Leite “popular” – salvem-se quem puder – Edson Olimpio – Maio 2013

 

2013 – 05 – 15 Maio 2013 – Leite “popular” salvem-se quem puder – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Leite “popular” – salvem-se quem puder!

Salvem-se quem puder neste Brasil de todos os escândalos. Não chega a esfriar o banco que algo de novo e horripilante incendeia o noticiário. Superfaturamento nos estádios da Copa em que faltam hospitais e sobra ideologia de esquerda. Os dez anos de governo “popular” que proporcionalmente criou mais escolas de Medicina que os séculos anteriores, tornando o país num recordista mundial, mas sem dar emprego, carreira e salário compatível aos profissionais que informa, forma ou deforma para as regiões carentes. Agora o mesmo decanato de governo quer a importação de escravos cubanos para fazer “Medicina”. Não bastasse insistir para que “médicos” saídos de qualquer “escuela” no estrangeiro nem precisem obedecer às leis nacionais de validação de seu diploma e verificação de sua capacidade nas universidades públicas. Vergonhoso e triste! Alguma ideologia (marxista, leninista, castrista, maoísta, etc.) retrógrada deseja aumentar a sua trama, a sua teia de poder na sociedade brasileira? Vale a estratégia de semear desgraças para falsamente oferecer solução.

Cr & Ag

Notaram como diminuíram os comboios de caminhões de areia na ERS 040 depois da divulgação de presos pela operação Concutare? Estariam mineradoras ou seus membros preocupados em caírem na malha da polícia federal? Ou seria mera casualidade? Eis que mais um escândalo semanal explode – leite falsificado, contaminado por substâncias nocivas à saúde. Beleza vir à tona, mas por que somente depois de mais de um ano da constatação das denúncias? Será que o estado ou o Brasil não têm peritos e laboratórios em condições técnicas de realizarem esses exames em dias ou semanas? Ou alguém solicitou auxílio de Cuba e de seus “médicos”? Ou a interferência de forças do astral? Estamos sendo envenenados todo esse tempo ou somos cobaias de algum experimento maquiavélico? E ainda querem alijar o ministério público da investigação dos delitos e crimes! Somos solidários à revolta dos cidadãos que trabalham, pagam impostos e são sugados pelos governos, que privilegiam assassinos de todas as idades e colarinhos em detrimento da pessoa honesta e trabalhadora. Na última década a “bolsa bandido” aumentou em mais de 500% os pagamentos aos criminosos brasileiros, enquanto as vítimas…

Cr & Ag

Tá vendo só doutor como o senhor tá errado em mandar a gente beber muito leite e iogurte para tratar a osteoporose? Vê como o senhor tá errado em recomendar essa vacina pros velhos? Taí a vacina derrubando velho e o leite terminando de adoecer e matar. Ou o senhor acha que o governo se interessa pelos velhos? Ou nos mata pela aposentadoria que diminui sempre, ou mata favorecendo os bandidos, ou mata pelos alimentos e pelos remédios falsos! – dizia uma querida amiga e professora aposentada. Assim como na época da ditadura e do Golbery em que nada era casual, agora na ideologia atual acaba-se com o que resta da saúde das pessoas, desacreditam-se os profissionais mais respeitados, desrespeitam-se as instituições (como da segurança, do ministério público e do judiciário), protege-se a criminalidade, acoberta-se a falcatrua, ruma-se ao caos institucional e social para que a “nova era dos salvadores da pátria” eternizem-se perante oposições débeis ou covardes.

Cr & Ag

Um conhecido e atuante esquerdista local dizia-me que “a saúde em Cuba é excelente e acessível a todos”. Saúde de quem? Em que níveis? O pessoal do poder quando adoece vai para o hospital Sírio Libanês ou Albert Einstein. Nunca ao SUS e muito menos a Cuba. Por quê? No século passado a ilha exportou a “revolução” e a morte para toda a América Latina e para a África. Hoje exportam “médicos” que não possuem condições ou o preparo das nossas piores escolas médicas. Quais as patentes ou descobertas na área médica de Cuba nos últimos sessenta anos? Quantas patentes ou prêmios Nobel teve a medicina ou a pesquisa cubana? – Lá se cura o vitiligo! – dizia um incauto ou doutrinado. Nenhuma prova ou documentação reproduzível em nenhum lugar do planeta que ateste isso ou que Cuba possa negociar sem ideologia associada. Logo é a balela que repetida ganha louros de verdade. Como a saúde do Brasil não tem solução com brasileiros, nossa segurança é insegura, nossa justiça é tardia e falha, nosso leite é insalubre e os japoneses reclamam dos buracos das mineradoras de areia… que outra solução, que outra salvação teremos?

Ternura

Amamentando

Vou dar no meio dele – Edson Olimpio – Maio 2013

 

2013 – 05 – 08 Maio 2013 – Vou dar no meio dele – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“Vou dar no meio dele”

Seria um período ou um estágio de transição da sociedade e da humanidade? É mais fácil separar o “joio do trigo” ou o bom do ruim? As distensões entre os mais variados segmentos sociais e entre as pessoas estão mais agudos? Há mais intransigência? Certa feita em São Paulo, estávamos quatro viamonenses num percurso num táxi. O motorista queimando uma adrenalina a olhos vistos, eis que outro carro ameaça cortá-lo e entrar em sua pista e ao contrário de reduzir a velocidade ou frear, mas ele acelera. O outro motorista recolhe e passam a centímetros um do outro. Eis que ele assim se manifesta entre outras palavras que vocês podem imaginar e deduzir: – Se ele mete, eu dô no meio dele! E nós e ele e o outro motorista? Escapamos de um acidente e dele “dar no meio do outro”. Insanidade? Esses alucinados estão aí do seu lado. Eles caminham e dirigem entre nós e estamos expostos a sua fúria e ao amargor de sua existência.

Cr & Ag

“Imprensa canalha”.

Jornalistas entrevistando as autoridades responsáveis pela prisão desse pessoal acusado de máfia das licenças ambientais. Os jornalistas, assim como aquele conhecido pessoal dos direitos humanos, insistiam que os presos teriam más condições de vida no presídio central. E preocupados com o banho de sol, visitas de familiares, número de refeições. Kits de higiene, colchões e roupas de cama limpas, chuveiro quente e outras “obrigações” do sistema. Estranhamente nenhuma pergunta sobre os motivos e as evidências que desencadearam a operação Concutare e a prisão dos acusados. Certamente a maioria dos cidadãos desejaria saber os detalhes dos crimes que motivaram as prisões. Os cidadãos entendem que para “graúdos” serem acusados e presos pela Polícia Federal deve ter havido exaustiva investigação, sólidas provas e evidências policiais, do Ministério Público e aceitas e aprovadas pelo juiz federal e passado inclusive pelo Ministro da Justiça. Mas nada disso interessava aos jornalistas entrevistadores. Isso é comum e corriqueiro na atividade fundamental da imprensa livre. A mesma imprensa que tem sido alvejada pela vontade e desejo de segmentos interessados em limitar, cercear, amordaçar a imprensa livre. Gente que dizia combater a censura da ditadura, agora virou vidraça e não aceita ser criticada e muito menos verem expostas suas chagas. E foi usando a expressão do título que um assistente esbravejou em público quando ouvíamos a entrevista.

Cr & Ag

“Mata-se em nome de Deus”

Sempre se matou – e muito – em nome de Deus, E isso nunca foi exclusividade de nenhuma religião em particular. Tanto religiões orientais quanto ocidentais. É conhecida a perseguição que Buda e seus discípulos sofreram, assim como eram pisoteados por elefantes em público. Cristãos jogados às feras e trucidados nas arenas. As batalhas das cruzadas e os mouros na península ibérica. O extermínio das populações indígenas na América e as intermináveis guerras tribais da África. A lista é muito, muito longa. Acusam o Islamismo de diversos males e as matanças por seus membros. “De alguns de seus membros” – seria melhor. A intolerância e as mortes de uns não significam o pensamento, sentimento e atitude da maioria. Concorda?

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Grávida

Comida Caseira – Edson Olimpio – Maio 2013

 

2013 – 05 – 01 Maio 2013 – Comida caseira – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Comida caseira

O

gênero de programa que mais cresce na mídia trata de culinária com as mais variadas formas. Do simples ao gótico. Do caseiro ao grande chefe. Há lugar para todos os times e uma única divindade – a gastronomia. Há quem atribua isso a dois importantes fatores dos nossos tempos: primeiro – a mulher abandonou a cozinha doméstica no dia a dia para ter uma vida profissional. Segundo, ao fato das famílias usarem e abusarem cada vez mais do comer na rua ou comer fora. Eis que isso abriu o caminho para um aluvião de homens dedicando-se de corpo, alma e boca ao cozinhar por esporte, diletantismo ou necessidade de retorno às origens da comida caseira ou da saudosa comida de mãe e de avó.

Cr & Ag

O cronista já está com água na boca de lembrar-se de certos pratos domésticos. Sopa de feijão que é uma dessas obras de arte doméstica com fórmula e execução da Cledi que encanta o cronista e tem novo adorador no neto Lucas. Ah, querem a fórmula? Falem com ela! Mas aquele caldo único e grosso dos grãos esmagados, filtrados, com temperos naturais e isentos dessa formulação química abusiva, a massa no ponto, a linguiça rabinho de gato e… Deve-se degustar abusivamente no almoço, pois temos à tarde para continuar curtindo imagens e sabores inigualáveis.

Cr & Ag

Observe que até o tradicional churrasco tem fórmula e execução peculiar em cada assador. Absolutamente nada contra os lautos bufês e variedade de carnes nas churrascarias, mas um churrasco feito com o capricho e o amor do assador doméstico tem um valor único que se constitui em um ritual. O cérebro recorda da churrascaria tal e qual, mas somente o coração faz as glândulas salivarem lembrando-se das comidas caseiras. Dói-me ver ou saber das mães ou das avós que não tem tempo ou abrem um prosaico miojo e colocam nos pratos das crianças. O cozinhar e ser assistido por filhos ou netos é uma deslumbrante mostra de afetividade, de carinho, de amor declarado e degustado. Estudos demonstram que crianças que são alimentadas e que participam dessa liturgia da cozinha com seus familiares, tornam-se pessoas mais aptas a elaborar seus sentimentos e prepararem-se para a vida revestida do amor familiar.

Cr & Ag

Muito se fala e busca a denominada qualidade de vida. Acredite que a qualidade de vida passa obrigatoriamente por satisfazer o que é uma necessidade básica – comer e beber – ser realizada com alegria e amor. Nos tempos da nobreza ou pré-modernos, as cozinhas ficavam afastadas ou distantes da parte principal da casa ou do castelo. Além dos cheiros, sujeiras e da fumaça destruidora de pulmões, isso era tarefa para escravos. Inclusive a alimentação básica pelo leite do seio. As famílias eram desagregadas, ajuntadas por interesses e de amor escasso muitas vezes. No entanto, nas casas dos camponeses ou dos indígenas, a cozinha era a área mais nobre e utilizada da família. Uma família mais integrada e amorosa respeitando e cuidando dos seus do nascimento à velhice oferecendo às visitas ou convidados aquilo do melhor de sua culinária e das suas posses. E… bom apetite!

Mãe Negra

Quando o amor transcende…

Empanzinado! Sim ou não?

 

2013 – 04 – 24 Abril 2013 – Empanzinado! Sim ou não? – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Empanzinado! Sim ou não?

Pelo desdobre da palavra”, como diria um gaudério amigo, empanzinado vem do verbo empanzinar ou ainda “de encher a pança(panza)”, empanturrar. O velho Aurélio de muitas guerras acrescenta: abarrotar, encher, iludir, enganar, embaçar, lograr, burlar, surpreender com alguma notícia má ou com alguma pancada. Depois desse curto passeio pelo vernáculo – vamo pro pau! “Mais x postos de gasolina assaltados essa noite!” – repete o noticiário acrescentando aos 50 outros postos assaltados. E assim com caixas eletrônicos, bancos, casas e cidadãos trabalhadores. Sistematicamente culpam-se os órgãos de segurança pública. Mas não seriam eles o reflexo de uma sociedade doente e carente de princípios morais e éticos. De uma justiça que alega “cumprir a lei”, quando na verdade pode estar favorecendo a bandidagem pela má e pessoal interpretação da lei? Da mesma justiça que “solta criminosos” porque as cadeias estão cheias, numa sociedade que carece muito mais de hospitais e postos de saúde e, no entanto, constrói estádios de futebol superfaturados.

Cr & Ag

Empanzinado, mas não iludido por um congresso nacional que mais parece o pior retrato dos piores eleitores ou um poço negro da sociedade enferma. Novamente as enchentes na serra fluminense e nos baixios de São Paulo com a desgraça de mortos e arrasados numa rotina anualmente repetida e consagrada para ascensão da politicagem mais canalha e sórdida (redundância ou ênfase?). E as centenárias secas do nordeste? E dê-lhe as imagens e os sons dos sofrimentos de homens e animais e os projetos que se acumulam e nada resolvem. Dizia um jornalista: – Vamos resolver o problema do Oriente Médico, acabar com o conflito milenar de judeus e árabes e ainda acabar com a seca e a miséria nordestina com uma só canetada – vamos doar o Nordeste para Israel! É o humor para alívio da náusea e do empanturramento ou seria a solução para a incapacidade nacional?

Cr & Ag

É a safra que não tem como escoar e as filas de caminhões nas estradas e nos portos esperando a assinatura do burocrata de plantão e o aval da autoridade incompetente. Depois de 12 anos de governo daqueles que promoviam as invasões de terra nos chamados “governos neoliberais”, continuam as marchas e contramarchas desse pessoal que clama por reforma agrária ou daqueles que são profissionais do conflito e da invasão. Solução ou purgante? O século 21 demonstra que a atividade rural ou agrícola deixou de ser coisa para amadores, práticos e afoitos para que a ciência, a técnica e o trabalho mostrem os reais caminhos e soluções. Um conhecido jornalista viamonense que milita na capital usa com frequência o termo “lixo humano” para classificar a bandidagem de toda ordem. Um caro amigo viamonense indigna-se, ofende-se com esse termo. Vejam como diversas pessoas no dia a dia empregam o mesmo termo para as hordas ou falanges de zumbis drogados que já não possuem nenhum outro vínculo familiar ou social, somente a brutal dependência da droga e de todas as formas de consegui-la e usá-la. Também dessa turma que assassina e estupra porque “não tiveram as mesmas oportunidades que você” e daí “foram para a criminalidade, pois são deserdados dessa sociedade opressora e capitalista selvagem”. Engasgou-se? Vai explodir a barriga?

Cr & Ag

Beleza a nova lei de “direitos e mais direitos” para os empregados domésticos! Novamente o fecundo e pródigo (com o dinheiro e o trabalho dos outros) legislador “esquece-se” de “deveres”. Assim é a chamada “constituição cidadã” que vem continuamente privilegiar e dar vazão ao oportunismo do populismo selvagem. Uma sociedade ancorada em direitos e mais direitos ou direitos adquiridos entranhados no DNA brasileiro está fadada a empanzinar-se e iludir-se. Concorda? Uma sociedade em que o sonho profissional e de segurança de legiões é aboletar-se no serviço público ad eternum ou idolatrar a estabilidade do emprego e assim menosprezar o mérito, o esforço, o desafio de criar e de vencer e capacitar-se para evoluir por suas qualidades…

Vendedor de Maçãs

Tesouros – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 17 Abril 2013

 

2013 – 04 – 17 Abril 2013 – Tesouros – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Tesouros

H

á uma expressão que se confunde com uma forma atual de agir perante as curiosidades ou interrogações do cotidiano: – Procura no Google! – quando o tema ou assunto envolve algo da Medicina, acrescenta-se “doutor” ao Google. A vida caminha ou o genérico “a fila anda” no mais amplo e literal sentido e ai de quem ousar parar, estacionar ou fincar o pé, pois será arrastado diante do inevitável de almeida. Há esforços para que os livros e enciclopédias sejam disponibilizados nas telas informatizadas. Logo a gigantesca Biblioteca do Vaticano e do Congresso americano estarão disponíveis ao click ou ao piscar dos olhos cibernéticos. Mas o livro ainda luta bravamente por seu espaço e pelos corações e mentes de muitos empedernidos.

Cr & Ag

Na casa da minha irmã Shirley e do cunhado Geraldo havia um portal mágico. Era uma estante em madeira marfim com portas de vidro e tesouros alinhados em suas prateleiras. Eram livros e enciclopédias. Sentava-me ao tapete no piso e devorava insaciavelmente páginas e mais páginas. Uma dessas minas chamava-se o Tesouro da Juventude e seus instigantes temas em que muitos raciocínios simples – “Se houvesse um grande muro, uma grande barreira cercando o sistema solar ou o universo, essa barreira ou esse muro não poderia continuar-se para sempre…”  – logo o universso é infinito. Fazia o ávido guri projetar-se numa jornada em que a imaginação é o único limite. A Enciclopédia Prática Jackson, a Enciclopédia Delta Larousse e seu imenso dicionário Caldas Aulete, que decifrava os vocábulos obscuros ou desconhecidos. Aplicava-me uma regra ao buscar um termo ou palavra: vou ler três acima e três abaixo, logo seriam dez e ainda a busca pela casualidade em abrir numa página aleatoriamente e colocar o dedo… e bingo! Outro horizonte desvendado.

Cr & Ag

E os gibis? Mandrake, Tarzan, Flash Gordon, Superman, Batman, os do Disney, Sobrinhos do Capitão, Brucutu… Deus do céu! Nas sessões da matiné de domingo no Cine Radar, ali nas franjas da caixa d´água, trocávamos com outros guris. Havia o Zé Dubin, mais velho e depois o conhecido médico, que comprava e revendia até em Porto Alegre. Trazia o DNA de negociante. Raras TVs e poucos possuíam essa novidade de som e imagem, mas nada substituía o livro e o gibi. Viamão nunca teve uma biblioteca permanente nem aquinhoada de bons livros. Seria uma maldição? A gurizada que gostava de ler ia conseguindo emprestado.

Cr & Ag

Nossa casa na Cidreira, na inóspita Viola de muito vento Nordestão e areia sem fim, tinham raros e distantes vizinhos. A casa ao lado e mais próxima era do seu Carlito Motta, ferreiro aposentado (hoje seria metalúrgico) extremamente hábil e um faz-tudo-bem-feito. Era um casal sem filhos. Dona Tereza era sua esposa. Lia muito e falava com argumentos sobre qualquer assunto. Mãos gigantescas (de ferreiro habituado às forjas e à marreta), corpulento, boca com sequela de paralisia facial, seu Carlito colecionava Mecânica Popular e Seleções do Reader´s Digest entre muitos outros livros e revistas. E alegrava-se em emprestar-me seu tesouro ao que eu devorava rapidamente e devolvia intacto para ser novamente presentado com mais volumes.

Cr & Ag

Meus pais pouco puderam estudar, pois ainda na adolescência tiveram que enfrentar trabalho duro pela sobrevivência, mas tinham essa luz que lhes apontava para que os filhos estudassem e lessem muito: – O único bem que nenhum ladrão vai tirar de ti é o estudo! – dizia-me minha mãe Dora incitando-me sempre para ler e estudar enquanto varava noites com as pilhas de costuras e a necessidade de aprontá-las e entregá-las para as clientes. Tesouros da vida e de muito amor!

Antonio Guzman Capel

Quadro/pintura de Antonio Guzman

cascade-Fanny Brennan

Imagem de Fany Brennan

O caminho de muitos – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 10 Abril 2013

 

2013 – 04 – 10 Abril 2013 – O caminho de muitos – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O caminho de muitos…

Muitos passam a vida acumulando coisas que pouco usaram ou que jamais usarão. Talvez como aquele casaco ou aquele sapato, ou um eletrodoméstico ou outra coisa qualquer. Amontamos coisas úteis ou inúteis. Temos a dificuldade em nos desfazermos de objetos como temos a dificuldade em nos livrarmos de dores ou sentimentos encravados, enraizados em nosso ser. A pessoa busca e anseia pelo perdão do seu padre ou pastor, do guia religioso ou espiritual para assim acalmar sua consciência ou aplacar as dores da alma. No entanto, talvez perdoar aos outros seja mais fácil do que se perdoar. Liberar-se de coisas materiais ou de coisas do nosso íntimo pode ser tarefa dura, dolorosa ou até impossível neste aqui e agora.

Cr & Ag

Você tem alguma casa em sítio? Ou casa de praia? Como você equipou esta sua outra residência? Muitos usam aquilo que consideram descartável, velho ou inútil no lar principal para povoarem os espaços da segunda casa. Ou do local de veraneio. Ou local de prazer. Veraneio, lazer associa-se com prazer, felicidade e alegria. O lar ou a casa original é o local de trabalho e de purgação, das batalhas do dia a dia e dos enfrentamentos com a dura realidade da vida, do cotidiano e dos relacionamentos. A casa da praia, por exemplo, é o local do prazer e das merecidas e ansiadas férias. O local onde despimos a maior parte das nossas roupas e das nossas atribulações e nos permitimos extravagâncias se comparados com a atividade dita normal ou habitual.

Cr & Ag

Mas se o local de veraneio e de lazer oferece novas emoções ou reavivamento das antigas, por que ocupar e trazer para aqui o que está “velho” ou inútil? Contradição? Não deveríamos equipar esse lugar com novos e belos móveis dando aquele sofá decrépito para algum necessitado? – Economia! – pensaste. Conhece aquela lenda urbana da esposa oficial que descobriu o “ninho de amor” montado pelo falcão peregrino? No seu local alternativo de sexo e alegrias – tudo novo e do melhor possível. Por que também não usar o descartável como aquilo enviado para a casa de veraneio?

Cr & Ag

Eis que um dia os sobreviventes se aposentarão. A maioria será esgoelada pelo INSS. Muitos vão atrás do sonho de morar no sítio e terem suas próprias e rechonchudas galinhas, sua horta, suas laranjeiras e outras maravilhas pacientemente catalogadas na agenda do aposentado. Outros sonham em morar no litoral. Praia! Que beleza sentir a brisa do mar nos cabelos, o odor salino, caminhar com os pés livres pelas areias com as ondas a lhe lamberem os dedos e chutando as tatuíras. Os novos dias serão longos ou acintosamente curtos para tantos projetos e sentimentos. Preocupações? A aposentadoria insuficiente do INSS e a insegurança de ter um marginal com o cano do tresoitão atolado em sua garganta ou ser ameaçado pelos “menores em situação de risco”? Novamente os sobreviventes dessas intempéries sociais do “capitalismo selvagem” enfrentarão a realidade que cultivaram e plantaram.

Cr & Ag

Na “melhor idade” (para quem?) estarão inapelavelmente velhos. Fatalmente velhos. O politicamente correto será uma mera e dolorosa quimera. Estarão cercados daquilo que descartaram como inúteis em seus lares e casas e agora sentir-se-ão inúteis para uma sociedade quem nem os governos socialistas respeitam como idosos e aposentados do INSS, apesar da propaganda em contrário. Analogia cruel e real! Escape-se dela. Usem o melhor na alegria e na felicidade. Roupa de combate e ração de campanha dos guerreiros ou militares são para a guerra, sob o açoite da artilharia ou da infantaria inimiga. Concordam?

Jim Warren4

Quem tem, teme – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 03 Abril2013

 

2013 – 04 – 03 Abril 2013 – Quem tem teme – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“Quem tem teme!”

E o Criador contemplava aquele mundo maravilhoso, sem poluição, sem guerras, sem conflitos sociais, mas ainda sem gente. Isso mesmo, sem pessoas. Então o Criador franziu o cenho e ergueu o supercílio direito e pensou: – Quem vai aproveitar tudo isso? Os animais são fantásticos, mas ainda são e continuarão sendo animais. Alimentos em profusão, frutas frescas ao alcance da mão e ninguém para consumir? – Ao seu lado direito um belo barreiro resplandecia ao sol de meia tarde. Até os barreiros eram formidáveis no Paraíso. O Criador reuniu o pessoal do planejamento e vieram alguns arquitetos. Na cola veio a turma da publicidade. Alguns identificam esse fato como o nascimento da democracia e outros do… orçamento participativo. Várias sugestões e ao fim de intermináveis segundos, Ele colocou a mão no barro e começou a modelar algo similar ao seu reflexo no espelho d´água. E modelando. Modelando. Eis que contemplou a penúltima obra daquele momento – o homem. Em barro e quase osso. Logo recebeu o sopro da vida e o acalento da eternidade.

Cr & Ag

Vários Oh! e somente um Iiiiih! Quem desaprovaria o Criador? Quem? Quem? O pessoal do marketing gritou: – Deve ser alguém contra o consumo e a economia de mercado! Olhavam-se desafiadoramente. Eis que surgiu o autor da desaprovação. Enroscada num galho de árvore estava ela. Sim, ela a serpente. E sua voz sibilina voltou a picar: – Tanto para tão pouco. É muito poder para o homem. Irá possuir e mandar em todos nós e o que temerá além do Pai? E quando o Criador estiver ocupado treinando o coro de anjos, ou refazendo mundos poluídos ou infestados de políticos larápios e de políticos complacentes, ou fazendo aquilo que a justiça não fez, quem colocará limites no homem?

Cr & Ag

Uma preocupação crescente, um temor reptiliano fez asas recolherem suas penas. A víbora, sentindo que dominava a plateia, picou novamente: – Mestre, aí nesse barro ainda fresco que escorre entre os glúteos do homem… Coloque um orifício, um buraco como nos animais seus súditos e ele temerá aos outros e a si mesmo. O supercílio esquerdo do Criador eriçou-se e a serpente cravou sua cauda escamosa no homem. E assim fez-se o ânus. Talvez haja algumas diferenças conforme a versão da direita ou da esquerda, ou do sindicato dos oleiros, ou dos médicos de plantão no Éden. Pouco importa, vale o temor gerado no homem pela presença do orifício crepuscular fatalmente assediado pelo barro eterno e como entrada ou saída amedronta ou alegra.

Cr & Ag

E a víbora primordial acertou sua derradeira frase: – Quem tem (ânus) teme! E o mundo caminhou e caminhou. Até que certo inglês intrometido chamado Darwin descobriu a teoria evolucionária. Como? Sim, as espécies evoluem. Até as humanas. E em pesquisas de cientistas chineses, americanos e paraguaios descobriram-se espécies brasileiras sem ânus – modelos e vários artistas da Globo. Identificaram ânus destemidos, alheios a qualquer ameaça, intrépidos, corajosos ao extremo entre políticos brasileiros e venezuelanos. Descobriu-se falsificação anal no Paraguai, assim como transgênicos como aspirações mutantes para terem mais de um ânus. Talvez para rotação de culturas.

Cr & Ag

Houve um tempo neste Brasil com S ou Z em que as criaturas temiam a cadeia. Prisão significava a defesa mortal de seu ânus contra as hordas invasoras. Sabiam de antemão que perderiam a batalha e que ânus de preso pode não ter dono próprio. Mas a terra ou a pátria do “jeitinho” resolveu que cadeia é o caminho passageiro entre a criminalidade e a liberdade para transgredir novamente sem culpa. Contaram com o auxílio da parte da justiça que liberta bandido, não condena à prisão político criminoso e enjaula o cidadão.

Cr & Ag

Tive a satisfação de cumprimentar pessoalmente uma das duas valorosas juízas desta terra. Elas são odiadas e temidas pelos bandidos e defensores de bandidos, pois não buscam as brechas da lei para libertá-los e entendem que criminoso deve cumprir pena preso. Preferencialmente, em defesa da sociedade, dos direitos humanos da sociedade e especialmente dos humanos direitos. Precisamos de mais juízes assim. Precisamos da lei ao lado do cidadão e que eles, os criminosos, voltem a temer mais do que são temidos.

Deus cria Sol e Lua

Deus cria o Sol e a Lua – por Michelangelo

Deus cria Eva

Deus cria Eva – Michelangelo

Uma luz no horizonte – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 27 Março 2013

 

2013 – 03 – 27 Março 2013 – Uma luz no horizonte – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Uma luz no horizonte

Nesta longa trajetória de médico e de cirurgião lembrei-me de certo hospital em que trabalhei. As dificuldades no Bloco Cirúrgico eram constantes. O equipamento estragado que não era reposto com brevidade, pior era aquele que deixava de funcionar durante uma cirurgia por falta de manutenção. Carência de pessoal ou pessoal sem treinamento adequado. Falta de material ou instrumental. Antissepsia e higienização duvidosas. A lista de problemas era grande e repetitiva. Suspendíamos e remarcávamos as cirurgias em melhores condições. Reclamar com a enfermagem responsável ou com a chefia do bloco eram palavras ao vento. Reclamar à diretoria? Sim. Resultava em promessas de que tal fato não se repetiria mais ou que em tal prazo teríamos uma solução. Novamente promessas levadas pelo vento. Documentamos as queixas e reclamações e logo éramos mal vistos como exigentes demais, “chatos”, “reclamãos”, pois “os outros aceitam e não reclamam”. E os relatórios e as reuniões eram “normais”. Havia duas opções: primeira – persistir e deixar o paciente sob risco aumentado; segunda – abandonar esse ambiente nocivo ao paciente e aos profissionais. Logicamente adotamos a segunda.

Cr & Ag

Recebemos ofício do secretário de trânsito e transportes que foi publicado na edição anterior do Jornal Opinião em resposta a minha crônica do dia 13 de março passado. O secretário Luiz Batista Preuss, ou Barbaroti, vem fazendo uma caminhada política inspirado e buscando dar uma sólida contribuição a sua cidade. Apesar de não o conhecer pessoalmente, sei de longa data das suas boas intenções e seu esforço pessoal. O cronista é, antes de tudo, um cidadão e no meu caso o médico com o maior tempo de atividade profissional contínua na cidade. Certamente os problemas encontrados pelo caro Secretário e seu/nosso Governo são diversos e relevantes, muitos com complexa solução ou atenuação. É importante o administrador público ser sensível e responsável, vigilante e atuante. O administrador público deve ser um gestor de obras e de sentimentos da cidade e do cidadão e estar presente, fora do gabinete, fora das reuniões intermináveis, mas dentro das dificuldades e da mecânica da máquina pública. Como é complexo gerenciar realidades e esperanças!

Cr & Ag

O prefeito Clodoaldo Veiga, como exemplo, aparecia vigilante no posto de saúde, na escola, nas filas e na garagem da prefeitura entre outros locais. O governador Jair Soares adotava esse sistema. Outros administradores públicos verificam pessoalmente as informações recebidas, pois sabem que o papel tudo aceita. Assim daria um conselho ao caro Secretário, se me permite. Nunca confie totalmente em seus assessores e comandados, vá viver in loco como cidadão e como administrador responsável. Jamais deixe de ser gente, pessoa, cidadão e consumidor. Os cargos são transitórios, mas o legado e as pessoas são fundamentais e razão primeira do homem público. O amigo viamonense Gil Ferretti repetia sempre durante um período que busquei a vida política: – o político deve servir e jamais ser servido. Assim acreditaremos que as coisas irão melhorar em qualidade e respeito ao cidadão e à cidade. Espero de todo coração que o caro Secretário Barbaroti, assim como seus colegas e o Prefeito, exerçam o poder que lhes foi confiado pelo voto popular e façam uma bela e próspera administração. Será ótimo para todos! E nós que estamos do “lado de fora do balcão” devemos contribuir para o sucesso do governo, jamais para a sua desgraça. Seu sucesso será o sucesso de todos os munícipes, assim como a sua desgraça. Peço vênia ao colega de jornal e evangelista: – Orai e vigiai!

Davi e Golias

Davi contra Golias – de Michelangelo

Vamo pro pau – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 20 Março 2013

 

2013 – 03 – 20 Março 2013 – Vamo pro pau – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Vamo pro pau!

Dizem as boas línguas que avós são pais adocicados. Outros com a mente mais nebulosa dizem que os avós “estragam” os netos, fazendo aquilo chamado de “deseducação”, como certas escolas em que a disciplina ficou dormindo e não foi à aula. Predicados e qualificativos andam abraçados, mas vejo com singular felicidade a convivência entre avós e netos. E não se trata de querer recuperar algo nunca vivenciado com os filhos, mas novas e maravilhosas oportunidades de encantamento e de formação pessoal. Os exemplos abarrotam a literatura. Por esse meandro, considero dois tipos de avós – aqueles que contam estórias ou histórias e aqueles que algum dia ainda as contarão. Não há criança que não goste de escutar estórias, há adultos com pouca paciência e vontade que tão logo se abram sorrisos, olhares de apreensão ou até medo controlado, movimentação coreográfica e a curiosidade que encanta e transborda que o tempo deixa de ser contado pelos tradicionais e frios segundo e minutos.

Cr & Ag

Desde as tradicionais estórias, como as dos Irmãos Grimm, como aquelas criadas associando temas e pessoas conhecidas com os sempre presentes bruxas e fadas, lobisomens, lenhadores, porquinhos e lobos, madrastas e padrastos, anões e gigantes, florestas e desertos, noites escuras e dias luminosos, carros de corrida e vassouras turbinadas. Há que ter suspense. Muito. E finais felizes. O mocinho deve sempre vencer e salvar a criança. Outro dia, um avô feliz contava ao neto de olhos esbugalhados a estória da bruxa que raptou o Joãozinho que mora logo ali no Fiúza.

A Brigada andava procurando essa bruxa bandida que dá balas com veneno para as crianças na saída da escola e aí pega as crianças que falam com estranhos e coloca num grande saco escuro e leva para a sua casa nos matos da Tarumã. A Brigada até já prendeu ela algumas vezes, mas tem uma turma que solta ela de novo. E foi numa noite dessas que as casas fecharam bem as portas e as janelas e chamaram as crianças que estavam brincando na rua pois escutava-se um barulhos tipo um jato, um avião e umas risadas de malvada voando. Avisaram que era a bruxa da melancia chulezenta. Ela tem um pompom muito grande e não se limpa direito quando faz cocô. Que nojo! E aí fedia e juntava moscas.

Ela não toma banho?

– Claro que não. As unhas são grandes e sujas. Os dentes são fedorentos e podres naquela boca grande, tamanho da boca do lobo mau. E passava voando na vassoura para achar alguma criança. E o Joãozinho desobedeceu à vovó dele e ficou na rua brincando de bicicleta já de noite no escuro. Sabe que é a vovó que cuida dele quando o paizinho e a mãezinha estão trabalhando para comprar comida e roupas, remédios e brinquedos. Pois a bruxa maldita atirou uma corda e laçou o menino desobediente, colocou no saco e levou para a casa dela. Queria que ele engordasse para assar ele no espeto e comer. A vovó viu na hora que a bruxa carregou ele. Aí pediu socorro pra polícia e pros vizinhos. O seu Assis, pai do Silvano, lembrou-se de chamar o lenhador valente. O celular não funcionou e o seu Assis foi correndo chamar ele. Foi a sorte. O lenhador pegou seu machado e foi no castelo da bruxa malvada. Quando chegou lá a bruxa botou um dragão, um lobisomem e um anão para não deixar ninguém entrar até ela engordar e comer o menino desobediente. O lenhado valente nunca se acovarda e gritou: – Vamo pro pau! E cortou o rabo e a cabeça do dragão. Aí veio o lobisomem, ele deu uma pauleira no bicho. Ainda tinha o anão que era campeão de luta. A briga foi muito feia, até que ele acertou um rabo de arraia e uma voadora no anão. Isso ele aprendeu com o tio Chico Barbeiro. A bruxa olhava agora com medo lá da janela bem no alto. Aí o lenhador mirou a grande porta do castelo e gritou de novo: – Vamo pro pau! E enfiou o machado com toda a sua força até rebentar a porta. A bruxa de tão assustada até soltava pum muito fedorento. E pegou a bruxa antes que ela fugisse na vassoura. Abriu a barriga fedorenta dela e encheu de pedras e jogou no lago da Tarumã. Bem no fundão. E de lá essa aí nunca mais vai sair…

Cr & Ag

Mudando da mala para o saco já que o espaço está acabando e a Natacha terá que espremer o texto no meu cantinho. Dizia-me um amigo que a situação do município está horrível e ele é um dos colaboradores diretos dos eleitos. E aí? Pois esperamos que as estórias sejam menos assustadoras, mas quando a situação representar a bruxa que quer nos devorar com seus dragões e outras feras seja dado um brado: – Vamo pro pau! Acreditamos que sempre existirão lenhadores para aliviar a bronca e salvar a situação.

 

Elvira Amrhein  3-749410

Trânsito em Viamão – Edson Olimpio – Jornal Opinião – 13 Março 2013

 

2013 – 03 – 13 Março 2013 – Trânsito em Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“O que está ruim ainda pode ficar pior!” & “Pouco já é muito!”

Olha aí e me diz se isso está certo? – irado e agitado o cidadão interpelou-me.

Vamos ver. O que é que está errado? – disse-lhe.

Cheguei aqui no laboratório para fazer os exames da minha mãe eram quase 8 horas. E agora já é meio-dia, voltei para ir ao banco. Tá vendo aquele caminhão ali? Pois esse caminhão estava estacionado quando cheguei e continua ali estacionado até agora. E não tem jeito de estar estragado ou em conserto. Deve estar hospedado nessa vaga que a Prefeitura do Bonatto criou. A gente não consegue estacionar nem para fazer exames de laboratório para a mãe e nem para consultar com o médico, mas caminhão ganha exclusividade. O senhor deveria citar isso no seu jornal, pois duvido que o Bonatto e o André saibam disto e se souberem e deixarem é sinal de que o trânsito de Viamão que está ruim ainda pode ficar pior.

Entendo e respeito a sua opinião e vou colocar sim no jornal do Pedrão. Acredito que providências serão tomadas. – e despedi-me do cidadão e eleitor indignado.

Cr & Ag

Vamos ao caso. A prefeitura estabeleceu uma área exclusiva de carga e descarga na rua Cirurgião Vaz Ferreira contígua ao Laborclínica. Por que ali? Algum estudo técnico apontou como área prioritária de comércio e que caminhões ali estacionem e levem suas cargas a quadras dali? Interessante e duvidoso. Até agora os estudos técnicos não identificaram aquela área que tem tradicional laboratório de exames clínicos e consultório médico como merecedora de área prioritária para Idosos ou temporária para exames e consultas.

Cr & Ag

A regra é de que se criem “coisas” e que não sejam corretamente fiscalizadas. Vejam as áreas de Idosos e Deficientes Físicos aqui do perímetro central, estão geralmente ocupadas por motocicletas e veículos sem o respectivo cartão legal e necessário que comprove sua situação. É um absurdo que se repete, constrange e limita a quem necessita e pode legalmente usar. A lei federal reserva 2% das vagas para essas condições especiais. Quanto a vagas de Carga e Descarga, as cidades limitam a circulação de veículos pesados no perímetro central para horários determinados. A brutal insuficiência de vagas de estacionamento regular incita o gerenciamento eficaz de cargas e descargas em horários fora do pico comercial. Assim Cargas e Descargas, nos perímetros centrais, fazem-se fora do horário comercial e/ou regula-se e fiscaliza-se a correta utilização dos espaços para evitar aqui que o cidadão flagrou: – a hospedagem dos caminhões.

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Criar o que não controla, administra e gerencia é como o ato de parir e jogar a cria ao mundo. Infelizmente parem-se leis e normas e deixa-se ao sabor do acaso ou da lei do maior e do mais forte. Ou do jeitinho e do trambique. Esperar que muitos cidadãos tenham o senso de comunidade, tenham a consciência da vida em sociedade sem que abusem dos outros em benefício próprio, é acreditar que o Papai Noel e o Coelho da Páscoa resolverão os problemas estruturais do Brasil e que a inflação não retornou. Principalmente no trânsito vige a lei da selva de pedra, as criaturas estacionam onde não devem, ocupam espaços de dois veículos, batem nos outros carros e fogem. Isso vai do desatento ao canalha. Do despreparado ao adepto da lei de Gérson – “levar vantagem em tudo”.

Outro dia, um cidadão, defronte a Center Car, chamou-me a atenção para que “o Bonatto-André estava consertando os paralelepípedos daqueles buracos quase eternos”. Disse-me: – Veja doutor Edson que pequenas atitudes como essa já mostram que tem alguém se importando e corrigindo aquilo que antes ninguém dava bola, mas que incomodava todo mundo. O pouco já é muito. Respondi a este cidadão viamonense e ao outro do início que devemos dar um crédito de 100 dias aos novos governantes, mas podemos desde já ajudá-los a corrigir rotas e atitudes.

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