e impraticável pela realidade.

Alerto que não há nenhuma similaridade entre o início da crônica com os elementos finais. Apenas o cronista mostra facetas do diamante social em que até as justas e humanitárias causas podem confundir-se com abusos e infindáveis distorções. Há que evoluir. O cupim já está comendo o cerne da sociedade. Como vê e sente isso?

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