Vida Estranha ou “Mentes Macabras”–Edson Olimpio Oliveira–Jornal Opinião–19 Dezembro 2012

 

2012 – 12 – 19 Dezembro 2012 – “Mentes macabras” – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Vida estranha ou “Mentes macabras”

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Era uma vez um sujeito que ia numa dessas lojas pet e comprava um cão. Dias depois lá estava ele e comprava um gato. Mais um tempo, voltava na loja e comprava mais um cão. Os donos da loja tratavam-no com a máxima distinção de cliente fiel e gastador. E as coisas iam nessa balada até que a balconista atreveu-se a perguntar, já muito desconfiada, o porquê de comprar tantos animais. O homem levantou a camisa e deixou a mostra um enorme revólver, ao que a moça tremeu as pernas, suou gelado e contraiu os esfíncteres. E com os dentes serrados e semblante de possuído pelo “demo”: – Para cada um que ela me trai eu enfio uma azeitona no bicho. Não mato ela, mas mato o bicho que ela se apega. – e continua sendo traído.

Cr & Ag

O mandachuva-raios-e-trovoadas da CEEE culpa o consumidor pelo caos da energia no Estado. Seu patrão, o governador Tarso, que deveria destituí-lo sumariamente, endossa suas palavras e assina ao lado. Segundo esses “expoentes” o cidadão é culpado por comprar ventilador, freezer, condicionador de ar e outros itens necessários ao bem estar do lar. E acrescentam que o cidadão tem a obrigação de comunicar a CEEE quando adquire esses bens e aumenta seu consumo de energia. Só falta o cidadão comunicar a CEEE que vai ao banheiro e vai acender a luz. É o absurdo na boca e nos pensamentos de quem deveria ter a mente clara e disciplinada. Quando Tarso venceu o pleito político escrevi que “era o homem certo para a hora e local certo”, recebi somente cutucões e dedos em riste. Confesso que errei até agora. Reconheci o erro quando Tarso Governador rasgou suas metas com a educação e agora parece ser o homem errado para o lugar certo.

Cr & Ag

Quer melhor negócio do que vender algo que todo mundo necessita e sem concorrência – assim é com a LUZ ou energia elétrica? No entanto a CEEE acha ruim. Se no poste defronte tua casa ou firma passassem LUZ de outras empresas você ainda compraria dessa estatal? Se há falta de energia no teu prédio ou empresa a CEEE te manda comprar um transformador e por firma credenciada colocar e receber pela tabela CEEE em desconto de perder de vista. Pode? Pode. Se a rede elétrica está em posição ruim em relação ao prédio, a CEEE manda que tu faças os devidos reparos por empresa credenciada por ela e receber um mínimo novamente a perder de vista. E assim é a balada da incompetência e da agressão ao bom senso e ao bolso do consumidor e do cidadão. Nunca vi direitos do consumidor e justiça coibirem esses abusos da CEEE. Gostaria de ver e noticiar.

Cr & Ag

Vários dias sem luz – lares e empresas. Nos lares sentimos diretamente na pele. Nas empresas com prazos para cumprir, folha salarial, impostos mil, clientes e eteceteras, dá para imaginar a catástrofe. E a culpa é sua – consumidor gaúcho! Não tem nada que ficar colocando empresa neste Estado, nem ficar comprando geladeira e ventilador e depois Deus ainda manda esses vendavais… O governo federal já culpa o cidadão que compra um carrinho e vai congestionar o trânsito das ruas e estradas e esses caminhoneiros que estão aí carregados e estragando as rodovias. Esse é o Rio Grande e o Brasil da cabeça cubana de vários governantes. Esse pessoal deve querer que vivamos como pessoas comuns de Cuba, pois quem é do poder tem do bom e do melhor e o resto trabalha com salário de 20 dólares por mês e vive em cortiços e na prostituição.

Cr & Ag

clip_image003Usei “mente macabra” da singular música de João de Almeida Neto – As razões do boca braba. Que sejamos os bocas-brabas e não entremos um novo Natal com a idiotia da submissão ou o aparvalhamento da ideologia fracassada. Essa enfermidade de culpar os outros de sua incompetência ou de sua visão distorcida é própria desse socialismo puído e despudorado que imaginava-se estar fenecendo. Eis que volta sempre culpando os outros e jamais assumindo suas responsabilidades.

HoHoHoHo! Como falta luz acenda velas! Se tiver luz, economize e desligue as luzes da árvore natalina, desligue ventiladores e ar condicionado e lembre-se de desligar a geladeira e o freezer, pois na economia de muitos sobrará energia nas metas do governo.Com velas e à luz da lua tudo é mais natural e romântico. Se o Noel trouxer computador ou qualquer coisa que gaste luz, ponha fora. Afinal, colabore!

Feliz Natal! Um abraço desse seu amigo cronista e do seu médico e cirurgião. Feliz Natal!

Devagar e Sempre–Edson Olimpio Oliveira–Jornal Opinião–12 Dezembro 2012

 

2012 – 12 – 12 Dezembro 2012 – Devagar e Sempre – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Devagar e Sempre

– Da série Com Bom Humor há Salvação –

Na vida e no ônibus tudo é passageiro, exceto o motorista e o cobrador – apregoa a sabedoria do motoqueiro. Amigos revoltam-se com a chamada “melhor idade”. E aqui não por sexo, nem no tipo ou gênero e, por vezes, nem no número. Então é a “melhor idade” para quem pataxó? Só se é para a farmácia e para os laboratórios. Como é legal a pessoa gastar mais com doença do que com saúde? – Bah cara, gasto um salário todo mês só com remédio! – poderia estar gastando com festas, jantares, viagens ou outros regalos. Como é legal gastar mais com flores para quem já foi e não vai voltar do que para quem chega? As coisas podem aumentar com a idade, como as orelhas e o nariz – este mesmo não sendo o Lula. Quando nos machucamos na juventude usamos um band-aid, mas naquela famosa idade os machucados rendem emplastros com ou sem sabiá. Sentiram a diferença? Vejam o drama da TPM nas mulheres jovens. Querem a todo pano que a Tensão Pré-Menstrual vá para os quintos de Brasília. Já naquela idade as mulheres anseiam pela TPM. A sigla pode ser a mesma, mas o significado… Tesão Pós-Menopausa.

Cr & Ag

E as vantagens Edinho? – nem tudo se confunde com o cinzento ou com o gris dos cabelos daqueles alérgicos a tinturas ou quando os cabelos crescem para dentro e aparece “aquele beribéri do Parkinson”. As criaturas aumentam o seu convívio social. Vejam quantas amizades novas iniciadas nas salas de espera dos consultórios e nas clínicas de exames. – Quantas colonoscopia já fizeste? Eu tô na quinta, rsrsrsrs! – apesar da saudade do preventivo ginecológico. – Era tão fácil e a gente ainda se queixava – ronrona esticada de Botox. Tem-se mais tempo para leitura. Um amigo leu três livros e várias revistas numa internação para cirurgia da próstata e tenho uma amiga que decorou mais de 1200 bulas de remédios. Logo vai entrar no Guiness Book. Outro dia um vovô no parque admirava e suspirava vendo o netinho tirar tatus do narizinho, não me contive e perguntei qual o motivo do regozijo: – Agora ele bota o dedinho dele no nariz, na minha idade entram dedos de tudo que é cor e calibre na minha próstata e… – uma lágrima brotou no canto do olho facial.

Cr & Ag

E dizem ser bom trocar os prazeres da cama pelos prazeres da mesa. Um amigo acompanha sua barriga de cerveja crescer sem respeitar os nove meses. E diz ter sangue índio, pois nunca gostou tanto de espelho como agora. Uma colega esticou-se tanto que teve que aplicar laser no queixo – cabelos migrados de lugar certo e sabido. Mas tudo tem uma solução, mesmo que seja um enorme soluço, sempre cuidando de contrair os esfíncteres para evitar alguma perda indesejada. Escapes! Esse é outro problema, usavam fraldas na infância sabendo que no amanhã estariam dominando as saídas. Naquela melhor-idade, alguns usarão fraldas sabendo que no amanhã não dominarão mais as entradas. Terrível? Pior quando não se é aposentado do Congresso, ex-presidente, dono de empreiteira ou banco.

Cr & Ag

Um casal à beira da piscina chamava a atenção de um grupo de jovens. Ele: – Querida, pode buscar uma Coca Zero pro teu gato? – lá ia ela lépida e faceira e logo vinha com o refri e um balde de gelo. Ela: – Negooo passa bloqueador nos meus ombros! – ele a lambuzava de creme. E continuava nessa balada de gatinho, meu bem, amorzinho, lindeza e outros predicados. Os jovens encantados com a situação. Eis que a “gatinha” foi buscar um leque e um Sonrisal para seu “benzinho”, os garotos e garotas atacaram o “melhor-idade”. – Que legal coroa. Bacana pacas, véioooo! Cumé que ainda mantém esse gás todo na idade de vocês, só benzinho e gatinha e outros mequetrefes? – Foi que o “melhor-idade” atalhou: – Dizem que estamos casados há trocentos anos, até deve ser, mas a gente nem lembra mais o nome um do outro e vamos nesse embalo…

Vagas especiais

Diria a lei que 2% das vagas seriam destinados a pessoas em condições especiais – grávidas, idosos e deficientes físicos? Há escassas vagas especiais aqui em Viamão City. Esperar que essa horda de motoristas e motoqueiros respeitassem essas vagas é como acreditar que o Coelho da Páscoa põe ovos de açúcar e de chocolate. Nenhuma fiscalização eficiente. Ainda existem os “azuizinhos” viamonenses? Não vemos mais nem aqueles de trinca namorando nas cercanias da Esquina Paulista. Observem defronte o Banrisul, Caixa Federal, hospital e praça da Igreja Matriz, por exemplo. Leis são como filhos, somente parir e jogar à própria sorte e ao mundo… ou vigiar e exigir sua perfeita execução? O cidadão deve fazer a sua parte – respeitar e vigiar e acusar. As autoridades que façam o que lhes compete.

 

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Uma homenagem as belas e talentosas musas do 007.

Cavando a própria sepultura–Edson Olimpio Oliveira–Jornal Opinião–05 Dezembro 2012

 

2012 – 12 – 05 Dezembro 2012 – Cavando a própria sepultura – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Cavando a própria sepultura

Se você está chocado com o título dessa crônica, então atingimos uma parte do nosso objetivo. Esse é um dos impulsos básicos do animal contido em nós, reagimos à dor. Fazendo a imagem do quadro de alguém com as próprias mãos cravando os dedos e as unhas no solo e arrastando as golfadas de terra e a cova aumentando… Dolorosa imagem numa época natalina? Terrível ainda mais quando nos afloram sentimentos de alegria e de festividades. Outro dia, por vários dias passo por uma dessas lojas de crédito, várias pessoas aguardavam dentro e na calçada para serem atendidas. E isso se repete. As festas natalinas induzem e obrigam que a criatura compre e dê presentes para os amigos, parentes e até para os inimigos. Geralmente um abraço, um aperto de mãos, um beijo ou uma flor são insuficientes neste consumismo desenfreado e estimulado. Lembram que um ex-presidente estimulava as pessoas comprarem? Certamente sua vontade estava também no caos anunciado, do endividamento, das angústias por ter gastado demais e além das suas posses e possibilidades, mas aí seria culpada “a sociedade de consumo e o capitalismo selvagem” e essas rezas tão antigas quanto superadas, mas ainda úteis para alguns.

Cr & Ag

Os olhos esbugalhados e as pupilas escancaradas numa ânsia de consumir cada vez mais e fazendo dívidas no cartão de crédito, no cheque pré-datado, no financiamento longo com carência melosa e atrativa. Há quem acredite que o mundo terminará neste próximo dezembro e as dívidas ficarão para são nunca. A orgia consumista cobrará logo ali adiante a conta em moedas muitas vezes impagáveis ou inalcançáveis e sempre em noites mal dormidas, no consumo de tranquilizantes, na escassez da libido, nos suores e diarreias, nas dores de estômago e um espinhel de sofrimentos para quem foi pescado pela sedução. Sabe aquela comida que até parece apetitosa, mas que nas primeiras garfadas já se mostra salgada ou apimentada demais? Muitos já sentem isso antes de curtir suas compras e sua gastança. Por trás desses sentimentos há outro tão ou mais enganador: – o direito à felicidade!

Cr & Ag

Essa é outra tecla gasta e de escassa racionalidade – o direito à felicidade! Quando a mente descobre essa saída, essa fuga do dever e da disciplina, a boca se enche de razão – “eu tenho direito à felicidade”. O ser humano não se basta jamais. A maioria, pelo menos. O direito à felicidade transita pelos mais diversos caminhos, desde o esforço no trabalho e no banco da escola quanto pelas ruelas da droga e da prostituição. Pela alegria de estar com quem se ama e nos ama como com a depressão mascarada de estar com quem idealizamos, mas trará um futuro tormentoso. O espírito do rebanho é algo antigo e poderoso, pois se “outros fazem, por que não fazemos também”. Esta motivação infeliz leva a manada a acompanhar seu líder ao despencar no precipício.

Cr & Ag

Somos seres emocionais em busca da maior racionalidade ou somos seres racionais seduzidos e devotados ao emocionalismo? O automóvel é um grande sonho de consumo e de realização pessoal, mas andaríamos num veículo com os freios deteriorados ou sem freios? Nosso corpo e nossa vida são veículos de passagem nesta viagem terrena e os freios estão inicialmente na visualização, no aperceber-se, no tomar consciência e ao reagir quando sabemos dos riscos inerentes as nossas atitudes. Evite-se gastar o que não possa pagar não se aposte neste jogador cruel chamado de futuro, delicie-se em ser mais e melhor e não de ter ou apresentar. Somente você tem o poder de decidir a estrada a seguir e a cama onde deve repousar. Amor jamais se compra, assim como a paz do espírito.

 

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“ENCURRALADO” – FILME DE STEVEN SPIELBERG

Elmo do Darci Sandália e Dinho do Aldo Cabeleira–Edson Olimpio Oliveira–Jornal Opinião–21 Novembro 2012

 

2012 – 11 – 21 Novembro 2012 – Elmo do Darci Sandália e Edinho do Aldo Cabeleira – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Elmo do Darci Sandalia e Edinho do Aldo Cabeleira

Numa pausa recuperadora do fôlego na aula com o professor Franken Böes discutíamos sobre temas dessa coluna, das expressões quase esquecidas e, principalmente, fatos e pessoas que têm sido eternizadas nas páginas do jornal Opinião, sempre com formidável apoio do professor Pedrão. Na mesma esteira encontrei-me novamente com um dos homens mais corajosos e destemidos de Viamão – o Elmo da Funerária ou o Elmo do Darci Sandália. Invariavelmente o Elmo me trata como o filho do Aldo Cabeleira e saca do baú as caçadas de marrecão em Arroio Grande, Jaguarão, Santa Vitória do Palmar e no Uruguai. Heim? Por que da valentia indômita do Elmo? Começa que quem se mete com o Elmo termina sob sete palmos. Os clientes podem queixar-se dos médicos, jamais do Elmo. E esse não teme fantasmas, almas penadas ou assombrações. Quer mais – o homem é uma enciclopédia viva sobre Viamão e sua gente. Há poucos como o grande Elmo. Lembrei-me de outros – o Moacir do Cartório e o Haroldo Franco.

Cr & Ag

Hoje somos ilustres desconhecidos num oceano de população crescente e atribulada em fazer contas e pagar quando puder. Trouxemos para esse luminoso espaço estórias e histórias da cidade e de seus personagens. Lembram-se da crônica “Quem roubou o caixão do Nei Fraga?” As controvérsias persistem apesar do resgate do ataúde. E das lendas de Viamão? E dos causos do tio Cirne? A saudade aflora na mente do cronista esses temas. Os Fragas são frequentes nestas andanças literárias, tanto pelo número de criaturas quanto por suas estórias. Segundo o primo Danilo Malta, quase todos somos de alguma forma parentes nesta cidade ancestral. As famílias separavam-se em muito pela política ou pelas rixas intrínsecas, isso não mudou. E a identificação da pessoa geralmente estava associada ao nome do pai, outro familiar, da família ou da origem geográfica.

Cr & Ag

O mundo torna-se homogêneo pela volumetria. Tudo fica como que pasteurizado, liofilizado, inodoro, incolor e insípido. Há criaturas que comem, bebem, dormem e transam numa corrente ou esteira de linha de montagem. A individualidade busca do sucesso, do ter mais e mais e acaba na depressão do ser menos. Há quem queira e esconda-se nesta massificação do cinzento como das sociedades comunistas de outrora ou ainda perdendo o ranço. Mas o mundo se repete e dois eméritos relojoeiros de Viamão eram colorados fervorosos – o Messilva e o meu querido tio Zé Uia e agora aí está o Alexandre (primo do Danilo) para infernizar os gremistas. Messilva e Zé Uia tinham sido barbeiros inicialmente.

Cr & Ag

Um universo de apelidos. O termo alcunha era usado para a bandidagem. Alguns incorporavam o apelido de tal forma que eram tratados como se sobrenomes fossem. Aí vai meu avô paterno – o velho Olimpio Carneiro, fundador de Estância Grande. O “carneiro” era um apelido e também avô da Maria do Clodoaldo (prima do Danilo também). Voltando ao Moacir do Cartório (primo da minha mãe Dora) e ao seu nobre pai Adônis. Entre inúmeras qualidades do Adônis estava a de orador exemplar. Tenho gravado a cena do sepultamento de um viamonense e nas despedidas finais, o seu Adônis tomou da palavra e em candente discurso trouxe todas as pessoas para as emoções incontidas em abraços e choro entre os túmulos do cemitério central. Esse extravasamento de emoções e sentimentos marcou esse guri viamonense e assisti fragmentos da dor e da coragem desse guerreiro enfrentando uma mortal enfermidade de laringe. Muito me doía silenciosamente olhar sua traqueostomia e a perda daquela voz que tanto tocava os corações. E esse guri pobre foi estudar fora de seu ninho querido, abrir uma grande lacuna temporal e optar por voltar e aqui construir família e profissão e hoje ser o médico com maior tempo profissional em Viamão.

 

Criancas Desaparecidas

 

35 MIL CRIANÇAS POR ANO

A gratidão e o papel–Edson Olimpio Silva de Oliveira–Jornal Opinião–28 Novembro 2012

 

28 Novembro 2012 – A gratidão e o papel – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A gratidão e o papel

Sempre repercutem com grande intensidade as crônicas em que citamos fatos e vultos da Viamão querida por todos nós. Um amigo leitor lembra-se de um viamonense que propaga e divulga a sua forma a nossa cidade e seu povo, é o jornalista Rogério Vaz Mendelski. Na esteira das outras crônicas, o Rogério irmão da Marta. A Marta esposa do caro delegado Parobe Magdalena. O Rogério, não importa a emissora, é meu e de muitos o companheiro do acordar, fazer a higiene matinal, tomar café e ir ao trabalho. Há quem discorde de suas posições e de sua ideologia, mas jamais se pode atribuir ao Rogério a fraqueza de personalidade ou o mudar de posição pela “governabilidade”. Talvez tenha sido o jornalista mais agredido e acossado pelo petismo xiita. Dizem que os processos choviam a cântaros em sua cabeça. Não o conheço pessoalmente, mas sei que jamais deixou de ser fiel as suas ideias e ideais, amigo dos amigos e guerreiro implacável pela evolução e melhoria deste Estado. Há que enaltecer sua coragem e seu espírito viamonense.

Cr & Ag

Tenho por rotina e hábito imprimir em papel todas as fotografias importantes da minha família, dos meus amigos e colegas, das imagens que minhas retinas gostariam de fixar e o espírito de reaquecer-se ao relembrar. Da mesma forma, a maioria dos textos que escrevo, mesmo que não sejam enviados ao jornal ou publicados em livros ou revistas. Não sei viver no o mundo virtual com as coisas do coração. Há que haver o toque, o tempo de elaborar os sentimentos, os odores e toda essa gama de emoções que fazem a nossa humanidade amar e sofrer. Imensos arquivos de vídeo e imagem guardados em pastas de computadores soam-me como de um vazio doloroso. Amo o papel e sua capacidade de mensageiro e intérprete da vida. Cada nome dos meus pacientes gravado numa receita ou prescrição é singular. É único para aquele paciente. Não tenho “caligrafia de médico”, tenho a caligrafia de quem ama e torna visível e único o que faz. Não somente os medicamentos são mais legíveis, mas o nome do paciente recebe toda uma carga positiva de respeito e amor profissional.

Cr & Ag

Eis que o jornal deve receber do autor o mesmo cuidado que tem com sua vida pessoal e profissional. Não critico quem pensa ou faz diverso, pois o mundo não nos fez todos na mesma forma primordial e é na diversidade que crescemos e buscamos a beleza. Cultivo a gratidão e a protejo na minha trajetória de vida. Agradeço ao Professor Pedrão Nigeliskii que por esses quinze anos tem sido um amigo de fé e oferece-me esses espaços jornalísticos com absoluta liberdade. Outro amigo querido é o General de Exército Médico Luiz Alberto Soares, escritor, historiador, presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames) gaúcha e por longos anos da nacional e um mecenas das artes literárias. O Soares é daquelas pessoas que o mundo nos presenteia com a sua amizade e carinho.

Cr & Ag

Perenizar, eternizar, divulgar, abrir o horizonte, estimular o conhecimento e o raciocínio do leitor e… um universo de deveres e possibilidades. Há quem compare o cronista com a mulher. – Como assim? – deve estar-se arguindo o primo Sílvio Boca (primo do Danilo, do Haroldo, da Maria do Clodoaldo, da Leda Barreto… a corda é longa). A mulher deve ser filha, esposa, mãe, neta, amiga, companheira, conselheira, apaziguadora, cúmplice, amante, protetora e tantos outros predicados e outras qualificações em sua existência. Há momentos em que a inspiração é escassa, mas o cronista deve cumprir seu prazo de entrega da coluna. Há quem faça a via curta – copiar da internet e colar. E deu. Aí sempre me bate esses sentimentos, as manifestações dos leitores, como da querida Úrsula Nigeliskii – “Edson, sempre começo lendo o jornal pela tua coluna!”. Amigos mostram recortes de jornais com as colunas arquivadas e rotinas e programas de vida podem ser evoluídos pelo toque de quem escreve e de quem lê. A luz nos traz alegrias e responsabilidades.

Nota de dor e de tristeza

De 2005 a 2012 o Brasil perdeu 41 713 leitos do SUS. A perda no Rio Grande do Sul, no mesmo período foram 2 534 leitos do SUS. O nosso Estado tem o dobro de médicos necessários para um bom atendimento conforme parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS). Sobram médicos, sobram pacientes e emergências lotadas, sobram mortos, mutilados e desesperados, faltam leitos e responsabilidade aos governantes. E falta consciência para uma melhor escolha ao eleitor enquanto sobra ideologia retrógrada, passividade e corrupção.

Seio seco

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Ex-atletas no esporte e na vida – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 14 Novembro 2012

14 Novembro 2012 – Ex-Atletas no esporte e na vida – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Ex-atletas no esporte e na vida

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Brasil solidariza-se com Ronaldo Fenômeno em sua atual batalha contra o excesso de peso. Vê-se a toda hora como ex-futebolistas ou atletas de toda ordem entregues à obesidade ou ao sobrepeso tão logo abandonam os esportes de competição. São criaturas submetidas aos rigores do treinamento físico e mental, dietas rigorosas e a vigilância cruel do ponteiro da balança. Muitos, ou a maioria desses atletas são originários de famílias pobres, carentes em alimentação e educação. O sucesso acompanha-se de dinheiro abundante, hotéis maravilhosos, corte de adoradores e aduladores. O apetite oral e o apetite sexual são controlados e sublimados ante as necessidades de resultados cada vez melhores e mais… sucesso.

Cr & Ag

Observem os encontros, festas ou viagens da terceira idade ou com exigem alguns – “da melhor idade”. Há uma predominância absoluta das mulheres. Outro dia contei numa excursão destas: um motorista, quatro homens e trinta e cinco mulheres. Ou os homens estão assistindo futebol e tomando cerveja com São Pedro ou estão tão detonados que esses encontros ficam fora de seu cardápio. Outra observação: a maioria das mulheres ultrapassou a fase do “pneuzinho e do culotezinho”, estão mais para o estágio “jamanta ou patrola”. Não é pejorativo, é explicativo da realidade. Assim com usamos “velha ou véia” tanto num sentido quanto em outro. Usamos como elucidativo para a turma das veteranas e estoicas batalhadoras que jamais se entregam ou desistem.

Cr & Ag

É bonito de ver a velocidade e a vontade como se atiram aos bufês. Pratos com comida caindo pelas bordas e os olhos esbugalhados pelo pavor que não sobrem suas preferências ou no bufê de doces. Repetições e… repetições. Conversam todas ao mesmo tempo, algo que nós homens jamais conseguiremos entender como conseguem essa façanha. E riem às gargalhadas. Espalhafato das sobreviventes e perda dos freios da juventude. Um desses freios era estar bonita e apetitosa para seu homem ou ao macho alfa. A disputa sempre foi grande pelo macho mais apto, mais bonito e até mais provedor. Essa disputa acabou e muitas nem tem mais seu macho oficial e permanente. E nem querem compromissos que não seja consigo mesmas ou com algum familiar. Algumas se idiotizam sendo provedoras de jovens falcões.

Cr & Ag

Toda a regra tem exceções, inclusive a que assim prega. O ser humano tende sempre à luz, à busca da felicidade, à busca do prazer inicialmente para si e, se possível, para o entorno. Eis que duas situações aparentemente distintas e desconexas encontram seus cruzamentos e suas rótulas. Com ou sem sinaleiras ou semáforos de alerta, de proibição ou de trânsito livre. E comer é um dos prazeres da vida. Tanto no sentido literal quanto no sentido da sexualidade. É freudiano? É humano sim. As repressões tem vida limitada, tudo se encaminha para a liberdade absoluta. E a busca do prazer na mesa e na cama tem as suas prerrogativas, suas obrigações, seus limites e seus inesgotáveis horizontes.

Cr & Ag

Eis que ser um ex-atleta gordo ou um idoso ou idosa obesos está no fluxo da corrente normal desse modelo ancestral de existência. O resto é impositivo e muitas vezes necessário para uma melhor saúde física e mental – acreditamos. No entanto quando tratamos com “sobreviventes”, qual é a nossa conduta como médico, familiar ou amigo? Complicou? E quando a criatura alveja: – Na minha idade eu tomo os remédios que o senhor manda, mas não vou deixar de fazer o que gosto e que tenho vontade para tentar durar uns meses a mais!

Sovaco de minhoca – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 07 Novembro 2012

07 Novembro 2012 – Sovaco de Minhoca – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Sovaco de Minhoca

A vida como ela é”, parodiando Nelson Rodrigues, colore-se com os cinquenta tons de cinza ou com o espectro do arco-íris e ao cronista compete esse olhar que devassa intimidades e traz a tona os sentimentos do leitor. Quantas vezes o leitor nos diz: – Edinho, escreveste o que eu sinto, mas não conseguia expressar dessa forma. O princípio de Lavoisier de que “nada se cria e tudo se transforma” traz o visível e o risível de todo dia. O cronista pode se especializar numa certa área, assim tem o que versa sobre política, outro apimenta-se com a culinária, aqueles que chutam e goleiam no futebol, passando pelos mais variados temas chega-se ao eclético da silva. O eclético é o cara flex-total. Nada lhe escapa, ou seria que nada lhe prende demasiado tempo. A criatura capta todos os canais e seus chips ligam-se a todas as operadoras, pois além dos sentimentos que o habilitam e movem, está a interação com o leitor. Aqui está a cedilha do “c” e o ponto da vírgula. Ou a cereja do bolo. Sem o leitor fica-se a “pregar no deserto”. É como pastor sem rebanho e como diria T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse: – É cachorro brincando com o rabo.

Cr & Ag

No pilates, na rua, no culto, no mercado, no telefone e na mãe da globalização – a internet – o leitor está sempre atento, inquisidor, participativo e instigante. Cobra e cobra com razão. E faz um enorme bem para o cronista e seu álter-ego. – Cara, não li o resto do jornal ainda, mas a tua coluna é sempre a primeira! – arrepia. Outro: – Edinho Cabeleira, larga dessas de política, sinto falta das tuas colunas de humor, conta outras daquele famoso barbeiro… – o contrário é verdadeiro sempre. Muitos querem a visão e a opinião sobre tal tema político, por exemplo. Tem que se dar trela e muito papo para gregos e troianos, para colorados e gremistas, para o FHC e o Lula. Viamão é uma terra fantástica, quem está longe quer voltar, quem está aqui fala um monte e planeja a aposentadoria no Pinhal ou na Cidreira. A grande Viamão City, ou melhor, a região metropolitana de Viamão é um território densamente ocupado que ao norte o limite é Laguna, ao sul batemos no arroio Chuí, ao oeste cravamos alambrado em Uruguaiana e ao leste lavamos os pés nesta baita lagoa salgada que é o Atlântico.

Cr & Ag

Há controvérsias geradas por ciumentos e outras tribos. O viamonense é um simples e muito humilde por natureza e não se melindra por qualquer mera discordância. Certa feita fui arrastado para uma monumental festa dos Fragas. Tinha Fraga de todo jeito e tamanho. E sexo. Pois quase me engasguei com a costela que estava trinchando com esses meus intrépidos dentes. Tomei um fôlego depois de umas dez tossidas para tirar a farinha do goto. – Dr. Edison (acentuou o I que não tenho no nome) o senhor está errado quando diz que Viamão é a primeira capital… blá, blá, blá. – Como sou um sujeito educado no antigo Grupo Escolar Setembrina e pela bainha de facão da dona Dora, contive-me escutando. Um amigo ao lado quase decepou a orelha, pois se acidentou com a faca que coçava a cabeça. Fui o pai e a mãe da legenda: Viamão, a Primeira Capital de TODOS os Gaúchos. Correu esse mundão de Deus e fez a fama de Viamão crescer mais que feijão mágico. Há que dar aula de leitura – TODOS – para que não suprimam palavras e de história real e não somente interpretada. Mal interpretada.

Cr & Ag

Assim é a crônica e os meandros do cronista ao encalço do leitor. Algumas vezes mais estranho que sovaco de minhoca. Seria politicamente incorreto citar “enterro de anão” como coisas estranhas e inauditas? E… estamos na reta final de 2012 e no alvorecer de novos tempos.

A virgindade e o mensalão – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 31 Outubro 2012

31 Outubro 2012 – A virgindade e o mensalão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A virgindade e o mensalão

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Brasil aparece na mídia mundial por seu exotismo. Ruim ou bom? Alguns acreditam na máxima: – Falem de bem ou de mal, mas falem e falem muito… Noticia-se o leilão da “virgindade” da jovem Catarina. Uma catarinense que colocou a sua virgindade, creio que da anatomia vaginal, num site da internet para leiloar a sua defloração, termo talvez de um arcaísmo na sociedade atual. Os lances começaram com poucos pilas por brasileiros e culminou com um japonês vencendo a disputa e oferecendo 780 mil dólares. Os contratos estão sendo elaborados com os detalhes do entrevero. Surreal? O leilão, o valor ou algo mais? Sites de relacionamento acusam que a “virgindade vaginal” da criatura catarinense não condiz com sua larga experiência e seus “calos” de outras áreas. Acusam línguas ferinas que sendo japonês o desbravador, ela poderá leiloar novamente seu “precioso dote”. A moçoila informa que com o dinheiro criará “uma ONG para casas populares”. Analogia ou alegoria com a linguagem popular que transforma vagina em “casa”. E-mail avisa que está sendo cooptada para alguma “bolsa perereca” e uma certa franquia. Alguém vai negar que isso ocorreu e como já conheci uma moça e sua bondosa mãe que atribuiu a perda da virgindade da filhota a algum alienígena…

Cr & Ag

Como a culpa sempre recai na “burguesia, na elite, na Veja e outras revistas, complô do imperialismo e do capitalismo, dos reacionários de direita e de tudo que não é de esquerda, do FMI”, agora está como uma “perseguição” do Supremo. Lula negou o conhecimento que algo assim existisse e o que existia era algo comum e corriqueiro na política. Apesar do número de ministros indicados e de gente como um Dias Tofoli, o Brasil está assistindo a vitória da lei contra o crime. Assim como não há meio crime, não há meia virgindade ou meia gravidez. É ou não é. Essas lideranças capitaneadas pelo ex-presidente Lula transformaram o PT numa sigla com proprietários. Foi interessante para ambos, mas qualquer partido deveria sempre estar acima de seus líderes momentâneos ou até idolatrados pelo populismo e passionalismo latino-americano. Os partidos devem purificar-se e manterem suas ideias e seus dogmas acimas dos interesses da pessoalidade sob pena de vivermos eternamente de idolatrias, com ídolos com os pés e as mãos enlameados. Mas sempre há quem veja nos irmãos Castro em Cuba e no Chávez modelos de poder para usarem no Brasil. Mesmo na contramão da história. Quem acompanhou minha crônica da semana passada deve atentar para a diferença de “projeto de poder” e “projeto de governo”.

Cr & Ag

Vestais ou falsas virgens! Puritanismo de fachada ou de latrina! Esse Brasil do “rouba, mas faz” ou do “se eu estivesse lá faria a mesma coisa” está estribado, lastreado, alicerçado na “certeza” de que os poderosos são brasileiros acima das leis e, portanto, impunes. A maioria servirá de tapete ou de escada nessa ideologia distorcida para que poucos vivam no Olimpo. Impunidade é a pior enfermidade de uma sociedade. Há como impedir no nascedouro que indivíduos sejam honestos ou criminosos? Há como diminuir e evoluir uma sociedade pela disciplina e nunca permitir a impunidade. Isso deveria estar consagrado nas famílias, nas escolas e na rápida execução da lei.

Cr & Ag

Missa para Waldeliro Antunes da Cunha

Convidamos para missa de 2º. ano de falecimento de Waldeliro Antunes da Cunha, dia 10 de novembro às 18 horas na Igreja Matriz de Viamão. A esposa, filha e familiares agradece o carinho dos amigos e amigas e suas preces de luz.

O governo Bonatto – André – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 24 Outubro 2012

24 Outubro 2012 – O Governo Bonatto-André – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O governo Bonatto – André

C

omo será o governo Bonatto – André? Todos querem saber. Cogitações de toda ordem, indicações não faltarão. Há uma fome contida de muitos anos na oposição e o líder do governo terá de ter a capacidade de frear alguns e apaziguar outros. Generalizando e deixando as especulações de lado – poderá constituir um projeto de governo ou um projeto de poder. Qual a diferença? Num projeto de poder o partido dominante usará de todos os artifícios éticos ou ilegais para perpetuar-se. O projeto de governo estabelece uma visão ampla e outra mais focada sobre as dificuldades e deficiências da cidade e do seu povo e estabelecerá planos bem elaborados de correção e melhoramentos, tendo a capacidade de inovar e assessorar-se de pessoas compromissadas com a qualidade, com metas pré-estabelecidas e acessíveis ao claro escrutínio do povo.

Cr & Ag

O projeto de poder é autolimitado e futuramente estará um povo submetido e corrompido pela gaiola ideológica dominante, pobre e miserável, longe da propaganda oficial, tudo para que o poder e os poderosos perpetuem-se. Infelizmente essa é a mentalidade de muitos de nossos políticos e governantes e, por descendência, do povo que o gerou. A síndrome do emprego público em que as pessoas entendem que devam ter as benesses de uma estabilidade funcional e sem metas de produtividade e qualidade está enraizada em muitas mentes e aproveitada pelos dominantes. Assim como a democracia é o melhor regime político criado pela humanidade, o capitalismo ainda é o melhor regime econômico para que a pessoa evolua pelos seus méritos e busque com plena liberdade o melhor emprego ou a melhor atividade profissional para si e a felicidade para sua família e sociedade.

Cr & Ag

O projeto de governo nasce de visão e disciplina. Então, jamais o loteamento fisiológico dos mais decisivos cargos trará sucesso e realização. O caminho entre o sonho e a vontade e a realização passa sempre pela disciplina. Um professor e dono de escolas como prefeito terá essa visão da disciplina. Retire a disciplina da sala de aula e do perímetro escolar e teremos o caos ou isso aí que denominaram “escola lúdica”. Um empresário e advogado conhece as dificuldades que passam quem se arrisca abrindo uma empresa e dando empregos, renda e vida para pessoas e famílias e sendo acossado por uma fiscalização que muitas vezes quer lhe destruir dentro da ideologia retrógrada e perversa de que patrão e operário navegam em barcos diferentes, como se ainda estivessem no século XIX. E como advogado a disciplina de cumprir prazos ditatoriais ou… fracassar profissionalmente.

Cr & Ag

Há que ter a habilidade, a coragem e o discernimento do bom cirurgião e indicar bem e operar melhor para que o paciente-povo tem um melhor desfecho. Diz-se que Viamão tem um povo que por pouco se satisfaz e que dada a essa população heterogênea até dentro das vilas não precisa ser um gênio para flagrar as mais prementes necessidades. – Tem que achar a bunda certa para a cadeira certa! – dizia um veterano da política. De outra forma, a mais apta cabeça, ou ainda, a mão certa para a caneta certa. Alegam os mais próximos que “o futuro prefeito é homem de opiniões e de decisões, que não tem espinhaço de minhoca”. Há que ser determinado sem perder a flexibilidade. Há que olhar e intuir e jamais relaxar com a coragem e… a disciplina. Estabelecer projetos e metas e exigir o fiel cumprimento.

Cr & Ag

Pode parecer paradoxal, mas um projeto de governo ajustado e bem realizado é o melhor caminho para que os governos e seus atores públicos permaneçam e sejam sempre lembrados por suas qualidades e muito pouco por seus defeitos.

Fogo amigo & Méritos – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 17 Outubro 2012

17 Outubro 2012 – Fogo Amigo & Méritos – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Fogo Amigo & Méritos

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Bonatto ganhou e o Alex perdeu! – diziam vozes em coro juntando euforia e desague de emoções reprimidas por longos 16 anos de insucessos na eleição para prefeito. Inúmeras são as causas de sucesso ou de insucesso – em tudo na vida. Permita-nos observar algumas. Iniciemos pelo “fogo amigo”. A expressão “fogo amigo” pode ser o suspiro de regozijo do assador cuidando dos seus espetos com belas picanhas e costelas ao espeto, mas nosso caminho é outro e vem da terminologia militar. Quando a infantaria estava em inferioridade ou em “maus lençóis” solicitava para a artilharia (canhões ou morteiros) ou para a aeronáutica que realizasse disparos nos inimigos. Eventualmente os aviões e os canhões erravam o alvo inimigo e acertavam os obuses e até o famigerado “napalm” nos companheiros. Matavam e feriam amigos e aliados.

Cr & Ag

O prefeito Alex sofreu do “fogo amigo” explícito e pelas costas de muitos petistas insatisfeitos com isso ou aquilo. Estando no cerne que falta bolo para tanta boca. A governabilidade do lulismo exige quarenta Ministérios e centenas de milhares de cargos para os amigos e seus cooptados. Assim acabaram os partidos reais e ficou essa politicopatia entronizada em siglas abjetas ou de aluguel. Pois Viamão está dentro da conjuntura brasileira com eleitores e políticos que de uma região para outra não tem nenhum interesse além do poder e do local, assim como no Brasil. Ou alguém acha que norte e nordeste e sul e sudeste buscam os mesmos fins? Diversos petistas de carteirinha vinham falando e mal do prefeito Alex. Lembram-se da alegoria do palhaço incendiando o circo? Estava mais fácil para eleitores não vinculados verem vantagens no governo atual do que muitos petistas e inclusive CCs, apesar de alguns estarem com o leite escorrendo pelos lábios.

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E o Robson? Pois é, quem é o Robson? Está pergunta varou toda a campanha. Certamente se o candidato fosse alguns dos petistas que aí estão no legislativo e expostos há vários anos, essa pergunta nem existiria. A imagem e a pessoa do Robson não chegaram a muitos eleitores, votavam na imagem e na pessoa Alex ou no PT. Ou rejeitava-se. Certamente que os desgastes de longo tempo na prefeitura criaram fissuras e feridas dolorosas para todos os lados, inclusive no lado interno. A logística das oposições instrumentou e atiçou essas dissidências. Não creio que mensalão e o abraço de Lula-Maluf tenham realmente influído muito no escore viamonense. Os outros opositores estavam na vitrine e na janela a longo tempo. Bonatto é um veterano na política, daqueles que sabem se a barriga está grávida ou se é só vento trancado e o vice André vêm caminhando e buscando o melhor estilo Ridi ou Chico Gutierres por todos os recantos do Viamão. É o velho trabalho de formiguinha que rende votos sempre.

Cr & Ag

A campanha Bonatto-André foi mais intensa e massiva do que dos demais concorrentes. Estava mais para o time do Grêmio com a faca entre os dentes e sangue nos olhos do que para o Internacional da “zona de conforto”. “É tudo ou nada, “vamo-que-vamo”, é agora ou agora.” Podres na sarjeta eleitoral e “ferro na boneca”. O “novo” e a “mudança” moviam corações, inclusive os empedernidos. O voto útil achou seu melhor caminho – “vamos de Bonatto pra mudar e não vamos nos outros porque ali não se ganha eleição”. Gaúcho gosta muito de cavalo com ares de vencedor e não aposta em cavalo paraguaio. A importância da militância sempre foi fundamental ao petismo, nessa campanha viam-se militantes propagando seu vereador e não seu prefeito. A militância de Bonatto-André estava mais integrada e focada. Lado a lado nos cruzamentos via-se a diferença ao agitar as bandeiras. Méritos aos vencedores e ensinamentos para todos. Voltando à analogia do futebol – que a torcida queira o melhor para o seu time (Viamão) e não a sua desgraça por ser contrária ao técnico (prefeito). Que Viamão seja cada dia melhor para todos! Parabéns e feliz administração Bonatto-André e seus apoiadores!

Participe:

Médicos sem Fronteiras

www.msf.org.br

0800 941 0808

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