A reta final – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 19 Setembro 2012

19 SETEMBRO 2012 – A reta final – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A reta final

H

á uma premissa desses novos e babilônicos tempos que refere o seguinte: – Se não está no Google, no Bing ou no Yahoo, não existe! – simplista? Sim, como “enter” ou deletar. Tudo é muito rápido, a velocidade deixa de ser por km/h e passa a ser entendida e expressa por Gb/seg. Para quem já enrolou a bandeira dos 40 anos, o entendimento fica dia a dia mais complicado. Até o sexo rola e desenrola pelas franjas dessa mãe-madrasta toda poderosa chamada de Dona Internet. O sexo que já era casual virou virtual. A mídia apresentou na última semana as descobertas biológicas de renomados cientistas americanos revelando que até em animais em liberdade havia a fecundação e novas proles geradas sem o macho. Nos meus remotos tempos de Ginásio Bento Gonçalves causava encanto para elas e raiva para eles que as abelhas procriassem sem o macho. Era a maldita partenogênese.

Cr & Ag

Assim descobriram também em sapos, rãs, lagartos e agora em espécies de serpentes dos desertos americanos. Há vertebradas que procriam sem depender da “troca de fluidos” com os machos. Pensava-se que eram somente os invertebrados como uns políticos de Brasília e de outras paragens. – Ma que cosa medonha tchê! – dizia o velho Taurino. A proporção de mulheres aumenta em relação aos homens onde o velho comunismo de guerra não arbitra o número de filhos por casal. Por quê? Diversas teses, como: abusos de hormônios, anabolizantes e produtos químicos nos alimentos, produtos que o plástico libera principalmente sendo aquecido que mimetizam hormônios sexuais femininos e finalmente, segundo algumas amigas – a supremacia crescente de uma espécie sobre a outra. Elas acrescentam que Deus estava triste ao concluir o mundo e suas belezas, pois faltava algo. Daí modelou o barro e fez o homem. Mas o mundo ainda estava incompleto, pois tanto Deus quanto o homem sentiam um vazio… e assim fez-se a mulher. E como todos sabem, deu no que deu. Entendimento interativo – aviso!

Cr & Ag

Muitos místicos apregoam que a humanidade está à beira do caos. Alguns aludem às supostas profecias maias e que este será o último dezembro do planeta que conhecemos. Cientistas observam as mudanças climáticas, a desertificação crescente, o progressivo desaparecimento de espécies animais e vegetais, a poluição e o lixo sufocante, a camada de ozônio deteriorada, o bem e o mal sendo cada dia mais evidente e o recrudescimento da ferocidade religiosa. Há quem veja sinais no Brasil – se Hadad perder e o Serra ganhar em São Paulo, se a Petrobrás continuar a dar prejuízo e afogar-se no pré-sal, se Dilma governar pela sua própria cabeça, nem Deus que é brasileiro poderá nos salvar.

Cr & Ag

Um paciente até por demais paciente dizia-me com ar melancólico: – Edinho, meu casamento tá uma coisa, mas vou segurar essa bronca enquanto puder carregar essa cruz nas costas, meu guru já avisou que o mundo está para acabar. Estamos no final dos tempos. O apocalipse tá vindo. Só não enxerga quem é surdo e mudo. Estamos na reta final. Daí que trocar o técnico agora não vai adiantar nada, o campeonato já tá perdido mesmo. – e aí? A dor ensina a gemer e a fome obriga a comer.

Cr & Ag

A situação está mais pra gato do que pra colibri. Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. Filosofia de comitê eleitoral? – Correm-se riscos até para soltar gases! Vá sair algo mais, ou ser mal entendido! – dizia um candidato entregando santinho aqui na Galeria Zavarize. A boca da urna está logo ali adiante – outra reta final. Pode ser a boca do inferno ou um portal de luz. Faminta ou ansiosa pelo voto. Seu riso eletrônico pode ser de deboche ou de simpatia. Uma certeza – dela só nascerá o resultado ou a prole de eleitos que nós “transamos”. Na urna não há partenogênese. A besta corrupta e nefasta para toda a sociedade terá sempre pai e mãe – eleitores. Assim como sua antítese.

Há vida além da política? – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 12 Setembro 2012

12 Setembro 2012 – Há vida além da política? – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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ndícios indicam que a possiblidade é positiva – ironia do cronista. Por vivermos numa sociedade chamada de democrática, ou da ditadura da maioria, toda a atividade humana é dependente em variados graus da política. Alguns respiram e comem política 36 horas do dia. Para esses os jornais estão recheados de matérias de bela arquitetura ou amorfas. E nós, míseros e meros mortais? Dizia um político que somos a “cereja do bolo”. Disputados ferozmente, mas sempre devorados. Continuamos trabalhando meio ano para pagar e sustentar o populismo do brasilzão mensaleiro e da governabilidade. Aproveita-se para assar uma costela e reunir a família possível num churrasquinho com maionese. Alguns na casa oficial, outros na morada alternativa, outros ainda pegam o prazer recheado de especiarias e deleites nos bufês. Belezas e confortos da vida tribal. Outra turma devora um xis-tudo com uma ou duas loiras suadas e enfrenta a arquibancada torcendo pelo seu time amado. O homem é o único animal que troca qualquer coisa na vida, até de sexo, mãe e de mulher (principalmente), mas jamais troca de time de futebol.

Cr & Ag

O sábado e o domingo são a liberação da orgia social legalizada. Com cotas ainda, pois tem a turma que trabalha sempre para que os outros curtam melhor seus prazeres. Em qualquer lugar que o vivente vá, ele encontra gente e mais gente. Aos borbotões. “Há gente demais no mundo”- T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse. Aprecia-se estar num engarrafamento de trânsito ou de gente nos corredores e filas para sorvete e banheiro. Afinal esse é o treinamento básico para aquele pessoal das filas de aposentados esquecidos nos bancos, qualquer banco, da madeira ao dinheiro. Um conhecido buscou um motel no sábado à noite, passou por cinco com filas de espera, desistiu da empreitada, pois já tinha “vencido o tempo do azulzinho” e o entusiasmo etílico da balada. Uma filosofia machista alega que não “há mulher feia”, “há pouco álcool no sangue”. Mudando para o feminismo – “não há homem feio, há mal provedor”.

Cr & Ag

Um bom livro é sempre um novo mundo que se derrama em palavras ou imagens ao prazer e sensibilidade do leitor – escrevi leitor e não eleitor. O universo da leitura mobiliza o poder ilimitado da nossa imaginação. Transportamo-nos das entranhas da terra aos confins do cosmo, vivemos e sentimos os amores e ódios dos personagens e velejamos ao sabor do vento exalado pelo autor. Seremos príncipes ou párias, feras ou gente, o único limite está em nós. Ou ainda uma sessão de cinema com direito às pipocas e balas azedinhas. Ou um chocolate Diamante Negro, talvez um Sufflair? Ou um copo de refri? Ops! Viemos para assistir aquela película motivadora ou para comer? Os dois pilares mestres do ser humano – manter-se vivo e sexo. A ordem… cada um tem a sua. E comer está intimamente ligado, na essência e na amplitude.

Cr & Ag

Pergaminhos apócrifos e apóstatas com idade anterior aos do Mar Morto, de uma época tão remota que esse mar ainda não adoecera e muito menos morrera, foram encontrados por uma “eguita malacara” numa gruta de São Gabriel. Ali se revela que Deus não descansou no sétimo dia. Neste dia resolveu aperfeiçoar a criação do mundo e em 20 horas fez o gaúcho e nas horas derradeiras deu uma ajeitada no Rio Grande e… descansou. Daí que, segundo o Ibope, mais de 90% da vida inteligente do Brasil está de alguma forma curtindo o gauchismo neste Setembro de todos os climas. Fontes gaudérias alegam que Caim era castelhano e Eva (das Dores Raimunda) era nordestina. A jararaca da macieira virou algumas (não sou alucinado para generalizar) sogras e do bate-boca nasceu a política e os partidos. Há controvérsias!

Pescador tarrafeando na Barra do Mampituba em Torres/RS

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Pau no burro Seberiano – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 05 Setembro 2012

05 Setembro 2012 – Pau no burro Seberiano – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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viso de antemão que o Seberiano não é nenhum candidato atual. E nem “burro” é genericamente algum outro aspirante de cargo eletivo. Seberiano foi um carroceiro da minha infância aqui na quase tricentenária Viamão de Todos os Gaúchos e seus atos e atitudes eram compreensíveis naquela época, no mundo mais ecoconsciente seriam amplamente desaprovados. Todos sabem que os burros, além daquelas orelhas avantajadas em relação aos seus similares, tem como característica de atitude o ato de empacar. O animal quando inventa de calçar as pernas e as patas, de pouco adianta o dono puxar pela corda do freio. Conversar então… apesar de orelhudo é surdo aos convencimentos. Lembram-se da fábula dos dois burros presos um ao outro que brigavam para cada um alcançar seu monte de feno? O carroceiro Seberiano enfrentava frequentemente esse drama do burro empacado. Nesse momento há duas técnicas que ele usava. A primeira era deitar o relho no lombo do animal e aos berros rebocá-lo. Entrem na cena. A gurizada ali atiçando o Seberiano e alguns torcendo pelo burro. Largávamos o jogo de bolinhas de gude, o jogo de tacos e até da pelada de futebol. Parava tudo e juntava a gurizada da volta do cemitério velho. O Seberiano poderia ser agitador de torcida ou balaqueiro em propaganda eleitoral tal era a potência da sua voz.

Cr & Ag

Sei que aqueles que entraram na cena estão aflitos em saber o sucedido. Vamos lá. Torcíamos para falhar essas tentativas do Seberiano, pois desejávamos assistir a segunda e fatídica técnica de desempacar o burro. O Seberiano pegava o relho pela ponta da sola de couro e deixava todo aquele imenso cabo de madeira já lustrosa das mãos do homem em riste e bradava o derradeiro aviso: – Vai andar ou não? A gurizada gritava para o burro não andar. Vê-se que criança é um bichinho terrível. E o Seberiano extravasava sua raiva enfiando o cabo do relho no ânus do burro. Mesmo. – E aí? – deve estar perguntando o angustiado. O burro saltava e reiniciava a sua marcha. O carroceiro limpava o cabo do relho no pelego que servia de assento e… mais chicotadas no burro.

Cr & Ag

Na nossa objetividade infantil, sabíamos que o desenrolar do ato culminaria com o empalamento do burro. Será que o burro empacava porque era “burro” ou porque desejava o cabo do relho? Nunca saberemos com certeza, mas os guris mais abastados com a experiência da adolescência teciam considerações dramáticas: – De que adiantam orelhas grandes para ouvir e o maior pênis dos animais para transar se só anda levando… Daí surgiu essa expressão meio nome feio – Pau no burro Seberiano!

Cr & Ag

O ser humano aprecia buscar entendimentos em analogias, metáforas, parábolas ou outras armadilhas de linguagem. O entendimento nunca será o mesmo para todos. Daí que até para a divindade que é Única surgiram tantas correntes religiosas e filosóficas. É da nossa natureza o torcer e o distorcer. Até o contorcer-se. Cresce a voz sobre a calamidade da educação no país. E os absurdos e descaminhos dos responsáveis, da presidência da república aos pais. Repito e grifo – PAIS! Não há justiça social sem educação de qualidade. E educação de qualidade começa nos cursos básicos. Toda a obra social ou arquitetônica principia pela solidez das fundações. No Brasil não pensam e não fazem assim os responsáveis.

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O ipê amarelo – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião de Viamão – 29 Agosto 2012

29 Agosto 2012 – O ipê amarelo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O ipê amarelo

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sabedoria popular alude ao ter filhos, escrever um livro e plantar uma árvore como sendo as obrigações capitais do homem em sua passagem terrena. Fiquemos pelas árvores, plantei muitas de toda gama garimpada em casas especializadas e hortos florestais. Muitas sucumbiram logo após o plantio. Outras crescem como se anabolizadas por algum hormônio anônimo ou divinal, outras ainda arrastam-se com lentidão e ficam entanguidas ou magronas apesar de boa altura. Pois temos – a natureza e a humanidade – um ipê amarelo que se encaixa na classificação de um magrão alto e resistente. Ali está ele ano a ano resistindo à poluição humana, aos parasitas e às tormentas. É um persistente, um estoico. Os ipês, roxos ou amarelos, florescem nesta época do ano, talvez em homenagem e sintonia com os brazucas teimosos que festejam a sua “Independência ou Morte” no 7 de Setembro. E aos gaúchos do orgulho sem fim pela sua Revolução Farroupilha no 20 de Setembro. Está mais para farrapo do que para brazuca

Cr & Ag

Numa manhã primaveril neste inverno gaúcho que quase não vestiu poncho, o ipê dia a dia semeia suas flores amarelas e cintilantes. Suas flores são como beijos roubados, fugidios. De vida curta e bela. Novas flores em seus galhos de escassas folhas e novas flores depositadas ao pé de seu tronco. É a vida se renovando, com velocidade sem perder a beleza e os sentimentos. Um tapete, ou seria uma mortalha, é bordado com o sereno de uma nova noite e um véu dourado tecido a com as luzes do sol de cada dia. Um ciclo efêmero a nos mostrar a eternidade da disputa de vida e morte. Pensei disputa? Penso melhor – sintonia. Há uma sintonia na natureza entre o nascimento e o ocaso, geralmente quebrada ou rompida pelo homem. Tão pouco essa árvore necessita – água, ar e terra. E algum cuidado de quem a jogar à cova rasa. Brutal e singular analogia. A mesma cova rasa que pode ser sepulcro para uns é vida para outros. O ipê amarelo é um forte no corpo delgado, quase esquálido – como muitos de nós, sem os ornamentos da obesidade material e espiritual ou do poder – como muitos de nós. Luta pela sua vida e de outros que vem beber e alimentar-se no amparo de seus braços.

Cr & Ag

Pequenos pássaros azuis, menores que os pardais, sempre em casais, saltitam em seus galhos e agitam-se festivamente, como se bailassem, ao sabor do suco depositado nos pequenos cálices áureos. Jamais os tinha observado como nesta manhã. Não ouso mover-me ou abrir mais a janela, temo afugentá-los. Estaco com os olhos encantados. O tico-tico vem juntar-se ao desjejum. Esses, os tico-ticos, antes tão abundantes, agora raramente os vejo. Ou não tenho sido um bom perscrutador ou o pior, estarão na teia das espécies fadadas ao desaparecimento. Sempre, desde minha infância, admirei o quepe listrado do tico-tico e a rapidez das pernas curtas como as do Messi. Logo se achega um beija-flor e um sabiá do papo alaranjado caminha garboso no tapete dourado que recobre o gramado. Deus do céu, um desjejum coletivo.

Cr & Ag

E “para não dizerem que não falei de flores”, desejo que essa beleza e esses sentimentos sejam alimentadores e geradores de novas correntes de vida, amor e entendimentos. Que os ipês amarelos sejam realidades e metáforas de vida e esperança que nutre e renova.

Doutor Airton Delduque Frankini.

Cumprimos o doloroso dever de comunicar o falecimento do Dr. Airton Frankini, brilhante médico, professor e cirurgião-vascular. Graduado em 1976, construiu uma carreira médica atingindo aos maiores patamares da Medicina. Foi durante quase duas décadas Chefe do Serviço Vascular do Hospital N. Sra. da Conceição. Foi professor de Medicina e cirurgião da Santa Casa, atendendo aos viamonenses nestes e em outros serviços. Todos os louros acadêmicos são complementos para o excepcional homem, pai, colega e amigo. Nossos mais intensos sentimentos aos seus filhos Tiago e Ângelo, que seguem a carreira médica e da cirurgia vascular. E a sua querida esposa Nádia a quem namorou desde a juventude, receba a nossa solidariedade e que tenham muita Luz divina.

Casos de vida e de morte – e Dr Airton Delduque Frankini – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião de Viamão – 2 2 Agosto 2012

22 Agosto 2012 – Casos de Vida e de Morte – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Casos de Vida e de Morte

S

e não bastassem as dificuldades do nosso dia a dia, eis que novamente casos fantasmagóricos invadem nosso território e por mais que queiramos deixá-los de lado, amigos angustiam-se, muitos perdem o já escasso sono. Não vamos enveredar pela filosofia ou pela religião, há outros mais letrados que nós. Uma amiga professora descreveu suas vivências com algo que denominou de “a noiva de branco” e suas aparições com testemunhas até aqui vivas em vários locais do município viamonense. Outro amigo raspou a crina de seu melhor cavalo e ainda cortou rente a sua cauda, pois o animal apareceu com tranças impossíveis de serem desfeitas. Quando um amigo brincou se “estava com tendências rastafári”, indignou-se e com os olhos esbugalhados escoou de seus lábios um murmúrio indecifrável. Falam de bruxas. Custa-nos crer que nesse mundo de altas velocidades, de internet, de mensalão e de mensaleiros, de gabrielas e outras novelas ainda ouçamos e nos preocupemos com o misticismo ou com o sobrenatural de almeida.

Cr & Ag

Há um sítio nas margens dessa ERS 040 atopetada de caminhões de areia que traz essa sina de sofrimento, lamentos, desconfiança e temor dentro da casa e da propriedade. Há mais de vinte anos mudam os proprietários… “Iniciemos pelo início”, como diria o magistral vereador. Recebida em herança essa propriedade, o novo dono mandou refazer a casa. Contratou pedreiros e carpinteiros. Fez um projeto adequado ao seu gosto e às suas necessidades pessoais e familiares. A obra andava a passos largos. Amigos eram levados ao local para cientificarem-se das inovações que ali seriam instaladas. Num desses dias que nascem iguais como todos os outros, um trabalhador acidentou-se. Uma queda inexplicável que trouxe uma morte dolorosa para sua família, amigos e para seu empregador. Apesar de experiente no seu ofício, ainda era jovem. Jovem demais para morrer.

Cr & Ag

O tempo jamais sossega, nem para uma água fresca ou para um descanso revigorante. Logo o trabalho continuava e o acidente fatal seria somente uma lembrança. Seria mesmo? Não. Outros empregados relatavam coisas estranhas, como: ferramentas que se perdiam ou que estavam em lugares estranhos, sons e um cortejo de queixas e observações “bobas” para quem estava fora. E os trabalhadores foram abandonando a obra e os novos logo se queixavam dos mesmos senões. A obra parou. Empregados que moravam na propriedade contavam estórias estranhas. A vida do proprietário mudou e logo se desfez da bela propriedade mudando-se para o outro extremo do Estado. E desde então, vários donos passaram por ali. Ninguém se fixou e novas estórias vinham a furo apesar das tentativas de silêncio e ocultação dos fatos.

Cr & Ag

Verdades ou mentiras? Alucinações? Esse medo ancestral e mórbido do ser humano ante o desconhecido? Não sabemos. Certeza somente de que ali morreu tragicamente um trabalhador e que nunca mais, ou até os dias de hoje a propriedade manteve um novo dono. As sombras são as únicas presenças naquela residência abandonada pelos homens vivos.

Um exemplo para todos nós!

A cara professora Ivone Silva contou-me que nos dias do falecimento de seu querido pai, recebeu uma mensagem de um estimado jovem de uns 14 ou 15 anos que era pessoa destacada e singular nas lides de CTG. Pouco tempo depois esse jovem faleceu de mal súbito durante uma apresentação de dança gauchesca com seus amigos e colegas. O pai da professora faleceu aos 87 anos de idade. Duplamente abalada, foi então solidarizar-se com o pai do querido jovem. Eis que aí ouviu uma das maiores lições de amor e de consciência de vida que poderia ter: – Só tenho que agradecer a Deus o presente que Ele me deu por ter esse filho e viver com ele esses 15 anos. Agora estou devolvendo-o a Deus para que ele continue sua missão!

Quantos de nós teríamos essa clarividência e entendimento de vida e de morte? Se você está vertendo lágrimas agora, sinta-se humano comigo.

Conflitos – Parte 2 – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião de Viamão

15 AGOSTO 2012 – CONFLITOS – Parte 2 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Conflitos – Parte 2

H

á uma tendência humana à dissimulação, ao pensar e sentir algo, mas manifestar-se de forma diferente, contrária ou politicamente correta. Muitos animais usam desse artifício ou estratégia para conviver em melhor harmonia no grupo ou para caçar as suas presas. E para os bandidos somos realmente o que? Presas. Para sermos enganados, roubados, estuprados, sangrados e assassinados, pois, afinal, como revelava sem as cores do disfarce a revista Veja em memorável edição sobre notórios criminosos. “Prefiro ver a mãe dele chorando do que a minha”, “esta é a minha profissão”, “saio para matar e nunca pra morrer, entre ele e eu…” – são frases de criminosos.

Cr & Ag

Alguém se pergunta se no inferno temos quatro a seis refeições por dia? Se há banheiro privativo com chuveiro quente? Se há áreas de recreação? Se há visita íntima? Se há que cumprir 1/6 da pena? Se há advogados com influência infernal? Se permitem celular? Interessante que as mesmas idealizações de parte da nossa religiosidade não são extensivas à justiça divina e aos rigores do inferno. No entanto entendemos que as vítimas não têm os mesmos direitos humanos que os criminosos. As vítimas podem ser privadas da vida e mutiladas física e emocionalmente por tempo indeterminado, talvez por várias outras vidas como creem os reencarnacionistas, mas os criminosos e as feras assassinas contarão com benefícios humanos de tudo aquilo que eles violam ou desrespeitam.

Cr & Ag

Num plebiscito popular quais as escolhas seriam preferenciais: hospitais, postos de saúde, escolas ou penitenciárias? Como os governantes continuam sendo gente, pessoas originadas com qualidades e defeitos de seus eleitores, mas ainda povo, o que irão priorizar quando os recursos são insuficientes para todas as necessidades? Jamais dirão isso de público. Assim como muitos defensores dos criminosos irão justificar suas condutas. A consciência cristã nos impele para o sentimento de que há recuperação até para o mais terrível criminoso, mesmo tendo a consciência racional de quanto raro é isso. Precisamos acreditar e ter esperanças nessas recuperações que até nos países com melhores condições não acontecem de forma ampla. Confortáveis ou “humanas” as cadeias não recuperam, o ser humano evita delinquir e torna-se recuperável pelo temor das penas e a certeza da impunidade.

Cr & Ag

A justiça tarda e falha. Muitas vezes jamais vem. Ou quando vêm os criminosos são abençoados com as leis que nunca respeitaram, suas vítimas têm o sentimento de que o inferno das prisões é justificado como alguma punição aos criminosos que tanto mal lhes trouxeram. A privação de liberdade temporária e dolorosa apaga ou compensa a dor eterna da privação plena das liberdades pelo encarceramento eterno num ataúde ou pelos traumas emocionais indeléveis? Conflitos! Conflitos que permeiam os sentimentos e a razão de algozes e vítimas. O raciocínio simplista de que a justiça pode igualar fera e presa, criminoso e vítima são faces desses conflitos da sociedade em que vivemos. Como enfrentar e resolver dramas e conflitos entre o desejável e o realizável, entre a razão e o sentimento cristão de perdão e impunidade? O que a sua razão diz, como seu coração responde?

Nota do cronista: Jamais generalizamos. Sugerimos ler a crônica anterior.

Edison Horn em Toronto Canadá – Agosto 2012

Imagens do Edison Horn em Toronto

Conflitos – Parte 1 – Edson OLimpio Oliveira – Jornal Opinião – 08 Agosto 2012

08 AGOSTO 2012 – Conflitos – Parte 1 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Conflitos – Parte 1

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ão existe vida sem conflitos. Até o mais resignado eremita vive desde o conflito da opção pelo isolamento contra os impulsos humanos da vida em sociedade até se “agora vou orar ou sacio minha fome com essa caça?” Nos aglomerados humanos os problemas se avolumam e daí que elegemos “gerentes” para administrarem muitas de nossas necessidades – como: “o lixo está tapando minha cumeeira” – e nossas dificuldades básicas ou da sociabilidade. Eis que agora representantes da sociedade, mais precisamente do judiciário, levam à Organização dos Estados Americanos a vergonhosa situação dos presídios do Rio Grande do Sul. Em outras palavras tentam sanar ou atenuar um problema “lavando a roupa fora de casa” ou “jogando o estrume no ventilador”. Mostram que nossos governantes são incompetentes ou ineptos em derradeira análise e de que por aqui se esgotaram os caminhos da solução.

Cr & Ag

E o cidadão que paga as contas disso tudo? Como o contribuinte extorquido e vampirizado se sente? Há uma hipocrisia avassaladora tanto do cidadão quanto de seus representantes. Aviso novamente – jamais o cronista está agora, antes ou no futuro generalizando. O sentimento cristão e humanitário nos compele a acreditar que alguns criminosos terão recuperação, de “dar a outra face”, de aspirar condições “mais humanas” para criminosos e vê-los como “um irmão que errou”. E por esse caminho vão outros sentimentos e explicações. E o cidadão honesto e trabalhador que paga as contas disso tudo? Essa pergunta está matreiramente respondida. Por que não temos cadeias iguais para todos? Por que o bandido togado e o estuprador não vão para a mesma cadeia? Quando Mike Tyson, famoso pugilista americano, cumpria pena na cadeia, um colega de ala na prisão era ex-governador de estado. “Não devemos copiar os americanos!” – podem alegar. Aqui juiz criminoso é aposentado com vencimentos integrais e logo estará usando suas antigas amizades e influências como consultor ou algo do gênero.

Cr & Ag

Se político bandido estivesse preso em cadeia comum teríamos prisões com apartamentos e suítes de padrão internacional. No entanto, os processos se arrastam anos a fio e raros são considerados culpados de suas falcatruas e presos… Lembram-se de alguém realmente cumprindo pena em reclusão? Aqui criminosos pagam advogados laureados e ex-ministro de estado com fortunas fabulosas para serem defendidos e como aludiu um procurador de justiça: – “Esse dinheiro deve provir de fontes criminosas”. A prisão jamais é para todos. Assim como o céu e o inferno. Quem não defende o encarceramento igual para todos pode defender “direitos humanos”? Avancemos, esse é o país da impunidade e inclusive do bandido cruel e sanguinário. Os piores assassinos cumprem um “tiquinho de nada da pena e estão na rua para cometer mais crimes ainda”, dizia um amigo. O motorista bêbado que assassina com seu veículo toda uma família e na unidade policial é liberado? Vai responder o processo em liberdade, assim interpretam a lei. Criminosos invadem lares estuprando e matando… Se encontrados, muitos ficam impunes em processos lentos e talvez sem fim. Enquanto as pessoas ficam privadas da vida e mutiladas física e emocionalmente o assassino não pode “ser privado da sua liberdade enquanto não for julgado e condenado” e “seus recursos esgotados”. Isso é humano? É para o assassino, mas para as vítimas e quem as ama?

Nota do cronista: Continuaremos na próxima coluna.

30 animais nesta imagem – conflito visual

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O mundo dos descartáveis – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 01 de Agosto de 2012

01 Agosto 2012 – O mundo dos descartáveis – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O mundo dos descartáveis

O

mundo mudou ou nós mudamos? Essa pergunta pode nada representar para uns tantos, mas para outros pode ser uma agulhada no traseiro. A melhor resposta seria de que “tudo muda, tanto o mundo quanto cada um e todos nós”? Talvez. Diz-se que a vida é um jogo. Certo? Para alguns é “um jogo de cartas marcadas” e descartamos as cartas que não queremos ou aquelas que não são mais úteis. Tendemos a descartar, colocar de lado, abandonar ou passar adiante aquilo que já usamos ou não nos servem mais. De objetos a pessoas. Infelizmente. Por vezes dolorosamente. Um filho lembrava que “as árvores maiores ou mais velhas tombam no curso da vida para que as mais jovens ganhem a luz e tenham seus próprios frutos”. Neste caso a vida ou a natureza das pessoas em sua finitude, em seus limites temporais ou por enfermidades ou acidentes, faz-nos descartáveis? Essas pessoas e todas as pessoas fazem falta para alguém ou para alguma coisa.

Cr & Ag

Sintam a melancolia e as lágrimas de dor vertidas de pessoas que tiveram perdas de… seus amigos animais. Em muitos casos a vida não consegue repor as perdas, nem as pessoas desejam forçar uma reposição buscada ou aleatória. Infelizmente o mundo torna-se passageiro demais a cada dia. Tanto os objetos de necessidade ou de desejo tem um tempo de uso cada vez mais curto. Isso vale para os relacionamentos e para os amores. Somos cerca de cento e noventa milhões de brasileiros e temos mais de duzentos e cinquenta milhões de linhas de celulares e aumentando. A poligamia do celular e o seu descarte diante de um novo modelo com algum detalhe diferente ronda e aguça a cobiça. A indústria não faz bens duráveis como alguns anos passados. Tudo deve durar até o próximo modelo ou no máximo até a garantia expirar.

Cr & Ag

homens que casavam com seu automóvel. A criatura mantinha o seu primeiro fusca em melhores condições e com melhor plano de saúde do que para a esposa. – Mulher tem aos montes por aí, mas aonde vou achar um carrinho assim original e de um único dono! – falava sem temores o intrépido machão. A que um amigo resolveu apimentar essa história: – O teu fusquinha tu sabe a quilometragem, mas da mulher só Deus… E o sujeito nem se sentiu atormentado pelo míssil já que o alvo não era seu amado carrinho. Há guisado para qualquer pastel e pastel para qualquer gosto e boca. Muitos relacionamentos já nascem com prazo de validade e sem nenhuma garantia de funcionamento neste mundo de tantas modernidades. Aturar-se não é mais um exercício de convívio, é uma orientação dos advogados e dos terapeutas de casais.

Cr & Ag

A cerveja com os amigos é mais importante do que a sua mulher. O seu cão é mais importante do que o marido. Exemplos não faltam. Outro dia soube de caso que o sujeito foi promovido na empresa e para tanto mudou de cidade. Perguntem se a mulher quis ir junto? Optou por ficar com as amigas e outras delongas e daí para uma discussão sobre filhos e mesadas foi o mais importante. Relacionamento oco? Não parecia externamente. E isso não é algo incomum. Está mais fácil votar no mesmo candidato do que manter o relacionamento. Outro fez uma reforma geral no domicílio, da pintura aos encanamentos, da geladeira aos móveis, manteve a TV nova, o controle remoto e o cão pastor. Não tinha filhos. A “gatinha manhosa” já estava nos braços e abraços do personal trainer. Quem descartou quem? Pouco importa. Há quem diga que “ninguém é insubstituível”. Muitos acreditam que na realidade nada, absolutamente nada é descartável, pois tudo cumpre um ciclo e algum dia tudo retorna. E ancoram-se em leis da química, da física e da espiritualidade.

Recebi do humor do leitor.

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Você conhece, você não confia – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 25 Julho 2012

25 JULHO 2012 – Você conhece, você não confia – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Você conhece, você não confia.

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ma grande montadora nacional de veículos usa um slogan semelhante ao título dessa instigante crônica – Você conhece, você confia. Isso para afirmar que quem usa e compra seus veículos está estribado em sólidas razões para confiar agora e novamente. Isso poderia ser usado no jogo eleitoral? Dizia-me um amigo: – Dessa pedra nunca sairá água! – ou seja, ali daquela criatura nunca sairá nada de útil. Talvez seu inconsciente se recordasse a cena bíblica do cajado tocando a rocha e jorrando água. Nem com milagre esperar alguma coisa daquele candidato? O estoico candidato e solene aspirante ao voto popular usará desse raciocínio simples em suas investidas na batalha da conquista do eleitor. Uma amiga dizia-se “atucanada diante de tantas visitas em sua casa, nem sabia que tinha tantos amigos candidatos”.

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Alguns candidatos estão com todo gás nesse início de campanha política. Outros estão guardando a energia para o Sprint final. No meio está aquela massa amorfa e insossa dos que “estão aí para ver o que vai dar” ou dos que “estou dando uma mão pro partido, sacumé o esquema do cuoscienti eleitoral”. Vários são soldados, poucos são oficiais e raros são os generais. Diversos estão de cola escaldada e orelhas ardidas de outros carnavais, digo, campanhas. Veteranos que cometem exatamente os mesmos erros e que morrerão no escrutínio dos votos, mas que retornarão impávidos e renascidos das cinzas na próxima eleição. É o fenômeno da reencarnação eleitoral e singrando por esse oceano político há que precaver-se de almas penadas e encostos. “Olho grande é bom para criar bastante remela!”- lembrava-me o seu Aldo Cabeleira. Há que precaver-se dos olhudos e dos bocudos. Os olhudos secam até pé de arumbeva. E os bocudos fazem dum siso uma caixa de dentaduras.

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Esse cara é tão ruim de voto que nem a mulher, os filhos e o cachorro votam nele! – sentenciava numa sala de espera. Há controvérsias. – Algumas coisas são ruins para os rins, mas são boas para os bofes! – diz a sabedoria popular. E cria-se a dúvida: – Donde não se espera sair nada, dali não sai nada mesmo.Mas até estrume tem serventia para adubar! – arremata a outra face do mesmo provérbio. A situação está tão feia que urubu voa de costas depois das imagens do Lula e do Maluf em sorrisos e afagos de mão – dizem as línguas ferinas que trocaram longos abraços e roçar de umbigos – num pacto de fazer ciúmes ao Sarney e todas as demais falanges infernais. – É o Armagedão, cara! – com os olhos caindo das órbitas alegava um amigo gringo e professor com pendores místicos.

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Todo mundo entende um pouco de política. Alguns macacos velhos ou velhas raposas e, ainda, são exímios manipuladores e negociantes. – Boca de urna, cabeça de juiz e barriga de mulher ninguém tem certeza do que vai sair. – é outra dessas pérolas da sabedoria do povão. Um amigo, enquanto devorava uma costeleta de porco com goles de cerveja preta, dizia ser “favorável ao voto em cotas, pois eles deveriam valer no mínimo uns três dos votos dos outros ou que 80% fossem rateados entre índios, negros, mulheres, sexo alternativo, gambás e crianças”. “A sociedade vai ser mais humana, menos machista e muito menos desigual” – completava. Os humores e odores estão à mostra e ai de quem se atravessar em seus caminhos. Afora o humor salvador da pátria amada e das singelas ironias pretendemos que o eleitor faça com seus candidatos uma sociedade melhor, mais digna e mais justa para todos. Você conhece? E confia?

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Errata: No jornal Opinião de 18 de julho as fotos e texto da última página foram fornecidos pela assessoria da Brigada Militar, Sargento Alberto, citado no final.

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