Barriga de aluguel – Edson Olimpio – Jornal Opinião – 06 Março 2013

 

2013 – 03 – 06 Março 2013 – Barriga de Aluguel – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Barriga de Aluguel

Crônicas de um sobrevivente de um verão infernal

Salvo provas em contrário, se você está desfrutando dos humores e sabores da melhor coluna desses pagos, apesar do jornal ser gratuito, ainda estamos vivos apesar do calendário Maia – algo a ver com o deputado? – e do calor que faz urubu voar de costas e formiga usar chinelos havaianas. Há que ter criatividade para crescer e sobreviver sendo sequelado numa das piores educações do planeta. Vamos nos aproximar mais um pouco do ventilador ou do benfazejo Split. Mais um copinho de água gelada? Já quer demais, luz e água ao mesmo tempo? É como governantes competentes e a ERS 118 de piso civilizado, até aqui impossível. É inacreditável. Mas paremos de delongas e de milongas – ou seria do enrolation? – e vamos contar a invenção deste viamonense dos quatro costados.

Cr & Ag

O cara para se dar bem na vida não basta ser inteligente, tem que ser criativo. Tem que acertar a chave sem enfiar no buraco da fechadura. Jamais desperdiçar a última bala e jamais ficar na mão pela falta do papel higiênico. E nunca ser mandado pela mulher – o que convenhamos agora ficou mais complicado e raro. Pois assim fui alvejado em plena travessia do Itaú, ou no largo do Guará: – Edinho de Deus venha cá homem que quero falar contigo e… – assim aquela parede humana parou-me no meio da avenida com o sinal abrindo e os “Viamão lotado” desesperados na buzina e no acelerador.

– Preciso duma mãozinha tua e do Pedrão pra divulgar meu novo trabalho.

– Legal, voltaste a trabalhar? Recebeu o precatório do Tarso?

– Que precatório que nada, o Tarso é outro que enrola doente e professor, mas agora vou me dar bem na vida. A nega veia tá segurando as pontas faz tempo e com 72 horas semanais e quatro escolas tá com ameaça de depressão e gastrite. Fora o calorão da menopausa. Tu sabes né?

– Mas estamos aí para te dar uma mão, amigo. Queres ajudas para emagrecer? Baixou um pouco dos 120?

– Que emagrecer nada! Tá louco meu! O cara só tem prazer na vida com boa comida. E sexo to quase fora. Seguinte o esquema é “barriga de aluguel”. BARRIGA DE ALUGUEL! – gritou ainda mais alto para meu espanto.

– Legal, mas agenciar essas gurias que querem faturar uma grana alugando para gravidez? Mas e as leis?

– Pô meu, sossega leão! Já tá te adiantando sem saber do meu esquema milionário. Vê se escuta e depois ajuda.

-Legal!

– Olha só no teu consultório o que tem de gente que tá num drama do cão fazendo regime. Olha a comida e não deve comer. Ainda mais nessa época de festas e férias. O cara tem grana e não pode comer por causa da dieta. A guria quer colocar um biquíni e caem aqueles babados e pneus de patrola pra tudo que é lado. A barriga chega antes nas festas e não é qualquer cadeira que cabe a busanfa. Aí bate o estresse, a depre e outras loucuras. Aí entro eu no Tele Barriga de Aluguel. Com plantão de 24 horas e por um preço módico eu como tudo pela criatura. Mato dois caolhos com uma machada só, como diz o Lulinha Bródi. Sacou o lance genial?

– Tu vais alugar a tua barriga? Comer e beber e empanturrar-se pelas pessoas que te pagarem?

– Isso, isso! Que bom conversar com pessoas inteligentes e esclarecidas. E ainda aceito cartão de crédito e vale rango. Como eu não tenho problema de peso, só tenho a solução – barriga de aluguel. Tele Barriga! Mandarei fazer uns panfletos e peço tua ajuda e do Pedrão pra alavancar meu negócio.

– Firme! Vou falar pro Pedrão e deixa teu telefone e uns panfletos que vou te indicar. Gostei do teu projeto e acho que nunca ninguém teve essa ideia antes de ti. – e despedi-me desse amigo genial. E cuidem-se do excesso de sol na moleira.

19-734838

Soja & Pampa – Edson Olimpio – Jornal Opinião – 27 Fevereira 2013

 

2013 – 02 – 27 Fevereiro 2013 – Soja & Pampa – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Soja & Pampa

Nos idos de 2002 estive em Herval do Sul com três propósitos: – primeiro um encontro motociclístico; segundo, conhecer a capital nacional da caça ao javali; terceiro, conhecer os assentamentos da reforma agrária na região. A estrada de acesso passa por Arroio Grande que traz lembranças da minha infância e adolescência das caçadas de marrecão e dos acampamentos de viamonenses. Herval do Sul parecia uma cidade fantasma. O “melhor” hotel seria o do Sindicato Rural que dava os sinais do sucateamento e ainda mantinha as imagens de quadros e empalhados das formidáveis caçadas de javalis por brasileiros e estrangeiros. Mantinha um atendimento cordial e ótima comida. O encontro motociclístico agrupava na praça principal uma meia dúzia de gatos pingados a espera dos visitantes de motocicleta. E os assentamentos? Essa região do estado estava tomada por vários assentamentos dos chamados “colonos sem terra”. As margens de rodovias do estado contavam com inúmeros acampamentos de lona preta e várias convulsões sociais. No ano anterior teve o Fórum Social Mundial em Porto Alegre e chagas eram abertas como as invasões e destruições de propriedades, inclusive com um sindicalista ou terrorista francês de nome José Bové e organizações como a Via Campesina e o MST. – E os assentamentos? – pois em Herval estava localizado o famoso Santa Alice que era o piloto em novas metodologias e técnicas de fixação do homem rompendo o latifúndio típico do sul do estado e do pampa para a propriedade familiar e comunitária.

Cr & Ag

Graves contradições entre realidade e sonho grassavam na região. Muita dor, sofrimento, desesperança e abandono de todos os lados dos conflitos da terra e da sociedade. No retorno, abastecia em Arroio Grande quando um cidadão vendo a placa da moto veio conversar comigo. Identificou-se como ex-aluno da ETA e conhecia diversos viamonenses durante os anos que aqui convivera. Disse-lhe que estava espantado com as mudanças para melhor de sua cidade que acontecera em poucos anos e perguntei-lhe qual o segredo: – O segredo é trabalho e soja! A região quase afundou com a reforma agrária, pois de quem foi tirada a terra ficou na miséria e não recebeu a indenização e quem veio, chegou despreparado para essa região e pobre de dar dó. Aí uma turma resolveu trazer umas sementes aí do Uruguai e plantar. É a transgênica – cochichou. E começaram a ganhar dinheiro como nunca antes. Ainda mais com o superporto ali pertinho em Rio Grande. O pessoal tá enfiando soja direto, só como medo das invasões e perseguições.

Cr & Ag

Passados cerca de 10 anos, o casamento da soja com o pampa está de vento em popa. Quem costuma ir à Santana do Livramento-Rivera para “umas comprinhas” observa os campos a perder de vista sendo recoberto pela oleaginosa do ouro verde. E dos dois lados da rodovia. Quem viaja por Dom Pedrito, Bagé, Aceguá, Pinheiro Machado, Pelotas, enfim toda essa região sul e fronteiriça assiste a soja mudar a paisagem de campos desolados com escassos animais em criação extensiva ao surgimento de empresas, silos e riqueza. Um mundo faminto, como o gigante capitalista-comunista chinês, torna a produção brasileira e gaúcha destino certo e rentável. Um conhecido disse-me que: – se vendesse a R$45,00 já dava para tirar uns pilas, mas vendeu a mais de R$70,00. As Missões e o noroeste rio-grandense já não correm “solito nesta cancha reta”, contava-me.

Cr & Ag

Novos tempos, mas ainda velhas cabeças e degenerados entendimentos. O chamado “capitalismo excludente” arremessou a classe média cerca de 50 milhões de brasileiros sedentos por consumir e viver com conforto e novas realizações. O mesmo “capitalismo da concentração de renda” colocou mais de 400 milhões de chineses no mercado de consumo e fora da pobreza absoluta e comunitária. Não foi somente a terra que sacou da pobreza e da miséria física e intelectual centenas de milhões de pessoas no planeta, mas a educação de melhor qualidade e a possibilidade de ter sonhos e de realizá-los por seus esforços e méritos. A terra cada vez necessita de menos ideologia e mais tecnologia. Quanto melhor educação e maior uso da caneta e do computador, mais leve será a enxada e mais produtiva a terra.

Mosca

casal-ShadowMagic

Conflitos do dia a dia– Edson Olimpio–Jornal Opinião–13 Fevereiro 2013

 

2013 – 02 – 13 FEVEREIRO 2013 – Conflitos do dia a dia – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Conflitos do dia a dia

Diz-se que mais complicada é a vida porque as pessoas a complicam mais ainda. Redundância? Verdades. Pois a visão que cada um tem do mundo é muito sua, muito particular e muito especial. Influenciada por diversos fatores, inclusive por influência ideológica. Como assim? Alguns são de esquerda, outros são de direita, muitos são do “pip” – partido do interesse próprio. Vários tendem a generalizar o “ingeneralizável”, por alcance reduzido do entendimento, como defesa de suas fraquezas ou imperfeições ou pelo efeito revoada – prefiro esse termo ao correlato “efeito manada”, pois revoada é de aves, pássaros ou de avoados. Assim é desde o mais singelo e banal termo a mais complexa e profunda colocação. Em épocas de mensalão julgado e condenado, em que a força de caracterizar como inverdade ou utopia foi vencida, ai de quem mostrar-se respeitar as instituições. Correm-se riscos, como o ex-governador Olívio, que agora é perseguido por segmentos do seu partido político.

Cr & Ag

“Chinelagem” está nesta moda dos novos termos cunhados Na periferia ou nas novelas. “Chinelo” vem na linha do antigo “muquirana” e outros do gênero. Pois um amigo mostrava-se indignado com outro que usou essa expressão para catalogar esses motoristas que dirigem com os braços pendentes nas janelas abertas, jogam lixo pela janela do carro até em movimento, das moçoilas (sempre busquei um tempo para usar esse termo) que usam shorts abusivamente curtos adentrando as cavidades naturais inferiores e traseiras em ambientes não condizentes. Mais: dessas criaturas que no banco do carona andam com os pés sobre o painel do carro e ainda de chimarrão em punho; dessas criaturas que usam o celular como se falassem em comício; desse pessoal que ataca com unhas e dentes os bufês e carregam pratos como montanhas de comida em sua derradeira refeição antes do cadafalso; desses que persistem em furar filas e conversar nos cinemas ou que paqueram acintosamente o par alheio. A lista é grande e o admirável leitor deve estar acrescentando novos itens. Se você está fora dessa turma não há porque irritar-se com o alheio. A boa educação separa e seleciona já a má tende a compactar, a juntar alhos com bugalhos.

Cr & Ag

Outro dia um amigo sentia-se muito ofendido com um conceituado jornalista que usou o termo (sic) de “lixo humano”. Aqui certamente há um viés ideológico do entendimento e da aceitação. O politicamente correto e o absolutamente esdrúxulo podem conviver em sintonia. Assim podem estar “negro” e “afrodescendente”? Citando outro ex-governador, Alceu Colares, que aprecia ser tratado como “negro gaúcho e brasileiro” e tem o maior e inesgotável orgulho de sua raça e cor. No entanto, outros se sentem ofendidos. “Uma questão de ordem”, parafraseando um colega que constantemente aparteava as reuniões médicas, assistam aos filmes Lincoln e Django, vejam racismo e escravidão com outra ótica. Voltemos ao “lixo humano” – há moradores de rua e moradores de rua, há drogados e drogados, há bandidos e bandidos, há médicos e médicos, há… Nem tanto ao céu e nem tanto à terra. A escória da sociedade seria o lixo humano? Para estar neste grupo classificado como ralé ou escória dever ser pela condição econômica ou pela podridão, putrefação dos valores morais e humanos?

Cr & Ag

Alguém é um assassino, estuprador ou tem as piores qualificações, pode ser considerado uma pessoa “normal” como milenarmente nos foi ensinado e a razão nos mostra? Há seres que jamais serão corrigidos ou terão alguma recuperação, há seres em que o mal é inesgotável e deveriam estar sempre afastadas do convívio social? Realidade ou é uma visão distorcida? Seres que se arrastam em gabinetes refrigerados ou nas vielas sépticas cujo único propósito e objetivo na vida são de fazer o mal aos outros, buscando a sua vantagem. Conhece alguém assim? Acredita ser possível que existam e que convivamos em harmonia com eles? Nem todo presidiário é “lixo humano”, mas muito “lixo humano” deveria estar e permanecer nas penitenciárias para exemplo e proteção de todos? Há exagero nesta tese ou neste entendimento? Interrogações. Essa é a função do cronista – raciocine, entenda e posicione-se! Não podemos ser submissos nem à fé absoluta, lembre-se do pastor Jim Jones.

John Wayne

Cavalos nos Cabelos

Longevidade e Imortalidade – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 06 Fevereiro 2013

 

2013 – 02 – 06 FEVEREIRO 2013 – Longevidade e Imortalidade – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Longevidade e Imortalidade

 

Assim como o comunismo é o caminho mais longo para o capitalismo, o ateísmo é também a mais longa jornada para a espiritualidade. Quanto mais luz menos controvérsia, quanto mais sectário maior é a discordância. Credita-se a Galileu Galilei a frase: – A Bíblia nos ensina o caminho do céu, mas não nos ensina como o céu funciona. É no Livro Sagrado que nos causa espanto a longevidade dos profetas. A morte resultou do rompimento do homem com Deus ao ceder junto de Eva à Lúcifer. Adão, o primeiro homem, viveu 930 anos. Nos ensinamentos de Pedro, para Deus 1000 anos são como um dia ou uma noite de vigília. Matusalém viveu 969 anos. Enoque 365 anos. Noé viveu mais de 900 anos e após o Dilúvio ninguém teria vivido mais de 200 anos, ficando na faixa dos 120 anos. Jacó 147 anos. Moisés 120 anos. Sara engravidou aos 90 anos. Há 4000 anos Davi dizia que a idade do homem seria de 70 anos e daí a decrepitude. Eis que agora, 4000 anos depois de Davi voltamos à média de vida dos 70 anos no Brasil.

Cr & Ag

Se antes o mundo precisava ser povoado, hoje a superpopulação assusta e impressiona com a destruição ambiental e continuidade das guerras sem fim, sempre com o homem sendo o algoz do homem pela religião ou pelo ouro, enfim por poder. “Cem milhões em ação, prá frente Brasil, salve a seleção!”, isso é parte da música que embalou as dores e as alegrias dos brasileiros durante os anos 70. Fomos tricampeões mundiais de futebol e iniciamos a jornada da longevidade em curva ascendente. Os constantes avanços da Medicina, da educação e dos investimentos governamentais em saúde pública estão jogando cerca de 30% de vida a mais a cada ano vencido. Espantem-se! No primeiro mundo capitalista em que religião e governo respeitam-se, mas não se imiscuem aumenta-se em velocidade crescente a expectativa de vida útil de quatro meses a cada ano vivido. Lembrem-se que estatística é como biquíni, mostra quase tudo… A singela observação traz esses avanços aos nossos sentidos.

Cr & Ag

As mulheres duram mais porque se tratam mais que os homens”, – observação repetida e ouvida com frequência. “Hábitos de vida mais saudáveis e regrados aumentam a vida” – realidade. Nos tempos ancestrais Deus estava mais próximo e conversava mais com os homens, melhor ainda, os homens buscavam mais a Deus e estavam bem mais abertos para Ele. A natureza era absolutamente livre dos poluentes contemporâneos, assim como a atividade física era essencial para a sobrevivência. E os alimentos? Logo estaríamos envenenando a natureza e os corpos. Sabe-se que a degeneração mental dos nobres e abastados não se deveu somente aos relacionamentos co-sanguíneos, muito pela intoxicação crônica dos metais usados na confecção de taças e utensílios outros. Somam-se a promiscuidade sexual, com a neuro-lues (sífilis atingindo o cérebro). Essas seriam as causas da morte de Alexandre o Grande que na terceira década de vida deixou o maior império construído por um único homem.

Cr & Ag

A morte é a companheira mais fiel da vida, assim como a sombra é da luz ou a enfermidade é da saúde. Essa dualidade ou essa bipolaridade faz-nos navegar entre polos distintos, mas absolutamente próximos. Um difícil de conquistar e manter, outro sedento pelos nossos tropeços ou escolhas erradas. A juventude crê-se imortal. É uma qualidade que remete ao desafio, ao arrojo, ao experimentar e sentir o novo, mas é um defeito quando nos retira o raciocínio, a segurança da razão e o estreitamento dos limites entre vida e morte. Somos seres de âmago, de alma imortal habitando uma casa perecível, com tempo de vida útil e que nos foi gentilmente cedida, emprestada pela natureza em seu ciclo eterno de renovação. Novamente a ciência na Lei de Lavoisier: – Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Somente dois elos nessa cadeia de eventos da vida e da morte nos tornam a imagem Dele: – Disciplina e Amor! Em qualquer tipo de existência, em qualquer tempo ou espaço.

Um pedido aos amigos leitores: dedique agora alguns minutos de oração a quem em plena juventude perdeu esta vida e aos seus pais, familiares e amigos. A dor diária que nos anestesia remeteu-nos para essa brutalidade da morte coletiva. Que nos tornemos novamente seres de Amor com Disciplina de vida.

 

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Dama em negro

Máscara Negra – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião–30 Janeiro 2013

 

2013 – 01 – 30 – Máscara negra – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Quanto riso! Oh! Quanta alegria! Mais de mil palhaços no salão, Arlequim está chorando pelo amor da Colombina no meio da multidão.”

Para quem ama ou para quem odeia, ele, o carnaval, está logo ali espreitando pierrôs e colombinas e o título desta “carnavalesca” coluna remete ao imortal Zé Kéti e a sua Máscara Negra. Não se conhece imunidade ao carnaval. Há quem se isole em algum lugar remoto e pouco sabido para tentar fugir dos festejos de momo. Pode-se até escapar dos sons, das músicas e da agitação típica, mas jamais se fica alheio ou imune aos seus feitos, defeitos e efeitos. Diz-se que o “Brasil somente acorda e começa depois do Carnaval”. Logo seus efeitos benéficos ou deletérios são para todos. Nesta trilha de afirmações há outros que afirmam que o espírito carnavalesco de tão entranhado na vida do brasileiro permanece até o carnaval seguinte. Logo, renova-se e jamais se acaba. Outros doutos e aprumados com as realidades do sofrimento e da alegria da brasilidade afirmam que o “Brasil é um grande salão ou uma imensa avenida onde desfilam escolas, blocos, bandas e avulsos de toda ordem e cor. Milhares de palhaços e escassos arlequins e colombinas”. Concorda?

Cr & Ag

Acredita-se que sua origem está nas festividades gregas de mais de cinco séculos antes de Cristo como homenagens aos deuses da fertilidade do solo e da carne. A secular Igreja Católica passou pela aceitação e rejeição por diversos períodos e fases. Na Roma Antiga a semana de carnaval (do latim carnis + valles ou prazeres e orgias da carne) marcava a liberação total. O entendimento e as festividades ganharam características peculiares em cada povo ou região, assim como em cada época. O carnaval de hoje certamente é bem diferente daquele de cinquenta anos passados. O que nunca mudou? A liberação total, a orgia, a elasticidade ou a perda dos limites do corpo e do espírito, para o bem e para o mal. Voltando à Roma dos imperadores, ali os escravos durante uma semana podiam ser príncipes ou reis da folia. Crê-se que o carnaval abriu as primeiras portas e janelas para romper com os grilhões da escravidão humana e ao nivelamento social.

Cr & Ag

Quem nunca viveu um carnaval, deve reencarnar, pois essa vida foi incompleta”, apregoa do alto de sua sapiência T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse. E continua com sua versão bem humorada: – O gaúcho é o pai do carnaval no Brasil, pois ninguém conhece mais de prazeres da carne do que o gaúcho. Ou alguém insanamente discorda que carnaval e churrasco tratam de prazeres da carne? E aqui é onde se bota a melhor e até a pior carne no espeto. A orgia da carne deve ter sido de romanos reencarnados aqui na serra gaúcha que deu origem ao espeto corrido. Explorem as analogias e as realidades. – sentencia soberano quando os temas são carnais.

Cr & Ag

Há quem veja os partidos políticos como blocos ou escolas de samba com seus caciques e beneméritos. Há os puxadores de samba e a bateria, várias alas, como há os fantasiados dando o couro e o suor para a escola sair bem e ganhar. De qualquer jeito, mas ganhar. Comprando os jurados? Todos fazem, – apregoam seus líderes. “Vergonhas a mostra”, impossível para quem não tem vergonha. Como ter escrúpulos quem exibe suas partes pudicas a todos os ventos e leitos? Daí que ser o maior carnaval do mundo ou ter o maior bloco carnavalesco do planeta é uma honraria singela para 200 milhões de brasileiros. Somos o único carnaval em que quarta-feira de cinzas, enterro dos ossos ou sábado de aleluia são meros adereços na orgia travestida de dourada e sob a chuva de confetes e serpentinas.

“Foi bom te ver outra vez; – Está fazendo um ano; – Foi no carnaval que passou; – Eu sou aquele pierrô; – Que te abraçou e te beijou meu amor; – Na mesma máscara negra que esconde teu rosto, – Eu quero matar a saudade. – Vou beijar-te agora, – Não me leve a mal: Hoje é carnaval.”

Carnaval Veneza

Carnaval Veneza2

 

De frente para a desgraça – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião–23 Janeiro 2013

 

2013 – 01 – 23 Janeiro 2013 – De frente para a desgraça – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

De frente para a desgraça

Há momentos em que estamos tão assolados pelo infortúnio, tão doloridos pelos golpes da existência que parece que o inferno é aqui mesmo. Há quem assim acredite e propague com razões, por vezes, de difícil dissuasão. Há quem evite assistir aos telejornais principalmente nos horários de refeição justamente por ter que engolir sofrimentos em doses paquidérmicas. Há quem sabiamente desliga equipamentos eletrônicos nestes horários de convívio e de confraternização familiar ou de amigos. Infelizmente aumentam esses números de viciados na eletrônica de um big brother sem fim, não se desconectam dos smartphones e das ditas redes sociais. Estão nas redes sem se darem conta do enredo, do enredamento das relações e das suas vidas. Há filhos que somente se comunicam com os pais pelo twitter ou facebook. Pode? Não deveria.

Cr & Ag

Há momentos em que nenhuma alienação intencional da sufocação do noticiário que não nos arremeta ao sofrimento extremo, a dor sem limites de “esquecer-se de um filho dentro de um carro fechado e logo encontrá-lo morto”. Outro dia essa desgraça derramou-se sobre um delegado de polícia do interior do Rio Grande do Sul. Acredito ser uma das mais brutais formas de dor e sofrimento que pode se abater sobre qualquer ser humano. A perda de um filho dessa forma é contra as leis da natureza e ninguém deveria ser contemplado por tão gigantesca perda. Na distância pranteamos em sintonia com o amor de humanidade que nos possui e alenta. E oramos. Oramos pela criança, pelo pai, pela mãe, pela família e por todos os responsáveis para que tal drama absurdo deixe de ser fato e torne-se uma cicatriz distante da existência, da vida de qualquer um e de toda a sociedade.

Cr & Ag

Labirinto viamonense

Um amigo que para ir ao supermercado Nacional (aquele das filas intermináveis e da ausência de caixas ativas) ou ao centro de Viamão deve ir até a sinaleira do Cocão e só então retornar vários quilômetros ao centro da cidade. Assim tem mais segurança ante aos inúmeros acidentes na travessia do Fórum novo. Indagou-me se conhecia dos planos da atual administração para retornar no mínimo ao estado anterior do trânsito com melhor e mais racional acesso às ruas e lugares. Disse-lhe um velho refrão: – estou contigo e não abro! Todos nós aguardamos alguns desesperadamente, um trânsito mais efetivo no perímetro urbano. Por vezes parece que estamos constrangidos entre rios ou mares como em algumas cidades, mas que a ERS 40 e a maldita e mal aquinhoada e abandonada ERS 118 representam algo assim, até parece!

Cr & Ag

Graduada em Direito na PUC

A jovem Elisa Cristina, filha do casal de amigos Sílvia e Antônio Ávila graduou-se em Direito no sábado passado na PUC de Porto Alegre. Infelizmente não pudemos estar pessoalmente no magnífico evento, mas novamente transmitimos nosso carinho e respeito aos queridos pais e um incentivo a jovem Elisa que com sua capacidade construirá um horizonte muito belo e luminoso. Sucesso. Saúde. Sabedoria.

Chama Humana na Vela

De frente para a desgraça – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 23 Janeiro 2013

 

2013 – 01 – 23 Janeiro 2013 – De frente para a desgraça – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

De frente para a desgraça

Há momentos em que estamos tão assolados pelo infortúnio, tão doloridos pelos golpes da existência que parece que o inferno é aqui mesmo. Há quem assim acredite e propague com razões, por vezes, de difícil dissuasão. Há quem evite assistir aos telejornais principalmente nos horários de refeição justamente por ter que engolir sofrimentos em doses paquidérmicas. Há quem sabiamente desliga equipamentos eletrônicos nestes horários de convívio e de confraternização familiar ou de amigos. Infelizmente aumentam esses números de viciados na eletrônica de um big brother sem fim, não se desconectam dos smartphones e das ditas redes sociais. Estão nas redes sem se darem conta do enredo, do enredamento das relações e das suas vidas. Há filhos que somente se comunicam com os pais pelo twitter ou facebook. Pode? Não deveria.

Cr & Ag

Há momentos em que nenhuma alienação intencional da sufocação do noticiário que não nos arremeta ao sofrimento extremo, a dor sem limites de “esquecer-se de um filho dentro de um carro fechado e logo encontrá-lo morto”. Outro dia essa desgraça derramou-se sobre um delegado de polícia do interior do Rio Grande do Sul. Acredito ser uma das mais brutais formas de dor e sofrimento que pode se abater sobre qualquer ser humano. A perda de um filho dessa forma é contra as leis da natureza e ninguém deveria ser contemplado por tão gigantesca perda. Na distância pranteamos em sintonia com o amor de humanidade que nos possui e alenta. E oramos. Oramos pela criança, pelo pai, pela mãe, pela família e por todos os responsáveis para que tal drama absurdo deixe de ser fato e torne-se uma cicatriz distante da existência, da vida de qualquer um e de toda a sociedade.

Cr & Ag

Labirinto viamonense

Um amigo que para ir ao supermercado Nacional (aquele das filas intermináveis e da ausência de caixas ativas) ou ao centro de Viamão deve ir até a sinaleira do Cocão e só então retornar vários quilômetros ao centro da cidade. Assim tem mais segurança ante aos inúmeros acidentes na travessia do Fórum novo. Indagou-me se conhecia dos planos da atual administração para retornar no mínimo ao estado anterior do trânsito com melhor e mais racional acesso às ruas e lugares. Disse-lhe um velho refrão: – estou contigo e não abro! Todos nós aguardamos alguns desesperadamente, um trânsito mais efetivo no perímetro urbano. Por vezes parece que estamos constrangidos entre rios ou mares como em algumas cidades, mas que a ERS 40 e a maldita e mal aquinhoada e abandonada ERS 118 representam algo assim, até parece!

Cr & Ag

Graduada em Direito na PUC

A jovem Elisa Cristina, filha do casal de amigos Sílvia e Antônio Ávila graduou-se em Direito no sábado passado na PUC de Porto Alegre. Infelizmente não pudemos estar pessoalmente no magnífico evento, mas novamente transmitimos nosso carinho e respeito aos queridos pais e um incentivo a jovem Elisa que com sua capacidade construirá um horizonte muito belo e luminoso. Sucesso. Saúde. Sabedoria.

O Tempo

El matador setembrina – Edson Olimpio Oliveira – Jornal opinião – 16 Janeiro 2013

 

2013 – 01 – 16 Janeiro 2013 – El matador setembrina – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

El matador setembrina – Série Verão Insuportável

Muito se fala e escreve sobre o perfil de certo “homo machus viamonensis” e sua insaciável devoção ao amor liberal e sem fronteiras passando pela rigidez de um Barbosa ao ecletismo de um Dirceu. Eis que vamos acompanhar um deles, que não é dentista, mas está em todas as bocas. Depois de um capricho nas melenas desce as escadas da barbearia. Mais um tapa na Coca Zero e mira a caixa d’água. De cima a baixo e solta um arroto desdenhoso entremeado pelo sussurro – Sou muito mais eu! Saca o celular da maçãzinha mordida: – É o Gogó? Tô sacando meu… Qual é a senha? – do outro lado uma voz de agente secreto atira: – Carcará, pega mata e come… – e nosso (meu não, de Viamão City!) latin lover caminha até a esquina da Feira Paulista joga o raibam (ou raibã?) para o telhado capilar e… pigarreia. Abandonou o cigarro desde que seu falecido médico tirou-lhe um litro de água da pleura e terminaram a noite jantando e enxugando várias cervejas no saudoso Velha Capital.

Cr & Ag

Voltemos um pouco no tempo. Nasce o sol e calor de fritar ovos de camelo, batem na porta do bunker das Águas Claras: – Acorda meu. O mundo não acabou. Pode sair! – e nada. Eis que grita de novo: – O mulherio tá te esperando e… – não deu mais tempo para nada, foi como um abre-te sésamo, a porta de aço reciclado do bunker abriu-se e aquele vulto barbudo e bem nutrido saltou à rua. A sua cola vieram cinco belas bonecas cobiçadas, uma de cada raça. Dizem que seria o melhor de cada raça e cota um, ou uma. Estavam internados no bunker esperando o final do mundo pelo calendário maia. – Como? Por que das meninas de todas as raças? – pergunta alguém aturdido. O homem pretendia repovoar o mundo depois que as águas baixassem, os vulcões se acalmassem e o Zé escapasse do julgamento do mensalão.

Cr & Ag

Aos curiosos e aos que visam proteger suas fêmeas, vamos traçar um rápido retrato falado, digo, escrito do sedutor viamonense. Tamanho do Magal. Pegada do Kleber Gladiador fora da zona de conforto. Papo do Lula e contracultura do FHC. Voz do saudoso Teixeirinha. Excitação de… de bispo. Retornemos à caçada do insaciável de alcântara. Rapidamente cruzou a praça, desviando pelas vielas da casa do povo e entrou de costas, empurrando a porta de vidro do barzinho. Todos os olhares lhe cobiçaram, principalmente os femininos. Como todo pistoleiro sentou-se numa mesa de canto com as costas à parede, pois sabem como é bala perdida e humor de corno. Pendurou a pochete na guarda da cadeira e largou os ray-ban na mesa para que o reflexo das lentes mostrasse a porta. Estudou o ambiente num relance. Seu interesse caiu em duas mesas e seis gatinhas. Três em cada mesa. Sacou logo o lance. Na mesa da direita estavam duas noivas do governo Bonatto e na mesa da esquerda era três viúvas do governo Alex.

Cr & Ag

Sarcasmo e deboche entre elas. Quem saía bebia samba com gelo derretido. Quem estava no partidor bebia champanhe de Rivera. A vida é assim, tristeza de uns e uma e alegria de uns e outras. Jamais se preocupou com as lutas políticas e seus divórcios, seu tatame sempre foi o lençol adornado de belas, ou nem tanto, flores. Eis que uma loura oxigenada com a Bety Buuu tatuada na perninha arrematada com fios dourados sorveu um gole de champanhe seduzindo com a longa língua passando do queixo até o nariz. Uma sensualidade de acordar múmia. Mas eis que a afro partiu para o deboche sungando a micro-mini-exígua saia jeans e cruzou as longas pernas malhadas numa chamada desafiadora. As presas sempre se oferecem ao predador, essa é a lei da selva urbana – pensou.

Cr & Ag

Encurtando o causo. O cara deu uma arrumada no equipamento, o que é uma manobra fatal e decisiva ao pré-combate, levantou-se e… abraçaram-no. Todas elas – repito para reafirmar a solidez dos fetos, digo, fatos. Contam línguas ferinas que o bunker fechou-se novamente e que certas e belas moçoilas somente apareceram depois dos ternos de reis. Estafadas, mas felizes. E ansiosas que o mundo nunca termine, pelo menos até o carnaval do Cantegril murchar na quarta-feira. E o histórico bloco Madrugada CCC ressuscitar!

 

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Pinga fogo – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 09 Janeiro 2013

 

2013 – 01 – 09 Janeiro 2013 – Pinga fogo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Pinga fogo

 

Se você está me lendo já é um sinal de que escapamos do “holocausto maia, tanto do calendário como do deputado”, conforme escrevia em mensagem um colaborador. Como nem tudo que é legal é ético ou moralmente recomendável, a posse de José Genoíno na Câmara dos Deputados é pelo menos uma afronta ao tribunal superior, à moralidade e ao parlamento. Mais uma no caudal exposto do mensalão. Outras estão incubadas e logo virão a furo. Infelizmente. Mas mudando literalmente da mala para o saco, a expectativa dos viamonenses é imensa para o trabalho dos eleitos que romperam o império do PT em Viamão City. Vários (e)leitores solicitam informações e indagam das medidas que serão tomadas.

Cr & Ag

Cem dias! Deem esse prazo aos novos administradores para que respirem, conscientizem-se da situação deixada e assumam verdadeiramente o controle do sistema que tem rotinas instauradas há 16 anos e as mudanças são, por vezes, dolorosas. Não há parto sem dor, há nascimentos com analgesia. Que os projetos de governo jamais sucumbam antes os projetos de poder. Que as forças dos partidos jamais sejam maiores que as forças vitais da sociedade, sendo a coragem uma obrigação constante e jamais uma meta a ser perseguida. Coragem com disciplina e sabedoria. Há homens nessa empreitada aptos para as tarefas necessárias. Recebam a nossa paciência como seu presente inicial de ano novo e de governo. E que as oposições tenham dignidade e responsabilidade com a sociedade antes dos seus partidos.

Cr & Ag

Mais humor e menos dor! Estamos com algumas crônicas escorando o bom humor para esse verão sufocante, de estradas abarrotadas de carros, praias entupidas de gente e faltas de água e luz. O excelente colega médico cardiologista doutor José Luiz Vieira fez uma real e bem apanhada figura de imagem quanto às estradas e o morticínio nos acidentes. A popularização do automóvel que deixou de ser coisa de rico ou abastado ou de burguês, do dicionário comunista, virou artigo de consumo acessível há mais de três milhões de novos veículos por ano, excetuando caminhões, motocicletas, etc. Sua imagem: – Lembra-se do globo da morte? Presença obrigatória nos circos iniciou com uma motocicleta e hábil piloto realizando um looping mortal no seu interior. Logo a novidade precisava de mais emoção e colocaram duas motocicletas simultâneas. Não bastou e colocaram três e continua aumentando o número de motos sempre buscando o desafio e a possibilidade da desgraça anunciada. Um globo um pouco maior quem sabe. Sempre mais motos ou veículos. Assim estão as nossas ruas e rodovias, como um globo da morte.

Cr & Ag

Complementei sua ideia arrancando algumas barras de ferro do globo, como valetas e buracos da ERS 118, por exemplo. Resumo do drama – até está morrendo pouco, ficando poucos mutilados e estropiados diante do volume absurdo de veículos em rodovias absolutamente assassinas. E de motoristas despreparados e irresponsáveis. Deus deve ser mesmo brasileiro, já que muitos governantes somente aparentam ser.

Cr & Ag

Previsões para 2013! – Se você comer menos e gastar mais energia do que come, certamente esse será seu ano de emagrecer. Faça mais academia e menos comilança. Segunda – Se você gastar menos do que ganha, manterá seu saldo positivo e sobrará uma grana para investir ou curtir. Caso você queira manter ou aumentar seus gastos, trabalhe muuuito mais, evite mulher, bebida e carro e jamais durma fora de casa. Se nada disso funcionar, constitua uma empreiteira, arranje uma Rosemeri e trabalhe para algum governo. – Colaboração: T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse.

Amor à música

Um amor à música

Ho Ho Ho Ho–Natal 2012–Edson Olimpio Oliveira

 

Natal 2012 – HoHoHoHo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

HoHoHoHo

Mais um ano aproxima-se de seu final e melhor fechamento a humanidade não poderia dispor do que ter toda a simbologia, os ensinamentos, os exemplos e os entendimentos do Natal como a festa da chegada, as alegrias do início e a iluminação da humanidade pelo Ser mais magnífico que já andou por esse planeta. Antes e depois de Cristo, mas jamais sem Cristo. Cristo é o amor absoluto e pleno em forma humana, é o amor que se pode tocar, sentir, ver e ouvir. Mas o ser humano necessita do exercício de seus sentidos e precisava de algo visível e tocável, de algo representativo e mobilizador dos sentimentos e por outro lado a veia comercial inata ao homem manifestou-se e surgiu o Papai Noel.

Cr & Ag

Diversos escritores trouxeram o Natal para a imaginação vertida em palavras e imagens. Walt Disney desabrochou a vida mais iluminada contida ou reprimida nos corações mais duros e empedernidos nos seus personagens de revistas, filmes e parques. Tristes são as pessoas que não conhecem o Natal que podemos desfrutar na liberdade de ir e vir, na possibilidade de encantar e de ser encantado por presentes materiais ou do coração. Povos em conflito ideológico e religioso continuam a matarem-se numa sina interminável. Povos reprimidos pela dor da repressão armada e pela fome e miséria generalizada. Ou a vida sem trabalho digno e horizontes para aspirar e buscar seus sonhos e desfrutar novas realidades.

Cr & Ag

Durante quase trinta anos de minha vida passei Natais e Anos Novos dentro de hospitais e de plantões. Numa data ou em outra. Muitas vezes nas duas. Hoje minha filha segue essa mesma estrada de médica e cirurgiã. Sentimos a falta de estar com nossos familiares ou nossos amigos, mas somos privilegiados por estar na hora e no local em que podemos deixar nosso trabalho e nossa mensagem de amor ao ser humano como Aquele que veio para servir e não para ser servido. A enfermidade jamais marca hora e dia e a alegria está em ser médico que alivia as dores do corpo e da alma sofrida e fragilizada e tudo o que fazemos aos filhos dos outros, às esposas e mães dos outros estamos, na verdade, fazendo a nós mesmos e a quem amamos. Do guarda do estacionamento, à recepcionista, pessoal de enfermagem, pessoal da cozinha e da limpeza, enfim todo esse universo preparado para atender aos enfermos com amor e respeito e tendo consciência de seus limites e necessidades de sempre evoluir para melhor tratar.

Cr & Ag

São os plantões de maior carga de trabalho do ano. Em alguns locais, as equipes são reforçadas e sobre-avisos jamais dormem. Muitos por necessidade econômica ou de outra ordem, mas todos com a liberdade de estar ou não numa grade de plantão. Essa ideologia macabra e de certos sindicatos que proíbem o trabalho em certos dias, jamais deveriam usar os serviços de saúde, de bombeiros, de polícia e uma infinidade de pessoas que trabalham todas as horas de todos os dias para que o mundo seja melhor e mais justo. Nós podemos perdoá-los, mas a vida os ensinará. E a satisfação do dever cumprido ou de encontrar o familiar e imitando o clássico Noel num HoHoHoHo e num abraço noticiar que seu filho está muito bem, que a cirurgia da sua mãe correu “melhor impossível”, que sua esposa está reagindo e que todos os sinais vitais estão estabilizados, que o colega chamado passará a noite ao lado da sua irmã e certamente o parto será tudo normal – e foi!

Cr & Ag

HoHoHoHo! Abraço em sentimento cada um dos meus amigos e pacientes, das pessoas a quem amo e a quem amei, que mesmo sem poder tocá-las estão sempre comigo em amor e em ensinamentos e exemplos. Que o Noel de amor faça o que nossas dificuldades não conseguem vencer e numa prece silenciosa irradie-se Luz e Amor para todos a nossa volta, e num crescendo que vá atingindo cada um dos seres do planeta e do universo rompendo os grilhões do ódio e da dor, perdoando e sendo perdoado, amando e sendo amado. Muito obrigado e Feliz Natal!

Boas Festas - 2012 - 2013 A

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